Recomeço – capítulo 8

Fandon: Supernatural

Personagens principais: Jensen / Jared

Sinopse: Jensen tinha um dilema: Como poderia ajudar seu paciente a encontrar um motivo para seguir em frente, quando ele próprio não conseguia encontrar seu caminho?

Nota: Esta fic é pura ficção, o foco dela é o relacionamento entre o psicólogo e o paciente, eu não entendo nada a respeito de psicologia, psiquiatria, ou qualquer outro tipo de tratamento.


O único dia que Meg tinha disponível era sexta feira, então logo pela manhã Jensen saiu de casa quase correndo, tinha perdido a hora, e havia combinado de pegá-la logo cedo para irem até a clínica. Não era do seu feitio se atrasar, mas como havia dormido no apartamento de Daneel, acabou esquecendo de colocar o relógio para despertar.

Estacionou em frente ao prédio que Meg informou, e disse que estaria esperando em frente, mas nada... ela não estava ali. Então Jensen sentiu um certo desânimo, pensando que talvez ela pudesse ter desistido, quando uma moça ruiva bate no vidro do carro...

- Helô!! Vai abrir esta porta pra mim, ou não vai?

Jensen saiu do carro e ficou parado, boquiaberto...

- O que foi agora? Não estou apresentável, como você queria?

Jensen jamais a teria reconhecido daquela forma... Meg estava com os cabelos lisos e ruivos, vestindo uma saia comportadíssima com um terninho preto, a maquiagem leve, e estava realmente muito, muito bonita. Um contraste com o visual que ele tinha visto da primeira vez.

- Ora, ora... quem diria! Se a minha assistente visse você agora, com certeza iria ficar com ciúmes...

- Então você gostou, não foi? – Meg disse sorrindo.

- Ruiva?

- É a minha versão que o meu bebê mais gosta. Agora vamos? Eu estou ansiosa...

- Vamos... Agora eu fiquei curioso... Qual é a sua cor natural?

- Loura... Mas o look do outro dia não era natural. Eu sou uma predadora, então o meu visual varia conforme a presa, entendeu?

- E para quem era o visual da semana passada?

- Ah, era um carinha novo lá no prédio, mas eu já desisti dele, não vale a pena...

- Rápido, não?

- Olha, as pessoas são cheias de defeitos, isso é normal, mas beijar mal é um defeito imperdoável pra mim, então...

Jensen deu risada...

- Cara... eu estou muito nervosa!

- Por que?

- Não sei... faz tanto tempo que eu não o vejo... Eu talvez não consiga... não chorar na frente dele, sabe?

- Acho que isso não é problema. Ele está bem, Meg. O único problema é que ele está se isolando muito, eu acho que vai ser bom pra ele conversar com algum amigo... E até chorar, se for o caso... O que ele não pode é ficar reprimindo o que sente...

- Isso me corta o coração... Pensar em todo o que ele passou, e sozinho... Se pra mim já foi difícil...

- Algumas pessoas levam mais tempo para superar, e no caso dele, ele tentou se livrar da dor da pior forma, mas ele vai se levantar. Eu já estou bem otimista quanto a isso.

- Você é um cara legal.

- Eu só estou fazendo o meu trabalho, como qualquer outro faria.

- Claro, qualquer outro profissional levaria uma amiga camuflada de assistente para ver um paciente em uma clínica. Fala sério Jensen! Você não precisa bancar o modesto pra cima de mim...

- Meg, eu anotei algumas coisinhas básicas, caso de alguém te fizer alguma pergunta, para que você não fique em uma situação embaraçosa, já que está se passando por minha assistente.

- Cara, você pensa em tudo, não é? Relaxa! Vai dar tudo certo! Eu tenho jogo de cintura.

- Eu espero que sim, você sabe que se a família dele desconfiar, eu estou demitido.

Ao entrarem na clínica, depois de Jensen a apresentar a recepcionista e aos atendentes que estavam ali como sua assistente, os dois passavam pelos corredores, quando de repente Meg estaqueou e ficou ali parada, olhando ao redor...

- O que foi? – Jensen perguntou preocupado.

- Este lugar... é meio assustador, não é? Quero dizer... é muito luxuoso, e tudo, mas não deixa de ser assustador.

- Eu não sei, eu já estou acostumado, para mim me parece bem normal, tem um jardim do outro lado, uma área enorme, acho até que é bem agradável.

- Aham... porque você não vive aqui não é? Eu não consigo imaginar o meu bebê trancafiado num lugar desses – Meg disse com lágrimas nos olhos.

- Meg... se você não quiser ver ele hoje, nós podemos voltar um outro dia.

- Não! Não... eu quero! Só me dá uns minutos, tá! Não quero que ele me veja com essa cara de choro...

- Ok, você pode sentar um pouco ali, enquanto eu falo com a enfermeira, ok? Eu já volto – Jensen disse indicando um banco no final do corredor.

Jensen voltou dez minutos depois e Meg já estava com um sorriso no rosto.

- Hmm... melhor assim!

- Mas por dentro eu ainda estou desmanchando.

- Tudo bem. O quarto dele é aqui. Eu só quero cinco minutos pra ver como ele está primeiro, depois eu te chamo, ok?

- Ok.

Jensen bateu e entrou no quarto, Jared estava sentado na ponta da cama, parecia nervoso.

- Hey! Como você está hoje? Tudo bem?

Jared ficou encarando Jensen por algum tempo, antes de responder.

- Eu estou bem. A Meg, ela... ela desistiu de vir, não é? – Jared disse um tanto angustiado.

- Não, na verdade ela está aguardando ali no corredor. Eu só quis me certificar de que você não tivesse mudado de idéia primeiro.

Jared suspirou aliviado...

- Tudo bem, não vai dar pra fugir disso a vida toda, não é?

- Eu posso chamá-la?

- Espera! – Jared disse nervoso, apoiando o rosto entre as mãos.

- Jared... Não tem do que você ter medo – Jensen disse apertando a mão em seu ombro de uma forma carinhosa - Vai ficar tudo bem.

- Ta, eu sei... Você já pode chamá-la se quiser.

Jensen saiu pela porta e Jared se levantou, sentindo suas pernas tremerem.

Assim que Meg entrou, deixou cair a prancheta de assistente que estava segurando, e correu para abraçá-lo. Jared a ergueu do chão, abraçando apertado, depois a desceu de volta, olhando para o seu rosto, com lágrimas nos olhos.

- Essa sua versão ruiva com os cabelos lisos eu ainda não conhecia – Jared disse forçando um sorriso, e passando a mão pelos seus cabelos.

- Bom, ruiva é porque você gosta... e os cabelos lisos é porque o senhor certinho ali queria que eu parecesse uma assistente comportada – Meg disse rindo, se referindo a Jensen que os observava da porta.

- É, parece que ele conseguiu então!

- Eu vou dar um tempo pra vocês, mas vou estar nos corredores, qualquer coisa é só me chamar – Jensen disse e fechou a porta atrás de si.

- Uau! Que gato esse seu psicólogo! Você dá sorte até nisso Jay!

- Você acha mesmo que eu dou sorte em alguma coisa? – Jared perguntou triste.

- Me desculpa! Eu não quis...

- Tudo bem, Meg. Me conta alguma coisa boa, vai? O que você anda aprontando?

- Quase nada, sabe... a faculdade está terminando, e isso tem ocupado quase todo o meu tempo. Eu estava caçando um carinha novo lá do meu prédio, mas... fala sério! Quando eu finalmente consegui ficar com ele, foi uma decepção! Acho que eu vou virar freira...

- Claro, eu acho que é a melhor opção! – Jared disse rindo – Você sempre teve um gosto terrível para namorados.

- Óbvio né! Os caras mais legais e mais gatos era o meu irmão quem pegava! – Meg disse brincando, mas se arrependeu ao ver Jared ficar triste de repente.

- Meg, como estão os seus pais? Eles devem estar me odiando...

- Oh, meu bebê, é claro que não! Você sabe o quanto ele te amam... Eles estão morrendo de preocupação, só isso...

- Eu fui um idiota egoísta, não é? Eu só pensei em mim mesmo, não fui nem visitá-los depois de tudo.

- Sim, você é um bastardo egoísta.

- É por isso que eu te amo, você sempre me diz a verdade.

- Mas nós te amamos mesmo assim. E eu imagino o quão difícil deve ser isso tudo que você está passando. Mas você não está sozinho nisso, viu? Você nunca esteve! Eu não entendo por que você fugiu de todo mundo desse jeito?

- Meg eu... eu só queria acabar com a dor que eu estava sentindo, só isso... E não queria que ninguém me atrapalhasse.

- Ótimo! Porque com certeza se você conseguisse se matar, os meus pais, eu e os seus amigos, e até a megera da sua mãe, todos iriam se sentir melhor, não é? Você é mesmo um egoísta, sabia? E eu devia te dar uma surra! E tomara mesmo que você fique mofando nesta clínica pelo resto da vida!

Jared sentou novamente na cama, com os olhos marejados...

- Desculpa! Eu só estou descontando a minha raiva, Jay... Eu sei que você teve seus motivos, mas é que... Eu tive tanto medo de perder você também! Tive tanto medo! Não faz mais isso com a gente, nem consigo mesmo, Jared... promete?

- Eu não tive muito sucesso, tive? Eu fracassei até nisso. E agora, como você disse... provavelmente vou mofar nesta clínica pelo resto da vida.

- Se isso for impedir você de tentar novamente, desta vez eu vou ter que concordar com a megera...

- Eu não vou tentar novamente!

- E você acha que convence quem? Hein? O idiota do seu psicólogo?

- Não, na verdade ele vai ser o mais difícil de convencer...

- Só espero que ele seja mesmo firme, e que não caia na sua conversa fiada, e nem nesse olharzinho de cãozinho sem dono.

- Agora você parece o Jason falando...

- Eu também sinto falta dele, meu bebê... As vezes nem parece ser verdade!

- Sabe que as vezes... as vezes eu me sinto bem aqui... Parece que nada disso é real, entende? Eu... eu não sei como vai ser depois... se eu vou conseguir voltar a ter uma vida normal quando sair daqui...

- É claro que você vai! Jay, você só está assustado... mas você é forte, eu sei! E você vai conseguir superar isso algum dia... Vem cá, deita aqui um pouco, eu acho que você está precisando de um colinho, e a Meg está aqui pra te consolar, tá bom?

Jared deitou com a cabeça em seu colo, e não pode evitar as lágrimas... pela primeira vez depois da morte de Jason conseguiu colocar para fora o que sentia... chorava e soluçava feito criança, enquanto Meg chorava junto, lhe acariciando os cabelos.

Quando Jensen voltou ao quarto, Jared havia pegado no sono, e Meg ainda chorava, lhe fazendo carinho, então levantou da cama com cuidado para não acordá-lo...

- Vamos embora?

- Jensen, você acha que ele vai ficar bem?

- Ele vai sim Meg, ele vai sim. Mas não tem como fugir da dor, ele vai ter que ser forte e encarar o que aconteceu.

- Ele chorou tanto, Jensen! Eu juro que nunca vi ele assim, tão derrubado! Se você conhecesse ele antes, ficaria espantado também... sempre tão alegre, tão cheio de vida...

- Meg, quando ele for sair da clínica, o que talvez não demore muito, você sabe que o apoio dos amigos vai ser fundamental para que ele volte a ser o que era... E é muito bom que ele tenha alguém como você ao seu lado.

- Você não tem medo de que quando ele sair da clínica, ele... tente outra vez?

- Eu estou trabalhando para que isso não aconteça. Mas não tem como garantir que ele não volte a fazer. Eu só não acho que manter ele internado por muito tempo resolva alguma coisa. Ele precisa voltar a ter convívio social, precisa voltar a ter vontade de viver, de seguir em frente. E na clínica com certeza isso não vai acontecer.

Jensen estacionou em frente ao prédio, onde agradeceu e se despediu de Meg, voltando então para o seu consultório.

Quando Jared acordou, já passava do meio dia, e ao perceber que Meg não estava mais ali, voltou a sentir aquela solidão devastadora...

- Olá, finalmente você acordou! – Nancy disse com um sorriso.

- Que horas são? – Jared perguntou bocejando.

- Uma da tarde.

- Caramba! Como foi que eu dormi tanto? Faz tempo que a Meg saiu daqui?

- A assistente do Dr. Jensen? – Nancy disse rindo – Já faz umas três horas, mas eu recebi ordens dele para deixar você dormir o tempo que precisasse.

- Oh, como o Doutor Jensen é bonzinho! – Jared disse com ironia.

- É, até que você tem sorte, sabia? Ele é o médico mais bacana que eu já vi passar por aqui. Além de bonitão.

Jared riu – Engraçado, você é a segunda pessoa que me diz isso hoje.

- Quem era a garota? Alguma pretendente sua? – Nancy perguntou brincando.

- Ela era irmã do meu... Ela era minha cunhada.

- Ah, me desculpe!

- Tudo bem.

- Ela deve ser uma pessoa especial pra você...

- Ela é, mas por quê você acha isso?

- Bom, você já está aqui há dois meses, e é a primeira vez que fala comigo... Se ela conseguiu isso, então deve ser mesmo uma pessoa especial!

Jared sorriu envergonhado...

- Me desculpe! Eu geralmente não sou assim mal educado, mas é que...

- Está tudo bem. Sério... Eu entendo o que você está passando. Eu já passei por isso, e se fechar para o mundo parece tornar as coisas mais fáceis, não é? Mas acredite... não é a solução.

- E qual é a solução?

- Não existe uma fórmula... Só o tempo cura tudo, tudo que eu consegui fazer foi encarar a dor e seguir em frente, mesmo não tendo vontade. Mas deu certo, a vida sempre continua...

- Infelizmente...

- Não fale desse jeito, você é tão jovem ainda... tem tanta coisa boa te aguardando pela frente...

- Se tem, eu não consigo visualizar...

- Mas você vai, é só dar tempo ao tempo... Agora eu preciso ir ver os outros pacientes, qualquer coisa pode me chamar, ok?

- Obrigado.

Jared deitou novamente na cama pensando no que Nancy tinha dito... Por que todo mundo dizia que o tempo curava tudo, e para ele as coisas só pareciam cada vez pior? Por que esta maldita dor não ia embora nunca?

Afundou a cabeça no travesseiro e voltou a dormir tranquilamente, como há muito tempo não dormia...


Continua...

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