Recomeço – capítulo 12

Fandon: Supernatural

Personagens principais: Jensen / Jared

Sinopse: Jensen tinha um dilema: Como poderia ajudar seu paciente a encontrar um motivo para seguir em frente, quando ele próprio não conseguia encontrar seu caminho?

Nota: Esta fic é pura ficção, o foco dela é o relacionamento entre o psicólogo e o paciente, eu não entendo nada a respeito de psicologia, psiquiatria, ou qualquer outro tipo de tratamento.


Os três dias seguintes foram de pura tortura para Jared... Passou a maior parte do tempo tentando planejar o que faria quando finalmente saísse dali, mas sabia que no fundo, estava mesmo era morrendo de medo.

Ficar confinado nesta clínica estava sendo um saco, mas tinha que admitir que lhe dava uma falsa sensação de segurança, como se estivesse livre dos problemas que tinha lá fora. Sabia que tinha muito a enfrentar, mas como Jensen havia falado... uma coisa de cada vez.

Não adiantaria de nada entrar em pânico, já era hora de encarar a realidade. Também já não aguentava mais permanecer ali, sem ter o que fazer, esperando pelas poucas horas em que Jensen aparecia ali para conversarem.

No começo tinha detestado a forma como Jensen o cercava de perguntas, a todo o momento querendo saber coisas sobre a sua vida pessoal, algo que era só dele e de Jason, e tinha que ficar dividindo com um sujeito arrogante que mal conhecia. Aquele sujeito certinho, sem nenhum fio de cabelo fora do lugar, sempre vestindo terno e gravata, o que Jared tinha que admitir que lhe caíam muito bem, e curioso... curioso demais.

Jared simplesmente adorava tirá-lo do sério, ver ele perder aquela pose de nerd, ver ele se irritar, mesmo querendo de todo o jeito disfarçar, e tentar manter o controle.

Fazê-lo sorrir então, tinha se tornado o passatempo favorito de Jared. No começo era mais difícil, mas agora Jensen parecia mais leve, mais aberto de alguma forma. Jensen era uma pessoa no mínimo interessante, e Jared pensou que se tivessem se conhecido de outra forma, em outra ocasião, talvez pudessem ter sido bons amigos.

Daneel não havia mais ligado, nem procurado por Jensen, e este estava se sentindo tremendamente mal por tê-la dispensado aquela noite. Não sabia onde estava com a cabeça, bela tentativa de reconciliação ele estava fazendo.

Resolveu ligar para ela, e conseguiu convencê-la a vir até o seu apartamento. Conversaram e acabaram se entendendo, fizeram amor e passaram a noite juntos. O mesmo na noite seguinte, mas de repente, Jensen passou a perceber um enorme vazio dentro de si. Um vazio que não era mais preenchido com a presença dela. Achou que deveria estar ficando louco, pois ter ela de volta era tudo o que queria, e agora se dava conta de que muitas vezes preferia ficar sozinho a ter a companhia dela.

Jensen tentava ouvir o noticiário, enquanto Daneel falava o tempo todo sobre vestidos e sapatos, e mais outras coisas que Jensen não havia prestado atenção.

Não falava mais sobre o seu trabalho, nem fazia qualquer comentário sobre seus pacientes quando estava com ela, deixava que ela conduzisse o assunto, mas já não estava mais aguentando tudo isso. Jensen estava percebendo cada vez mais que não tinham assuntos em comum, tudo o que ela falava era sobre compras, moda e sobre a vida de suas amigas.

O que tinha acontecido com aquela garota inteligente que Jensen conhecera? Ou será que só agora ele estava percebendo como ela era de verdade? Jensen tinha cada vez mais dúvidas, e isso o estava tirando do sério. Fora que ela implicava cada vez que ele saía para se encontrar com seus amigos, principalmente com Sebastian. Não sabia por que, mas Daneel o detestava, e fazia questão de deixar isso bem claro cada vez que ele vinha visitá-los.

Jensen também percebeu que não estava sendo ele mesmo quando estava com ela. Tinha que fazer um esforço enorme para ser o que ela esperava de um bom marido, e isso não era nem um pouco saudável, já não sabia mais se realmente valia a pena.

Depois de um dia extremamente cansativo, ouvindo problemas e mais problemas dos seus pacientes, Jensen resolveu parar num bar antes de ir para casa, precisava de uma boa dose de uísque, e se desse sorte, acabaria encontrando um outro amigo para jogar conversa fora.

Não foi exatamente um amigo que ele encontrou, mas até que lhe rendeu uma conversa interessante, apesar de só servir para piorar a sua situação.

- Ora, ora... Que surpresa encontrá-lo por aqui, Doutor Jensen! – Christian falou com ironia.

- Eu posso dizer o mesmo – Jensen respondeu no mesmo tom.

- Qual é Jensen? Vai dizer que você ainda me odeia? Você já tem ela de volta, não tem? Senta aí, eu vou te pagar uma bebida, vamos conversar um pouco.

- Eu sinceramente não tenho nada contra você, a não ser o fato de você a ter exibido como um troféu, quando finalmente conseguiu o que queria.

- Eu era louco por ela, Jensen, e vocês já não estavam bem fazia tempo. Qualquer um podia ver isso.

- Mas o que você quer comigo, afinal? – Jensen estava curioso.

- Só queria saber como vão as coisas. Não muito bem, pelo que parece. Já perdeu o encanto, não é?

- Eu não sei do que você está falando.

- Esse é o efeito que a Dannel tem nas pessoas, ela é sedutora, e acaba conseguindo tudo o que quer, mas depois que você passa a ver o que ela realmente é...

- O que você quer dizer com isso?

- Por que você acha que ela me largou e voltou correndo pra você, Jensen? Por que ela descobriu que te amava? – Christian riu sem humor.

- Por que você acha?

- Tire suas próprias conclusões, o engraçado é que ela tomou esta decisão logo depois de saber que tem uma paciente me processando por erro médico, e que eu posso perder metade do que eu tenho neste processo.

- Você quer dizer que...

- Que você passou a ser bem mais interessante do que eu depois disso.

Jensen bebeu seu uísque em silêncio, pensativo. Por que será que isso não o surpreendia? Nem o abalava?

Voltou para casa e sentiu-se aliviado ao ouvir a mensagem de Daneel na secretária eletrônica dizendo que não viria esta noite. Precisava mesmo ficar sozinho para colocar as idéias em ordem.

Ao chegar na clínica, Jensen entrou no quarto, vendo Jared de pé ao lado da janela. Estava de costas, Jensen não podia ver seu rosto, então se aproximou, a ao fazer isso sentiu-se sendo prensado contra a parede, e as mãos grandes de Jared lhe agarrando pela cintura...

- Então Jen, você queria mesmo sentir como é beijar um homem? – Jared sussurrou em seu ouvido, e no instante seguinte já estava invadindo sua boca com a língua, num beijo de tirar o fôlego...

Jensen sentou na cama assustado, com a respiração ofegante... Que pôrra tinha sido aquilo? Sonhando com um homem? Ainda por cima seu próprio paciente? E o pior de tudo é que ao olhar para baixo, percebeu que estava excitado...

- Qual é, Jensen? Isso só pode ser brincadeira! Você deve estar ficando louco! – Jensen resmungou sozinho, indo para o chuveiro tomar um banho frio.

E desde quando havia reparado nas mãos de Jared? Jensen balançou a cabeça, indignado, sentindo a água fria em seu corpo, imediatamente acalmando seus ânimos.

Com certa dificuldade, voltou a dormir depois do banho, e logo pela manhã ligou para a Sra. Sharon, combinando sobre a saída de Jared da clínica. Sentiu um frio na barriga ao pensar nisso, mas não tinha outra coisa a fazer, a não ser confiar em Jared.

Ao entrar na clínica, teve que rir sozinho, lembrando do sonho da noite anterior, e sentiu um certo nervosismo ao se aproximar de Jared.

- Está tudo bem com você? – Jared perguntou ao ver que Jensen estava estranho.

- Hã? Oh, sim, claro – Jensen respondeu nervoso.

- Tem certeza? Parece que você vai ter uma ataque a qualquer momento.

- Eu estou bem, foi só... uma noite mal dormida.

- Hmm, por falar em noite mal dormida, você ainda não me contou como é que vai o seu casamento.

- Ah, você não esquece mesmo, não é? Tudo bem, eu prometi... As coisas não vão lá muito bem. Quero dizer, está tudo bem, mas eu é que ando com algumas dúvidas, então...

- Dúvidas? Mas não era o que você queria?

- Era, mas... Sabe quando você acha que conhece uma pessoa, e de repente percebe que ela não é nada daquilo que você pensava ser?

- Sinistro...

- Você acha que as pessoas podem mudar tanto assim?

- Depende, eu não sei do que você está falando, mas eu acho que as pessoas até podem mudar alguns hábitos, mas o que elas realmente são, dificilmente muda. O que pode ter mudado é a sua forma de enxergar as coisas.

- Eu gosto da sua forma de pensar. De repente até você pode ter razão...

- Eu sou um sábio as vezes – Jared disse dando risada.

- E modesto também – Jensen disse rindo também.

- E então? Eu vou sair? – Jared perguntou sério desta vez.

- Daqui a um mês, quem sabe...

- Você está brincando, não é?

- Estou - Jensen respondeu com um sorriso – Hoje a tarde a sua mãe vem te buscar.

- Sério? Mesmo? – Jared perguntou aliviado – Mas, espera... ela te falou alguma coisa? Eu não vou ter que ficar na casa dela, vou?

- Eu acho que sim.

- Ah não, fala sério! – Jared falou desesperado.

- Jared, tenta ficar lá por alguns dias, depois você usa seu jeitinho para convencê-la a deixar você sair de lá, é mais fácil.

- Hmm, com a minha mãe eu já esgotei a quota, não sei se algum jeitinho ainda funciona com ela. Mas tá, acho que ainda é melhor do que ficar aqui.

- Mas e então, como você se sente?

- Ansioso...

- Só ansioso?

- Acho que sim, por que?

- Por nada. Bom, eu preciso ir agora, já deixei a receita dos seus remédios na recepção, e quero ver você no meu consultório dentro de três dias.

- Vou ter que continuar tomando os remédios mesmo?

- Com certeza. E Jared, não esqueça o que eu te falei... uma coisa de cada vez. E boa sorte, lá fora.

- Valeu! Eu não vou esquecer.

Depois que Jensen saiu, Jared andava de um lado para o outro dentro do quarto, ansioso, até que Sharon finalmente chegou. Jared não pode deixar de ficar feliz em vê-la, pois no momento isto significava a sua liberdade. Ela se aproximou e o abraçou, emocionada...

- Oh meu filho... Como é que você está?

- Bem, eu acho - Jared respondeu dando de ombros.

- Você está tão magrinho, não cuidaram bem de você aqui? – Sharon disse apertando suas bochechas.

- Mãe, não exagera, tá. Eu estou bem.

- Ok, e então? Pronto pra voltar pra casa?

- Já estava bem na hora, né?

- Você devia ter pensado nisso antes de fazer besteira. – Sharon disse de cara feia.

- Já vai começar o sermão? – Jared bufou.

- Não, eu não vou. Acho que você já teve tempo o suficiente para se arrepender. Espero que tenha criado juízo. Agora vamos.

Jared fez uma careta atrás dela quando Sharon lhe deu as costas para sair, e quando ela se virou para ele novamente, deu seu sorriso mais cínico.

Nancy que estava na porta, teve que se segurar para não dar risada.

Jared se despediu de Nancy, de Jeffrey e de mais alguns atendentes com quem teve mais contato, e ao chegar no carro, teve uma sensação estranha, uma espécie de pânico tomou conta dele. As lembranças do acidente vieram a sua mente, então encostou-se no carro, respirando fundo para se acalmar.

- Jared, está tudo bem com você? - Sharon perguntou preocupada.

- Sim, eu só preciso de um minuto – Jared mentiu.

Estava suando frio, e suas mãos tremiam, mas mesmo assim fez um esforço enorme e entrou no carro, sentando no banco do carona. Não iria deixar o medo tomar conta, se não enfrentasse agora, sabia que as coisas só iriam piorar. Pensou que era um tanto longe para ir para casa a pé, então teve que rir de si mesmo pela idéia.

- Tudo bem mesmo? – Sharon queria se certificar – Podemos ir?

- Sim, tudo ok, podemos ir...


Continua...

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