Capítulo 7

Sara ficou observando seu filho. Diziam que ele era muito parecido com ela (e era mesmo!), embora Sara não concordasse muito com isso. Pensava que o filho era mais bonito e vivaz, que ela aos 13.

Tudo indicava que ele seria um rapaz bonito, bem alto e bem magro. Agora mesmo, o terno estava "dançando" nele, mesmo tendo sido apertado na loja. Ela se preocupava com a magreza do filho desde pequenino.

Olhou para a filha. Ela era a cara de Grissom e puxara dele, uma tendência a engordar. Fora um bebê lindo, gorducho, com os cabelos escuros anelados e enormes olhos azuis.

Desde pequenos ela travava uma batalha inglória: fazer o filho comer e a filha fechar a boca. "Pelo visto, não tive resultado com nenhum dos dois", pensou meio desanimada. William parecia impaciente e Sara pensou se fora boa ideia trazê-los.

Ela e Grissom tiveram longas conversas a respeito. Ela achando que eles ainda eram muito novos pra isso. Ele contra-argumentava, que eles não tinham o direito de enclausurá-los, eles não tinham com quem deixar as crianças e além de tudo, seria uma ótima oportunidade de mostrá-los ao pessoal em Las Vegas.

- Pense bem, Sara! Talvez tenhamos de esperar mais 13 anos, para voltar pra lá querida!

Esse argumento acabou por convencê-la. No fundo ela gostaria muito de mostrar seus rebentos aos amigos. Então estava resolvido: os gêmeos iriam.
O difícil fora convencer as crianças a quererem ir até Las Vegas. Elas não gostaram muito da ideia de não ter gente da idade deles, só "um bando de velhos", como dizia Emily.

Elas estavam acostumadas com as histórias do CSI e seus personagens,desde pequenas. Contavam alguns casos mais leves, e amenizavam a violência em outros. Nunca se mencionava estupro, tripas pra fora ou muito sangue. A história da assassina das maquetes, por exemplo, por envolver Sara era muito contada, mas se passava muito por cima dos crimes.

Pode-se dizer, que no decorrer do tempo ela se centrara mais na figura de Sara. Dizia como a mamãe era valente e corajosa e se adaptava às circunstâncias para sobreviver. Era uma história que sempre vinha à baila, quando os gêmeos tinham de ir ao médico, ao dentista, ou estavam passando por alguma situação difícil.

É claro que gostariam de conhecer os personagens daquelas histórias, isso mexia com a curiosidade dos gêmeos; por outro lado não queriam levar beliscões nas bochechas, nem ouvirem pela milésima vez, da semelhança com os pais.

Não que parecer com os pais lhes desagradasse, longe disso. O que era desagradável, era a falta de assunto, com eles. Não eram mais criancinhas, muito menos burras, não fossem eles, filhos de quem eram! Pareciam com os pais, não apenas no físico, mas na teimosia e gênio difícil também.

Meio contrariados, foram. E a viagem, até agora não tinha mostrado nada excepcional pra eles: uma tia Cath muito emperiquitada e engraçada; um tio Nick fora de forma; um tio Brass, que tinha mais cara de avô que de tio, e só.

Grissom tendo acabado seu elogio fúnebre descera do púlpito, pegara nas suas, as mãos de Wendy e trocou algumas palavras com ela. Depois, com passos apressados, passou reto no seu banco, dirigindo-se adiante onde estava Greg.

Conversou um pouco com ele, e no mesmo ritmo, retornou ao seu lugar. Sara que o conhecia muito bem, sabia que aqueles passos apressados significavam preocupação com alguma coisa.

Quando o marido voltou ao seu lugar, Sara perguntou se havia alguma coisa errada. Grissom respondeu, num tom de voz baixo:

- Nada. Só irei carregar o caixão com Brass e Greg, representando nosso pessoal. Os outros três, serão novos CSI's. Wendy me pediu, e eu não pude recusar. – Pareceu lembrar-se de algo e perguntou. – E aquele grito, Sara? O que foi aquilo?

- Nada, não foi nada! – E olhou contrita para frente, bem como as crianças.

E mais uma vez, uma pergunta do papai, ficou sem resposta.