Recomeço - capítulo 22
Fandon: Supernatural
Personagens principais: Jensen / Jared
Sinopse: Jensen tinha um dilema: Como poderia ajudar seu paciente a encontrar um motivo para seguir em frente, quando ele próprio não conseguia encontrar seu caminho? ** Padackles / AU**
Nota: Esta fic é pura ficção, o foco dela é o relacionamento entre o psicólogo e o paciente, eu não entendo nada a respeito de psicologia, psiquiatria, ou qualquer outro tipo de tratamento.
O fim de semana tinha sido maravilhoso, mas Jared sabia que agora, de volta a realidade, nada seria assim tão fácil. Esse negócio de ficar no armário seria um saco. Jared tinha vontade de gritar para todo mundo que Jensen era seu... mas lógico que não faria.
Continuaram se encontrando geralmente no apartamento de Jared, pelo menos durante a semana, nas noites que Jensen estava livre. Nos finais de semana geralmente iam a algum lugar onde não precisavam ficar se escondendo de ninguém, e por este lado Jared tinha que agradecer por ter uma família rica, pois seus pais tinham casas de veraneio e apartamentos em vários lugares.
Era sábado de manhã, e Jensen tinha um evento sobre psiquiatria em outra cidade, e como Jared ia passar o sábado sozinho, resolveu chamar Meg para almoçar. Fazia tempo que não conversavam direito, e Jared achou que estava mais do que na hora de contar a ela o que estava acontecendo.
Ela já andava rondando há alguns dias, mas não havia perguntado literalmente, então Jared meio que a estava enrolando. Ainda não tinha tido vontade de tocar no assunto, mas agora Meg já estava meio emburrada com ele, e ele sabia exatamente que era este o motivo.
- Puxa Jay, milagres acontecem mesmo, né? – Meg disse assim que entrou em seu apartamento.
- Posso saber por que este sarcasmo todo?
- Quando foi a última vez que almoçamos juntos?
- Vai brigar comigo porque eu não almocei com você? - Jared se fazia de desentendido.
- Não é bem isso o que eu quis dizer. É que você anda todo... cheio de segredinhos pra cima de mim.
- Meg...
- Eu sei que você não tem obrigação nenhuma de me contar nada, mas eu gostava de ser sua confidente, sabe. E eu sinto falta disso.
- Eu também.
- O que?
- Eu também sinto falta disso. Mas é que... aconteceu um monte de coisas, e eu não sei o que você vai pensar a respeito. Eu acho até que você vai me dar uma bronca, ou sei lá...
- Por que você não tenta? Jay... é alguém com quem você está saindo, e não quer que eu saiba, é isso?
- Mais ou menos.
- Olha, eu achei estranho esse lance todo, mas se você quer namorar com o Chad, eu não vou me opor, o amigo é seu, afinal.
- Não é o Chad, Meg. Aliás eu e o Chad estamos mal nos falando. Ele fez de conta que não, mas acho que ele está magoado comigo.
- Então quem é?
- Você... nem desconfia?
- Ai meu Deus! Deixa eu ver... Aquele moreno que trabalha com você? Como é o nome dele? Paul? Eu lembro que você achava ele um gato.
- Meg, por favor! Desde quando eu achava o Paul um gato? Que coisa mais gay! Você está delirando?
- Então não é ele?
- É o Jensen.
- O que?
- Aham.
- O J... o Jensen? Mas... caralho! Ele estava com a esposa esses dias no bar!
- Ex esposa. E ali já tinha rolado... pelo menos uma vez.
- Mas eles estavam se beijando!
- Ela o beijou, Meg! E quer parar de me lembrar disso?
- Mas ele é... Ele é o cara mais hétero que eu já conheci, e ele é todo mauricinho, e todo certinho...
- Meg, eu sei que ele é o meu oposto, mas eu me apaixonei, ok? E ele... ele não é tão certinho assim, ele é muito diferente quando está comigo. Ele é... incrível.
- Oh, que fofo... Você está quase babando agora...
- Vai de foder, Meg! – Jared falou bravo.
- Eu fico feliz, Jay... mesmo! Só não entendi por que ainda não vi vocês juntos até agora. Que espécie de namoro é esse?
- Não é namoro, nós só... saímos de vez em quando. E depois, ele é psicólogo, ele... tem uma reputação a zelar, não dá pra gente sair por aí feito um casalzinho.
- Espera, você está me dizendo que... Vocês vão manter em segredo, é isso?
- Vamos.
- E você concordou com essa merda?
- Na verdade fui eu quem propus.
- Cara, eu não estou te reconhecendo, Jay. Você vai mesmo entrar nesta furada?
- Obrigado pelo apoio, Meg. Está vendo por que eu não te contei antes? - Jared disse magoado.
- Ok. Me desculpe, mas você sabe que eu falo o que penso, então... Sabe o que eu vejo? Tudo bem enquanto é novidade, mas meu amigo, eu te conheço como a palma da minha mão, e eu sei que você não vai aguentar isso por muito tempo. Você já sofreu tanto, e ainda está pedindo por mais...
- É tarde pra eu querer voltar atrás Meg. E eu não vou me estressar pensando no futuro. Vai ser bom enquanto durar.
- E ele? Está apaixonado também?
- Acho que é meio cedo ainda, pra dizer isso.
- Ok.
- Ok. Então para de me olhar com essa cara!
- Que cara?
- A mesma que a minha mãe fez quando soube que eu era gay!
- Não me compara com a bruaca! Credo!
Jared gargalhou...
- Mas então? Vamos sair para almoçar?
-*-*-*-*-*-
Jensen saiu da Convenção cansadíssimo, afinal o seu dia tinha se resumido a ouvir palestras e trocar idéias com outros profissionais da área. Tinha sido muito produtivo, e era essencial para o seu trabalho, mas mesmo assim, tudo o que podia querer agora era um banho relaxante e uma cama macia.
Quem sabe uns braços fortes o envolvendo também, Jensen pensou, e riu sozinho enquanto dirigia. Era com certeza o pensamento mais gay que já tivera em toda a sua vida. Seu sorriso se alargou ao pensar em Jared, e no que ele estaria aprontando a esta hora. Então se deu conta do quanto sentia sua falta, de ouvir suas risadas gostosas, de vê-lo gesticulando e falando sem parar quando se empolgava com alguma coisa, Jared com certeza era uma criança grande.
Era alegre, gentil, e Jensen pensou que podia passar horas e horas conversando com ele sem nunca se cansar. Percebeu que não poderia esperar até chegar em casa, precisava ouvir sua voz, então estacionou o carro no acostamento e ligou...
- Hey!
- Oi! Eu...
- Já com saudades, amor? – Jared perguntou zoando.
- Eu senti falta de ouvir a sua voz.
Quando Jared percebeu que Jensen falava sério, sentiu seu coração querer pular do peito.
- Eu também senti sua falta. Onde você está?
- Ainda tenho que dirigir pelo menos uma hora pra chegar.
- Então por que você não vem direto pra cá? Eu posso ajudar você a relaxar um pouco.
- Relaxar? Puxa! É tudo o que eu preciso no momento, além de um banho.
- Bom, eu posso cuidar disso também. - Jared se ofereceu, malicioso.
- É, a proposta está mesmo tentadora.
- E você está esperando o que?
- Ok, já estou indo!
- Jen?
- Hmm?
- Só dirige com cuidado, ok?
- Ok, fique tranqüilo.
Jared desligou o telefone suspirando. Como Jensen podia ser tão fofo e sexy até por telefone?
Olhou ao redor e bufou, percebendo que tinha que arrumar toda a bagunça que ele e Meg tinham feito com a guerra de almofadas. E a danada tinha se mandado e deixado toda bagunça para ele arrumar sozinho. Tinham passado uma tarde muito agradável, foram ao shopping, cinema, e depois ainda passearam pela praia. Fazia mesmo muito tempo que não se divertiam juntos.
Jensen tocou a campainha, sentindo novamente aquele friozinho na barriga. Era assim toda vez que ia se encontrar com Jared, quase não conseguia controlar sua ansiedade. Assim que Jared abriu a porta, o olhando de cima em baixo, com um sorriso pra lá de safado no rosto, Jensen não se conteve, e logo se jogou nos braços do moreno, o beijando como se estivessem há meses sem se ver.
- O que você andou fazendo? Parece que um furacão passou por este apartamento.
- E passou mesmo, um furacão chamado Meg. – Jared falou sem graça, estava tudo mesmo uma bagunça, logo que ia começar a arrumar, Jensen tocou a campainha.
- Ok, fiquei com medo que você me dissesse que era um furacão chamado Chad.
- Jensen, você tem mesmo que me lembrar disso?
- Ok, é melhor deixar pra lá. Me desculpe.
- Senta aqui comigo um pouquinho, quero te mostrar uma coisa.
Jared sentou no tapete, com as costas apoiadas no sofá.
- Aonde você quer que eu sente? – Jensen se arrependeu de perguntar ao ver o sorriso malicioso de Jared.
- Você não devia perguntar uma coisa dessas, se não estiver realmente a fim de ouvir a resposta – Jared gargalhou – Desculpa Jen, senta aqui na minha frente.
- Cara, como é que você trabalha desse jeito, e o que você tem contra uma escrivaninha ou um sofá? – Jensen disse se sentando no chão, entre as pernas de Jared.
- Nada, é só força do hábito. Eu quero que você veja o lay out do comercial que eu estou trabalhando.
- Uau! Ficou muito bom mesmo! Como você fez isso em tão pouco tempo? – Jensen perguntou ao ver as imagens no notebook de Jared.
- Eu passei a madrugada fazendo isso, Jen.
- A madrugada?
- É, por falta de opção. – Jared disse sarcástico.
- Ok, culpado! – Jensen disse se rendendo.
- E como foi a sua convenção? – Jared perguntou fechando o notebook, e passando a massagear os ombros de Jensen.
- Foi bem produtiva, mas muito cansativa. Ninguém merece ouvir palestras em pleno sábado.
- Jen, me conta sobre os seus pacientes, eu tenho curiosidade em saber com o que você lida todos os dias.
- Nah, eu não quero te aborrecer com o meu trabalho.
- Não vai me aborrecer, eu gosto de ouvir você falar sobre isso. Não precisa citar nomes, nem falar de casos recentes, se não quiser.
- Jared...
- Ou você fala, ou eu paro com a massagem. – Jared chantageou, vendo que Jensen estava gostando muito do que ele estava fazendo.
- Ah, é assim, seu chantagista? Tudo bem, eu vou falar, mas depois eu me vingo de você, lá na cama...
Jared deu risadas, e passaram mais algum tempo conversando sobre alguns casos de alguns pacientes que Jensen já tinha atendido. Jared gostava mesmo de ouví-lo falar sobre isso. Sabia que Jensen amava o seu trabalho, e adorava ver o seu entusiasmo ao falar nele.
Depois disso Jared "ajudou" Jensen a tomar um banho demorado, e logo Jensen aproveitou para tocar no assunto que Jared andava fugindo...
- Ah, antes que eu me esqueça, a sua consulta está marcada.
- Que consulta?
- Com o Sebastian.
- Você não desiste mesmo, não é?
- De jeito nenhum.
- Depois eu é quem sou o teimoso.
- Jared, o que eu preciso fazer pra te convencer a ir?
- Bom, isso nós podemos negociar – Jared falou com malícia – Você vai ter que mostrar muitos bons argumentos pra me convencer.
- Acho que isso não vai ser problema – Jensen disse entrando na brincadeira, e derrubando Jared sobre a cama.
-*-*-*-*-
Na segunda feira, logo depois do trabalho, Jared foi até o famoso consultório, mesmo contrariado. Sabia que aquilo tudo seria um saco.
- Olá Jared! – Sebastian estendeu a mão para cumprimentá-lo, e Jared a apertou, com vontade de rir, esperando o famoso "Como você está se sentindo hoje?" que Jensen sempre usava.
- Oh, então este é o famoso divã que o Jen falou. – Jared falou se deitando nele.
- Ele falou do meu divã? – Sebastian se sentou numa poltrona ao lado.
- É, mais ou menos. Acho que ele devia ter um desses no seu consultório. Não, acho melhor não. – Jared disse com um sorriso sacana.
- Bom, eu não vou nem perguntar o que você acabou de pensar.
- É melhor não. Você não iria mesmo querer saber – Jared teve que rir.
- Sabe Jared, eu estava ansioso pra te conhecer.
- E por que? O Jensen... te falou alguma coisa? – Agora Jared é quem estava curioso.
- Sobre vocês? Sim. E eu estava curioso pra conhecer o cara que mexeu tanto com a cabeça dele.
- Eu mexi com a cabeça dele?
- Você sabe que sim.
- Não foi de propósito. – Jared se defendeu, rindo.
- Pois é, eu conheço o Jensen há mais de dez anos, e nunca vi ele tão confuso quanto o dia em que ele veio aqui, e deitou neste divã. Coitado, e ao invés de eu ajudá-lo, eu ainda tirei uma com a cara dele.
- Confuso por que? Isso foi depois que nós...
- Acho que foi o dia que você agarrou ele no consultório.
- Ah, eu não pensei que ele fosse pirar. Mas depois ele ainda foi até a minha casa e... Então no outro dia ele surtou de vez. Bom, isso já era de se esperar.
- O Jensen é incrível para lidar com os problemas dos outros, mas quando se trata dele mesmo... Bom, acho que já chega de falar do Jensen, não é? Afinal o meu paciente é você.
- Pra falar a verdade, eu estava preferindo falar dele do que de mim. Eu não vou ter que começar tudo de novo, vou?
- Não, eu vou te poupar disso, afinal o Jensen já me passou tudo que achava mais importante. E eu tenho todas as anotações dele aqui. Cara, demorou para ele traçar o seu perfil! Será que você é tão misterioso assim? Ele formou umas três teorias antes de definir uma.
- Mesmo? Isso está ficando interessante. E quais são as teorias?
- Bom, isso eu não posso te falar. É sigiloso.
- Que puta sacanagem!
Sebastian riu...
- Ok, agora vamos ao que interessa. Eu vi que você passou por uns maus bocados. Mas resumindo, você viveu um relacionamento de quatro anos com o Jason, aí houve o acidente, e você perdeu a vontade de viver, tentou suicídio por duas vezes, e então foi parar em uma clínica, e consequentemente nas mãos do Jensen.
- É isso aí.
- Como isso soa pra você agora?
- O que?
- A idéia de suicídio. Isso ainda parece tentador pra você?
- Não.
- Não mesmo?
- Não. Eu não teria mais coragem. – Jared falou com sinceridade.
- E a sua vida, já voltou ao normal depois de tudo?
- Bom, eu voltei a fazer tudo que fazia antes, mas acho que voltar ao normal nunca vai voltar.
- Por que você acha isso?
- Em primeiro lugar, tem um vazio aqui dentro, que eu acho que nunca vai sair. As vezes parece que some, mas geralmente quando eu fico sozinho, ele volta com toda força. E ainda é difícil pensar que ele está mesmo morto, e já fazem mais de oito meses, então eu acho que nunca vou me acostumar.
- Você vai sim, com o tempo você se acostuma, você o amava e é absolutamente normal sentir isso.
- O Jensen vai saber disso?
- Do que?
- Do que eu estou falando aqui?
- Não, tudo que você me disser dentro deste consultório fica só entre nós dois, pode ficar tranquilo, como eu te disse, é sigiloso.
- É que... as vezes eu ainda falo com ele.
- Com quem?
- Com o Jason.
- Como exatamente você faz isso? – Sebastian perguntou curioso.
- Geralmente com um porta retratos. Você acha que eu estou ficando louco?
- Isso faz você se sentir bem?
- Sim. É como se... pra ele eu pudesse falar qualquer coisa, ele sempre me entendia, sabe? Mas as vezes é só porque eu me sinto sozinho, e sinto mesmo falta de conversar com ele. Isso é um mau sinal, não é?
- Não necessariamente. Se você está fazendo isso só para suprir uma necessidade, eu não vejo nada de errado, desde que você não esteja fantasiando que ele esteja mesmo ali, ou algo assim. Você não tem nenhum tipo de alucinação, coisas desse tipo, tem?
- Não, eu tenho plena consciência que ele está morto, se é o que você quer saber.
- Ok, então você pode ficar tranquilo, que não está ficando louco ainda. Se algum dia o retrato dele te responder, aí sim você me avisa, que eu vou começar a me preocupar.
- Ok, acho que isso não vai acontecer. Então, você conhece o Jensen há mais de dez anos?
- Sim, nós já somos praticamente casados – Sebastian disse brincando.
- E ele sempre foi assim?
- Assim, como?
- Assim, todo certinho... E sei lá, meio metódico demais.
- Sim, ele sempre gostou de ter tudo sob controle, tudo planejado. Nunca gostou de mudanças radicais, mas mesmo assim nós aprontávamos muito na faculdade. Foram bons tempos. Nós só nos distanciamos um pouco quando ele se casou.
- Mesmo?
- É, a Daneel não ia muito com a minha cara, mas graças a Deus, ou a você, ela já está fora do caminho...
- Assim eu espero – Jared deu risadas – Agora eu vou indo, que você fala demais, já passou da minha hora. – Jared reclamou.
- Eu que falo demais, é? Coitado do Jensen! – Sebastian falou zoando – E vê se cuida bem do meu amigo, não vá deixar ele louco de uma vez...
Continua...
Respondendo a review:
Alexia: Será mesmo que o Jen vai admitir isto com tanta facilidade? Já teve um Top!Jensen, você ainda quer mais? (gulosa!! rsrs). Pois é garota, e quem não seria tarado pelo Jensen? Beijokas, e obrigada por comentar!
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