Capítulo 5
As crianças queriam subir correndo a escadaria da igreja, o que fez Sara intervir:
- Crianças, não corram! Vocês podem cair – gritou em vão, porque elas já iam longe, para ouvi-la.
- Filhos, hein?- Disse Nick, no mesmo degrau que eles.
Grissom respondeu:
- São maravilhosos! No começo você se assusta: depois, acha que não há nada igual.
- Bom, por enquanto estou assustado só!
Grissom riu. Achara engraçada a cara de Nick. Sara sorria e olhava pra cima:
- Acordei hoje, pensando em Warrick!
- Não se passa um dia, sem que eu não pense nele! – Suspirou Nick!
- É natural, vocês eram muito amigos! – Disse Grissom.
Cinthia apertou a mão do marido, solidária: não conheceu Warrick, mas já ouviu falar tanto dele, que é como se o conhecesse. Catherine diz de repente, com voz sombria, que ele está lá com eles. Sara, que não acredita nessas coisas, olhou torto para a amiga. Grissom percebeu o ar pesado e disse:
- Ele era muito "gente fina"! Com toda certeza, iria estar aqui animando a gente!
Nick concordou com a cabeça e entraram na igreja, onde William já os aguardava, com uma reclamação a fazer:
- Bem como eu disse: não tem ninguém da minha idade aí dentro.
- Shhhh! Mais tarde, discutiremos isso! Agora não é hora, nem lugar – imediatamente, replicou Sara.
- Mas mãe...
Uma olhada feia de Grissom o fez calar. Parece que ao voltar a Vegas, ele encarnava, novamente, o papel de supervisor durão. Catherine viu um banco, quase vazio no meio da igreja. Carregou seus amigos para lá.
Conforme eles passavam, Grissom e Sara encontraram muitos conhecidos, que cumprimentaram, com um leve menear de cabeça. "Nossa, como Sofia está envelhecida!", "Ecklie! Meu Deus! Esqueci, completamente dele!", "Greg se tornou um belo homem. Aquela moça ao lado dele, deve ser a esposa!", ia pensando Sara.
Finalmente se acomodaram. Catherine,olhava para a entrada, para melhor vigiar quem vinha anunciou:
- Agora, está entrando o Dr. Robbins!
Os antigos CSIs se viraram, e viram um homem com semblante orgulhoso, sentado numa cadeira de rodas empurrada por um rapazola, que Catherine contou, ser o neto mais velho do doutor.
- Depois que a esposa faleceu o ano passado, ele resolveu ir para uma casa de repouso, para não dar trabalho pra ninguém.
- Penso que ainda estou naquele tempo. Esqueço que os anos passaram e o Doc não está mais no CSI – suspirou Sara.
Ninguém sabia se o suspiro de Sara era pela rapidez dos anos que se escoavam ou pelo Dr. Robbins. Ao ouvir menção do falecimento da Sra. Robbins, Nick e Grissom apertaram as mãos das respectivas companheiras, porque cada um a seu modo, nem ousava pensar na vida sem a mulher, por perto. Catherine continuou:
- Ele foi afastado logo depois que o Nick saiu. O David ficou em seu lugar.
- Eu saí há cinco anos, porque meu pai estava mal e precisavam de mim por lá. Aí conheci a Cinthia e...Sabem, como é, uma coisa leva à outra... E eu nunca mais voltei. Acabei me estabelecendo por lá.
- E seu pai, melhorou?
- Ele morreu, Grissom! Seis meses, depois que fui para casa.
- Oh, eu sinto muito! Eu não sabia. De verdade – e Grissom estava sinceramente mortificado.
- Tudo bem! – Intrometeu-se Cinthia, percebendo que Nick ficava emocionado, ao lembrar-se do pai. – Já faz tempo mesmo.
Catherine olhava de novo, para a entrada quando Lindsey entrou com o marido. Após averiguarem um pouco o local, acabaram ficando atrás. Com o olhar, a moça achou a mãe e acenou para ela.
Sara notou que Catherine retribuiu o aceno, aborrecida porque a filha não veio se sentar do seu lado. "Aonde? Apertando um pouco teríamos lugar para um, e não tem cabimento, ela sentar-se aqui e o marido lá atrás se acharam lugar, para os dois", pensou ela.
No mesmo instante, uma voz bem conhecida deles perguntou se eles poderiam se encostar um pouco para ele poder sentar, Nick que estava na ponta, levantou a cabeça e abriu-se num amplo e franco sorriso.
- Brass!
