Magia de Natal
Obs 1: Saint Seiya não me pertence, como todos devem saber. Por ser um fic de Universo Alternativo os personagens deverão sofrer algumas (poucas) alterações em suas personalidades.
Obs 2: O nome Carlo foi dado ao personagem Máscara da Morte pela escritora Pipe. Todos os créditos à ela!
Obs 3: Este é um fanfic de presente de Natal/aniversário para a Kku. Por ser um fic U.A. (Universo Alternativo) os personagens podem sofrer algumas alterações em suas personalidades. Casal: Aiolos x Shura.
Sinopse: Aiolos não podia acreditar: seu chefe, estava intimando-o a passar o feriado de natal com um cliente, Shura Capricorn, para tratar de negócios! Só havia uma saída: aceitar a proposta. Afinal, o cliente era muito importante, e ele não podia perdê-lo de maneira nenhuma. Para sua surpresa, Shura tinha uma noção mais do que romântica de como passar a noite de Natal em sua companhia...
2
Shura parou em frente à janela, tentando não prestar atenção ao que Aiolos dizia a Aiolia, ao telefone. Pelo visto, o rapaz ficara transtornado por saber que seu irmão não iria para casa naquela noite. Segundo o que ouviu Aiolos dizer, deduziu que o garoto não gostava da idéia de ficar com o tio.
- Aiolia, querido, sinto muito, mas você está doente e não pode passar a noite sozinho – repetiu Aiolos pela enésima vez, nos últimos cinco minutos.
Shura ficou surpreso diante de tanta paciência. Teve de se conter para não tomar o aparelho das mãos de Aiolos e ordenar àquele garoto que parasse de reclamar. Havia coisas muito piores que pernoitar com o tio.
De qualquer maneira, ele nunca se dera muito bem com crianças. Aliás, nem com a própria filha. Ou principalmente com ela.
Por isso, refreou a vontade de afirmar que uma mão mais firme poderia facilitar muito a situação. Tinha consciência de que não tinha moral criticar a atitude de Aiolos. Além disso, ele parecia estar querendo interromper aquela batalha o quanto antes.
Observando-o melhor, era fácil perceber que o loiro não era do tipo de pessoa que gostava de discussões. Embora estivesse falando com um garoto, tentava se desvencilhar da situação com a mesma intensidade com que sempre fugira das discussões entre os dois.
De fato, estava começando a se sentir envergonhado, por haver se deixado levar pelo hábito, e agido de forma tão agressiva ao negociar com Aiolos. Seguira as regras de mercado, sem observar a fragilidade de seu oponente.
Seria possível que fosse algo mais do que isso? Poderia se tratar de uma espécie de "acerto de contas inconsciente", relativo ao que ocorrera no passado?, questionou-se.
Ao som da tempestade, a mente de Shura começou a divagar em lembranças, trazendo a recordação daquele dia terrível três anos antes...
~~ FLASHBACK~~
- A esposa de Capricorn desapareceu? Ora, isso não me surpreende. Ela deve ter fugido. – dissera Aiolos, em um tom de voz furioso, conversando com outro dos estenógrafos, sem saber que Shura estava parado à porta da seção, logo atrás dele. – Quem não fugiria? O patrão pensa que é uma criatura divina, mas na verdade, é um empresário autoritário e viciado em trabalho.
Analisando a situação com justiça, seria fácil perceber que ele não poderia saber a verdade. Ele mesmo só teve conhecimento dos fatos depois de duas noites de pesadelos. Porém, naquele momento, a mágoa e os aborrecimentos estavam lhe consumindo a alma. Ante a crise, Aiolos fora apenas um alvo menor, servindo como válvula de escape para a tensão daquele momento difícil.
- Você – falara Shura, com uma expressão de aborrecimento. – Qual é o seu nome?
Ainda era clara a lembrança do constrangimento geral que se difundira por todo o departamento. Ele demorara muito para responder. Ficara bastante pálido e, ao falar, demonstrara estar apavorado.
- Aiolos Sagitálius – sussurra o loiro.
- Bem... Você tem cinco minutos para arrumar sua mesa e recolher suas coisas, Sr. Sagitálius. Está despedido.
Sua voz soara tão fria e aborrecida que assustara até ele mesmo.
~~ FIM DO FLASHBACK~~
A lembrança era aterradora e, observando os fatos, Shura tinha de admitir que cometera um exagero na punição.
Esfregando os olhos, Shura se concentrou em afastar aquela recordação ruim. Não queria lembrar daquele dia, nem uma vez mais. Decidido a deixar de lado tais pensamentos, afastou-se do loiro e se aproximou do fogo, começando a atiçar a lenha. O ruído das brasas e chamas a crepitar mantiveram seus ouvidos um pouco mais distantes da voz de Aiolos, que ainda estava ao telefone.
Parecia uma ironia do destino, o fato de acabar ilhado em sua própria casa na companhia de Aiolos.
Shura ainda não havia se recuperado do choque de vê-lo desembarcar daquele helicóptero. De início, tivera a impressão de que Aiolos não havia mudado em nada. Estava com os curtos cachos dourados, que ressaltavam ainda mais a alvura da pele em seu rosto. Pareceu-lhe o mesmo garoto que ele demitira anos atrás.
Contudo, depois dos primeiros quinze minutos na companhia dele, logo mudou de opinião. Por outro lado, somente naquele momento estava tendo a chance de pensar melhor no assunto.
Enquanto bebericava o café que Aldebaran lhes servira, analisava o que havia mudado tanto em Aiolos, a ponto de lhe causar aquela boa impressão.
Não era o rosto, pois ele continuava lindo e com o ar ingênuo de um adolescente sonhador. Os olhos continuavam brilhando com um verde muito intenso. Os lábios carnudos pareciam estar sempre prestes a sorrir, como ele se recordava.
Não, a diferença estava mesmo no corpo. Em poucos anos, os músculos de Aiolos haviam se pronunciado ainda mais, e as nádegas se tornaram elegantemente empinadas. De seu ponto de vista, o loiro se tornara um dos homens mais sensuais que ele já vira. Olhar aqueles quadris musculosos que mais pareciam uma obra de arte servindo de suporte para o abdome perfeito, era como um convite para que fossem tocados.
Não era porque Shura havia se casado com uma mulher no passado e tido uma filha, que ele também não olhava os homens. A verdade era que o moreno sempre gostara dos dois sexos e não conseguia ignorar Aiolos como a tentação que era. Homem nenhum conseguiria na verdade.
Isso o levou a pensar em Dohko Librian. Era impossível ignorar a sensualidade daqueles movimentos harmoniosos e provocantes, resultantes do simples ato de Aiolos caminhar.
- Olia, meu querido, tenho de desligar. Estou usando o telefone do Sr. Capricorn, e é uma chamada interurbana.
O loiro olhou por sobre o ombro na direção de Shura. Sua expressão preocupada e inocente, levou o moreno a voltar à realidade, mudando o rumo dos pensamentos.
Fazendo um gesto para assegurá-lo de que não se preocupasse com o tempo de duração do telefonema, bebeu mais um gole de café, admirando-o. O modo como Aiolos mordia o lábio inferior, conferia-lhe um aspecto de preocupação quase infantil, como se ele estivesse com medo de incomodar os "adultos".
Sem saber o que pensar, flagrou-se ponderando sobre a possibilidade de Aiolos e Dohko serem amantes. Tal idéia não fazia sentido, ainda mais por aquele assunto não lhe dizer respeito.
- Desculpe-me por haver demorado tanto – disse Aiolos, assim que colocou o fone no gancho. – Acho que deve ser uma característica do signo de leão. Ele discute comigo sobre tudo o que conversamos.
- Sim, ouvi dizer que os leoninos são difíceis. – falou o moreno, com calma. – Pelo visto, Aiolia não gosta muito de ficar com o tio.
- Isso é verdade. A velha casa parece um castelo mal-assombrado, mas não é só isso. Meu irmão não sente à vontade na casa de nosso tio. Mesmo antes de nossos pais falecerem, nós nunca nos demos muito bem com ele...
- Bem, talvez tenhamos sorte e a tempestade acabe logo. Quem sabe amanhã à tarde não se encontrem?
Shura desejava que isso fosse possível, e não apenas para o bem de Aiolos e do irmão. Ao longo dos três anos anteriores, fizera questão de se isolar ali. As tempestades sempre foram os melhores dias. Sem eletricidade nem telefone, sentia-se à vontade em sua prisão gelada, onde não precisava fingir estar feliz por uma merca convenção social.
- Oh, Zeus o ouça! Tenho de estar em casa amanhã, sem falta! – exclamou Aiolos, como se não houvesse considerado a possibilidade de ter de ficar mais de vinte e quatro horas ilhado ali. – Faltam apenas alguns dias para o Natal!
Shura hesitou, não sabendo como lidar com aquela manifestação inocente de fé. O loiro parecia acreditar que o fato de ser Natal mudaria as forças da natureza, e também o clima. Pelo que estava habituado a ver, sabia que poderiam ficar presos ali por muitos dias, mas não via uma forma educada de dizer a ele que seria melhor não se arriscar a marcar nem mesmo a festa de Ano-Novo ao lado de Aiolia.
Fatos eram fatos, quer gostassem ou não, mas as palavras não lhe saíram dos lábios. Os segundos se arrastavam, enquanto ele alisava os cachinhos curtos com a ponta dos dedos, e Shura bebericava o restante do café. Depois de um longe tempo, Aiolos se virou para ele e voltou a falar, assumindo uma postura bastante profissional.
- Se não se importa, eu gostaria de telefonar para Dohko também. Ele deve estar aguardando meu retorno, ansioso por uma resposta... Posso fazer a ligação a cobrar...
- Fique à vontade para usar a linha, mas apenas se for fazer ligações diretas. Tenho certeza de que não vou falir por causa do custo de alguns interurbanos.
- Ah... É que na Librian nós nos preocupamos muito com estes pequenos detalhes.
- Sim. Creio que o façam mesmo – murmurou o moreno, olhando para a pilha de papéis a sua frente.
- Sr. Capricorn...
- Por favor, chame-me de Shura, sim? Se vamos ficar ilhados juntos, acho melhor nos acostumarmos com isto.
- Está bem. Shura... Quando eu ligar para Dohko, ele vai querer saber como estão as negociações. Sei que afirmou haver apenas uma chance em um milhão de concluirmos o negócio.
- Isso mesmo.
- Ainda pensa assim? Depois de ver os papéis, não achou nada que o fizesse mudar de idéia? Talvez algo em nossa discussão?
Shura deu de ombros.
- Como já disse, não encontrei nada nestes papéis que já não soubesse. Também não ouvi de você nada que não tivesse ouvido antes...
Aiolos balançou a cabeça, pensando no comentário que fizera, e na reação que causara em Shura.
- Não... Suponho que não.
- Neste caso, nada mudou. A chance continua sendo apenas uma em um milhão, mas ela existe.
- Tem certeza? Não posso dar falsas esperanças a ele. Se não houver mais a possibilidade de negociação, temos de saber, para procurar outras opções.
- Outras opções? – indagou Shura, com sarcasmo.
Mesmo enrubescido, Aiolos falou com firmeza e determinação.
- Isso mesmo. Espero que seja honesto e não tente fingir que vai fazer algo pela Librian, apenas para amenizar nosso convívio durante minha estada aqui.
- Amenizar? Isso nem sequer passou pela minha mente, Aiolos. Em se tratando de negócios, sou sempre objetivo e prático. Por isso, ligue para Dohko e explique sobre as possibilidades. Mas lembre-o de que o destino resolveu dar uma chance a ele, por meio do clima. Você terá até o final da nevasca para tentar me vender a Librian.
Meia hora depois, Aiolos seguiu o som de um machado, pensando que iria encontrar Aldebaran cortando lenha. Ao abrir um pouco a porta da cozinha, e passar a cabeça pela fresta, encontrou Shura fazendo o serviço braçal. Naquele instante, sentiu sua mente se esvaziar por completo.
Muito diferente da forma como estava vestido antes, o moreno trajava jeans, botas de couro, e uma camisa de flanela, com uma camiseta por baixo. Parado em frente a uma espécie de pedestal, estava cortando toras de madeira em pedaços menores.
Shura continuou a tarefa, sem notar o barulho da porta sendo aberta. Mesmo em meio à neve, estava suando, As mangas arregaçadas da camisa de flanela, revelavam músculos muito bem desenvolvidos.
Sentindo-se deslocado em meio a toda aquela neve, fechou os olhos e se pôs a pensar na lenha que aquecia as lareiras. Qualquer coisa seria melhor do que ficar olhando aquela figura máscula e imponente, como um deus grego demonstrando força e virilidade, atiçando-lhe a mente com tentações sensuais.
- Como está Dohko? – indagou ele, fazendo o loiro voltar à realidade.
Ao abrir os olhos e encará-lo, percebeu que ele mantinha um pé apoiado no pedestal, em uma postura natural e charmosa ao mesmo tempo.
- Ele está bem. Ainda atordoado pela anestesia e pelos analgésicos, mas apenas isso.
- Contou a ele sobre a tempestade?
Concordando com um gesto de cabeça, Aiolos preferiu não entrar em detalhes sobre aquela parte da conversa que tivera com Dohko. Ele parecera horrorizado com a idéia de ele ter de passar a noite na casa de Shura. Fizera-o jurar que tomaria cuidado com seu anfitrião, mas não explicara exatamente com o que ele deveria se preocupar.
Seria possível que ele estivesse com ciúme, temendo que Aiolos acabasse se sentindo atraído pelo "poderoso Sr. Capricorn"? Se era isso, Dohko não tinha motivo para se preocupar.
- Posso ajudá-lo? – perguntou o loiro tentando mudar de assunto.
Shura arqueou as sobrancelhas.
- Ora... Obrigado, mas está tudo sob controle. Temos bastante lenha em estoque, porém, achei que seria conveniente ter um pouco mais na reserva para o caso de ficarmos sem eletricidade. Aquecer um quarto a mais aumenta bastante o consumo de madeira.
Então, ele era a causa do trabalho extra.
- Sinto muito por estar causando todo este transtorno... – Aiolos começou a falar, mas foi interrompido com veemência.
- Você não tem culpa pelo que aconteceu ao clima. Está sendo uma vítima das circunstancias, tanto quanto eu ou Aldebaran.
- Sei disso, mas...
Mas o quê?, indagou-se. Nem ele mesmo sabia o que dizer. Não tinha idéia de como iria preencher as horas seguintes, pois ficaria em companhia de uma pessoa que mal conhecia e com quem tivera uma desastrosa experiência no passado. Aquela situação estava cirando um clima artificial de intimidade que poderia se tornar perigoso.
Bem que Aldebaran poderia acabar de arrumar o quarto de hóspedes, e retornar à cozinha... Melhor ainda se ele encontrasse algo para fazer. Sim, aquela era a resposta. Se pudesse fazer algo útil, iria se sentir melhor.
- O que acha de me deixar fazer o jantar? – perguntou, rogando para que ele não lhe negasse a pequena tarefa.
A grande cozinha era muito bem equipada, e seria um prazer exercer seu passatempo preferido ali. Cozinhar era um prazer raro para um jovem dinâmico, que trabalhava fora e cuidava de um irmão mais novo. Mesmo assim, ele era muito bom nisso, como em tudo o que fazia.
- Aldebaran cuidará do jantar – respondeu Shura, em tom de desaprovação, enquanto caminhava em direção à porta. – Já organizou a despensa, agendando as refeições para todo o inverno. Pode ficar tranqüilo, pois não há necessidade de se preocupar com isso.
- Mas eu adoro cozinhar – argumentou o loiro, recuando, para dar passagem ao outro. – Talvez Aldebaran deixe que eu o ajudo, pelo menos...
- Não. Não há razão para que se incomode com isso. Seu quarto já deve estar pronto a essa hora. Por que não sobe, toma um banho quente e dorme um pouco? Costumamos jantar às sete horas, e Deba irá chamá-lo quando estivermos prontos.
- Dormir? De dia? São apenas três oras da tarde, e não faço isso desde o jardim-de-infancia...
Como Shura pareceu bastante desapontado ante tal comentário, Aiolos percebeu que ele poderia estar tentando se livrar dele. Talvez fizesse parte dos bons costumes entre os olhados, deixar os anfitriões em paz e dormir durante toda a nevasca.
- Neste caso, deve haver algo que queira fazer – falou o moreno, observando-o de cima a baixo e fazendo o loiro corar. – Você não é um empregado, mas um convidado.
- Mesmo assim, acredito que haja algum trabalho a ser feito em uma emergência como esta... Gostaria muito de ajudar.
- Pelo amor de Zeus, Shura, diga sim! – insistiu Aldebaran, surgindo pela porta interna da cozinha. – Sabe, Sr. Aiolos, Shura não está acostumado a ter homens bonitos fazendo algo de útil nesta casa...
- Aldebaran! – Shura o interrompeu.
- Ora... Desculpe-me por tentar salvar sua reputação. Se quer que o Sr. Aiolos pense que, na sua opinião, ele deve passar o dia inteiro dormindo e comendo bombons, o problema não é meu. Mas eu bem que preciso de um pouco de ajuda na cozinha.
- Tudo bem – concordou Shura, mesmo a contragosto. – Se Aiolos quer cozinhar, que o faça. Enquanto vocês se divertem por aqui, vou verificar a fornalha do aquecedor.
- Certo – respondeu Aldebaran, entrando na despensa. – Depois disso, meu garoto, vá tomar banho e dormir um pouco. Se há alguém nesta cozinha que está precisando se lavar, garanto que é você. Sua roupa está cheirando a madeira molhada, e isto é horrível.
* * *
Shura protelou o tal banho por horas, fazendo uma tarefa após outra, como se tentasse provar a Aldebaran que não se importava em parecer pouco elegante na presença de Aiolos.
Contudo, quando resolveu cuidar de sua higiene pessoal, acabou se vestindo de maneira mais elegante do que o habitual para uma noite de nevasca. Em lugar das roupas velhas, colocou uma calça jeans nova, e uma camisa verde-esmeralda, que combinava com a cor de seus olhos.
Fazia três anos que vinha sendo vítima dos planos de Aldebaran para tentar lhe arrumar alguém. Desde que Shina morrera, o velho não desistira de tentar conseguir uma companhia doce e agradável para seu patrão.
"Quanto mais jovem e gentil, melhor" dizia ele. Pelo menos era esta a idéia de Aldebaran.
De início, Shura não percebera as intenções dele, mas logo aprendera a identificar o que ocorria. Desde então, vinha tentando convencer seu caseiro de que não pretendia oferecer nada, além de um relacionamento passageiro, a algum homem ou mulher que se interessasse por ele.
Aquelas jovens sonhadoras que nutriam esperanças de um anel de noivado, sinos e um vestido de noiva, estavam fora de cogitação. Aliás, para um relacionamento rápido, Shura preferia os homens mesmo. Mas Aldebaran sempre fora incorrigível, e continuava maquinando encontros e situações com moças e rapazes inocentes.
Depois de uma discussão séria com o grandão, Shura conseguira fazê-lo parar com os planos mirabolantes por quase um ano, mas o destino fizera Aiolos surgir no cenário. O loiro atendia a todos os quesitos: jovem, lindo e gentil.
Entretanto, o verdadeiro problema era que, pela primeira vez, Shura estava se deixando envolver pelo plano de Aldebaran. A candura de Aiolos não era como a dos outros que conhecera. Todos o haviam cansado em poucas horas, incapazes de manter um diálogo interessante, ou mesmo se fazerem desejáveis.
Mas ele era diferente... Aiolos parecia complexo e interessante, como uma obra de arte que precisava ser analisado e interpretado. Merecia toda a atenção, pois estava sempre revelando uma nova faceta, capaz de fazer vibrar a alma de qualquer homem...
De súbito, porém, Shura se sentou à beira da cama, horrorizado com os próprios pensamentos. Encontrava-se tão envolvido com aquela situação, que perdera o bom senso! Estava começando a pensar em Aiolos como se ele fosse mesmo candidato a ser seu namorado.
Passando a mão pelos cabelos, concentrou-se em seus objetivos: agir como um cavalheiro, e se lembrar de que Aiolos declarara em voz alta o que pensava dele, três anos antes. Além disso, ele mencionara a mesma opinião outra vez, poucas horas antes.
Shura não tinha a menor intenção de tentar fazê-lo mudar de idéia, pois, em seu íntimo, achava que ele estava certo.
Continua...
Notas da autora: Eu prometi que postaria esse capítulo ainda em 2009 e aí está hihiih. Foi rápido, não? Isso porque meus dedinhos estavam bem saltitantes no teclado, graças aos reviews. Agradecimentos à: P-Shurete, Suellen-san, sophie clarkson e à minha querida beta Akane M.A.S.T. pela paciência. Beijos a todos e não se esqueçam: dedinhos felizes digitam mais rápido ^^
