Capítulo 8
Foram ao cortejo fúnebre no carro de Catherine. Brass carregou Nick e a mulher com ele, desafogando o carro. Os gêmeos deram "Graças a Deus" por isso. Na ida até a igreja tinham ido como sardinhas em lata.
Sara toda feliz, rememorava seu reencontro com os antigos colegas que há muito tempo não via.
- Greg está ótimo! Não lembra em nada, o rapaz estouvado que conhecemos! – Sara deu um suspiro. – Tenho lido também o que ele escreve, muito bom mesmo!
- Você viu que ele escreveu sobre nós? – Perguntou Catherine.
- Sim, foi muito simpático da parte dele. Lembrar tão bem de nós!
- Sem modéstia, Sara, mas nós formávamos uma equipe e tanto!
- O tio Greg pôs a mamãe e o papai num livro? – Questionou Emily.
- Todos nós estamos lá, querida! – Respondeu Catherine.
- Que legal! – Assanhou-se William. – Podemos ler esse livro, mamãe?
Sara deixou de lado as reminiscências e voltou a incorporar o seu papel de mãe.
-Assim que voltarmos pra casa conversarei sobre isso, com o papai.
- Pronto! Lá vem outra conferência! Ora, mamãe, não somos mais criancinhas tolas! – Reclamou Emily, cruzando os braços e fechando a cara.
- É. Já temos 13 anos, mamãe! – Ajuntou William.
- Grande coisa! – Exclamou Sara aborrecida.
- Não tenho nada com isso Sara, mas creio que você não pode tratá-los como bebês, a vida inteira. Eles estão crescendo! – Disse Catherine.
Sara lançou um olhar feroz à loira. Em sua opinião, ela não tinha moral para falar nada, pois ainda queria mandar e desmandar, na vida de Lindsey, casada e já entrando na casa dos 30. Buscou com o olhar o auxílio do marido, mas desistiu, ao vê-lo olhando embevecido para as crianças.
Grissom no fundo se deliciava com aquele pequeno motim doméstico. Sara os tratava mesmo como bebês e às vezes exagerava na proteção. Eles estavam crescendo e ele sabia muito bem, que o relógio não ia andar pra trás, apenas porque a Sra. Grissom assim desejava.
Depois da observação de Sara o carro ficou silencioso, então Grissom se resolveu a falar alguma coisa, mesmo que fosse para ouvir sua própria voz, a ressoar naquele carro. Havia muitos tipos de silêncio. E este não era bom.
- Veja se dá para acreditar: o Greg é o supervisor do noturno! O tempo passa e a gente não percebe!
- Eu era pra ter esse cargo, mas quando me casei o Ecklie não quis me transferir para o turno do dia, e seria muito difícil levar um novo casamento assim, então deixei o CSI - suspirou Catherine. – Se bem que o dinheiro que ganhei do meu pai, tenha sido de grande valia!
- Ah, agora é pai, não é mais Sam? Este é um grande progresso!
- Faz muito tempo... As coisas mudam Gil, as pessoas também.
- Falando nisso, como o Ecklie está envelhecido. Ele ainda está só? – Perguntou Sara.
- E quem quer aquele traste?- Arregalou os olhos Catherine ao responder para Sara. – Sabe aquele velho ditado, que fala que o homem é como o vinho? Melhora com o tempo?
Sara e Grissom fizeram que sim, com a cabeça, ao mesmo tempo.
- Pois bem: não se aplica ao Ecklie, quanto mais o tempo passa mais ele se transforma em... Vinagre.
Grissom riu deliciado. É, Catherine tinha uma certa razão ao falar que as coisas mudam, no decorrer dos anos. Contudo algumas coisas nunca mudam.
E assim, chegaram ao cemitério e Grissom precisou de alguns segundos para se recompor. Tempo mais que suficiente para Sara inspecionar, pela enésima vez, naquele dia, a gravata de Grissom e a fita de Emily. Ambas tortas, como era de se supor.
O enterro transcorreu bem, tirando o fato de que William caiu numa cova aberta e foi salvo por Nick, que tinha um certo trauma de covas; e Emily ter rasgado um pouco seu vestido azulão, ao se debruçar nas barras de metal, no túmulo de Hodges. A curiosa menina conseguiu de alguma forma, se enganchar ali. Sara suspirou: ela estava cada vez mais parecida com Grissom, nas qualidades e defeitos.
Catherine retirou uma flor, do buquê que havia levado, para Hodges, e disse pra Sara:
- É para Warrick!
Sara também pegou uma flor, das que havia levado e seguiu a amiga, pelo cemitério. Pouco depois, pararam na frente de uma lápide. A loira se abaixou, pôs sua flor e, observando um ramalhete fresco, de cravos vermelhos, pensou. ´"Nick já esteve aqui!",lembrando que o amigo levara flores iguais, para Hodges.
Catherine fez uma oração silenciosa, enquanto Sara, também em silêncio, falava com o amigo: "Oi, Warrick! Sei que faz muito tempo e nem sei se pode me ouvir. Em todo o caso, quero que você saiba que sempre lembro de você e, você estará sempre vivo, em nossos corações. Gil ainda se sente responsável, por tudo que aconteceu aquela noite. Eu tento tirar essa ideia da cabeça dele,mas você sabe como ele é. Ah, Warrick, trouxe os meus filhotes para o pessoal conhecer. Todos dizem que eles são muito parecidos comigo e com Gil, então sei que você gostaria deles, assim como gostava de nós. E, de onde estiver, se for possível, cuide deles, sim? Obrigada por me ouvir, e muita paz para você, meu amigo!".
Sara julgou ver lágrimas querendo cair, dos olhos da outra.
- Você tinha uma quedinha por ele, não Catherine?
A loira demorou uns segundos para responder, e quando fez, foi como se revolvesse seu passado. Com o olhar distante, compartilhando sua lembrança mais cara, ela suspirou e respondeu, resignada:
- Não era pra ser... Paciência...
Depois de enxugar os olhos com as costas das mãos voltou ao presente, encarou Sara, seriamente, pôs as mãos em seus ombros e falou:
- Nem todos possuem a sorte de ficarem juntos e terem o seu final feliz. Você e Gil tiveram muita sorte, foram feitos um para o outro. Apesar de tanto desencontro, acabaram juntos. Não desperdice, nem um precioso minuto. Viva cada um deles como se fosse o último de sua vida pois ninguém sabe o que o destino reserva pra gente... – Terminou olhando para a lápide a sua frente.
Sara concordou com a cabeça e Catherine, continuou:
- Agora, tenho um assunto delicado a lhe falar, é sobre seus filhos.
-Do que se trata? – Perguntou já com a testa franzida.
