Hey!
Espero que estejam gostando.
Declaimer: Naruto e a história não me pertencem, cabe a mim, somente a adaptação. Do original "Sempre fui sua" de Penélope Douglas, adaptação para Sasusaku.
CAPÍTULO QUATRO
.
.
.
O resto do dia se desdobrou em uma sucessão de momentos surreais. Tinha que constantemente dizer a mim mesma que estava em um sonho e que este não era realmente o primeiro dia de aula. Recebi muitos elogios por causa da minha briga no almoço, então senti que essa não podia ser mesmo a minha vida.
Depois que minha raiva passou, me dei conta de que eu tinha batido em outro aluno em território escolar. Podia me meter em encrenca – muita encrenca – por causa disso. Cada anúncio ou batida na porta da sala de aula fazia com que as minhas mãos tremessem.
Mandei uma mensagem para Ino depois que saí do refeitório e me desculpei por abandoná-la. Como fiquei escondida na biblioteca durante o restante do almoço, tive tempo para tentar entender que diabos estava acontecendo comigo. Por que eu apenas não saí de perto do Naruto? Foi divertido chutá-lo no saco? Sim. Mas, ultimamente estava perdendo o controle e talvez estivesse levando o conselho de vingança de Ino muito ao pé da letra.
– Oi, Jackie Chan! – Temari, uma colega da aula de Política do último ano, sentou- se ao meu lado. Ela imediatamente colocou a mão dentro da bolsa, pegou um gloss rosa cheio de purpurina e passou nos lábios, me olhando feliz.
– Jackie Chan? – Arqueando as sobrancelhas, tirei um caderno novo da bolsa.
– Esse é um de seus novos apelidos. Os outros são Supermina e Esmaga-bolas. Gosto de Jackie Chan. – Ela pressionou os lábios e jogou o gloss dentro da bolsa.
– Gosto de Supermina – murmurei, enquanto o Sr. Asuma entregava o programa junto a um questionário.
Temari sussurrou:
– Sabe, muitas garotas gostaram daquela cena lá no refeitório. O Naruto dormiu com metade da turma do último ano, sem falar das novatas, então ele mereceu o que recebeu.
Sem saber o que responder, apenas concordei. Não estava acostumada a ter pessoas me apoiando. Minhas reações aos comportamentos grotescos de Sasuke e Naruto podem ter mudado, mas minha meta de continuar com a cabeça focada na escola continuava a mesma. O primeiro dia de aula já estava repleto de comoção. Se eu tivesse mantido minha cabeça baixa, teria conseguido passar a maior parte do tempo despercebida. Mas era quase como se eu não tivesse mais vontade de ficar em silêncio e minhas ações indicassem que eu procurava mais confusão.
O que estava fazendo? E por que não estava parando?
Depois da escola, me atualizei com Sra. Kurenai e, com isso, consegui esquecer os eventos do dia por alguns momentos. Ela agora queria que eu falasse o tempo todo em francês e me irritava o fato de que o alemão que aprendera durante o verão me confundia. Eu ficava dizendo coisas como "Ich bin bien" ao invés de "Je suis très bien" e "Danke" ao invés de "Merci". Mas rimos disso e não demorou muito até eu conseguir me acostumar de novo.
A treinadora Anko queria que a gente chegasse na arquibancada às três horas, então corri para me trocar para o treino de cross-country. Depois de um ano longe, minha vaga na equipe não existia mais, e eu tinha o intuito de consegui-la de volta.
– Você já foi castigada pelo que aconteceu no almoço? – Tenten, nossa atual capitã, me questionou enquanto íamos para o vestiário depois do treino.
– Ainda não. Mas tenho certeza de que amanhã serei. Espero que o diretor seja bonzinho comigo. Nunca me meti em confusão antes – respondi, com esperança.
– Não, perguntei pensando no Naruto. Não precisa se preocupar com o diretor. O Sasuke cuidou disso. – Ela olhou para mim enquanto passávamos pelo corredor em direção aos nossos armários.
Congelei.
– Como assim?
Ela abriu a porta do armário e parou para sorrir para mim.
– O Sr. Jiraya chegou logo depois que você saiu do refeitório, perguntando o que tinha acontecido. Sasuke foi até ele e falou que o Naruto tinha escorregado e caído em uma mesa ou em uma cadeira… ou em alguma coisa do tipo – riu Tenten.
Não consegui me controlar também. Era muito ridículo.
– Escorregou e caiu em uma mesa? E o Sr. Jiraya acreditou nele?
– Bom, provavelmente não, mas todo mundo o acobertou, então o Sr. Jiraya não pode falar muita coisa sobre isso. – Ela começou a balançar a cabeça, sem acreditar. – E quando o Naruto finalmente se recuperou, ele também concordou com a história.
Não, não, não. Eles não me salvaram!
Desmoronando, sentei no banco do meio do corredor e coloquei a cabeça nas mãos.
– O que foi? Isso é bom. – Ela se sentou ao meu lado e começou a tirar os sapatos e as meias.
– Não, acho que eu preferia estar ferrada com o diretor do que ter uma dívida com esses idiotas. – Eles não teriam dado cobertura para mim se não quisessem me castigar.
– Mas você não vai se inscrever para a Columbia? Acho que eles não se interessam por mentes científicas, jovens e brilhantes que curtem agredir garotos. Eu acho que qualquer coisa é provavelmente melhor do que esse episódio no seu histórico.
Ela levantou depois que acabou de se despir, e seguiu até o chuveiro com a toalha. Fiquei ali por mais alguns minutos, pensando no que ela disse. Ela estava certa. Muita coisa podia acontecer comigo se eu continuasse no caminho certo. Minhas notas eram ótimas, era fluente em francês, já tinha bagagem de um ano no exterior e um monte de atividades extracurriculares dignas de nota. Podia aguentar qualquer truque que Sasuke estivesse escondendo por baixo da manga.
Meu primeiro dia na Konohagakure School foi mais tumultuado do que eu gostaria, mas fui vista de um modo positivo. Acho que vou conseguir sair no último ano com algumas boas recordações, como o meu retorno e o baile de formatura.
Peguei a toalha e fui até os chuveiros.
A água quente caía pelas minhas costas e me relaxava com uma sensação de conforto e de estar curtindo algo completamente prazeroso, depois do treino que nos foi passado. Acabei ficando debaixo da pressão revigorante do chuveiro um pouco mais do que as outras meninas. Meus músculos estavam exaustos.
Depois de sair enrolada na toalha, juntei-me às outras meninas no vestiário, que já estavam indo secar o cabelo, quase prontas.
– Saiam. Haruno, fica.
Levantei a cabeça ao escutar a voz masculina e uma respiração ofegante. Vi Sasuke… que estava dentro do vestiário feminino! Agarrei a toalha, que ainda estava enrolada no meu corpo, e a apertei ainda mais, freneticamente procurando pela treinadora.
Um frio percorreu meu corpo. Ele me encarava enquanto conversava com as outras meninas e fiquei enojada ao perceber como todas saíram correndo, deixando-me sozinha com um garoto que não tinha nenhum direito de estar ali!
– Está de brincadeira com a minha cara?! – lancei para ele, enquanto eu me afastava de seus passos, que se aproximavam de mim.
– Haruno – ele não me chamava pelo meu nome Sakura desde que éramos crianças. – Queria ter certeza de que teria sua atenção. Tenho? – Ele parecia tranquilo, seus lindos olhos me encaravam, me fazendo sentir como se não houvesse mais ninguém no mundo além de nós.
– Fale logo o que quer. Estou nua e prestes a berrar. Isso já foi muito longe, mesmo pra você! – Parei de me afastar, mas a frustração ficava evidente à medida que minha voz aumentava e minha respiração acelerava. Ponto para Sasuke. Ele tinha me surpreendido e agora eu estava completamente vulnerável. Sem fuga… sem roupas.
Segurei firmemente a toalha na altura dos meus seios com uma mão e me abracei com a outra. Todas minhas partes íntimas estavam cobertas, mas a toalha levantava logo abaixo do meu bumbum, deixando minhas pernas expostas. Sasuke estreitou o olhar para mim antes que seus olhos começassem a descer… e descer ainda mais. Minha cabeça girava e meu rosto corava conforme ele continuava me observando. Suas táticas de intimidação eram excelentes.
Nenhum sorriso acompanhou sua violação. Ele não me olhou com desejo como Naruto. Seu olhar perambulante relutava, como se fosse involuntário. Seu peito arquejava levemente e sua respiração estava mais pesada. Meu corpo estava formigando e fiquei puta por outra sensação se manifestar entre minhas pernas.
Depois de alguns minutos, seu olhar encontrou o meu. Os cantos de sua boca se levantaram.
– Você sabotou minha festa na semana passada. E agrediu meu amigo. Duas vezes. Você está realmente tentando impor seu espaço nesta escola, Haruno?
– Já passou da hora, não acha? – Surpreendentemente, não vacilei.
– Acho o oposto – disse ele, apoiando o ombro no armário e cruzando os braços. – Já arranjei passatempos melhores do que ficar te zoando, pode acreditar. Foi um ano pacífico sem a sua cara convencida, uma cara de quem se acha muito superior a todas as outras pessoas nestes corredores.
Seu tom provocativo não era nada diferente, mas o que ele disse me doeu e eu acabei rangendo os dentes.
Zombei dele, fingindo preocupação.
– O grande Sasuke fodão está se sentindo ameaçado? – Caramba, o que estou fazendo? Tenho uma desculpa. Ele estava me confrontando. Eu devia estar tentando dialogar. Por que eu não tentei conversar com ele?
Em um instante, ele saiu de perto dos armários e invadiu meu espaço. Ao andar de encontro a mim, ele colocou as mãos nas portas dos armários em ambos os lados da minha cabeça e me encarou. De repente, me esqueci de respirar.
– Não me toque. – Era para ter sido um grito, mas saiu apenas um sussurro. Mesmo olhando para o chão, podia sentir o calor de seu olhar me atacando enquanto ele pairava. Cada nervo do meu corpo estava em alerta com sua aproximação, e cada pelinho no meu corpo estava em pé.
Sasuke mexeu a cabeça de um lado para o outro tentando conseguir minha atenção, seus lábios a poucos centímetros do meu rosto.
– Se um dia eu encostar as mãos em você – disse, com uma voz baixa e rouca –, você vai querer. – Ele aproximou ainda mais os lábios. O calor de sua respiração cobriu meu rosto. – O que acha? Você quer?
Olhei em seus olhos e o cheirei. Ia dizer algo, mas esqueci completamente quando sua fragrância invadiu meu nariz. Adorava quando os homens usavam perfume, mas Sasuke não usava nada. Bom. Maravilhoso. O idiota tinha um cheiro natural de sabonete. Gostoso, delicioso, almiscarado.
Merda, Sakura! Toma jeito.
Seus olhos semicerrados vacilaram enquanto eu mantinha o contato visual.
– Estou entediada – finalmente disse. – Você vai me dizer logo o que quer ou vai ficar enrolando?
– Sabe de uma coisa? – olhou ele, curioso. – Sabe essa nova atitude que está tomando depois que voltou? Me surpreendeu. Você costumava ser um alvo bem fácil. Você só corria ou chorava. Agora está com um instinto de luta. Estava determinado a te deixar em paz este ano. Mas agora… – Ele diminuiu o tom de voz.
– O que vai fazer? Colocar o pé no meu caminho para que eu tropece e caia na sala de aula? Vai jogar suco de laranja na minha camiseta? Vai espalhar boatos sobre mim para que eu não consiga sair com nenhum garoto? Ou talvez você vá aprimorar o seu jogo fazendo bullying virtual. – Isso não era uma piada e imediatamente me arrependi de ter lhe dado a ideia. – Você realmente acha que isso tudo ainda me incomoda? Você não me assusta mais, Sasuke.
Eu devia parar de falar. Por que não conseguia parar de falar?
Ele me analisou enquanto eu tentava controlar meu temperamento. Por que ele sempre parecia tão calmo, tão indiferente? Ele nunca gritava ou perdia a paciência. Ele estava com o humor sob controle, enquanto meu sangue fervia a ponto de eu sentir que poderia ter outro round com Naruto.
Meus olhos ficaram na mesma altura de sua boca conforme ele se inclinou lentamente. Um de seus braços se esticava sobre minha cabeça, relaxando nos armários para trazer seu rosto a um centímetro do meu. Um sorriso sensual apareceu em seus lábios e eu estava tendo dificuldades para desviar o olhar de sua boca.
– Você acha que é forte o bastante para me confrontar? – Seu sussurro calmo e devagar acariciou meu rosto. Se não fosse por suas palavras desafiadoras, seu tom de voz poderia ter me acalmado… ou algo assim.
Eu devia ter me afastado, mas queria parecer confiante mantendo minha posição. Podia dar o troco na mesma moeda. Pelo menos achava que poderia.
– Tá valendo. – Meu olhar encontrou o dele e o difícil desafio foi lançado.
– Sakura Haruno! – Abalada pelo transe estranho que Sasuke criara, olhei para cima e vi a treinadora e metade da equipe no final da fileira nos encarando.
– Treinadora! – Sei que devia dizer algo, mas nenhuma palavra saiu. O horror se instalou em minha mente e me fez de refém, enquanto eu tentava procurar por uma explicação. Sasuke estava inclinado sobre mim, falando intimamente. Não tinha como parecer algo bom. Algumas meninas pegaram o celular, e me encolhi ao escutar o som de fotos sendo tiradas.
Não! Droga!
– Vocês podem fazer isso em outro lugar – a treinadora falou comigo, mas depois olhou para Sasuke. – Senhor Uchiha? Saia! – ela disse entredentes, e as garotas ao seu redor ficaram em pé rindo por trás das mãos. Ninguém desgrudou os olhos.
Sasuke me atacou com um sorriso de satisfação antes de sair do vestiário, piscando para algumas garotas que babavam na saída.
Voltando à realidade, meus olhos se ampliaram. Ele tinha planejado isso!
– Treinadora… – comecei e apertei a toalha mais forte.
– Meninas – interrompeu a treinadora –, vão para casa. Nos vemos na quarta-feira. Sakura? Te vejo na minha sala antes de ir embora. Vista-se.
– Sim, senhora. – Minha pulsação martelava dentro dos ouvidos. Nunca estive em apuros, pelo menos não na escola. Vesti-me rapidamente, prendi meu cabelo em um coque e saí voando em direção à sala da treinadora. Apenas alguns minutos tinham se passado, mas presumi que aquelas fotos já estariam na internet. Sequei o suor da testa e engoli a bile que estava subindo pela garganta.
Sasuke tinha jogado baixo – muito baixo – dessa vez. Voltei para a cidade preparada para outro ano de irritações e humilhações, mas meus ossos tremeram ao pensar no tom de nossa discussão. Antes eram somente boatos, mas agora havia testemunhas e evidências do nosso encontro.
Amanhã, metade da escola teria alguma versão para o que estava acontecendo naquelas fotos. Se eu tivesse sorte, diriam que eu tinha me jogado para cima dele. Se eu não tivesse sorte, o boato seria mais sórdido.
Tenten estava saindo da sala da treinadora quando eu ia naquela direção.
– Ei. – Ela me parou. – Falei com a treinadora. Ela sabe que o Sasuke armou uma cilada para você lá… que ele não foi convidado. Desculpa ter te abandonado lá.
– Obrigada. – Um alívio me inundou. Pelo menos minha barra estava limpa com a treinadora.
– Não tem problema. Apenas não diga para ninguém, por favor, que eu te defendi. Se ficarem sabendo que eu meti o Sasuke numa confusão, não vai terminar nada bem – explicou Tenten.
– Você tem medo dele? – Sasuke tinha muito poder naquela escola.
– Não. – Ela balançou a cabeça. – O Sasuke é legal. Quando provocado ele se torna um idiota, mas nunca foi uma preocupação minha. Honestamente, parece que você é a única pessoa que ele quer destruir, falando metaforicamente, é claro. – Os olhos estreitados de Tenten me fizeram pensar que ela estava imaginando algo.
– É, bem. Que sorte a minha.
– O Sasuke é importante aqui, então não quero que fiquem no meu pé por ter dedurado ele. – Suas sobrancelhas se levantaram enquanto esperava minha compreensão.
Concordei, pensando que diabos Sasuke tinha feito para merecer a lealdade de alguém.
Os murmurinhos diminuíram nos dias seguintes.
Algumas pessoas ficaram sabendo que Sasuke e eu estávamos no vestiário, transando. Outras acreditavam que eu o tinha convidado, tentando seduzi-lo. Algumas pensavam que ele tinha entrado para me ameaçar depois do que houve com Naruto. Não importava em qual história as pessoas acreditavam, eu estava recebendo mais olhares e escutando mais sussurros pelas costas.
– Ei, Sakura. Você apenas transa no vestiário ou também faz sexo oral? – gritou Hinata Hyuuga, a abelha-rainha das meninas malvadas, pelas minhas costas a caminho da aula de Cálculo. Suas lacaias peitudas riram junto.
Virei-me para encará-las e levei a mão ao coração.
– E roubar todo o seu posto? – Aproveitei para curtir as expressões chocadas antes de dar meia-volta e seguir em frente.
Conforme desaparecia ao me virar, o barulho dos xingamentos dela e de sua equipe trouxeram um sorriso ao meu rosto. Já tinha sido chamada de vaca antes, mas não me ofendia tanto quanto ser chamada de vagabunda. Ser uma vaca podia ser uma técnica de sobrevivência. Elas são respeitadas. Não havia honra quando as pessoas achavam que você era uma vagabunda.
Acho que Sasuke não recebeu uma punição muito severa por ter entrado no vestiário feminino, já que estava na escola todos os dias. Ele não me olhou ou me notou, apesar de estarmos na mesma turma. Fui dispensada das aulas de Informática à tarde, pois terminei a grade do último ano lá na França, por isso fui transferida para Cultura em Filmes e Literatura sem saber que ele estava na mesma sala. As matérias eletivas deviam ser aulas prazerosas, cheias de filmes e livros.
– Sakura, você tem uma caneta sobrando pra me emprestar? – perguntou Neji, assim que nos sentamos em nossos lugares. Ele, graças a Deus, continuou amigável e respeitoso na aula de Francês, apesar das fofocas recentes, e fiquei aliviada por ter uma distração de Sasuke nesta classe.
– Hmm… – Coloquei a mão dentro da bolsa, procurando. – Acho que sim. Aqui está. – Neji me presenteou com um sorriso radiante que destacava seu longo cabelo castanho-escuro e seus olhos cinzas. Nossos dedos se tocaram e eu me afastei rapidamente, deixando a caneta cair antes dele conseguir pegá-la.
Não sei porque me afastei, mas senti em minha nuca os olhos de Sasuke me encarando.
– Não, deixa comigo. – Ele me interrompeu quando eu ia me abaixar para pegá-la. – Não esquece de me pedir de volta no fim da aula.
– Pode ficar com ela. – Acenei no ar. – Estou com um bom estoque. Uso mais lápis, mesmo. Preciso para as minhas aulas de Ciências e Matemática. Principalmente comigo… muita coisa pra apagar. – Estava tentando agir com humildade, mas acabei soltando uma diarreia verbal em vez disso.
– Ah, é verdade. Esqueci que você se liga nessas coisas. – Ele provavelmente não esqueceu. Com certeza, não estava entendendo nada. Minhas narinas dilataram ao me lembrar de todo o dano que Sasuke já tinha causado. Ele era o responsável pela falta de interesse dos outros meninos em mim.
– Estou tentando entrar na Columbia, no cursinho preparatório para Medicina. E você? – perguntei. Esperava não ter soado arrogante, mas não me sentia insegura com Neji. A família dele tinha um jornal e seu avô era juiz. Ele, provavelmente, também se candidataria para as escolas mais prestigiadas.
– Estou tentando alguns lugares. Mas não vou seguir para a área de Matemática ou Ciências.
– Vou fazer Administração.
– Bom, espero que você goste um pouco de Matemática. Administração está ligada a economia, sabia? – apontei. Seus olhos se ampliaram e percebi que ele não sabia.
– Ah, é. – Ele parecia confuso, mas se recuperou rapidamente. – Com certeza. Se não for muita coisa. – Ele sorriu, nervoso, enquanto eu registrava um risinho vindo por trás de mim.
– Então… – tentei mudar de assunto. – Você está no comitê do Baile de Retorno, certo?
– Sim. Você vai? – Neji parecia empolgado.
– Ainda estou vendo. Você contratou uma banda ou será um DJ? –Banda. Banda. Banda.
– Uma banda seria demais, mas eles costumam tocar só um tipo de música, então fica difícil conseguir agradar todo mundo. Teremos um DJ. Acho que foi o que todos decidiram. Ele vai manter a festa agitada misturando pop, country… – Ele deu um sorriso, diminuindo o tom de voz, enquanto eu lutava para continuar com uma expressão feliz.
– Ah… pop e country, é? Não tem como errar. – Murchei por dentro ao perceber outro risinho pelas costas, só que dessa vez mais alto. Sem vontade alguma de deixar passar despercebido como da última vez, observei novamente Sasuke, que estava olhando para baixo, mexendo no celular. Mas vi seus lábios se levantarem e sabia que sua diversão foi provocada pela minha conversa com Neji.
Idiota.
Sasuke sabia que eu odiava country e não tinha muita paciência com pop. Igual a ele.
– Então você gosta de pop e country? – Voltei minha atenção para Neji. Por favor, diga que não. Por favor, diga que não.
– Gosto mais de country.
Eita, pior ainda.
Matemática e Ciências? Negativo. Gostos musicais? Negativo. Ok, último esforço desesperado para encontrar algo em comum com o cara que sentaria ao meu lado durante duas aulas neste semestre. A professora chegaria em breve.
– Sabe, fiquei sabendo que vamos assistir O sexto sentido neste semestre. Já assistiu? – Meu telefone tocou notificando uma mensagem, mas eu o silenciei e joguei dentro da bolsa.
– Ah, claro que sim. Mas já faz um tempão. Não entendi. Não sou muito fã desses filmes que misturam suspense e terror. Gosto de comédias. Quem sabe a professora nos deixe assistir Borat. – Ele arqueou as sobrancelhas como provocação.
– Ei, Hyuuga? – Sasuke falou de repente atrás de nós, com um tom excessivamente educado.
– Se você gosta do Bruce Willis, uma boa dica é Corpo Fechado. Você devia assistir… sabe, se quiser mudar sua opinião sobre filmes de suspense.
Minha carteira passou a ter a vista mais interessante. Não quis me virar para dar de cara com Sasuke. Fiquei sem palavras ao perceber que ele se lembrou do meu gosto por filmes.
Neji se virou na carteira e respondeu:
– Claro, vou tentar me lembrar disso. Obrigado. – Ele se virou novamente e abriu um sorriso para mim.
Sasuke era muito cara de pau. Queria que eu soubesse que ele lembrava que o Bruce Willis era meu ator favorito. Assistimos a Duro de matar um dia quando meu pai não estava em casa, já que ele não me deixava ver na época por causa dos palavrões. Sasuke sabia muita coisa sobre mim, e isso me magoava. Ele não tinha direito algum de usar isso contra mim.
– Ok, turma – a Sra. Mebuki falou alto, segurando uma pilha de papéis. – Além da apostila que vou distribuir, Juugo vai lhes dar o modelo de uma bússola. Escrevam o nome de vocês na parte de cima, mas deixem as áreas ao redor do Norte, Leste, Sul e Oeste em branco.
Pegamos os papéis e deixamos a lista da Sra. Mebuki de lado para seguir as instruções da bússola. Começar a aula com uma atividade me deixou aliviada. A angustiante pressão do olhar que sentia por cima da minha nuca me distraía, para dizer o mínimo.
– Muito bem. – A Professora Mebuki bateu palmas. – As apostilas que dei para vocês contêm listas de filmes com monólogos importantes. Como já havíamos começado a debater sobre monólogos e a importância deles na aula de Filmes e Literatura, quero que comecem a fazer uma pesquisa sobre alguns desses. Na aula de amanhã, vamos conversar sobre o primeiro projeto que farão para apresentar um monólogo à turma.
Apresentação individual. Droga! Recitar um monólogo. Droga, droga!
– Além disso – continuou a Sra. Mebuki –, vocês terão que formar duplas com pessoas diferentes em diversos debates este ano. E vão descobrir com quem farão a dupla com base nesta bússola. Terão cinco minutos para circular pela sala de aula à procura de parceiros para seu Norte, Sul, Leste e Oeste. Quem for escolhido para preencher o seu Norte, por exemplo, também colocará você como o Norte dele, e assim por diante. É meio infantil, mas vai ajudar a misturar um pouco a turma.
De vez em quando era legal fazer trabalho em grupo, mas eu preferia trabalhar sozinha. Torcia constantemente o nariz ao pensar no comando "Formem duplas!" este ano. Palavras horríveis.
– Comecem! – gritou a professora. O chiado de carteiras se arrastando no chão preencheu a sala. Ao pegar meu papel e lápis, comecei a procurar por alguém que ainda não estivesse com um par. Eu via ao redor os outros anotando rapidamente os nomes, enquanto eu ainda não tinha nem começado.
Neji sorriu e acenou para mim, então fui até ele e trocamos nomes no Leste. Observando os locais em branco nos papéis dos outros alunos, pude garantir Oeste e Sul com outras duas meninas.
Preciso de um Norte, cantei mentalmente enquanto procurava por outro parceiro. Quase todos correram para seus lugares quando os cinco minutos finais se aproximavam. Olhei para Sasuke, que acho que nem ousou sair de seu lugar. Provavelmente, todos correram até ele.
Esta era a parte do colégio que eu odiava. A sensação de vazio na barriga me lembrou de todos os momentos constrangedores, antes da França, em que fui deixada de lado. O primário tinha sido fácil. Tinha amigos e nunca me senti sozinha nessas situações. O ensino médio me deixou menos confiante e mais introvertida.
Ainda faltava um parceiro para mim e, mais uma vez, eu seria a aluna sem par. Cansada dessa sensação, depois de ter sido acolhida na França durante um ano, resolvi tomar uma atitude.
– Sra. Mebuki, estou sem um Norte. Tem algum problema se eu fizer a três com outras duas pessoas?
Risos desdenhosos soaram pela sala, e ouvi alguns alunos sussurrando baixinho. Sabia que tinha caído numa armadilha.
– Ei, Sakura. Eu faço a três com você. Minha bússola sempre aponta para o Norte. – Deidara Tsukuri deu um soquinho em seu parceiro enquanto os outros riam de novo.
Surpreendendo a mim mesma, revidei:
– Obrigada, mas acho que sua mão direita vai ficar com ciúmes. – A classe toda começou a gritar "Toma!" e a vaiar.
Foi muito fácil. Usando alguns gracejos infantis hoje, consegui ganhar novamente algum tipo de respeito dos meus colegas de classe. Quem adivinharia? Um orgulho bateu em mim e tive que refreá-lo com um sorriso.
– Quietos! Alguém precisa de um Norte? – A Sra. Mebuki interrompeu os comentários antes que Deidara pudesse revidar com outra coisa.
O restante da classe estava sentado, o que significava que já tinham conseguido seus parceiros. Continuei prestando atenção na Sra. Mebuki, esperando que ela me dissesse para encontrar um grupo para fazer em trio.
– Ela pode ser meu Norte. – A formidável voz de Sasuke me atingiu por trás, fazendo com que os pelos da minha nuca se arrepiassem.
A professora olhou com expectativa para mim. Isso não podia estar acontecendo. Por que ele não levantou a bunda da carteira e procurou por outro Norte como todo mundo?
– Bom, Sakura. Vá em frente, então – a Sra. Mebuki me encorajou.
Ao me virar, voltei ao meu lugar praticamente bufando, sem poupar o meu Norte de uma olhada, e entalhei com força "SASUKE" na minha folha… e acho que, acidentalmente, na minha carteira também.
