Capítulo 6

Levantou-se para dar um forte abraço no capitão. Grissom sorriu para ele, enquanto Brass era apresentado a Cinthia. Foi então a vez de Grissom ser abraçado e apresentar-lhe os gêmeos que ouviram pela enésima vez, "como estavam enormes" e "como pareciam com os pais". Além do abraço, Sara sapecou um beijo na bochecha, daquele homem tão especial, que fora como um pai para ela em Las Vegas.

Quando chegou em Catherine, ela olhou para o relógio e limitou-se a dizer:

- Atrasado!

Ele fez um gesto, eximindo-se de culpa:

- Não tive culpa, o trânsito está infernal!

- Você chegaria atrasado no seu próprio funeral!

- Querida, acredite – falou Brass, se ajeitando no banco. – Se eu pudesse, faltaria a esse compromisso!

Sara sorriu: apesar de estar com o cabelo que lhe restava todo branco, continuava afiado, como sempre. Um pouco depois, o ministro batista, começou o serviço fúnebre de David Hodges.

Wendy sentada na 1ª fileira trajava um tailler preto com um enorme chapéu também preto. Chorava um pouco, de vez em quando e segurava na mão de dois meninos magros. Sara perguntou para Catherine se aqueles meninos eram dele. A loira, que sabia da vida de todo mundo, confirmou com um gesto de cabeça.

O retrato de Hodges aparecia,com certo destaque, ao lado das inúmeras coroas. Ecklie atendeu ao chamado do ministro e subiu ao púlpito, falando do trabalho dele,no CSI. Catherine perguntou se Grissom queria falar algo em nome dos antigos colegas do CSI, na qualidade de seu antigo supervisor e melhor amigo.

Grissom engasgou-se recebendo uns tapinhas nas costas de Nick.

- Melhor amigo? De onde você tirou isto?

- Era assim, que ele se referia a você. – Falou Catherine.

- Que absurdo! Nunca foi o meu melhor amigo.

- O importante era que ele assim se considerava. – Falou Catherine. – Portanto, se eu fosse você falaria.

- É, amor, você está acostumado a falar para muita gente! - Se intrometeu Sara.

- Você acha mesmo? Eu não preparei nada!

- Não precisa preparar nada, Gil, é só deixar o coração falar. – Continuou Catherine.

- Mas Ecklie levou um calhamaço pro púlpito. – Ponderou Grissom.

- Ora, o Ecklie! Ele precisa de um roteiro até para ir ao banheiro, pelo amor de Deus! – Finalizou Catherine.

Grissom acabou se convencendo e, quando o ministro perguntou se algum amigo queria dizer algo, ele levantou a mão e foi lá pra frente pensando no que diria. Instalou-se no púlpito e olhou bem de frente, para sua viúva. O tempo parecia não ter passado para Wendy.

Olhou para o retrat, bem ao seu lado. Os olhinhos zombeteiros, curiosos e perscrutadores de sempre, pareciam encará-lo. O quê ele apreciaria, neste momento? Grissom foi pescar no fundo da memória, dados sobre Hodges que considerava esquecidos.

CONSIDERAÇÃO. Isto era uma coisa muito importante, pra Hodges e ele começaria por aí. Pensando assim Grissom começou seu elogio fúnebre:

- "Caros amigos! Pelo que posso perceber, os antigos e os novos CSI's de todos os turnos, o pessoal do laboratório, os detetives, todo mundo veio, ele apreciaria muito a consideração de vocês. Então, vou começar agradecendo a todos pela presença. Estou certo, que agradecer, seria a 1ª coisa que ele faria, se pudesse.
Bem, o que poderíamos dizer de David Hodges? Ele era curioso, investigativo, gostava de conversar e fazia bem seu trabalho..."

Emily imitou o pai, traduzindo:

- Ele era xereta, fofoqueiro, tagarela e não se empenhava muito no serviço...

- EMILY!

Sara nem percebeu que elevara a voz. Nick e Catherine sorriram pois sabiam a verdade. William tinha a expressão de quem se esforça para se lembrar de alguma coisa. Por fim, fazia a expressão de quem acendera uma lâmpada interior.

- Mamãe, esse Hodges não era o puxa-saco do papai?

Antes que Sara falasse qualquer coisa, Catherine foi mais rápida e respondeu ao garoto:

- Esse mesmo!

- CATHERINE!

Dessa feita, saiu um grito, que fez com que todos se voltassem para Sara, inclusive Grissom que levantando a sobrancelha, parou o que dizia para tentar entender o que se passava com sua família. Sara ficou vermelha, William ficou satisfeito e Catherine olhou para Sara dizendo num cochicho:

- Que foi? É verdade!

Grissom continuou falando. Sabia que estava no caminho certo porque Wendy aprovava o que ele estava falando, ora balançando a cabeça, ora lançando um olhar de aprovação para o improvisado orador.

Ele enfim finalizou com uma citação de Shakespeare, o que levou William a comentar com Sara:

- É do meu xará, não?

Sara fez um gesto afirmativo, com a cabeça