CAPITULO 11
- Tudo bem aí, Leon?
- Sim, eu só estou um pouco cansado.
- Venha – Ada entrelaçou o braço do homem sobre seu ombro. – temos que continuar.
- Espera... acho que ouvi algo.
- O que foi?
- Não sei, veio dali. – murmurou, apontando para uma das portas daquela sala.
A luz piscou diversas vezes e enfim apagou. Estavam no escuro, e com o escuro, as luzes vermelhas se transformaram em verdes, as portas se abriram e gemidos ressoantes vieram de lá. Leon puxou Ada para um canto, enquanto observavam aquelas criaturas bizarras caminhando pelo corredor iluminado apenas pela luz verde. Definitivamente, aquelas coisas pareciam múmias.
"Não se mexa." sussurrou Leon no ouvido de Ada.
O policial observou a porta por onde haviam vindo, e infelizmente, ela estava com uma luz vermelha em cima. Leon interpretou que, caso faltasse energia, as portas de saídas seriam trancadas, impedindo aquelas coisas de fugirem.
Traumatizador, era a palavra certa para descrever a cena que Leon via, junto a Ada. Estavam parados num canto escuro da sala, sem esperanças. Mesmo que eles tentassem matar aquelas criaturas, talvez suas munições não seriam o suficiente para matar todas; Se tentassem correr, provavelmente seriam pegos; Se tentassem gritar por ajuda, seriam descobertos.
O único jeito deles escaparem dali, seria se a luz voltasse, caso contrário, não havia nada à ser feito, estavam teoricamente, mortos.
"Será que... Leon faria o mesmo por mim?" dizia para si mesma, enquanto corria, tentando acha-lo. "Sim... tenho certeza de que ele faria."
Claire ja havia passado por vários lugares, mas Leon não estava em nenhum deles. Talvez fosse perda de tempo procura-lo, mas Claire não se importava, ela tinha que ajuda-lo. Inesperadamente, as luzes se apagaram, uma luz de emergência foi acionada graças aos geradores do local.
Não havia tempo a ser pedido, Claire não temia o que encontraria pela frente. Seus passos aumentavam de ritmo cada vez mais, seu principal objetivo agora era encontrar o policial.
***
Leon não conseguia acreditar que tudo terminaria ali, todo seu esforço, teria sido em vão? Deu uma fitada por toda a sala, observando todo detalhe do local.
"Ada, confie em mim." disse em voz baixa, Ada ficou perplexa, observando Leon pegar sua Shotgun.
Talvez fosse loucura, mas era o único jeito deles sobreviverem, Leon havia descoberto uma saída, mas seria necessário passar por aquelas coisas. Ele engatilhou sua Shotgun e atirou contra um daqueles monstros, fazendo-o voar para trás. As outras criaturas o fitaram, mostrando seus dentes afiados e seus olhos vermelhos, aquelas coisas, eram horrendas.
Diferente dos zumbis, aqueles seres caminhavam muito mais rápido, porém, tinham muito pouco equilíbrio, uns até tropeçavam. Leon atirou novamente, acertando dois de uma vez, restavam três deles e Leon possuía apenas mais uma bala na Shotgun.
Ada se posicionou ao seu lado, atirando contra as "múmias". Leon atirou uma última vez, acertando em cheio em um deles. Rapidamente, sacou sua pistola e atirou contra outros dois que insistiam em ficar de pé, apesar de terem sido acertados pela pistola de Ada. A munição da mulher e do policial haviam terminado, mas Leon ainda tinha uma rodada de munição e havia apenas mais uma criatura de pé. Leon sabia que era uma má idéia andar por aquele lugar sem munição, não poderia gastar sua última rodada em uma criatura enfraquecida. Antes de qualquer movimento de Leon, Ada tirou uma faca de um coldre que estava escondido na sua perna e a lançou na cabeça da criatura, fazendo-a cair instantaneamente.
Todas as "múmias" estavam caídas, algumas ainda se mexiam, mas sem nenhuma reação brusca. Ada se aproximou da múmia em que havia tocado a faca e a arrancou de sua cabeça. Os dois chegaram até o outro lado do corredor, a porta possuía um daqueles aparelhos com senha, Leon apontou sua arma contra o aparelho e, virando a cara, atirou. Felizmente, a porta se abriu, Leon e Ada sairam da sala e o policial se encostou em uma parede, apoiando suas mãos em seus joelhos.
- Leon, como você descobriu isso?
- Ah... a porta era sustentada pela energia dos geradores do local, caso a senha fosse colocada naquele aparelho, a energia seria cessada, abrindo a porta. Eu atirei no aparelho, causando um curto-circuito entre o gerador e o aparelho, consequentemente, a porta abriu. – Leon era mais esperto do que Ada pensara, nem mesmo ela teria tido uma idéia dessas, ainda mais naquele momento crítico.
***
Era uma sala cheia de tubos de ensaio, um homem loiro colocava frascos com um líquido roxo dentro de uma mala-térmica preta, que possuía a proteção própria para aquele tipo de objeto.
"Hah... meu precioso G, ninguém te tirará de mim." disse, observando um dos frascos.
Uma porta se abriu e dois homens armados com metralhadoras e vestidos com máscaras de oxigênio invadiram a sala, apontando suas armas para o loiro.
- Doutor, estamos aqui para pegar o G, entregue ele, agora! – gritou um deles.
- Vocês nunca o tirarão de mim! – o loiro estendeu seus braços, com o objetivo de proteger as amostras.
- Então não me resta outra escolha... – o homem metralhou o cientista, que caiu no chão, ensanguentado.
- PARE! Você pode acertar as amostras do G! – vociferou o outro homem.
- N...ão... – esticou as mãos, tentando alcançar a mesa onde se encontrava o G, mas os homens pegaram a mala e fugiram.
Suas forças estavam se esgotando, já sentia seu corpo adormecer, seus olhos pesavam, era a hora de morrer. Uma outra porta se abriu, era Annette, sua mulher, quem saia dela.
- William! Meu Deus!
- A...nnette, eles pegaram... o G, aqueles... desgraçados.
- Querido, não fale, eu já venho para tratar suas feridas, aguente firme. – Annette correu até uma porta, saindo da sala.
- Huh... G... você me salvará... da morte. – William estava segurando um frasco do G e com sua outra mão, pegou uma seringa que havia caido da mesa, a colocou dentro do frasco, enchendo-a, e então, injetou em seu braço.
Aquela dor, ah... era terrivelmente forte, ele podia sentir o vírus se espalhar em seu corpo em questão de segundos, talvez aquele vírus estivesse o matando, talvez o salvando, ele não sabia explicar.
"Meu precioso... G" essas foram suas últimas palavras, antes de perder a consciência.
Annette estava de volta e a cena que ela estava presenciando era horrível, o corpo de seu marido estava se transformando, seu braço direito estava incrívelmente robusto e um olho havia se formado no seu centro. Annette se escondeu atrás de um balcão, enquanto observava William.
Nada podia ser feito para salva-lo, o G tinha a habilidade de reforçar as funções das células do corpo, tornando-o mais forte, ou melhor, tornando-o um monstro. William deu um bramido ensurdecedor, se levantou e caminhou até a porta por onde os homens haviam saído.
- Aqui é o Time Alfa, capturamos o Virus-G, câmbio.
- Afirmativo, nos encontramos no ponto de extração, desligo.
Os dois homens corriam por aqueles corredores, enquanto se aproximavam do ponto de extração. De repente, a parede em sua frente foi destruída, e dela saiu, William.
- Que, merda é essa? Ele está vivo?
- Atira nele!
As balas eram inúteis, William estava muito forte, os projécteis nem ao menos penetravam em seu corpo. Ele agarrou um dos homens com sua mão robusta, esmagou suas costelas e o atirou contra uma parede.
"Filho duma puta!!!" clamou o outro homem, metralhando o loiro por todas as partes de seu corpo. Sua munição havia acabado e William começava a caminhar em sua direção. Não havia escapatória, era o fim da linha para ele. "Não, por favor, não!" implorava o homem, com as mãos na frente de sua cara.
O rosto deformado de William abriu um sorriso maléfico.
"William, o que nós criamos?"
