Recomeço - capítulo 5

Fandon: Supernatural

Personagens principais: Jensen / Jared

Sinopse: Jensen tinha um dilema: Como poderia ajudar seu paciente a encontrar um motivo para seguir em frente, quando ele próprio não conseguia encontrar seu caminho?

Nota: Esta fic é pura ficção, o foco dela é o relacionamento entre o psicólogo e o paciente, eu não entendo nada a respeito de psicologia, psiquiatria, ou qualquer outro tipo de tratamento.


Jared saiu do quarto sem mesmo saber que direção tomar, só sabia que precisava sair dali, precisava ir para longe de Jensen. Sua cabeça parecia que ia explodir, sentia vontade de chorar, mas como sempre, não conseguia... Suas mão tremiam, e aquela sensação havia voltado com toda a força, aquela vontade de morrer, de que o mundo acabasse, pois quem sabe assim aquela dor que sentia acabasse também.

Afinal, quem aquele maldito psicólogo achava que era para falar daquela forma? Ele sequer o conhecia, tinham apenas conversado algumas vezes, o que ele achava que sabia da sua vida? Não sabia de nada, ele jamais iria entender a dor que estava sentindo, a angústia que era acordar todos os dias, tendo que continuar vivendo... E tudo o que conseguia sentir agora era raiva... raiva de Jason por ter morrido, e por não tê-lo deixado morrer junto no acidente, raiva da sua mãe por tê-lo enfiado nesta maldita clínica, raiva das pessoas a sua volta, porque simplesmente seguiam suas vidas, como se nada tivesse acontecido... E agora também sentia raiva de Jensen...

Se já não bastasse a dor que sentia antes, agora também se sentia um fracassado... Quem é que tenta suicídio por duas vezes e continua vivo? Nem sequer para isso tinha tido competência, e agora estava ali... nesta maldita clínica, sem nem mesmo saber se algum dia sairia dali. Sabia que tinha feito mais uma burrada, tinha provocado Jensen até o limite, tinha decidido provocá-lo até fazê-lo desistir. E sabia muito bem onde cutucar, o que para falar a verdade tinha sido bem mais fácil do que imaginava. Mas agora pensando bem, já estava se arrependendo do que tinha feito, pois sabia que sua mãe não iria desistir, e com certeza ela iria mandar outro psicólogo para substituí-lo, o que podia ser muito pior. Jensen pelo menos não era nenhum velho ranzinza, e era até uma pessoa agradável, apesar de tudo...

Jensen saiu da clínica com um misto de sentimentos... Sentia raiva, porque desta vez, tanto Jared como ele haviam extrapolado o limite médico x paciente. E também se sentia triste porque ao chegar ali hoje estava bem esperançoso, achou que as coisas finalmente começariam a deslanchar.

Frustrado seria a palavra certa para o que estava sentindo, frustrado por ter demonstrado fraqueza diante de seu paciente. Devia ter ignorado o que Jared falou, e não ter reagido daquela maneira "Dependente a ponto de querer se suicidar"... Isso tinha sido o cúmulo... Jamais poderia ter dito uma coisa dessas para o garoto, por mais que fosse verdade, ou não, talvez... Jensen se deu conta de que ainda não tinha uma opinião formada sobre o seu paciente. As poucas vezes que tinham conversado não eram nem de longe suficientes para conhecer o perfil de Jared.

O que Jensen não conseguia se conformar, era de como as coisas estavam lhe fugindo do controle. Sempre fora um profissional extremamente competente, sempre seguiu rigorosamente suas regras e limites, apesar de não utilizar os métodos convencionais que os outros psicólogos usavam com seus pacientes. Jensen sempre procurava se colocar no lugar deles, e fazia o possível para minimizar o sofrimento das pessoas da maneira que podia.

Seus argumentos sempre eram infalíveis, até hoje, pelo menos. Porque Jared era um caso a parte. Desde o primeiro dia em que colocou os olhos no garoto sabia disso, sabia que não iria ser fácil, mas mesmo assim aceitou o desafio. E agora, por não conseguir controlar suas próprias emoções, principalmente quando se tratava de Daneel, tinha posto tudo a perder.

Sabia que esta coisa toda de separação, havia mexido muito com a sua cabeça, talvez precisasse mesmo de umas férias, para colocar a cabeça em ordem. Pela primeira vez em toda a sua vida profissional, sentiu-se um fracassado, e estava profundamente envergonhado pela sua atitude perante o seu paciente. Achou que não teria mais como voltar atrás, afinal Jared provavelmente perdera a confiança nele, se é que tinha alguma.

Do carro mesmo, Jensen ligou para Sebastian, e então foi até a sua casa, precisava conversar com alguém.

Assim que Jensen entrou, Sebastian notou que havia algo de errado...

- Ei amigão, o que fizeram com você?

- Olha, eu... não sei o que está havendo comigo... Cara, eu acabei de explodir com um paciente.

- De onde você está vindo?

- Da clínica.

- Oou! E você escolheu logo o seu paciente suicida para explodir?

- Qual é? Eu não escolhi, ok? É que... o cara me tirou do sério, só isso...

- E como ele conseguiu essa façanha? Tirar Jensen Ackles do sério?

- Eu não sei, simplesmente não sei, ele começou a se abrir mais, claro que só respondendo ao que eu pergunto, mas já estava mais confiante, entende?

- Mas isso é uma coisa boa, não é?

- Claro que é... mas, ele rodeia e... quando eu me dou conta, sou eu quem estou falando da minha vida pra ele...

- O que?

- Então? Já viu uma coisa dessas? É no mínimo um absurdo!

- Deixa eu ver se eu entendi... Seu paciente está brincando de psicólogo com você?

Jensen riu sem humor...

- É mais ou menos isso...

- E ele conseguiu fazer você falar?

- Conseguiu.

- Eu preciso conhecer esse cara! Jensen, você não fala da sua vida nem pra mim que sou seu melhor amigo!

- Não é bem assim... Eu só... respondi algumas coisas que ele questionou, mas o problema é que ele ficou tipo... me analisando, entende? E ele acha que sabe tudo sobre o amor... coitado! Só porque ele e o falecido namorado viviam feito um casal de coelhos...

- Casal de coelhos? – Sebastian gargalhou – Jensen, você está interessado na vida sexual de um paciente gay?

- Eu não estou interessado! É só que... eu questionei os últimos acontecimentos, queria saber se tinha acontecido algo que pudesse fazê-lo se sentir culpado, pelo acidente, ou sei lá... alguma briga ou desentendimento entre os dois.

- E achou alguma coisa?

- Não. Ou ele é um excelente ator, ou estava tudo 100% bem entre eles, eu diria até mais que isso, e definitivamente, toda história que ele me conta, ou acaba em sexo, ou então começa...

- Isso te incomoda?

- Claro que não, aliás, eu nem deveria estar comentando isso com você.

- Qual é Jensen? Eu sei que é tudo sigiloso, mas nós sempre trocamos idéias sobre os paciente, eu não vejo problemas nisso...

- É, eu sei...

- E sabe Jen, quem sabe seja uma boa idéia você pegar umas dicas com ele...

- Cala a boca! – Jensen disse bravo.

- E agora?

- Eu quero que você assuma...

- O que?

- Sebastian, essa foi com certeza a maior mancada que eu dei na minha vida profissional. E eu não sou assim, você me conhece! Mas eu ferrei com tudo, entende?

- Jensen, não dá...

- Só me escuta... Eu sei que o tempo que eu passei com ele foi pouco, eu nem cheguei a formar um perfil dele ainda, estava sendo difícil arrancar alguma coisa, sabe? Mas eu estava convicto que ia conseguir.

- E então por que quer desistir?

- Eu não quero! Mas é isso que eu estou tentando te explicar... O que eu fiz hoje... eu explodi com ele, eu disse umas coisas que eu não diria nem para uma pessoa que está completamente bem, quanto menos para alguém que está passando pelo que ele está. Eu... eu demonstrei fraqueza, desequilíbrio, e não podia! Eu tinha que fazer ele confiar em mim, e acabei fazendo o contrário. Eu tinha que ser a pessoa mais sensata e centrada da dupla, entende?

- Jensen, agora me escuta você... Você pisou na bola, ok? Todo mundo faz isso algum dia. Mas não quer dizer que você não possa voltar atrás e consertar! Eu conheço você desde a faculdade, e sei o quão competente você é...

- Mas Sebastian, ele deve estar me odiando...

- Pensa bem, Jensen... você me contou que o cara estava se isolando completamente, não falou com ninguém antes de você.

- Certo.

- Você conseguiu fazer ele se abrir, não importa os argumentos que tenha utilizado, mas isso quer dizer que de alguma forma ele confia em você. Eu posso até ir lá, ou algum outro profissional que a família dele escolher, mas vai tudo voltar a estaca zero, entendeu? Você só precisa ir lá, se desculpar, ter uma conversa franca com ele, eu tenho certeza que vai dar tudo certo.

- Eu não sei...

- Mas você precisa tentar. Eu sei que esse seu lance com a Daneel está te afetando, mas você não pode deixar isso interferir no seu trabalho. E se a forma de você fazer com que ele se abra, for falando da sua vida também, vai fundo... utiliza esta ferramenta, basta ignorar o que ele diz, e não perder a cabeça por causa disso.

- É, você está certo.

- Eu sempre estou certo, Jensen!

- Cala a boca, seu cretino!

- Jensen... definitivamente você precisa de férias.

- Eu sei disso.

- Ou de uma boa noite de sexo – Sebastian disse zoando.

- Só se eu der muita sorte hoje...

Jensen voltou para seu apartamento, e se jogou por alguns minutos em sua cama, pensando nos últimos acontecimentos, mas agora tinha que se concentrar em Daneel, afinal teriam um encontro dentro de poucas horas...

Tomou um banho demorado, tentando relaxar um pouco, depois procurou por uma roupa adequada, olhou-se várias vezes no espelho para ter certeza de que estava tudo ok, passou o perfume que ela gostava, e depois ficou andando de uma lado para o outro dentro do quarto, esperando pela hora do seu encontro.

Não queria desviar o pensamento disso, sua prioridade agora era resolver o seu problema com Daneel, os outros que se danassem. Se Jensen não se conhecesse tão bem até poderia acreditar nisso, porque bem lá no fundo sabia que a sua vontade era de correr de volta até a clínica e consertar a burrada que havia feito. Mas isso podia esperar, afinal, Jared teria que perceber que era Jensen quem estava no controle, e não o contrário.

Eram nove horas e Jensen se dirigiu até o apartamento de Daneel, e dali seguiram para o restaurante. Ela como sempre estava lindíssima e muito elegante num vestido preto decotado. Jensen pensou se ela se vestia daquela forma para provocá-lo, mas acabou não chegando a uma conclusão.

Conversaram sobre trivialidades, enquanto bebiam vinho, Daneel estava muito agradável e sorridente, e Jensen estava começando a ficar ansioso com a situação, até que ela entrou no assunto esperado...

- Você não vai mesmo assinar os papéis, não é Jensen?

- Não.

- E por que não?

- Porque eu quero, e sei que mereço mais uma chance – Disse suavemente, segurando sua mão.

- E o que eu quero, não importa pra você?

- Claro que importa, e eu não estaria me opondo se soubesse que você está realmente feliz com aquele cara.

- Aquele cara tem nome, Jensen!

- Eu sei, mas você sabe a minha opinião em relação a ele.

- Nós terminamos.

- O que?

- Não deu certo, você tinha razão a respeito dele.

- Mas então...

- Então?

- Mais um motivo pra você não recusar o meu pedido.

- Não é tão fácil, Jensen! Se não deu certo antes, por que você acha que agora vai dar?

- As pessoas mudam, Dan... Eu posso mudar. Eu sei muito bem onde eu errei, e sei que posso consertar.

- Eu... eu preciso pensar, ok? Isso não é algo que se decida assim, de uma hora para outra.

- Ok, você tem o tempo que precisar, eu vou esperar por você.

Ao levar Daneel para casa, se despediram com um selinho demorado, Jensen teve vontade de agarrá-la, mas achou que teria mesmo que dar um tempo a ela, forçar as coisas não ajudaria em nada.

Voltou para seu apartamento esperançoso, acreditando mesmo que desta vez as coisas seriam diferentes, tinham tudo para dar certo, bastava ajustar alguns ponteiros. Jogou-se cansado na cama, e dormiu profundamente...

Pela manhã, Jensen tomou um banho e em seguida ligou para Katie, pedindo que cancelasse os primeiros pacientes da manhã, afinal tinha algo de extrema urgência para resolver.

Jensen chegou cedo na clínica, checou o prontuário para ver se estava tudo ok com o seu paciente, conversou com a enfermeira de plantão, e então foi a procura de Jared, o encontrando novamente no jardim, sentado na grama, encostado em uma árvore.

- Agradável aqui, não é? – Jensen tentou uma aproximação, e então se sentou no chão ao lado de Jared.

- Cuidado, vai sujar o seu terninho na grama – Jared disse com sarcasmo – O que você faz aqui?

- Eu já falei pra você que eu nunca desisto antes de tentar?

- Engraçado, não foi o que me pareceu na sua última visita.

- Eu estava só testando você - Jensen disse brincando.

- Claro... Mas você realmente não devia ter voltado, sabe... cedo ou tarde você vai perceber isso...

- Agora, falando sério, Jared...Eu quero que você saiba que eu não desisti de você, nem nunca vou desistir...

- É uma pena...

- Eu sei que você deve estar sentindo raiva de mim, e eu tenho plena consciência de que eu agi de uma forma muito errada com você, e por isso eu peço desculpas.

Jared apenas riu...

- Eu sei que devo ter te decepcionado, e você tem todo o direito de não querer falar comigo, mas se mesmo assim você ainda permitir que eu continue o seu tratamento, eu estarei aqui.

- É o que você quer?

- Sim, e eu sei que posso te ajudar, e também sei que posso fazer isso melhor do que qualquer outro profissional, mas para isso você precisa querer também Jared...

- Ta.

- O que?

- Tudo bem... se é pra ficar respondendo a essas baboseiras, eu prefiro que você continue do que outro idiota pior...

- Bom, se isso é uma forma de dizer que sim, pra mim está ótimo.

- Mas hoje não.

- Por que?

- Eu não quero falar sobre a minha vida hoje...

- Tudo bem, já que estou em dívida com você, eu vou te dar essa chance.

- Até parece...

- Jared, tem alguém que... algum amigo seu com quem eu possa falar? Alguém que te conheça bem, e que não seja da sua família?

- Esquece Jensen, você não vai infernizar os meus amigos com as suas perguntas...

- Eu não vou infernizar ninguém, eu prometo. Eu só gostaria de ter mais um ponto de vista, só isso. Mas tudo bem, eu posso perguntar a sua mãe para me indicar alguém.

- O que? A minha mãe não conhece os meus amigos...

- Então me diga você.

- Puta merda! Isso é necessário mesmo?

- Sim.

- Eu acho que... a Meg não vai se importar em responder as suas perguntas... Só não dá muita corda pra ela, tá? Senão ela vai falar por dois dias inteiros...

Jensen riu...

- E quem é a Meg?

- É a irmã do Jason, ela que esteve lá em casa na noite anterior ao acidente.

- Hmm... interessante. E vocês são amigos? Ela te conhece bem?

- Sim, ela... é quem melhor me conhece, eu acho...


Continua...

E aí, estão curtindo a história?... Não?

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Beijos a todos que leram até aqui! Obrigada!!

Mary.