Me obrigaram a ficar no quarto. É, não gostam que eu fique andando por aí de noite, como se eu pudesse fugir.
Na boa, eu já tentei, mas não adianta muito quando o perímetro é cercado por muros enormes; Vale ressaltar, eu tenho, hum, uma altura não muito razoável para minha idade, sou, digamos, alguns palmos menor do que outras garotas.
Estava deitada na cama, brincando com meus dedos, quando alguém bate na porta.
- Posso entrar? – perguntou aquela voz masculina. O mais estranho foi seu perguntar, os médicos não precisavam perguntar – assim como nunca faziam isso.
- Claro. – respondi. Percebi um estranho tom tingir minha voz.
- Olá, Alice. – ele sorriu, mostrando seus dentes perfeitos. – Como está?
- Bem, e o senhor? – tentei ser educada e ele riu sonoramente, enquanto fechava a porta. Ele riu da minha cara? Sério, ainda vou espancar ele.
- Não me chame de senhor, me sinto um idoso. Me chame por meu nome. – ele explicava o motivo de seu riso, sentando na cadeira ao lado de meu leito.
- Hm, certo. Estou bem, e você, Jasper? – frisei bem seu nome. Ele deu um sorrisinho.
- Ótimo. Não quer saber o por quê de eu estar aqui? – ele sorria, maroto.
- Talvez. – disse sincera, torcendo para que isso não transparecesse. Mais uma risadinha de humor saiu por seus lábios.
- Certo. Vim aqui pra conversar sobre você. – ele me deu um sorriso orgulhoso, como se vir até aqui tivesse lhe tomado muita coragem.
- Ok. – abri a boca para falar mais, porém hesitei. Vamos, Alice, seja confiante, uma voz na minha cabeça me falava. – Mas... podemos falar sobre você também, não? Digo, para podermos nos conhecer. – ele suspirou.
- Certo, estou de acordo. Então, Alice, fazem quantos anos que você está aqui?
- Acho que uns sete ou oito anos. – ele arregalou os olhos.
- E quantos anos você tem agora? – ele perguntou, tentando esconder sua surpresa.
- Tenho 16. – foi minha vez de suspirar. Olhei para baixo, as más lembranças vindo à tona.
Senti uma mão sob meu queixo. Um toque quente e terno.
- Ei, olha pra mim. Não fique desse jeito. Se não quiser falar sobre, não tem problema... – ele tirava sua mão de me queixo durante sua explicativa.
- Não, tudo bem. – o interrompi. – Meus pais achavam, que eu estava desenvolvendo algum distúrbio por acordar no meio da noite gritando e falando coisas sem nexo. Falavam que era diferente de ter pesadelos, pois acontecia com muito mais frequência. E então me trancafiaram aqui e não voltaram mais.
- Ele não vieram te visitar? – balancei a cabeça.
- Nunca, desde quando me trouxeram pra cá.
- O que você sente por seus pais? – ele perguntou, observando minuciosamente cada pequena reação minha.
- Nojo. – soltei sem pensar. Me arrependi por um momento, imaginando o que ele poderia pensar. – Não me leve a mal, só disse isso...
- Eu te entendo. – ele disse, olhando nos meus olhos. Era como se ele pudesse ver através dos meus olhos, como se pudesse ler meus sentimentos, como se fossem palavras escritas em um livro. Suspirei.
- Hm, e você? Digo, seu relacionamento com seus pais.
- Meus pais eram boas pessoas, mas viviam trabalhando, não me davam atenção. Aos 13 anos, fui morar com meus tios. – Fiquei pensando no que ele falou.
- Por que você deixou seus pais?
- Não fui eu que os deixei. – ele olhou para baixo e deu uma risadinha sem humor. – Eles que me deixaram. – a palavra ecoou alguns segundos na minha mente, até entender o que significavam. Coloquei minhas mãos na boca, como forma de reprimir um grito que não seria dado.
- Sinto muito. – apenas consegui falar.
- Sem problemas, já faz tempo.
- Quantos anos você tem? – a pergunta saiu sem intenção.
- Tenho 21. – ele respondeu, olhando meu rosto. Era difícil saber quem estava mais curioso naquela conversa, era como descobrir alguém semelhante e também muito diferente de si próprio.
- Mas se tem só 21, ainda não está formado em medicina. – refleti.
- Larguei os estudos e agora estou trabalhando aqui como "enfermeiro". – ele fez as aspas no ar, pois essa realmente não era a função dele. – Assim que me mudei pra cá, decidi trabalhar, porque em tese, eu sou um inútil. – ele riu. Sorri com sua auto-avaliação.
- Acho que eu que me encaixo nesse perfil. – brinquei.
- Falando nisso, como você acha alguma distração aqui? – ele perguntou, com uma meia indignação surgida do nada.
- Hm, não tenho nenhuma. – respondi, agora pensando sobre.
- E o que você acha se eu arranjasse pra você? – ele perguntou, um meio sorriso maroto. Meu coração protestou com aquela visão.
- Seria... Bom. – apenas falei, minha voz falhando na pronuncia das vogais.
- Amanhã trarei algumas coisas pra você. Agora, me ajude a ter imaginação do que trazer. – ele deu um sorrisinho envergonhado, o que resultou numa risada minha.
- Qualquer coisa seria boa como distração.
- Gosta de desenhar, de música, ler, essas coisas?- apenas assenti. – Tenho ideia do que trazer. – ele sorriu, vitorioso.
- Você é assim com todos os pacientes? Presente desse jeito? – perguntei, repassando nossa conversa, da qual ele participou mais informalmente do que profissionalmente. Um pequeno rubor passou por seu rosto.
- Bem, não tenho certeza. – ele não parecia confortável com minha pergunta.
- De qualquer forma, tomara que sempre seja comigo, ao menos. – disse. Eu estava sozinha naquele tenebroso lugar que eu era obrigada a chamar de "lar". Mesmo que eu tivesse Emily como uma meia mãe, ela não podia estar ali a todo momento.
- Sempre estarei, pequena. - ele prometeu.
Nossa conversa continuou durante horas. Por meus cálculos mentais – que são nada confiáveis -, devia ser quase meia noite quando ele deixou meu quarto.
Naquela noite sonhei com um anjo: sua linda face protetora, os cabelos loiros emoldurando o rosto perfeito, os lábios entortados em um belo sorriso, os olhos cintilando gentilmente.
"Sempre estarei com você, pequena". O anjo me dizia, enquanto envolvia-me em seus braços.
Quase pude sentir o toque quente do anjo em minha bochecha durante meu sono.
O toque terno que eu tanto amava.
N/A: segundo capítulo, hallelujah .-. rs saiu uma shit, juro que vou tentar melhorar nos próximos, juro mesmo *-* tô ansiosa pra chegar no 4º capitulo, vai ser mara, fikdik :D haha enfim, vamos aos lindos e absolutos reviews õ/ (/sofro de mal de absoluta do crossfox q)
Marie Raven: Obrigada, amr :D thnks pelo review (:
Maary Ashleey Cullen: sério?! *OOO* *pulando feliz* que lindo, tenho uma fã #1 s2 espero não decepcionar rs thnks pelo review (:
