Recomeço - capítulo 2
Fandon: Supernatural
Personagens principais: Jensen / Jared
Sinopse: Jensen tinha um dilema: Como poderia ajudar seu paciente a encontrar um motivo para seguir em frente, quando ele próprio não conseguia encontrar seu caminho?
Jensen chegou ao seu consultório pela manhã, após mais uma noite mal dormida, e o advogado de Daneel o estava esperando.
Apenas por educação, o convidou a entrar em seu consultório e o cumprimentou com um aperto de mão.
- Sr. Ackles, a pedido de sua ex-esposa, aqui estão os papéis do divórcio que o senhor precisa assinar.
- Pode deixar aí – Jensen disse lançando o olhar em direção a mesa a sua frente.
- Bom, eu vou deixar para que o senhor tenha tempo de analisar, e volto em dois dias para levá-los.
- Eu vou precisar de mais tempo, sou um homem ocupado.
- Sr. Ackles, só espero que não dificulte as coisas, se ela levar para o litigioso, as coisas ficarão muito mais complicadas.
- Agora se o senhor não se incomoda, eu tenho um paciente esperando.
- Ok, eu vou aguardar a sua ligação então, tenha um bom dia.
Jensen bufou assim que o advogado deixou a sala, Daneel parecia mesmo irredutível, tinha que pensar em um jeito de reverter a situação, precisava vê-la pessoalmente. Tinha certeza que ela ainda sentia algo por ele, afinal, três anos de casamento não se jogam fora assim, do dia pra noite.
Bom, de nada adiantava ficar se martirizando, tinha trabalho a fazer, então ligou para Katie, pedindo que mandasse o primeiro paciente entrar.
Jensen ouviu seu paciente durante quarenta minutos, estava difícil se concentrar. Volta e meia sua mente divagava ou para o seu problema com Daneel, ou para o seu paciente suicida. Estava tentando achar uma estratégia de fazê-lo falar. Teria que conseguir isso hoje, de qualquer forma, caso contrário, seria um caso perdido. Como poderia ajudar sem sequer saber o que aconteceu? Quais eram os motivos? A mãe tinha falado muito pouco, também sequer parecia interessada nos motivos do filho, estava mais preocupada em se livrar logo do problema.
Jensen almoçou com Sebastian, um de seus melhores amigos, e que também era psicólogo. Comentou o caso com ele, apenas por comentar, mas o amigo também ficou curioso, nunca havia presenciado um caso assim.
Chegando a tarde, se dirigiu ansioso para a clínica. Encontrou Jared sentado em um banco no jardim, pelo menos o lugar era mais agradável do que aquela sala fechada onde o vira da última vez. Estava sentado, imóvel, olhando em direção a um grupo de pacientes que estavam sentados na grama, um pouco mais a frente.
- Olá Jared, estou aqui novamente. Creio que você deva se lembrar de mim, eu sou Jensen, o seu psicólogo.
Como Jensen já esperava, o garoto não teve nenhuma reação, sequer desviou o olhar do grupo de pessoas.
- O dia está agradável hoje, você quer caminhar um pouco por aí? Parece que não - Jensen bufou, desanimado.
- Jared, eu conversei com sua mãe a seu respeito, ela me contou sobre suas duas tentativas de suicídio. Mas ela não entrou em detalhes, acho que nem ela mesma sabe o motivo que te levou a fazer isso. De qualquer forma, eu levantei todas as informações possíveis até agora, e eu sei que isso deve ser um assunto delicado, mas eu só pude chegar a conclusão de que tem algo a ver com o acidente que você sofreu, ou a sua perda, talvez.
Pela primeira vez, Jensen pôde notar uma mudança de comportamento, sentiu Jared ficar tenso e desconfortável ao ouvi-lo mencionar o acidente.
- Jared, eu preciso, por favor, que você fale comigo. Eu sei que você está completamente lúcido e que está me ouvindo, então por favor, eu só vou poder te ajudar se eu souber seus motivos, se eu conhecer a sua história.
A paciência de Jensen já estava se esgotando, não sabia mais que argumentos usar, e esta já era a sua segunda tentativa frustrada.
- Ok, o negócio é o seguinte: Você não é obrigado a falar comigo, a escolha é sua. Mas apenas para seu conhecimento, se algum dia você quiser sair desta clínica, mesmo que seja para chegar lá fora e se matar, você só vai conseguir sair daqui com a minha autorização. Então... eu sugiro que você coopere. Se eu desistir de você, você vai ficar a mercê dos médicos da clínica, que irão te entupir de remédios para que você não incomode, afinal eles não estão nem aí se você vai melhorar ou não. Bom, agora que você já está a par da situação, e como eu vejo que hoje não teremos nenhum progresso, eu vou embora. Mas volto em dois dias pra te ver novamente.
Jensen já ia se virando para ir embora, quando foi surpreendido...
- E por que você não desiste de uma vez?
- Como? – Jensen não pode conter um sorriso de satisfação, afinal tinha funcionado.
- Por que você não desiste já? Você sabe perfeitamente que a primeira coisa que eu vou fazer quando sair daqui é finalizar o que eu comecei, então não perca o seu tempo.
- Eu nunca desisto antes de tentar.
- O dinheiro que a minha mãe está te pagando, pelo menos vale a pena?
- Vale sim, mas isso não é uma questão só de dinheiro para mim.
- Não? Então o que é? – Pela primeira vez Jared olhou Jensen nos olhos.
- É um desafio - Jensen disse o encarando.
- É uma furada, isso sim, e não vai ser legal pra sua carreira, acredite.
- Então, já que eu pude perceber que você sabe falar, nós podemos conversar agora?
- Não, eu já falei o suficiente por hoje.
- Não o suficiente para mim...
- Eu não vou te falar sobre a minha vida, esquece... Eu nem te conheço!
- Então, eu vou me apresentar... Meu nome é Jensen Ross Ackles...
- Eu já sei o seu nome, que é bem estranho por sinal.
- Tenho 30 anos, sou psicólogo, gosto de ler, de jogar golfe e de dormir, não sou fã de outros esportes.
- Você é casado?
- O que?
- Você usa uma aliança.
- Eu estou me divorciando.
- Então por que ainda usa?
- Eu não estou aqui pra falar da minha vida.
- Ela deve ter te chutado...
- Jared, por favor, vamos voltar ao...
- Te trocou por outro?
Jensen ficou totalmente tenso neste momento, este garoto estava mesmo conseguindo lhe tirar do sério.
- Me desculpe.
- Como?
- Me desculpe, deve ser um assunto delicado pra você, você até tirou seu ar arrogante da cara.
- E então, nós podemos conversar ou não?
- Hoje não, a minha cabeça está doendo.
- Quer que eu receite alguma coisa?
- Não.
- Você está dormindo bem?
- Só com remédios.
- Eu vou cortar os remédios para dormir então, você precisa tentar dormir por conta própria.
- Ótimo, facilite a minha vida...
- É o que eu estou tentando fazer... te ajudar!
- Quem disse que eu quero a sua ajuda?
- O que eu sei, é que você é um jovem de 26 anos, que tem toda uma vida pela frente. E que por pior que sejam os problemas, sempre há uma solução. E acredite, tentar suicídio não é a resposta.
- Você conseguiu alguma solução para o seu casamento?
- O que?
- Você conseguiu uma solução? Ou o seu manual de psicologia não ensina a lidar com os próprios problemas?
- Eu já vi que não teremos progresso hoje, eu volto daqui a dois dias, quem sabe você mude de idéia até lá.
- Desista, Jensen... Para o seu próprio bem.
- Até mais, Jared! Tenha um bom dia!
Jensen saiu dali com um misto de sentimentos. Aliviado, por ter conseguido fazê-lo falar... e incomodado, afinal o garoto era esperto, sabia onde cutucar para lhe tirar do sério... Este realmente iria dar trabalho. Mas Jensen não estava disposto a desistir, iria pagar para ver quem dos dois conseguia ser mais teimoso.
Na sexta a noite Jensen foi com alguns amigos a um bar, depois de muita insistência deles, dizendo que Jensen precisava se divertir e esquecer a Daneel.
Ele sabia que essa parte era impossível, mas mesmo assim foi, e até que a noite foi divertida. O problema é que acabou bebendo demais, e a ressaca no dia seguinte foi de matar...
- Jensen, você é um exemplo de psicólogo! Se os seus pacientes te vissem assim! Resolvendo os problemas afogado em tequila – Sebastian ria da cara do amigo, enquanto lhe preparava um chá.
- Acho que vou adotar este método, depois de algumas doses de tequila, a maioria deles me contaria até os seus segredinhos mais sujos.
- Isso seria covardia. Mas e aí, algum progresso com seu garoto suicida?
- Nem me fale, este caso está me tirando o sono... Eu consegui que ele falasse comigo, mas acho que vai dar trabalho arrancar alguma informação útil dele.
- E desde quando Jensen Ackles desanima tão fácil?
- Eu não desanimei, só estou meio desarmado, sabe... Mas logo eu penso em alguma coisa...
- Mas Jensen, e a festa de hoje ainda está de pé?
- Eu não sei, depois dessa ressaca...
- Ah, qual é, Jen? Acho que você está com medo de cruzar com a sua ex por lá.
- Mais ou menos... O problema é que se ela for, vai estar acompanhada dele, e eu não sei se vou conseguir me controlar diante disso. Uma coisa é saber que ela está com outro, outra coisa é vê-los juntos.
- Se fosse com um paciente seu, o que você aconselharia fazer?
- Eu diria pra dar um tiro no cara, e sequestrar a garota – Jensen disse brincando.
- Você não anda armado, anda?
- Bem que eu deveria, mas não cheguei a este ponto ainda.
- Autocontrole Jensen! Afinal, você é um psicólogo, você consegue!
- Sim, agora some daqui que eu preciso de umas horas de sono se quiser sair hoje a noite.
- Ok amigão, te vejo mais tarde! – Sebastian disse e foi embora.
Jensen se jogou de volta na cama, tentando dormir...
Chegando a noite, Jensen vestiu seu melhor terno, afinal era uma daquelas festas beneficentes chatíssimas, onde haveria um bando de gente granfina e sem graça, mas isso fazia parte de seu convívio social, não tinha como escapar.
Logo na entrada, encontrou Kim e Sebastian, para seu alívio, pois detestaria ter que circular sozinho pela festa, ainda mais porque a maioria dos presentes eram casais.
Foram até sua mesa, que já estava reservada, e Jensen acabou pedindo um uísque, porque definitivamente não dava para agüentar uma festa daquelas sem beber.
Passado pouco mais de uma hora, Jensen se dirigiu ao banheiro, e no caminho, acabou se confrontando justamente com o que mais temia. Daneel e seu novo companheiro, Christian, que era um famoso cirurgião plástico. Não era amigo de Jensen, mas eram do mesmo meio social, então já haviam se esbarrado em várias festas e eventos. Sinceramente, Jensen não sabia o que Daneel tinha visto naquele cara, pois para ele, era um tremendo de um idiota arrogante.
Sentiu um frio na barriga quando Daneel se aproximou para cumprimentá-lo, claro que apenas por educação, e lhe deu um beijo no rosto. Ela estava deslumbrante em um vestido vermelho decotado, e Jensen sentiu vontade de pegá-la pelo braço e a arrastar para fora dali, mas teve que se conter, afinal um vexame em público não seria algo lá muito legal para a sua carreira como psicólogo.
- Olá Jensen, creio que você já conheça o Christian – Daneel disse com um sorrisinho nervoso.
- Claro, como não haveria de conhecer? – Jensen responder sarcástico.
- Eu ouvi falar muito de você, Jensen – Christian disse provocando.
- Espero que tenha ouvido falar bem – Jensen disse sorrindo para Daneel, com vontade de pular em seu pescoço.
- O que mais poderia ser? – Christian respondeu com sarcasmo – É só uma pena que você não saiba cuidar bem de suas coisas.
- Escuta aqui seu cretino! – Jensen disse nervoso e já ia pra cima do cara, quando Sebastian o puxou pelo ombro o tirando dali.
- O que você estava pensando, Jensen? Quer acabar com a sua carreira?
- Ele estava me provocando! Exibindo ela como se fosse um prêmio!
- E você caiu na dele direitinho! Vem, vamos embora, já chega de festa pra você!
- Eu quero ficar um pouco mais...
- Nada feito... Cara, eu não sei o que está havendo com você. Você era a pessoa mais centrada que eu conheci, e agora... olha pra você! Tendo ataque de ciúmes em público, querendo puxar briga! Acho que você está precisando de férias! Urgente!
- Ok, vamos embora. Mas sem essa de férias, você sabe muito bem que eu não posso tirar férias logo agora.
- Você pode sim, só não quer.
- Eu acabei de assumir a responsabilidade por um maldito paciente suicida. Pôrra Sebastian, é uma vida que está em jogo!
- Tá, tudo bem, agora você vai se dedicar de corpo e alma nesse caso, e assim que este paciente tiver alta, você não escapa, você vai tirar férias, nem que seja na marra!
Continua...
Obrigadinha a todos que leram até aqui...
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Beijinhos!!
