Recomeço – capítulo 10
Fandon: Supernatural
Personagens principais: Jensen / Jared
Sinopse: Jensen tinha um dilema: Como poderia ajudar seu paciente a encontrar um motivo para seguir em frente, quando ele próprio não conseguia encontrar seu caminho?
Nota: Esta fic é pura ficção, o foco dela é o relacionamento entre o psicólogo e o paciente, eu não entendo nada a respeito de psicologia, psiquiatria, ou qualquer outro tipo de tratamento.
Na terça feira, Jensen recebeu Chad em seu consultório logo pela manhã.
- Hey, então você que é o médico de malucos?
- Bom dia, eu sou o Doutor Jensen. Sou psiquiatra e psicólogo.
- Eu sei, me desculpe... só estava brincando - Chad disse sem graça.
- Ok, sente-se, por favor.
- Então... eu vou poder ver o Jared ou não?
- Eu preciso saber algumas coisas primeiro.
- Tipo o que?
- Tipo... qual é a relação que você tem com o meu paciente?
- Nós somos grandes amigos, só isso.
- Você também era amigo do falecido namorado dele?
- Do Jason? Não. Quero dizer, eu não tinha nada contra ele, mas ele não ia muito com a minha cara, eu acho.
- E por que?
- Porque... eu não sei, acho que era tipo... ciúmes ou algo assim.
- E ele tinha motivos para isso?
- O que? Não!
- Você e o Jared saíam bastante juntos?
- Algumas vezes, acho que pelo menos duas vezes por mês, a gente saía pra tomar cervejas, e bater um papo.
- O Jason ia com vocês?
- Não, geralmente íamos só nós dois, mas as vezes o Jason arranjava uma desculpa e aparecia no bar.
- Ele fazia o tipo possessivo? Ou ciumento, com o Jared?
- Não, eu não posso dizer isso, a relação deles era bem tranquila. Ele confiava no Jared, dava pra qualquer um notar isso. Acho que era meio que uma implicância só comigo mesmo.
- E você? O que você pode me dizer sobre o Jared?
- Bom, ele... é um amigão, do tipo que você sempre pode contar pra qualquer coisa. Sempre alegre, rindo e fazendo os outros rirem, era o meu melhor amigo, sem dúvida. Ou ainda é, não sei, eu não consegui falar com ele depois do que aconteceu. Nem consegui engolir essa história de tentativa de suicídio... Parece que estamos falando de outra pessoa, e não do Jared.
- E não existia mesmo nenhum outro tipo de interesse seu para com ele?
- O que? Claro que não! – Chad disse e desviou o olhar – Cara, sinceramente, isso aqui já está parecendo mais uma investigação criminal, eu não vejo no que isso pode ajudar.
- Qualquer informação sobre o Jared pode ajudar.
- Mas esta pergunta não é sobre o Jared, é sobre mim. Eu vou poder ver ele, afinal?
- Ok, você pode falar com a minha secretária e agendar um horário, eu vou te levar para vê-lo. Espero que você não se importe em se passar por um estudante de medicina, afinal as visitas estão proibidas.
- Isso vai ser engraçado, mas não, eu não me importo.
- Até mais então, e obrigado pelas informações.
- Ok, até mais.
Chad saiu pela porta e Jensen ficou pensando a respeito... Será que tinha exagerado nas perguntas? Talvez sim, mas não tinha nada de errado em matar um pouquinho da sua curiosidade, não é mesmo? – Jensen pensou com um sorriso.
Não havia escapado do seu poder de observação os olhos brilhando, e a empolgação com que Chad falava sobre Jared...
- É Jared, acho que o seu namorado tinha razão, tem mais interesse da parte dele do que só amizade – Jensen resmungou sozinho.
- Deu pra falar sozinho agora, Jensen? Cuidado hein! A loucura pode ser contagiosa.
- O que você quer, Katie? – Jensen perguntou assustado, não a tinha visto entrar.
- Quem era o gatinho que acabou de sair daqui? Seu novo paciente?
- Não, mas você achou mesmo ele bonito?
- Se achei? Aff...
- Tem mais algum paciente me esperando?
- Ah, tem sim, o Sr. Alfred, posso mandar entrar?
- Pode sim, por favor.
Quarta feira, no final da tarde, Jensen buscou Chad para irem até a clínica. Conseguiu para ele um jaleco e credenciais dos estudantes de medicina da Universidade, e com isto conseguiu fazê-lo entrar facilmente na clínica.
Jared o estava esperando no quarto, onde teriam mais privacidade...
- Chad!
- E aí meu irmão! – Chad disse o abraçando apertado.
- Só podia ser você querendo por fogo na clínica, não é?
- E você duvida que eu faria mesmo?
- Não, eu não duvido.
- Mas e aí? Como você está?
- Não adianta eu mentir pra você, dizendo que estou bem, não é?
- Não, isso aqui deve ser um saco... Você já sabe quando vai poder sair?
- Acho que não tão cedo.
- Mas você não pensa mais em...
- Não, claro que não!
- Isso não está me parecendo muito convincente, sabe?
- Eu não vou tentar de novo!
- Ok, e o que foi aquilo afinal? Cara, você tentou se matar feito mulherzinha! – Chad disse zoando.
- Chad, eu sou gay, não preciso me preocupar com isso, esqueceu? – Jared disse rindo – E você queria o que? Que eu me enforcasse?
- Talvez, isso seria uma coisa mais de macho... Jay, não foi engraçado, sabia? Caralho, o que você tinha na cabeça? O Jason no seu lugar, já teria superado tudo e já estaria em outra faz tempo!
- É, eu sei disso – Jared disse com os olhos marejados – Ele sempre foi mais forte que eu.
- Seu idiota! É claro que ele não teria superado e muito menos estaria em outra, eu falei isso da boca pra fora, você sabe que eu só falo merda... Mas cara, você não está sozinho nisso, por que não nos deixou ajudar?
- Eu não queria ajuda, Chad. Só queria que tudo acabasse...
- E agora?
- Eu estou me ferrando aqui, você não acha que já é punição suficiente?
- Mas você quer ajuda agora? Ou você ainda pensa em...
- Eu estou me tratando, ok? Estou tomando remédios e fazendo tudo o que o Jensen me manda...
- Por falar no seu médico... Um tanto curioso ele, não?
- Nem me fale! Mas o que ele perguntou pra você?
- Nada demais – Chad disfarçou – Cara, a galera toda te mandou um abraço, disseram que estão com saudades, e eles nem acreditaram que eu viria mesmo aqui.
- Você sempre foi meio maluco mesmo...
- Jay, não por nada, mas quem está num hospício é você! – Chad disse zoando.
- Obrigado por me lembrar, eu quase tinha me esquecido disso.
- Infelizmente, o tempo de vocês acabou – Jensen entrou no quarto, os interrompendo.
- Ok. Jay... se cuida cara! E vê se toma juízo.
- Pode deixar.
- E se precisar de uma ajudinha pra fugir daqui, pode contar comigo – Chad disse brincando e piscando para Jensen, que o olhou de cara feia.
- É bom saber disso, acho que eu vou precisar – Jared disse rindo.
Jensen levou Chad para casa, e voltou ao seu consultório, quando soube que a Sra. Charon, mãe de Jared havia ligado querendo falar com ele.
Jensen retornou a ligação um tanto apreensivo, torcendo para que a mulher não tivesse descoberto sobre as visitas, senão com certeza estaria demitido. E isso não seria nada bom. O tratamento finalmente estava progredindo, e seria uma péssima hora para recuar. Charon agendou uma hora para que Jensen fosse até a sua casa, então no final da tarde, conforme combinado, Jensen estava lá.
- Doutor Jensen, eu gostaria de saber sobre o tratamento do meu filho, como andam as coisas?
- Já estamos tendo algum progresso, apesar dele ter se mostrado um tanto difícil e teimoso no início, agora o tratamento tem progredido conforme o esperado.
- Ele lhe falou sobre o motivo?
- Ele só achou que fosse a maneira mas fácil e mais rápida de acabar com a dor.
- E o senhor acha que ele vai tentar novamente?
- Eu estou trabalhando para que isto não aconteça, mas não posso afirmar isso.
- Como ele está? Eu pensei em ir vê-lo, mas não sei como ele iria me receber.
- Ele está um tanto aborrecido, entediado, acho que para uma pessoa ativa do jeito que ele parecia ser, aquela clínica pode não estar lhe fazendo bem.
- Mas o que o senhor sugere? Eu não posso vigiá-lo 24 horas por dia, como vou saber que ele não vai fazer nenhuma besteira?
- Eu sugiro que ele seja preparado aos poucos para sair de lá. E quando ele sair, vai continuar com a medicação, vai continuar indo ao meu consultório duas vezes por semana, ou mais, se achar necessário, e vai precisar muito do apoio da família e dos amigos. O restante... ninguém vai poder garantir que ele não faça alguma besteira, nós vamos ter que confiar nele.
- Mas isso é muito arriscado, não?
- Sra. Charon, o Jared precisa voltar a ter convívio social, ele não pode ficar isolado naquela clínica por muito tempo, isso não o está ajudando. Pelo que eu soube, ele tem muitos amigos, e voltar a conviver com eles vai fazer com que ele sinta vontade de continuar a viver novamente.
- Amigos... este é que é o problema! E quem me garante que quando ele sair de lá ele não vai se envolver com algum outro aproveitador feito aquele Jason, ou sei lá qual era no nome dele...
- Eles eram felizes juntos, não eram?
- Sr. Jensen, o meu filho estava se relacionando com um homem! Um jornalistazinho de quinta categoria! Isso era ser feliz? O Jared podia escolher a mulher que quisesse, ele é bonito, inteligente, bem sucedido, por que ele teve que se envolver logo com aquele sujeito?
- A felicidade pode se apresentar de diversas formas, muitas vezes o que parece bom para os pais, pode não ser bom para os filhos.
- Eu sei o que é bom para ele, Sr. Jensen! E tudo bem, quando o senhor achar que ele estiver pronto para sair de lá, eu vou concordar, mas se ele fizer alguma besteira, saiba que a responsabilidade será toda sua. Tenha um bom dia!
Charon saiu da sala, deixando Jensen pasmo...
Quando chegou em casa, retirou o terno e afrouxou a gravata, jogando-se cansado no sofá, e só então percebendo que Daneel estava ali.
- Oi amor, eu senti saudades, onde você esteve até agora?
- Eu tive que ver a mãe de um paciente, e acabou demorando mais do que o esperado.
- E por que você não esquece um pouco os seus pacientes e vem tomar um banho comigo, hein? – Daneel disse enquanto beijava seu pescoço.
- Dan, eu estou com um problemão para resolver agora, isso fica para mais tarde, tá legal? – Jensen disse levantando do sofá e indo para seu escritório.
Ligou seu lap top e começou a reler os arquivos sobre Jared. Saiu da casa de Charon sentindo um ódio mortal. O filho precisava de ajuda, tinha recém tentado suicídio pela segunda vez, e a maldita estava preocupada se ele iria voltar a se relacionar com homens quando saísse de lá. E ainda jogou a responsabilidade dos atos de Jared para cima de Jensen. Ele estava fazendo o melhor que podia, mas ninguém podia garantir que Jared não fosse tentar suicídio mais uma vez. Jensen ficou se sentindo de mãos atadas, seria sua a decisão de tirar ou não Jared daquela clínica. Teria que ter uma conversa franca com seu paciente, e dependendo desta conversa, começaria a prepará-lo para voltar a vida.
- Então vai ser assim?
- O que? – Jensen perguntou se dando conta de que Daneel estava a sua frente.
- Eu pensei que você tivesse me prometido que iria mudar. Que eu seria prioridade em sua vida.
- E você não tem sido? Eu não passei o fim de semana inteirinho com você? Não fiz todas as suas vontades? O que mais você quer? – Jensen perguntou impaciente.
- Eu quero que você esqueça que é um médico, ou psicólogo quando está comigo. Quero que você seja somente meu.
- Eu não me lembro de nós termos combinado de nos ver hoje.
- Eu pensei que você fosse ficar feliz. Não era o que você queria? Que eu voltasse a viver com você?
- Tudo bem Dan, eu não estou reclamando. Mas eu tenho um paciente, um garoto de 26 anos, que tentou suicídio por duas vezes, e agora está nas minhas mãos mantê-lo ou não internado em uma clínica. É uma responsabilidade muito grande Dan, e eu sei que ele só conta comigo para ajudá-lo, porque a família dele... bom, deixa pra lá, mas eu preciso revisar algumas anotações e ligar para o Sebastian, então se você puder me dar licença por algumas horas...
- Jen, por que você perde o seu tempo com algo assim?
- Como?
- Se o cara quer se matar, compre uma arma pra ele! Qual é? Você acha mesmo que vai conseguir salvá-lo?
- Dan, quando eu entrei nesta área, foi porque eu acreditava realmente que podia fazer diferença, que podia ajudar as pessoas. E eu continuo acreditando nisso. E eu acredito sim que posso ajudá-lo, e é isso que eu estou fazendo.
- Ok, eu vou sair com umas amigas então! Já não suporto ouvir você falando de trabalho. Tenho mais o que fazer do que perder o meu tempo aqui, enquanto você perde o seu com quem não vale a pena.
- É o melhor que você pode fazer agora, Dan... Por favor.
Daneel saiu do escritório batendo a porta com força. Jensen suspirou cansado, já estava ficando farto disso tudo, mas em instantes se acalmou e voltou sua atenção para o seu trabalho...
Continua...
Respondendo as reviews:
Viky: Adorei seu segredo...rsrs. E você tem razão, tem muitos outros momentos pra se viver.
Obrigada por ler e comentar! Um abraço carinhoso!!
Annys Rose: Obrigada querida!! Só não vai ter uma crise de ansiedade, ok!! Beijos!
Aos demais: Muito obrigada pelas reviews, espero ter respondido a todos.
Beijokas!!
