Recomeço – capítulo 13

Fandon: Supernatural

Personagens principais: Jensen / Jared

Sinopse: Jensen tinha um dilema: Como poderia ajudar seu paciente a encontrar um motivo para seguir em frente, quando ele próprio não conseguia encontrar seu caminho?

Nota: Esta fic é pura ficção, o foco dela é o relacionamento entre o psicólogo e o paciente, eu não entendo nada a respeito de psicologia, psiquiatria, ou qualquer outro tipo de tratamento.


Ao chegar na casa de sua mãe, Bethy foi a primeira a vir correndo abraçá-lo, e Jared até se sentiu mal, pensando que tinha sido ela quem o encontrou sangrando na banheira, e ainda por cima teve que ser hospitalizada.

Mas tudo bem, se desculparia depois, e pelo visto ela já tinha superado isso, pois falava sem parar, e havia preparado uma porção de biscoitos e doces que ele mais gostava. Jared agradeceu, pois todo tempo que estava na clínica, tinha que seguir a dieta de lá, e como doces não faziam parte do cardápio, estava praticamente tendo uma crise de abstinência.

Depois de se empanturrar de bolo de chocolate, que era o seu preferido, Jared foi até o seu quarto, notando logo de cara a ausência de chaves nas portas, tanto do quarto quanto do banheiro.

- Maravilha! - Resmungou sozinho – Privacidade zero!

Tomou um banho e depois jogou-se na cama, então lembrou do seu celular que deveria estar por ali em algum lugar. Encontrou-o na gaveta, e conectou o carregador, para então ligar para Meg.

- Jay, é você mesmo? – Meg perguntou depois de olhar várias vezes para o visor, para se certificar que era mesmo o seu número.

- Não, é a minha assombração, Meg...

- Dá pra ver que está melhorando mesmo, já voltou a ser idiota como sempre!

- E você sempre tão gentil! - Jared disse zoando.

- Quem levou o seu celular? O Jensen? – Meg perguntou animada.

- Sabe de onde eu estou ligando, Meg? Da casa da minha mãe.

- Mesmo? Quero dizer, você não está brincando comigo, está? - Meg perguntou voltando a ficar séria.

- Não, eu não estou brincando desta vez.

- Então... meu Deus! Não acredito! Eu estou indo até aí Jay...

- Não! Meg, espera!

- O que foi?

- Eu não quero que você venha aqui.

- O que? Mas por que? – Meg perguntou magoada.

- Meg, não fica chateada, eu também quero muito te ver, mas eu quero dar o fora daqui o quanto antes, então eu tenho que fazer meio que uma moral com a minha mãe.

- Ok, eu sei que não sou bem vinda pra ela...

- Desculpe Meg, mas...

- Não precisa se desculpar, só me avisa assim que você voltar pra casa, ok? Eu quero muito te ver, eu amo você, Jay!

- Também te amo, Meg. E eu te ligo assim que der.

No final da tarde, assim que chegou de viagem, o Sr. Gerald, pai de Jared entrou no quarto...

- Hey!

- Oi pai.

- O que você andou aprontando com a gente, hein moleque? É muito bom ter você de volta. – Gerald disse o abraçando, o que Jared achou muito estranho.

- É bom estar de volta.

- E como você está? Espero que esteja conseguindo superar tudo isso – Estava sendo sincero, apesar de nunca se entenderem, tudo que queria era ver o filho recuperado.

- Eu estou bem, eu acho...

- Que bom que você decidiu ficar aqui em casa.

- Eu não decidi... E por falar nisso, eu preciso da sua ajuda. – Jared não podia perder a oportunidade.

- Como assim?

- Pra convencer a Sra. Sharon a deixar eu voltar para o meu apartamento.

- Mas, sozinho? Eu não sei se isso vai ser uma boa idéia.

- Eu não posso ficar aqui pai, você sabe que isso não vai dar certo.

- Mas Jared, eu não...

- Eu não vou mais fazer nenhuma besteira, ok? Vocês tem que confiar em mim.

- Eu vou pensar a respeito, mas não sei se posso fazer muita coisa.

- Obrigado.

Jared passou a noite quase sem conseguir dormir, matutando sobre um jeito de dar o fora dali. Não tinha nenhum argumento para convencer a sua mãe, mas decidiu que voltaria para seu apartamento com ela querendo ou não.

Na manhã seguinte, mal tinha acordado e sua mãe já veio lhe apurrinhar...

- Jared, chegou visita pra você.

- Visita? - Jared estranhou, afinal ninguém sabia que tinha voltado ainda.

- Sim, a Samantha.

- Mãe, eu não acredito que...

- Jared, você por favor venha até a sala para recebê-la, e seja cordial com ela, é o mínimo que você pode fazer. – Sharon disse em tom um tanto autoritário.

- Você vai ficar me dando ordens, agora?

- Não é uma ordem, é só um pedido.

- Claro... Ok, eu vou recebê-la – Jared disse com sarcasmo.

- Mas Jared... – Sharon não chegou a completar a frase, porque Jared já tinha saído em direção a sala.

- Oi Jared! Que saudades! – Samantha disse enquanto o abraçava.

Jared apenas deu um sorriso forçado e nada falou, sentando no sofá em frente a ela.

- Sua mãe me falou que você esteve internado, por problemas com estresse, você já melhorou?

- Sim, eu já estou ótimo – Jared respondeu lançando um olhar fulminante para sua mãe, que apareceu na sala neste instante.

- Ah, que bom, então talvez você queira sair comigo hoje a noite, podemos ir a um barzinho, ou a minha casa, quem sabe...

- Claro, por que não? – Jared estava sendo o mais cínico que conseguia.

- Bom, eu vou deixar vocês dois a sós, com licença – Sharon disse e se retirou da sala, se dando por satisfeita.

- Jared, é... Faz tanto tempo, não é? Quase cinco anos... Por onde você andou este tempo todo? Depois que nós terminamos o namoro eu nunca mais te encontrei em nenhuma festa, ou nos lugares que você frequentava...

- É que eu... Bom, eu conheci um cara, e acabei me apaixonando...

- Um cara?

- Sim, um cara. Então, eu morei com ele por quase quatro anos, e há alguns meses nós sofremos um acidente de carro, onde ele morreu. Depois de algum tempo eu surtei, então cortei os meus pulsos, e acabei sendo internado num hospício. Agora estou de volta...

- Você está brincando, né?

Jared não respondeu, apenas lhe mostrou as cicatrizes em seus pulsos.

- Oh, meu Deus! Eu não acredito que... – Samantha parecia chocada.

- Resumindo, isso é tudo o que eu fiz depois que nós terminamos.

- Puxa, eu não... eu não... Bom, eu preciso ir agora, a minha mãe está me esperando. Eu vejo você um outro dia, Jared – Samantha disse indo em direção a porta.

- E quanto a hoje a noite, nós não vamos sair?

- Hoje? É, eu... lembrei que já tenho um outro compromisso, me desculpe!

- Tudo bem, sem problemas...

Samantha se despediu, e Jared fechou a porta e se encostou nela, dando risadas.

- Jared, cadê a Sam? – Sharon perguntou ao voltar para a sala e encontrar Jared sozinho, lendo...

- Ela... já teve que ir.

- Mas, tão cedo? E então, vocês vão sair mesmo hoje a noite?

- Não, ela já tinha outro compromisso.

- Você não disse nada de inconveniente a ela, não é?

- Claro que não! Até fui gentil demais. - Jared mentiu, sabia que Sam era a nora dos sonhos de sua mãe.

- Hmm, vai entender essas garotas! – Sharon disse e saiu, se dando por vencida.

No dia seguinte, Jared decidiu que era hora da verdade, não importava o que sua mãe dissesse, estava disposto a enfrentar.

Sharon estava na sala lendo, quando Jared resolveu confrontá-la.

- Mãe, o que foi feito do meu carro?

- Deu perda total, o novo está na garagem.

- E as chaves?

- Ali na gav... O que você pensa que vai fazer? - Sharon perguntou, se dando conta das intenções do filho.

- Eu vou voltar para o meu apartamento.

- Não, você não vai! Você não está bem ainda para morar sozinho...

- Quem te disse isso? O Jensen?

- Jared, você vai ficar aqui em casa, e está decidido! - Tentava usar de todos os argumentos, queria o filho por perto para poder vigiá-lo.

- Mesmo? E por quem? Eu vou de qualquer jeito, você querendo ou não. Se é o que você quer, então mande me colocarem numa camisa de força, e me levarem de volta pro hospício, porque de outra forma você não vai me impedir.

- Você não vai levar o carro! – Sharon tentou usar de chantagem.

- Tudo bem, eu pego um táxi.

- As chaves do apartamento estão comigo, esqueceu?

- Tudo bem, a Meg tem uma cópia, e o porteiro também. – Jared disse e saiu da sala, deixando sua mãe resmungando sozinha.

Arrumou suas malas, chamou um táxi e foi, deixando sua mãe ainda lhe fazendo ameaças no portão de casa.

Jared ligou para Meg no caminho, e esta já estava lhe esperando na portaria do prédio quando ele chegou.

- Você é mesmo maluco, né Jay! – Meg xingou enquanto o abraçava – Eu não acredito que você está de volta!

- Nem eu, Meg... nem eu.

- Como você conseguiu convencê-la?

- Eu não consegui. Mas eu não ligo. Só estou sem carro e sem grana, mas eu deixo você me sustentar por enquanto.- Jared disse brincando.

- Vai ser um prazer! – Meg disse enquanto abria a porta do apartamento.

Jared sentiu um friozinho na barriga quando entrou, ao mesmo tempo em que era muito bom, também era estranho estar ali de volta.

- A Bethy deixou tudo limpinho e organizado, do jeito que você gosta. Jared, não fica tristinho, vai... Vai dar tudo certo, eu tenho certeza – Meg disse ao ver que Jared estava com os olhos marejados.

- Eu sei, é só... difícil ver esse lugar assim... tão vazio...

- Você vai superar, meu bebê, só vai doer um pouquinho no começo, depois passa...

Jared teve que rir do jeito da Meg...

- Você vai se cansar de bancar a minha babá.

- Ah, não vou não. E agora? O que você quer fazer?

- Você me leva até lá?

- Agora? Você tem certeza? - Meg perguntou com receio.

- Sim, o quanto antes, melhor.

- Mas Jay...

- Meg, eu sei o que estou fazendo, ok? Eu vou ficar bem, eu só preciso ver.

- Ok, de qualquer jeito eu tenho o celular do Jensen... pro caso de você surtar!

- Você não existe, Meg! – Jared disse rindo.

Como Jared insistiu, Meg o levou até o cemitério onde Jason havia sido enterrado.

Jared ficou a uma certa distância, e ao ver o nome dele gravado na lápide, voltou a sentir um desespero enorme, era tudo tão real agora, tinha um vazio enorme no peito, e por um momento achou que não fosse mais capaz de respirar. Seus olhos se encheram de lágrimas, e Jared respirou fundo, tentando se acalmar, enquanto Meg depositou algumas flores ao lado da lápide.

- Você está bem, Jay? – Meg perguntou preocupada.

Jared não falou nada, só fez que sim com a cabeça.

- Eu vou te deixar um pouco sozinho, te espero lá no carro, ok?

- Uhum, obrigado.

Jared se aproximou devagar, sentindo seu coração apertar ainda mais...

- Eu... eu sei que eu demorei pra vir, é que... na verdade eu fui um covarde... Se você visse o que eu fiz da minha vida depois que você... Bom, você ficaria decepcionado. Fazem mais de seis meses, e foi só a minha vida que parou, o restante continua como se nada tivesse acontecido... isso é tão injusto, não é? Mas talvez não seja tarde para recomeçar... já que a minha vida continua mesmo... E o pior é que eu nem sei por onde começar, eu ainda me sinto perdido sem você. Aquele apartamento parece tão vazio agora... De qualquer forma eu vou tentar, se vai dar resultado ou não, você vai saber. E eu devo mesmo ter pirado, para estar aqui conversando com uma lápide, mas, que se dane! Eu ainda penso em você o tempo todo. Bom, eu tenho que ir agora, a Meg está me esperando...

Jared enxugou as lágrimas e voltou para o carro, em silêncio. Meg dirigia a caminho de casa, não conseguia ver seu amigo assim, tão arrasado...

- E aí? – Tentou puxar conversa para tentar animá-lo.

- E aí o que? – Jared saiu de seus devaneios.

- Você está quieto...

- Nada, é só que... as vezes eu ainda esperava que fosse tudo um pesadelo, mas nada mais real do que olhar para aquele túmulo, não é?

- É, você tem razão. Mas vem cá... vocês dois estavam tendo uma conversa e tanto, né Jay? – Meg disse zoando.

- Vai a merda, Meg! Eu me empolguei! – Jared disse rindo também.

- Deu pra perceber.

- Acho que é disso que eu sinto mais falta... de conversar com ele.

- Você tá brincando, né?

- Ele me ouvia Meg, e nem se aborrecia porque eu falava demais - Jared disse rindo.

- Se este era o preço a pagar pra te levar pra cama...

- Meg!

- Eu estou brincando, Jay! Estava com saudades de zoar de você. Agora eu já posso, né?

- Não, não pode!

- Posso sim!

- Não!

- Ah, que sem graça! Mas e agora, o que você quer fazer?

- Só voltar pra casa.

Mal entrou em casa, o celular de Jared tocou...

- Oi Chad!

- Então é verdade que você saiu da clínica?

- Sim, faz dois dias.

- E você não ia me ligar? – Chad parecia mesmo irritado.

- Claro que eu ia, eu acabei de chegar ao meu apartamento agora.

- E ia me ligar quando, daqui a uma semana?

- Chad, por favor, não faz tanto drama, tá? – Jared disse bufando.

- Ok, se você não se importa nem um pouco, por que eu deveria me importar, não é? - Chad falava magoado.

- Chad, eu ia te ligar daqui, de casa, pois na casa da minha mãe você sabe como as coisas funcionam.

- Mas para a Meg você ligou.

- Vai ter uma crise de ciúmes, agora?

- Vai se ferrar, Jay! Amanhã cedo eu vou aí. Até mais.

Jared teve que rir... Chad sabia ser um porre quando queria.

Meg passou o resto do dia ali, assistiram a um filme, a noite comeram pizza e pipoca, e conversaram muito. Meg lhe colocou a par de tudo o que aconteceu com ela e com seus amigos durante o seu período de "férias", como ela dizia.

O celular tocou novamente, e Jared riu vendo que Chad já estava ligando pela terceira vez...

- Oi, sou eu de novo.

- Eu sei! – Jared respondeu aborrecido.

- É... o que você está fazendo?

- Eu estou... sentado no parapeito da varanda, contando os carros lá em baixo.

- Isso não tem graça, Jay! – Chad respondeu bravo.

- Não tem graça é você ficar me ligando a cada 15 minutos, pra saber se eu estou tentando me matar ou não.

- Não é nada disso, imbecil! Eu só estou preocupado com você.

- Valeu Chad, mas eu já tenho a Meg aqui de babá, que não larga do meu pé.

- Ah, bom. Mas qualquer coisa é só me ligar, ok?

- Beleza, até mais.

Jared de repente se deu conta de que já era tarde, e Meg sequer tinha mencionado o fato de ir embora dali.

- Meg, não por nada, mas já é quase meia noite.

- E daí?

- E daí que... você não tem nada pra fazer? Na sua casa?

- Ah não, nada de importante, eu estava pensando se aquele quarto de hóspedes ainda está habitável.

- Não Meg, nem pensar! Você não vai dormir aqui hoje.

- Nossa, quanta gentileza sua!

- Meg, eu só vou dormir, ok? Você não saiu do meu pé um minuto desde que eu cheguei aqui, e eu realmente preciso ficar sozinho.

- Tem certeza disso?

- Tenho.

- Promete que me liga se precisar de alguma coisa? Qualquer coisa, se você se sentir sozinho, se quiser conversar... a qualquer hora, tá. Mesmo que eu esteja dormindo.

- Eu prometo, Meg. Eu vou ficar bem.

Assim que Meg saiu, Jared encostou-se na porta, suspirando... Finalmente poderia ficar sozinho... Era hora de enfrentar seus demônios, ou melhor, seus fantasmas.

Foi até a varanda, e encostou-se no parapeito, olhando para baixo... Sentiu um frio na barriga com o pensamento que lhe ocorreu, então voltou para a sala e trancou a porta... Isso realmente não seria uma boa idéia.

Olhou ao redor, sentindo todo aquele silêncio, todo aquele vazio. Achou que nunca iria se acostumar com isso. A saudade o atingiu em cheio. Tinha tantas lembranças ali... Se o tapete da sala pudesse falar, com certeza reclamaria - Jared riu sozinho com o pensamento. Em seguida foi até o quarto, abriu a porta devagar, sentindo novamente aquele aperto no peito, então deitou na cama e olhou para o porta retratos no criado mudo.

- Está sorrindo por que? Isso é tudo culpa sua! Você deve ter sabotado minhas tentativas de suicídio. Idiota!

Então se abraçou ao travesseiro, que ainda tinha o cheiro dele, e chorou até acabar adormecendo...


Continua...

Este capítulo foi todinho do Jared, sorry! Mas eu não podia cortar a história pela metade. Prometo que o Jensen volta no próximo, ok?

Beijokas!!

Vicky: Obrigada por suas reviews carinhosas... Pois é, nosso bichinho está livre agora. E o pé na bunda não vai demorar muito, ok!! Beijos!!

Obrigada a todos que leram, e reviews são sempre bem vindas!!