Recomeço – capítulo 18

Fandon: Supernatural

Personagens principais: Jensen / Jared

Sinopse: Jensen tinha um dilema: Como poderia ajudar seu paciente a encontrar um motivo para seguir em frente, quando ele próprio não conseguia encontrar seu caminho?

Nota: Esta fic é pura ficção, o foco dela é o relacionamento entre o psicólogo e o paciente, eu não entendo nada a respeito de psicologia, psiquiatria, ou qualquer outro tipo de tratamento.


Jensen estava sozinho em seu apartamento, andando de um lado para o outro, nervoso. O que estava sentindo era algo completamente novo, e ainda o assustava. Não conseguia parar de pensar em Jared por um minuto, achou que deveria estar mesmo ficando louco. Lembrou-se da forma com que Jared se aproximou no banheiro do bar, de como se sentiu completamente vulnerável.

Não conseguia pensar direito quando Jared se aproximava daquele jeito. Só de olhar para aqueles olhos, sentir seu corpo tão próximo, seu cheiro, fazia Jensen perder completamente a sanidade. Aliás já havia perdido a sanidade quando foi até o apartamento de Jared aquela noite.

Se deixou ser conduzido pelo moreno, completamente entregue, não conseguiu resistir aos beijos e aos toques, querendo cada vez mais e mais. Lembrou-se da sensação de ter sido penetrado, e mesmo sendo algo completamente novo, não sentiu medo, pelo contrário, sentiu uma certa curiosidade para saber onde aquilo o iria levar. Tudo o que queria naquela noite era sentir, se entregar, e tinha sido intenso e prazeroso demais, isso não podia negar.

Se pegou sorrindo ao lembrar de como Jared era uma pessoa encantadora. Desde o início, quando o conheceu, já o achou intrigante demais. Havia algo nele que mexia com Jensen no fundo de sua alma. E agora estava se tornando algo muito maior. Ficava contando os dias para que o moreno aparecesse em seu consultório, com aquele sorriso sincero, todo covinhas, com aquele olhar de filhotinho perdido, mas que na verdade de perdido não tinha nada, porque já tinha notado que Jared sabia muito bem o que queria. Que apesar de ter demonstrado fragilidade depois dos acontecimentos, ele agora já era muito seguro de si.

E Jensen gostava disso. Gostava da forma que Jared enxergava as coisas, talvez porque ele era o seu oposto, não sabia, mas as coisas pareciam bem mais fáceis se enxergasse a maneira dele. Ele tinha um jeito leve e alegre que contagiava, tinha tanta energia, e Jensen se sentia muito bem na sua presença. Podia passar horas e horas conversando com ele sem se cansar. Então chegou a conclusão que definitivamente... estava muito, muito ferrado.

Já era noite, e Jared estava concentrado em algumas idéias para o comercial em que estava trabalhando, quando a campainha tocou.

- Que puta mania que todo mundo tem de vir aqui sem avisar, ta parecendo a casa da sogra! – Jared resmungava enquanto ia a caminho da porta.

Ao abrir, ficou imóvel e mudo por alguns instantes, era tudo o que não esperava neste momento.

- Eu estava esperando você me ligar, mas como não ligou, eu estou aqui.

- Ah, ok, entra Chad! – Jared disse um tanto nervoso, lhe dando passagem.

- Como é que você está?

- Bem.

- Eu soube que você voltou a trabalhar.

- É, eu voltei.

Ficaram em silêncio por algum tempo, sem saber o que dizer um ao outro.

- Eu... eu não queria que as coisas ficassem desse jeito, sabe. Eu não sei o que me deu naquele dia, eu... Jared, eu não vou mentir pra você, eu sempre quis, eu não sei desde quando, mas acho que foi logo que eu te conheci. – Chad dizia com os olhos marejados – Mas eu sabia que você e o Jason se amavam, eu sabia que nunca teria uma chance, então eu me contentava em ter você apenas como amigo. Acontece que naquela noite eu bebi demais, e tudo veio a tona. Eu pensei... que se dane! Você estava sozinho e eu também, por que não tentar?

- Chad...

- Espera, Jay. Deixa eu terminar. Eu não vou te pedir desculpas, porque acho que não fiz nenhum mal a você, mas eu não queria que você me evitasse e que fugisse de mim desse jeito. Eu pensei que talvez você... estivesse disposto a me dar uma chance. Eu queria muito saber o que você pensa a respeito disso, Jared. Me desculpe, mas não dava mais pra esperar.

- Chad, eu... sinceramente, eu não fiquei chateado, e também não tive a intenção de me afastar. Mas eu não consigo olhar você de outra forma, que não seja como meu amigo, ou meu irmão, eu não sei. Eu não te procurei antes, porque eu não sabia o que dizer, ou como dizer, mas eu acho que estou apaixonado por alguém. Eu sempre pensei que isso nunca mais fosse acontecer, mas aconteceu, rápido demais até, mas é algo que... que não dá para evitar.

- Apaixonado? Mas... quem é?

- Eu acho melhor não...

- Não me contar? Você não confia mais em mim, Jay? Acha que eu vou atrapalhar? – Chad estava visivelmente chateado.

- Não, é claro que não. Mas Chad, eu não me sinto pronto pra falar sobre isso ainda, e também é uma espécie de amor platônico, portanto eu entendo muito bem o que você está sentindo.

- Ok, quer dizer que estamos no mesmo barco furado, então.

- Acho que sim.

- Você não vai mesmo mudar de idéia, não é? - Chad falou desanimado.

- Não, Chad. Mas se você ainda quiser continuar a ser meu amigo, como antes... eu vou estar sempre aqui.

- Claro que sim, eu... eu só preciso de um tempo pra botar as idéias em ordem, mas eu não quero perder a sua amizade, cara, de jeito nenhum.

- Ótimo. Bom, eu só não vou te oferecer uma cerveja, porque eu não posso beber, então...

- Sem problemas, eu já vou indo mesmo. E Jay... Se cuida, ok?

- Valeu, Chad, até mais.

Jared fechou a porta e suspirou... sabia que a amizade deles nunca mais ia ser a mesma. Percebeu então que sentia muita falta de Chad, do seu amigo Chad.

Na sexta feira tinha consulta novamente, no final da tarde. Jared ficou algum tempo pensando se deveria ir ou não, afinal não tinha mais clima para ficar conversando com Jensen sobre a sua vida, já que Jensen agora fazia parte de 90% dos seus pensamentos. Acabou decidindo por ir, mas provavelmente seria a última vez.

- Hey! - Jared entrou apreensivo.

- Olá Jared, como você tem passado? - A pergunta de sempre.

- Ótimo - Jared falou fazendo cara de desanimado.

- Estou vendo – Jensen riu.

- Jensen, eu estive pensando... esta é a última vez que eu venho aqui me consultar.

- Jared, espera, você não pode interromper o tratamento deste jeito, é muito cedo ainda.

- Cara, isso não faz mais sentido, eu vir aqui a cada três dias, e ficar falando da minha vida pra você, não dá mais.

- Ok, você pode vir só uma vez por semana então. - Jensen tentou argumentar.

- Isso não muda nada, Jen.

- Então eu vou ter que te indicar outro profissional. Eu não posso te liberar ainda, isso não é assim tão simples.

- Você é um pé no saco! - Jared disse bufando.

- Sim, eu sou.

- Eu já posso ir, agora?

- Você está brincando, não é? Jared, na verdade eu quero tentar algo diferente hoje.

- Opa! Eu estou sempre disposto a tentar coisas diferentes – Jared disse com um sorriso safado, já mudando de humor.

Jensen deu risada.

- É, eu sei. Na verdade eu quero trocar de lugar com você.

- Você quer inverter as posições? Tudo bem, eu sou uma pessoa versátil. – Jared disse entusiasmado.

- Jared, eu estou falando sério. Eu quero que você se sente aqui no meu lugar hoje, você vai ser o psicólogo e eu o paciente, nós precisamos esclarecer algumas coisas.

- Não sei por que, mas eu estou começando a gostar da idéia. Então pula pra lá – Jared disse enxotando Jensen da sua cadeira.

Jensen então sentou na poltrona que era destinada aos seus pacientes.

- Sabe, eu comecei a gostar da idéia do divã do Sebastian, tenho que admitir que é bem mais confortável.

- E quando foi que você deitou no divã do Sebastian?

- É melhor pular esta parte. - Jensen disse sem graça, afinal era melhor Jared não saber disso.

- Eu não estou gostando disso – Jared disse de cara feia.

- Ok, nós já podemos começar.

- Sabe que eu sempre gostei desse negócio de brincar de médico quando eu era criança? As minhas primas é que reclamam comigo hoje em dia... Ok, desculpa, o negócio é sério, né? - Jared disse ao ver a cara de reprovação de Jensen, então limpou a garganta e continuou – Então Jensen, como você está se sentindo hoje? – Desta vez Jared falou sério demais, imitando Jensen, mas não se conteve e começou a rir.

- Eu estou me sentindo... um pouco confuso.

- Confuso ainda por causa do seu casamento? Ou ex casamento, ou sei lá o que?

- Não, este problema já foi descartado.

- Não foi o que me pareceu na terça a noite. Quando você estava atracado com a sua ex lá no bar.

- Eu só saí com ela como amigo, Jared. Mas ela me enganou, e acabou me beijando. Mas eu já deixei bem claro que não quero mais nada com ela, só espero que ela tenha entendido o recado, e desistido de uma vez.

- Então por que você está confuso? Porque colocou a sua sexualidade em cheque aos 30 anos, ou porque descobriu que não consegue controlar a atração que você sente por um determinado paciente? - Agora Jared estava se aproveitando da situação.

- Você definitivamente não serve para ser um psicólogo.

- Não?

- Não. Você precisa ir devagar, ir rodeando aos poucos, até chegar aonde quer. Não pode ser direto desse jeito.

- Ah, essa coisa de rodeios não é comigo, eu prefiro ir direto ao ponto. Agora para de me enrolar e responde o que eu perguntei...

- Bom, quanto a sexualidade, eu não sou preconceituoso, e não tenho problemas com isso, apesar de nunca sequer ter me imaginado fazendo... sabe, com um homem. Já quanto a suposta atração por um determinado paciente, é uma coisa bem mais complexa.

- O quanto complexa?

- Pra começar, o fato dele ser meu paciente já é um problema, mas digamos que eu não me importasse com isso, e estivesse disposto a burlar as regras... Mesmo assim ainda seria um problema. Eu levei quase dez anos me dedicando a estudar e me empenhando para ser o melhor no que eu faço, para chegar onde eu cheguei, e querendo ou não Jared, as pessoas ainda tem muito preconceito. Se eu assumisse um relacionamento como esse, pelo menos metade dos meus clientes não entrariam mais por aquela porta.

- É, nisso você tem toda razão. Por exemplo, a Sra. Padalecki jamais teria te contratado se você fosse gay.

- Está vendo o meu dilema?

- Esse é o pior dos seus problemas, Jensen?

- Você acha que é pouco?

- Você não precisa assumir, ou sair por aí contando pra todo mundo que é gay. Isso é uma questão de opção. Eu conheço muita gente que vive assim, dentro do armário, e isto não é necessariamente um problema.

- Para mim talvez não, mas para alguém que teve um relacionamento como o que você teve por quatro anos, isso não deve ser nada fácil.

- E se eu estiver disposto a encarar?

- Eu não quero magoar você Jared, acho que você já teve uma boa quota de sofrimento, não precisa de mais.

- E qual é a diferença entre eu sofrer depois, se as coisas não derem certo, ou agora, com a sua rejeição? E por que você pelo menos não tenta? Não nos dá uma chance?

- Eu não quero alimentar a sua esperança.

- Sinto muito, mas é meio tarde pra isso agora. E eu não sou nenhuma criança Jensen, eu sei muito bem o que eu quero, e o que eu vou enfrentar.

- Jared, eu não posso...

- Jensen, eu não estou pedindo pra você casar comigo, eu não sei do que você tem tanto medo...

- Eu tenho medo de que as coisas não dêem certo, tenho medo de te magoar, e de acabar descobrindo mais tarde que não é isso o que eu quero. – Jensen agora já estava de pé, andando de um lado para o outro, nervoso.

- Você nunca vai saber se não tentar.

- Eu sei.

- Sabe qual é o seu problema? Você pensa demais, você deveria agir mais, e pensar menos.

- Eu sei.

- É, e eu não sirvo mesmo para ser psicólogo.

- Por que você chegou a esta conclusão?

- Porque eu estou com vontade de te sacudir, pra ver se eu consigo enfiar alguma coisa nesta sua cabeça. – Jared disse se aproximando.

- Será que adiantaria? – Jensen perguntou com um sorriso.

- Não, você é um caso perdido. Mas eu sou louco por você assim mesmo...

Jared se aproximou ainda mais e tocou o rosto de Jensen com a mão, fazendo um leve carinho, e como este não recuou, Jared aproximou seus lábios, e Jensen correspondeu ao beijo sem hesitar. Jensen tinha que admitir que amava a forma como Jared o beijava, jamais tinha sentido algo assim com alguma mulher. A forma como sua língua atrevida explorava sua boca, a forma como o deixava completamente sem fôlego, e mesmo assim querendo sempre mais.

Quando se deu conta, já estava sentado sobre a mesa, e as mãos de Jared apertavam sua cintura por dentro da camisa, deixando marcas, o puxando mais próximo e colando seus corpos.

Já estava novamente quase deitado sobre a mesa, quando percebeu o que estava para acontecer...

- Espe... espera aí... Cara, quantas mãos você tem? – Jensen perguntou segurando as mãos de Jared, e o obrigando a parar.

- Você sempre tem que cortar o meu barato? – Jared resmungou, com a respiração ofegante, não acreditando que Jensen tinha resolvido parar logo que as coisas começaram a esquentar.

- Você que é muito afobadinho! Pelo amor de Deus, deixa eu respirar! Eu preciso dispensar a Katie...

E Jensen ia sair pela porta, então se virou, ao ouvir Jared dar risadas...

- O que foi agora?

- Você não vai sair desse jeito, vai? – Jared perguntou ainda rindo, então Jensen finalmente viu o seu estado... Gravata torta, camisa fora da calça e toda amassada, sem contar o volume em suas partes baixas que já estava bem notável.

- Puta merda! Desse jeito você acaba comigo. Acho melhor eu ligar. – Jensen não se conteve e teve que rir também.

- Katie? É... tem mais algum paciente me esperando? - Jensen tentava falar sério ao telefone.

- Não chefinho, o Jared era o último.

- Ok, você já pode ir então.

- Tem certeza que não vai mais precisar de mim? – Katie provocou.

- Não Katie, você está dispensada.

Jensen desligou o telefone e respirou fundo, olhando para Jared...

- Acho melhor nós terminarmos esta conversa em outro lugar...


Continua...

Reviews?? Acho que mereço, né?

Beijokas!!