Epílogo
- Acendeu a lâmpada mesmo de dia, Greg? – Nick brincou com o ex - companheiro.
- Não, eu a tirei do soquete, para jogá-la em sua cabeça, não se lembra, Nick? – E dando-lhe o troco, Greg demonstrou que ainda mantinha a sintonia com o outro.
- Meninos, meninos! – Intrometeu-se conciliadora Catherine. – Vamos ouvir a ideia de Greg.
- É uma ideia muito simples na verdade...
- Essas costumam ser as melhores: funcionam!
-É o que eu acho também, Brass! Cath, você tem uma máquina fotográfica que não seja digital, aí?
Catherine balançou a cabeça, afirmativamente.
- Então, pegue-a, por favor! Vamos capturar o momento num retrato. Eu mando revelar em ponto grande no laboratório e depois envio a cada um uma cópia. Assim esse momento ficará eternamente, aprisionado nessa foto. Não sei o que o futuro nos reserva, a única coisa de que tenho certeza é que presente nos pertence. Então, que ele seja nosso prisioneiro!
Todos se entusiasmaram. Os casais Grissom e Stokes sentaram-se no sofá. No braço ao lado de Grissom acomodaram-se os gêmeos. Nick levantou-se, dando seu lugar a Lindsey e foi-se acomodar, no outro braço, perto de Cinthia. Atrás do sofá, ficaram em pé: Greg, Elizabeth, Brass e o marido de Lindsey. Agachados na frente, como num time de futebol, estavam David, a mulher, Sofia e Catharine, caso quisesse se enfiar lá. O Dr. Robbins colocou sua cadeira ao lado de Nick.
Ao voltar para a sala, com a máquina nas mãos, Catherine ouviu um ruído de gente se ajeitando, palavras e frases soltas, piadinhas sobre a aparência um do outro, coisas enfim, que a remetiam ao passado, o que ela não queria, pois cutucar o passado era atitude de velho. E Catherine recusava-se a ficar velha.
Enquanto armava o tripé para fincar a câmera, olhava de rabo de olho o que acontecia a sua frente: Elizabeth tirava uns fiapos do terno de Greg, que resmungava que ela não conseguiria deixá-lo mais bonito! Cinthia arrumava o paletó de Nick, que muito vermelho se queixava do calor.
Sofia tinha se levantado e cuidava da aparência do Dr. Robbins. Lindsey achava que o marido estava ótimo. Sara arrumou os filhos, virou-se para Grissom e mergulhou seus dedos longos, naquele algodão macio, ajeitando alguns cachos rebeldes. Depois, desceu a mão e esfregou uma sujeirinha do rosto.
Ele então, olhando-a de um jeito, que apesar dos seus quase 50 anos a fazia enrubescer perguntou aludindo a uma cena, entre eles, de muito tempo atrás.
- É gesso, querida?
- Não, é sujeira, de verdade! – Disse ela, entendendo a alusão.
Elizabeth agora se voltava para ajambrar Brass. Catherine esperou Sofia voltar ao seu lugar. Avisou o pessoal que logo, o retrato seria tirado. Sara, num gesto afetado, mas que nela, caía bem, ajeitou seu coque, seu vestido, seu colarzinho de pérolas, e perguntou a Grissom se estava bem.
Grissom olhou para ela transbordando de amor.
- Está linda, como sempre! – Sussurrou.
Sara abaixou os olhos. Era incrível como ela sempre se sentia como uma adolescente desajeitada, quando ele dizia essas coisas.
Catherine ajustou o disparador para tirar a foto em 10 segundos. Correu para se jogar ao lado de Sofia, pediu para olharem para frente e dizerem X.
Greg pensava em como encaixar esses momentos em seu próximo livro; Elizabeth preocupava-se com seus "diabinhos"; Brass e o Dr. Robbins pensavam que, a partir de 2ª feira, a vida deles, voltaria à opacidade de costume.
Lindsey e o marido, só tinham pensamento, pro seu próximo filho; Sofia resolvia se dava ou não, uma chance, ao companheiro detetive, afinal, não queria terminar seus dias sozinha; David achava aquela reunião, o máximo e sua esposa estava muito feliz, por conhecer aquele pessoal ao vivo, depois de passar anos ouvindo falar deles.
Nick estava assustado com a vinda do herdeiro, enquanto Cinthia imaginava como poderia fazê-lo aceitar fazer um regime, sem ofendê-lo; Catherine sorria feliz porque dera tudo certo.
Os olhos azuis de Emily sonhavam em poder ler o livro de Greg, que mencionava os CSI's; William voava através da imaginação e se via adulto, como um destemido CSI, metido em suas próprias aventuras.
Grissom se dividia entre a mulher de sua vida e os gêmeos, todo o seu tesouro estava naquele sofá. Podia lhe acontecer qualquer coisa: se os quatro estivessem juntos, tudo estaria bem.
Sara sentia-se a mulher mais sortuda da face da terra. Viera a Vegas, atendendo ao pedido do homem que amava. Após anos de tentativas, foras memoráveis, trocas incendiárias de olhares, ele rendeu-se incondicionalmente. E nunca uma mulher fora tão amada; e ainda por cima, este homem maravilho lhe dera duas crianças lindas, que eram sua alegria.
Parece que todo mundo segura a respiração. Até se ouvir o "click" característico, reinou na sala um silêncio absoluto. Depois, num crescendo, o som de vozes foi dominando o ambiente.
De fato, não podemos prever o futuro. Mas o passado é o nosso legado e o presente nos pertence. Provavelmente, pra moldarmos o futuro.
FIM
