Recomeço – capítulo 14
Fandon: Supernatural
Personagens principais: Jensen / Jared
Sinopse: Jensen tinha um dilema: Como poderia ajudar seu paciente a encontrar um motivo para seguir em frente, quando ele próprio não conseguia encontrar seu caminho?
Nota: Esta fic é pura ficção, o foco dela é o relacionamento entre o psicólogo e o paciente, eu não entendo nada a respeito de psicologia, psiquiatria, ou qualquer outro tipo de tratamento.
Na manhã seguinte, Jared ainda dormia a sono profundo, quando sentiu alguém o chacoalhando...
- Jay!
- Acorda Jay! Mas que diabos...
- Jay!
- Cala essa boca amor, ainda tá cedo! Deixa eu dormir mais um pouquinho. - Jared resmungou manhoso, enfiando o rosto no travesseiro.
- Amor?
- Hmmm... é você! – Jared disse decepcionado ao ver que era Chad - O que você está fazendo aqui?
- Quem você pensou que fosse?
- Hã? Deixa pra lá...
- Cara, eu toquei a campainha umas cinquenta vezes, como você não acordou? Você está chapado?
- Eu não sei, faz dias que eu não dormia direito. Como você entrou aqui?
- Eu pedi a chave para o porteiro, achei que você tivesse...
- Morrido?
- É, eu sei lá. Que merda, Jay! Você me deu um susto, cara! – Chad disse ao sentar na beirada da cama, bufando.
- Chad, eu acho que você precisa ser internado, urgente. Você já está ficando paranóico desse jeito.
- Ta, me desculpa! Eu vou parar com isso, prometo! - Chad falou fazendo cara de arrependido.
- Ok – Jared finalmente se levantou.
- Você dormiu com roupa?
- Queria que eu dormisse pelado?
- De calça jeans?
- Ah, é que eu acabei pegando no sono sem querer. Mas o que você faz aqui tão cedo?
- São onze horas, eu pensei em almoçar com você.
- Almoçar?
- É, pessoas precisam comer, lembra? - Chad falou como se explicasse algo a uma criança.
- Mas eu nem acordei ainda!
- Só o seu cérebro ainda não, mas o seu corpo já.
- Engraçadinho, eu vou tomar um banho. Não vai querer vir junto também, vai? Eu posso morrer afogado no chuveiro - Jared perguntou brincando, enquanto entrava no banheiro.
- Até que não seria uma má idéia – Chad resmungou sozinho – Se isso não fosse me fazer perder um amigo...
Depois de alguns minutos, Jared saiu do banheiro secando os cabelos e vestido só com um roupão, e Chad teve que se segurar para não agarrá-lo ali mesmo.
- O que você quer comer? – Jared perguntou enquanto se vestia sem nenhuma cerimônia na sua frente.
- O que? – Chad estava completamente distraído, concentrado em evitar ter uma ereção na frente do seu melhor amigo - Ah, pode ser... sei lá, comida mexicana?
- Eu odeio comida mexicana.
- Desde quando? Você ia de vez em quando a um restaurante Mexicano com o Jason, você mesmo me falou uma vez.
- Porque ele gostava, e não eu.
- E você comia só porque ele gostava? Eu não acredito...
- Chad, você nunca fez nada que não gostasse, só para agradar a sua namorada? E a gente ia o que, uma vez a cada dois meses, eu podia fazer esse sacrifício.
- Cada doido com a sua mania...
- E por falar nisso, você ainda está namorando com a Deby?
- Não, nós terminamos há quase seis meses, logo depois que... que você...
- Melhor a gente pedir a comida Chad, está me batendo a fome agora. E você paga, porque eu estou sem grana.
Chad foi embora no meio da tarde, e o Pai de Jared apareceu, lhe trazendo as chaves do carro que o motorista havia deixado na garagem do prédio. Também lhe deixou dinheiro e prometeu tentar convencer Sharon a desbloquear suas contas.
Seu pai sabia ser uma cara legal quando queria, tinha que admitir.
Logo que seu pai saiu, o telefone tocou...
- Ainda estou vivo, Chad! – Jared atendeu, achando que era o loirinho novamente.
- Como assim, ainda estou vivo?
- Ah, Jensen! – Jared riu – Me desculpe, eu achei que fosse o Chad novamente.
- Ok. Eu liguei pra casa da sua mãe e uma tal de Bethy me falou que você já tinha fugido de lá, só queria saber como você está.
- Bem, eu acho. E não dava pra ficar lá, sem condições. Eles tem que rever o conceito de quem precisa de um hospício naquela casa.
Jensen deu risada do outro lado da linha.
- E como foi o seu primeiro dia sozinho?
- Sozinho quase nada, porque a Meg e o Chad não me deixam, mas foi tudo ok. Ontem fui visitar o túmulo dele no cemitério, e se eu sobrevivi a isso, então o resto é fichinha.
- Eu imagino que deva ter sido difícil...
- Muito. E depois... Bom, deixa pra lá.
- Pode me falar, Jared, eu tenho tempo.
- Esse apartamento. Eu quero muito ficar aqui, mas... tem tanta lembrança. Acho que eu vou trocar os móveis ou sei lá, mudar alguma coisa, pra ficar menos... a cara dele, sabe?
- Pode ser uma boa idéia, se isso fizer você se sentir melhor. Agora lembra do que eu te falei? Uma coisa de cada vez, vai com calma.
- Eu lembro disso o tempo todo.
- Ótimo, agora eu tenho que desligar, porque tem um paciente me esperando, mas se precisar conversar, ou qualquer outra coisa, você pode me ligar a qualquer hora, ok?
- Se eu precisar de qualquer coisa? Tipo... qualquer coisa mesmo?
- Depende no que você está pensando.
- É que eu ando meio em falta, sabe... de repente se você pudesse dar uma mãozinha. – Jared disse e gargalhou em seguida.
- Infelizmente, acho que não vou poder te ajudar nisso. – Jensen disse rindo também.
- Ok, então pode ir cuidar dos seus outros pacientes, eu já te dei trabalho demais.
- É sempre um prazer. No bom sentido! – Jensen se corrigiu, entrando na brincadeira – Até mais, Jared!
Assim que Jensen desligou, o telefone voltou a tocar, era Meg desta vez...
- Oi Jay, firme e forte ainda? Está sobrevivendo sem mim?
- Perfeitamente.
- Engraçadinho! Jay, eu estava pensando... agora que nós dois estamos solteiros, nós podíamos sair por aí pra pegar uns gatinhos, o que você acha?
- Você está brincando, né? – Jared perguntou incrédulo.
- Estou sim, me desculpe. Mas até que não seria uma má idéia.
- Esquece, Meg, você está ficando louca.
- Olha Jay... eu sei que não está sendo fácil pra você, mas já fazem quase sete meses, e sabe... um pouquinho de contato humano, pra não dizer claramente "sexo" vai te fazer bem.
- Meg, você não acha mesmo que eu vou sair por aí caçando homens pra transar, acha?
- Mulheres então? Você não se decidiu ainda?
- Não decidi o que?
- Pra que time você joga!
- Eu não acredito que nós estamos mesmo tendo esta conversa. – Jared disse indignado.
- Ta, esquece. Mas você não vai querer virar um Monge, vai?
- Meg, eu... Eu nunca pensei nisso antes, na verdade eu nunca precisei pensar nisso, e agora isso meio que me assusta.
- Ok, sem grilo Jay, mas qualquer dia desses você vai sair comigo, querendo ou não.
A noite Jared deitou na cama, pensando no que Meg tinha dito. Sabia que ela tinha toda razão, e sabia melhor ainda que precisava desesperadamente de uma boa noite de sexo. Mas era mesmo muito, muito estranho pensar em sair e arranjar alguém pra transar.
Depois de quatro anos vivendo apenas com Jason, agora essa idéia meio que o assustava. Nem sabia mesmo se era gay, tinha se apaixonado por Jason, e isso tornava as coisas mais fáceis, mas a idéia de sair com outro homem era uma coisa no mínimo estranha.
Jared escorregou sua mão pelo seu peito e abdômen nus, a colocando por dentro de sua boxer branca, a única peça de roupa que vestia no momento. Tocou seu membro, pensando que desde que Jason se fora, nem isto tinha feito mais, não conseguia pensar em ninguém que lhe despertasse desejo, e pensar em Jason nesta hora, seria algo um tanto mórbido.
Pensando nisso, usou a outra mão para alcançar o porta retratos que tinha ao lado da cama.
- Melhor você não ver isso – Disse virando o porta retratos para o outro lado.
Tentou pensar em alguma das suas ex namoradas, mas logo desistiu, tentando pensar então em algum homem que o atraísse, o que estava sendo outra tentativa frustrante, até se lembrar de Jensen, da sua voz rouca, daquele sorriso que lhe alcançava os olhos, daquela boca obscenamente perfeita, daquele corpo incrivelmente esculpido... O efeito fora imediato... Resolveu deixar de lado o fato de ser esquisito se masturbar pensando em seu terapeuta, e mandou ver, massageando seu membro com vontade até gozar com força, sujando sua mão e abdômen.
Ficou ainda algum tempo deitado na mesma posição, com a respiração ofegante, então foi tomar um banho e voltou para a cama, completamente relaxado.
- Desculpa por isso, mas com você aí me olhando o negócio não ia mesmo funcionar. – Jared disse recolocando o porta retratos na posição, e dormindo logo em seguida.
Dois dias depois Jared tinha consulta, era a primeira vez que ia ao consultório de Jensen. Enquanto esperava, conversou um pouco com Katie, e achou a loira muito simpática e divertida.
- Olha só, feliz feito um passarinho fora da gaiola! – Jensen disse brincando quando Jared entrou no consultório.
- Cuidado, essa sua frase pode ter duplo sentido! - Jared falou rindo.
- Desculpa, eu esqueci que pra você tudo pode ter duplo sentido.
- Eu gostei da sua secretária...
- Você não cantou ela, cantou?
- Por quê? Você está com ciúmes? De mim ou dela? - Jared teve que rir da própria palhaçada.
- Eu vejo que você deve estar bem mesmo, pelo menos o seu humor mostra isso.
- Nem tanto, eu só gosto de tirar você do sério de vez em quando.
- E o que você tem aprontado? Já fez algo do que tinha planejado?
- Eu ainda... meio que estou de férias, sabe? Até agora, além de fugir da casa da minha mãe, eu só fui visitar o túmulo dele, e ver alguns amigos.
- E como foi?
- Foda! Nada mais real e assustador do que olhar para um túmulo, não é? Mas eu sobrevivi...
- E em casa? Como está se sentindo?
- É muito estranho, ficar sozinho naquele apartamento. A gente conversava muito, e fazia tudo juntos, e agora... Bom, talvez algum dia eu me acostume, né?
- Você não tem saído com ninguém?
- Tipo... namoro?
- Sim, namoro ou paquera...
- Não, acho que ainda não me acostumei com a idéia.
- Nem sexo?
Jared riu...
- Não, nem isso. Eu sempre fui meio... Eu nunca curti muito esse negócio de fazer sexo só por fazer, sabe? Como a Meg diria... eu sou um romântico incorrigível – Jared disse rindo.
- É mesmo? Então você está só mandando ver sozinho, por enquanto.
- Pior que nem isso eu estava conseguindo fazer, até ontem. Sabe, quando você não consegue se concentrar em ninguém pra dar um incentivo...
Jensen riu...
- E a internet? Não ajuda nessas horas?
- Não sou ligado, sei lá, eu acho muito artificial.
- Mas então, em quem você pensou?
- O que? – Jared perguntou espantado.
- Ontem... Em que você pensou enquanto... você sabe...
Jared não pode evitar uma gargalhada, nervoso.
- Cara, como essa conversa foi parar aqui? – Jared balançou a cabeça, indignado.
- Foi só uma pergunta...
- Jensen, você já me colocou em todo tipo de situação, mas esta sem dúvida é a mais constrangedora de todas.
- Qual é o problema? Você já me contou muito mais sobre a sua intimidade, inclusive eu sobre a minha, o que tem de errado em falar nisso?
- É que... é melhor você não saber disso. Definitivamente, é melhor não. – Jared falou sério desta vez.
- Vamos lá, Jared! Me conta! – Jensen insistia, estava realmente curioso.
- Eu... é... Não, você não vai gostar de saber.
- Não tem problema, seja lá o que for, pode me falar.
- Ok... Eu pensei em você.
- O que? É... – Jensen limpou a garganta – Isso é sério?
- Aham.
Jensen ficou encarando Jared de boca aberta, como se tivesse visto uma assombração por algum tempo, sem dizer nada.
- Eu... é... eu lembrei que tenho um compromisso daqui a pouco, e vou acabar me atrasando. Eu já tenho que ir! – Jared disse se levantando e já estava na porta quando Jensen saiu do transe e se deu conta disso.
- Não! Espera, Jared! - Mas já era tarde, Jared já tinha saído quase correndo pela porta.
Jared nem esperou o elevador, desceu os quatro andares de escada quase correndo. Entrou no carro, e mal conseguiu colocar a chave na ignição, de tanto que suas mãos tremiam.
- Droga, Jared! Droga! Mas que merda foi essa? Você podia ter mentido, falado qualquer coisa, mas não, tinha que falar logo a verdade pra ele. E agora, como eu vou olhar pra cara dele novamente? Por que eu não consigo mentir para aquele desgraçado? – Jared xingava sozinho, então socou o volante, esperou se acalmar um pouco, e deu partida no carro, indo para casa.
Jensen ainda ficou pensativo por algum tempo, tentando digerir a informação. Então se amaldiçoou por ter deixado Jared ir embora daquele jeito. Deveria ter falado alguma coisa. Mas falar o que? Tinha sido pego de surpresa, na verdade não estava preparado para isso...
Continua...
Vocês devem ter percebido que estou postando em tempo récorde, não é? Aproveitando este momento de inspiração, e fazendo meus queridos leitores felizes. Ou dando uma canseira neles, talvez!! rsrs
Espero que estejam gostando do rumo da história, e para quem está esperando pegação, vai ter que ter só mais um pouquinho de paciência, ok? Prometo que vai valer a pena...
Beijokas a todos, e obrigada por estarem acompanhando!!
Vicky: Concordo com você que a Samantha vai precisar de um psiquiatra, mas não o Jensen, não é? Ele é todinho do Jared... rsrs
E nada de fazer pressão, tudo a seu tempo... Apressadinha!! rsrs. Beijokas!!
