Capítulo 4

Na casa de Cath, mal tiveram tempo de deixar suas coisas, tomar um café se dar uma ajeitada, e já era tempo de saírem de novo. A campainha tocou e Catherine foi atender com um sorriso.

- É alguém que vocês conhecem muito bem. Veio do Texas, e vai à igreja conosco.

Quando Cath começou a falar Grissom imaginou quem seria, ao ouvir a palavra "Texas" abriu-se num amplo sorriso, só podia ser Stokes.

- Nick! – exclamou assim que o outro entrou e lhe deu um apertado abraço.

- Sara Sidle...Que saudade! ... - Ele também abraçou Sara, e os dois se olhavam com os olhos úmidos, emocionados.

Passado aquele instante de comoção, Nick enxugou os olhos e apresentou a todos sua mulher, grávida de seis meses, Cinthia. Ela também era do Texas, tinha como Nick olhos e cabelos castanhos e sua extrema simpatia conquistou as duas ex-CSI's.

Nick estava com um terno escuro, morrendo de calor. Tirou o paletó e podia-se ver os pneuzinhos, através de sua camisa fina. Grissom que não deixava nada passar, falou:

- A vida no Texas fez bem a você, não?

- Não posso me queixar. Estou lá há cinco anos, me casei, espero meu primeiro filho e tenho um belo rancho com gado de corte. É, estou prosperando! – Disse o risonho Nick.

- Puxa, cinco anos já! – Exclamou Catherine trazendo café, para os recém-chegados.

Cinthia recusou o café. Desde que ficara grávida, tinha eliminado o consumo de café. Catherine, então ofereceu o mesmo que dera às crianças: leite e biscoitos de chocolate. Dessa vez, Cinthia aceitou. Isso lembrou a Grissom, que não conheciam seus filhos ainda. Chamou-os da cozinha, onde faziam seu lanche.

Vieram para a sala e ouviram suas apresentações.

- Nick, meus rebentos: William e Emily! – Apresentou-os Grissom.

Os gêmeos se entreolharam Agora alguém dizia: "puxa, como estão grandes!"; alguém se espantaria "são a carinha dos dois!" e alguém contaria a história dos seus nomes!". Dito e feito. Cinthia falou do tamanho deles; Nick falou da semelhança com os pais e Catherine contou a origem dos nomes.

William que era mais rápido piscou para a irmã, com ar de "eu não disse?". Tinha também, uma linguinha afiada. Abriu a boca para falar alguma coisa, mas fechou-a imediatamente, a uma olhada feia de Sara, que conhecia muito bem, o filho que tinha.

- Você já leu "O morro dos ventos uivantes", Emily? - Perguntou Cinthia, aludindo ao romance famoso, de Emily Brontë de quem a menina herdara o nome.

- Não, mamãe diz que ainda é cedo para mim.- Respondeu Emily que ultimamente, dera essa mesma resposta, inúmeras vezes.

"Como os adultos são previsíveis", dissera o irmão, certa vez. Agora Emily tendia a lhe dar razão. Eram sempre as mesmas falas, mesmas perguntas. Pareciam não saber conversar com eles. Ela se ressentia, com isso, pois já estava virando uma mocinha, e se aborrecia com a conversa extremamente infantil que lhe dirigiam.

William não gostava também, mas por outro motivo; garoto de grande atividade com uma rotina extracurricular intensa achava os adultos, molengas e babacas. Eles nunca podiam lhe acompanhar! Grissom achava que era culpa sua. "Sou velho demais para segui-los, Sara!".

- É mesmo um pouco pesado para sua idade – falou Cinthia, servindo-se de um biscoito.

- Mas eu sei um trecho de um poema dela, que mamãe sempre recita pro papai - Falou Emily, enquanto Sara tentava lembrar-se de qual poema a filha falava.
"Que luz brilhou no meu azul celeste,
Ou nova aurora para mim raiou?
O bem da vida é o bem que tu me deste
E o bem da vida em ti se consumou".

Grissom gostou, mas era suspeito. Gostava de tudo que suas crianças faziam. Quando faziam travessuras, contudo, eram "filhos de Sara". Cath olhou para seu relógio e falou:

- A conversa tá muito boa, mas estamos em cima da hora. Na volta, todos virão para cá e poderemos conversar mais um pouco. Farei uma pequena recepção aqui em casa.

- Você fará isso? – Perguntou Sara.

- Sim, é só para nosso antigo grupinho. E, afinal, ele não tinha família; alguém tinha de fazê-lo!

Todos concordaram com a cabeça. Ele merecia isso e muito mais. Por um instante, sua presença invadiu o ambient, e um silêncio respeitoso se fez. Para logo em seguida o burburinho começar novamente. Sara viu a fita torta na cabeça da filha e foi arrumá-la. Automaticamente, olhou para a gravata de Grissom, e viu que estava torta também, revirou os olhos e foi até ele.

Nick colocou o paletó. Cinthia arrastava os pés, não pelo peso mas os sapatos novos, faziam seus pés doerem. Catherine procurava freneticamente, as chaves do carro.

- É esta aqui? – Indagou William, mostrando umas chaves, num chaveiro de coelho.

- É, sim, meu filho! Obrigada! – Respondeu uma desolada Catherine, com uma expressão engraçada, no rosto e os óculos, na ponta do nariz. – A gente sabe que está ficando velha quando perde as chaves.

Sara falou que Grissom fazia isso o tempo todo e, invariavelmente, era William, que as achava. Isto não consolou nem um pouco, a vaidosa loira.