Alice's POV

Creio ter adormecido depois de minha breve conversa com Jazz após nossa fuga. Bem mais precisamente minha fuga, ele podia entrar e sair quando quisesse.

Acordei com uma pequena faixa de luz roçando em meu rosto. Abri meus olhos e não sabia onde estava.

- Dormiu bem?

Virei meu rosto. Jasper usava apenas uma calça que era pouco larga para seus quadris. Respirei profundamente.

- Aham. E você?

- Só dormi um pouco, mas foi um bom sono. – ele deu uma risadinha e tomou um gole do que havia no copo em seu copo. Pelo cheiro era café.

- Onde estamos?

- Um hotel. Estava seguindo a estrada em base da costa litorânea. Já atravessamos metade do território de Oregon, vamos para a Califórnia. – senti minha boca se abrir. – O que foi?

- Você dirigiu todo esse tempo? Jasper, você...

- Relaxa, Alice, eu estou bem. – ele sorriu.

- Vou fingir que acredito. – estreitei meus olhos, lembrando da noite passada. – Temos assuntos pendentes. – lembrei-o.

- Eu sei. Mas que tal irmos primeiro procurar algo o que comer, além de comprar algumas roupas pra você? – ele me convidava.

- Hm, acho que isso não vai atrapalhar nada. – disse pensativa. Fui para o banheiro fazer minha higiene pessoal enquanto Jasper se trocava.

Fomos a diversas lojas e inclusive compramos uma mala de viagem para mim. Eu falei para ele não desperdiçar seu dinheiro comigo, mas ele insistiu demais. E não sei como não reclamou dos gastos, ele me levava a lojas chiques, as quais eu – secretamente – fazia a festa ao entrar.

Passar a tarde com Jasper era muito divertido. Era como se nos conhecêssemos havia anos, não apenas algumas semanas. De forma alguma parecia que havíamos nos conhecido no hospício e que ele me ajudara a sair daquele lugar. Tudo parecia tão certo e normal ao lado dele.

Comemos em uma lanchonete e, pela primeira vez em anos, fui verdadeiramente obrigada a comer algo.

- Vamos, Alice, só uma mordida. – Jasper insistia segurando o hambúrguer na minha frente.

- Não, Jazz, só as batatas são o bastante. – eu disse, virando a cara. Nossa ceninha já atraia alguns olhares dos presentes na lanchonete.

- Você está comendo feito um passarinho! – ele protestou.

- E quem disse que passarinho não se alimenta bem? – rebati. Mas ele era persistente, e eu no fundo sabia que, cedo ou tarde, eu cederia.

- Por favor. – ele olhou em meus olhos. Argh, isso era golpe baixo! Aqueles olhos azuis hipnotizavam qualquer um, não havia como recusar um pedido feito com aquele olhar.

- Ok, ok, já que você insiste tanto. – o fuzilei com meus olhos, mas ele estava feliz demais para perceber. Mordi, sentindo o gosto de carne que não sentia em minha língua havia anos. Pensando bem, eu não sentia o gosto de nada havia anos.

Isso me fez pensar nas ultimas palavras de nossa conversa na noite anterior.

Por um novo ângulo, por uma nova perspectiva.

De fato, era um mundo totalmente novo para mim. Sempre estivera ao meu redor, mas nunca pude aproveitar dele.

Então era isso que eu passaria a fazer; Desfrutar da vida. Vivê-la com mais intensidade.

Estávamos no carro de Jasper, andando sob o crepúsculo. Eu observava tudo: a paisagem ao nosso redor, o frio natural de Oregon, nossas roupas leves com casacos mais pesados, tudo que pudesse ver.

Então algo que ficou prometido para mais tarde voltou a tomar minha mente. Ele estacionou o carro e descemos para a praia, na qual havia mais pedras do que areia. Fomos em direção das grandes pedras, onde era possível ficar observando o agitado mar.

- Jazz?

- Sim?

- Creio que você sabe sobre o quero falar. – disse, decidida. Ele suspirou.

- O que quer saber?

- Tudo. – fui simples e direta.

- Não tenho saída? Certo. O motivo pra eu ter te tirado do hospício nem eu entendo totalmente. Mas é que me sinto muito ligado a você, talvez... – ele parou, demorando um minuto para falar o que pensava. – como irmãos. – sua voz saiu fraca.

- Entendo. – minha voz era um eco da sua, fraca.

- Estavam planejando retirar alguns pacientes do hospital. Mas o retirar não quer dizer transferência e sim... – ele engoliu em seco. – Sacrificar.

Não sei por quê, mas creio que no fundo eu sempre soube disso, sendo que a informação não me chocou muito. Ele continuou diante meu silêncio.

- Eles planejavam colocar os pacientes escolhidos no soro, porém seria aplicada uma "vacina" letal junto. O que leva a morte, obviamente. Você era uma das primeiras da listas, eles não aguentavam mais o seu "achismo" de que sua mente era normal. Eles eram como cegos, não sabiam realmente ver. Você tem tanta sanidade quanto qualquer doutor de lá. Eles queriam te matar, eu não podia deixar, eu tinha que impedir. Tinha de te proteger.

Eu estava estática por conta de dois motivos. Primeiro: agora eu sabia, sem sombra de dúvida, o que meus sonhos eram. Segundo, sua declaração de precisar me proteger.

- Jazz... Meus sonhos eram visões. Eu vi... Minha morte. – disse a ele, uma histeria silenciosa surgindo diante das palavras faladas com todas as letras.

- Eu suspeitava disso. Me desculpe por não ter contado antes. Tive medo.

- Medo de quê? – indaguei, uma ruguinha de confusão surgindo em minha testa.

- De que você se afastasse. – ele confessou, olhando para baixo enquanto sentava na lisa e larga pedra à beira d'água. Sentei ao seu lado e me aproximei dele.

- Jasper, eu não me afastaria. – tive a impressão que agora era eu quem precisava proteger Jasper. Ela parecia vulnerável diante aquela ideia. – Talvez eu ficasse apavorada, mas não me afastaria de você. – faria exatamente o contrário, acrescentei mentalmente.

- Alice, eu só preciso que você me diga uma coisa. – ele ainda estava olhando para baixo. – Se você estivesse em meu lugar, você se arrependeria do que fez?

Por um momento entendi que ele se arrependia de me ter a seu lado. Isso me magoou. Mas eu precisava ser franca.

- Não, eu não me arrependeria. – ele não parecia ouvir direito, parecia estar mais em uma discussão interna. Levantei seu rosto a altura de meus olhos, com minhas mãos. Seus olhos azuis brilhavam com uma camada lacrimosa. Ele estava chorando, mas por quê? – Jazz, eu não me arrependeria, porque, se como você mesmo disse, eu tivesse a necessidade de te proteger, eu o faria, não importa o que acontecesse a mim. Apenas quereria o seu bem. Por favor, não chore. – eu me segurava para não chorar também. Ele influenciava meus sentimentos de uma forma indescritível. Passei delicadamente meu indicador direito sob seu olho esquerdo, removendo a lágrima que estava ali.

- Me desculpe por isso, Allie. É algo que eu estava pensando. Mas vejo que eu não estava errado. Penso o mesmo que você, só me perguntava se eu não havia feito algo que tivesse te aborrecido. – ele me puxou para um abraço, aninhando-me feito uma criança, beijando meus cabelos.

Talvez fosse para ser assim, eu e ele juntos como... Irmãos. Se antes eu não era totalmente certa de meus sentimentos por Jasper, agora, se o que eu sentia era o que chamavam de amor, eu tinha certeza absoluta de amá-lo.

(Jasper's POV)

Eu fui tolo. Devia ter salvado ela e pensar numa forma de levá-la a um lugar seguro, mas ao invés disso, eu teimava em querê-la ao meu lado, ou seja, viver fugindo com ela. Claro que eu sabia que sentia algo mais do que fraterno por ela, mas nunca daria certo.

Alice era jovem, ainda não teve a oportunidade de ter uma vida verdadeira. Ainda tinha muito que aprender, o que fazer, muitos por quem ainda se apaixonaria. Eu já havia passado dessa fase, mas ainda parecia um adolescente tentando conquistar sua amada. Mas minha amada nunca pensaria em se apaixonar por seu admirador. A diferença de idades atrapalhava, além disso, ela nos via como irmãos, como sugeri. Me lamentava profundamente disso.

Quase me arrependi de tudo o que fiz.

Quando perguntei a Alice, sua resposta foi:

- Não, eu não me arrependeria. – ela parecia duvidar que eu ouvia, apesar de eu mesmo também ter essa dúvida. Ela levantou meu rosto, então me deparei com seus olhos castanhos claros, que brilhavam com emoções diferentes. Ternura, compaixão. Senti as débeis lágrimas escorrerem de meus olhos, a última coisa que eu precisava naquele momento. – Jazz, eu não me arrependeria, porque, se como você mesmo disse, eu tivesse a necessidade de te proteger, eu o faria, não importa o que acontecesse a mim. Apenas quereria o seu bem. Por favor, não chore. – Suas palavras surtiam efeito em mim. Segurei as lágrimas, desejando que Alice não tivesse as visto. Ela passou o indicador sob meu olho, tirando uma lágrima dali. Seu toque, totalmente único, me fez sentir melhor. Me fez sentir com se estivesse fazendo a coisa certa.

Me desculpei e a puxei para meu abraço, sem pensar duas vezes. Não pude me conter, então beijei o topo de sua cabeça, pois era tudo o que eu podia fazer. Infelizmente.


N/A: capítulo cinco finalmente aqui, oh yeah, baby, espero que gostem (: rs Bem, pra irritar um pouco – só o básico – ainda não rolou o momento Alisper, e sinto informar que não será no próximo capítulo, que já está pronto. Sério, não me matem qq Em todo caso, agora aos reviews que sustentam minha vida de autora KK

Bunny93: SAHUSH que maldoso o seu irmão, não se pode zoar desenhos quando somos crianças, isso marca KK Ah, poash, não tenho idade pra ser tia ainda u_u AUHSUAH anyway, chame como quiser õ/ E thanks *-*

May Pattz: UHUL, gêmeaa! \õ/ *puland q* Ah, vlw *-* ASHUA Romulo divo, fato (y)

tami-sushi: Obrigada *O* ah, então espero não entrar muito no clichê :P hehe Que bom que gostou, essa ideia ficava na minha cabeça, eu precisava colocar na fic õ/ rs

Maary Ashleey Cullen: AHSUAH tan tan tan tãa *suspense* brinks, revelado neste capítulo KK Own, thank you *--*

Anna R Black: Obrigada *---* hm, nem te conto / parei KK Mas as intenções dele são as melhores rs (relevemos o ditado "De boas intenções o inferno está cheio" :x SUHAUH)

We'll see soon ;D

N J x3