"Você não parece poderoso o bastante para matar o Gaara".

Eu pisquei. Por que diabos aquela velha sabia que eu tinha matado o Gaara? Ou era especulação? Meu Deus, desta vez nem máscara eu estava usando, que situação bizarra era aquela em primeiro lugar?

Eu sacudi a cabeça, isso não importava agora. A velha era uma mestre de marionetes sem uma sombra de dúvida. Isso mudava tudo, eu nunca treinei para lutar contra um oponente que era especialista em se concentrar em duas coisas ou mais ao mesmo tempo. Ou pelo menos eu não achava que tinha. No momento que eu soube que o Sasori tinha conseguido imortalidade através do fato de colocar sua alma dentro de um pergaminho eu comecei a entender porque ele recusava-se a me ensinar sobre marionetes. Para ele, era uma ofensa que alguém que tinha alcançado tal imortalidade não era o herdeiro da Akatsuki. Então, talvez, isso não era realmente imortalidade. E por isso Pain não o colocava nessa posição.

"Bem garoto, vai confessar ou não o que você fez?"

Eu pensei em me fingir de inocente. Talvez houvesse um milésimo de chance de ela me deixar ir porque todas as provas que ela poderiam ter eram vagas.

"Eu não o matei."

"Claro que não. Mas você pensa que o fez"

Eu dei um passo para trás. Eu pensei novamente. Não havia ninguém ao redor da minha batalha com Gaara exceto os membros da Akatsuki e...

"Temari...Como?"

"Oh, nós a encontramos. Ela estava nos procurando de qualquer forma. Estamos em dúvida se ela nos traiu de verdade ou não mas, agora que vejo o seu rosto enchido pela traição, eu percebo que ela realmente o procurou enganar."

Eu peguei a minha espada com força. Temari realmente queria me matar? Eu...eu nunca tinha duvidado. Eu era um idiota. Eu deveria ter duvidado.

"Há dois modos disso acabar garoto. Você se rende a mim, ou eu faço você se render. Não se preocupe, eu sei que você aguenta tudo que eu jogar em você"

Eu cuspi no chão.

"Hoje os urubus vão comer carne envelhecida, velha."

Ela riu como uma bruxa prestes a atacar um vilarejo cheio de crianças inocentes.

"Ah, um homem com coragem. Vinte anos a menos...É um desperdício, mas você dificilmente é o primeiro".

Eu tirei a espada da bainha. "Senhora, não se preocupe, na próxima vida as pessoas são sempre jovens. Claro, você não vai ser a única mulher, mas é um local confortável."

"Primeiro você criança".

As marionetes voaram na minha direção Eu consegui evitar suas lâminas com alguma acrobacia mas me concentrei em atacar a velhota. Não havia água por perto e isso era um grande problema.

Eu senti as marionetes se aproximarem por trás e as evitei de novo. Apenas uma delas continuou me atacando, aquela que parecia com uma mulher, a outra ficou virada de costas para a mim. Eu me percebi me afastando da velhota para evitar a espada da mulher de madeira e aço, então bloquei um de seus braços lâmina com a minha espada, a puxei para trás e avancei contra a velhota.

Foi então que a outra marionete, que parecia um homem adulto se virou contra mim. Eu vi uma esfera que parecia ser um barril cheio de espadas explodir e lançar mais kunais, shurikens, e outras lâminas que qualquer outra coisa que eu tinha visto na vida. Eu tentei evitá-las com a minha espada mas logo eu fui empalado.

Eu tinha sentido muito dor nessa vida, mas essa com certeza estava para a pior que para a melhor. Chiyo não tirou nenhuma lâmina de dentro de mim, em vez isso me amarrou com cordas de aço e uma das marionetes me carregou nos ombros. Nem sequer 30 minutos depois eu ouvi os passos de outra pessoa. Pesados, eles me lembravam os do Kakuzu.

"Ah, senhora Chiyo...Vejo que estava caçando, por isso tive que esperar tanto."

"Acho que finalmente achei o Akatsuki responsável pela morte do Gaara. E uma história complicada Han, mas eu posso te explicar para o caminho para a vila da Areia".

Eu abri os olhos de espanto. Han, o hospedeiro das Cinco Caudas que eu havia enviado para matar? Como possivelmente...Quase que imediatamente, eu percebi que não era uma coincidência. Temari havia enviado uma mensagem para Chiyo, e ela havia interceptado o Han no caminho em que ele se encontrava fugindo dos ninjas da Rocha.

"Eu nunca esperei me tornar um ninja vagabundo, mas as circunstâncias..."

"Todos nós somos colocados contra as paredes algum dia. Agora vamos, não quero me arriscar a me encontrar com os amigos deste garoto, se ele tiver algum".

Eles começaram a pular pelas árvores para o norte. Mesmo com meus ferimentos me curando e algumas lâminas naturalmente deixando o meu corpo, eu não podia me mover. Eu estava perpetualmente preso. Empalado. E eu não sabia o que Chiyo planejava para se livrar de mim.

"Meu Deus" disse Han, se aproximando de mim. "Este homem não morre, isso não é a coisa mais espantosa? Que espécie de Kekkei Genkai é esse? Parece que ele nem sequer deixa traços de sangue uma vez que se regenera."

"Eu não sei, mas tenho certeza de que há um jeito de analisá-la."

"Realmente? Como?"

"Fazendo ele ter uma ejaculação. O esperma é orgânico. Teremos amostras. Eu duvido que isso conte como um ferimento que regenera."

"Bem, porque não fazemos isso agora?"

"Ele é um homem."

"Então?"

"Han, 95% dos homens...Não gostam dos outros homens."

"Eu conheço um jutsu de transformação preciso o bastante para isso não importar."

Chiyo levantou a sobrancelha. "Ok, isso é interessante. Deixe eu pegar um frasco de uma dessas marionetes".

Eu acho que a palavra certa para o que aconteceu comigo foi estuprado. Eu tentei fechar meus olhos mas as mãos transformadas e macias do Han, transformado numa mulher curvilínea de seios tamanhos F, foram o bastante para me fazer ejacular.

Eu queria vomitar se não tivesse uma espada na minha garganta quando a sensação de êxtase passou. Chiyo me viu irritado e riu. "Isso é o pior pelo que você passou? Eu duvido..."

Eu fui levado para a vila da Areia, mas dessa vez não houve cela. Eu fui jogado num caixão de aço enquanto acorrentado isso sim. Eu tinha chegado mais no fundo do poço do que antes. Não havia raiva ou frustração. Eu aceitei a morte sem a morte.

Ridículo, obviamente. Ridiculo foi o que eu pensei da minha inicial desistência. Eu quebrei as lâminas com eletricidade e lentamente abri um buraco no caixão.

De novo, ninguém se importou em me dar guardas. Eu estava me sentindo insultado. Até que eu percebi o barulho vindo da janela. Eu olhei por ela e vi fogos e soldados lutando. Logo eu percebi que alguém havia invadido a vila enquanto eu estava naquele caixão.

Minha espada tinha sido levada, então cortei a porta com uma que estava me empalando.

Ninguém me interrompeu, o prédio parecia vazio e eu era o único prisoneiro humano. Parecia mais um depósito de armas. Eu decidi checar as gavetas de uma mesa para ver se havia uma lista compreensiva das armas ali, de modo a encontrar a minha. Não demorou muito graças as datas estarem registradas ali. Eu cortei outra porta e peguei a Excalibur encostada no canto.

Quando eu caminhei para fora, quase imediatamente eu vi um soldado estuprando uma civil. Ela parecia ter 8 ou 9 anos, e ele 13 ou 14. Só uma coisa passava pela minha cabeça. "Eles enviaram genins para uma zona de guerra?"

Eu procurei saber para onde era o caminho para fora da vila. Eu subi nas paredes de um prédio até chegar ao topo. Eu fiquei impressionado pela quantidade de fogo, e então percebi duas feras de caudas lutando do outro lado da vila: a Oito e a Cinco Caudas. Han conseguia evitar os golpes do Oito Caudas, mas claramente faltava em poder ofensivo. Eu fiquei indeciso entre fugir ou tentar me aproveitar da situação, até que uma luz azul brilhando sobre mim me fez parar de pensar nisso para pensar em evitar outra captura.

Eu desviei e então me levantei para ver um dos guardas do Raikage. O cabelo dele era tão volumoso que cobria um dos olhos, e ele tinha uma expressão de eterno cansaço. Ele tinha desembainhado sua própria espada, cuja lâmina era impossivelmente retangular.

"Você...Onde está Yugito?"

"Como em nome de...Ah, é mesmo, vocês me torturaram por meses."

"Diga para onde ela foi e eu te deixo caminhar".

"Eu não acredito nisso, e e ela está morta. O cadáver dela foi comido."

Ele respirou fundo por alguns segundos, provavelmente refletindo sobre o que eu tinha dito para ele. E então ele apontou a espada pra mim.

"Vamos ter que selar você".

Acho que naquele momento algo quebrou dentro de mim. Eu percebi o que nunca mais eu queria ser na vida. Um prisioneiro. Não importasse o que acontecesse. Eu mataria todos que tentassem. E aquele neguinho ia ser o primeiro.