Recomeço - capítulo 24
Fandon: Supernatural
Personagens principais: Jensen / Jared
Sinopse: Jensen tinha um dilema: Como poderia ajudar seu paciente a encontrar um motivo para seguir em frente, quando ele próprio não conseguia encontrar seu caminho? ** Padackles / AU**
Nota: Esta fic é pura ficção, o foco dela é o relacionamento entre o psicólogo e o paciente, eu não entendo nada a respeito de psicologia, psiquiatria, ou qualquer outro tipo de tratamento.
Jensen parou na porta do banheiro, sentindo uma certa pena de Jared, que estava agarrado ao vaso sanitário como se este fosse o seu melhor amigo, no momento.
- Você precisa de alguma coisa?
- Sim, de um estômago novo. – Jared disse se levantando e indo escovar os dentes.
Jensen teve que rir.
- Eu não me lembrava mais do que a ressaca faz com as pessoas. - Jared reclamou.
- Foi você quem fez isso a si mesmo.
- Foram só algumas cervejas, Jen! Dá um tempo!
- Mas você está há muito tempo sem beber, e foi logo exagerando.
- Dá pra deixar o sermão para uma outra hora? A minha cabeça está explodindo!
- Não, na verdade não dá. – Jensen disse enfurecido – Onde é que você estava com a cabeça?
- Jen...
- E desde quando você está sem tomar os seus remédios, Jared?
- Só há três dias...
- Três dias? E eu posso saber por que?
- Eu precisava saber como era... ser eu mesmo de novo.
- Os remédios não mudam o que você é, Jared! - Jensen estava mesmo puto agora.
- Sim, agora eu já sei disso.
- E por que você não me consultou antes de fazer esta besteira? Você não pode interromper o tratamento desse jeito!
- Porque você não iria deixar.
- Você é mesmo incrível, eu não sei por que ainda perco o meu tempo...
- O que você quer dizer com isso?
- Só me diz Jared, você fez isso pra se vingar de mim? Por eu ter ido a festa ontem?
- É claro que não! O mundo não gira em torno de você, Jensen. Mas eu acho que você está furioso, não é porque eu bebi, ou porque eu parei de tomar os remédios.
- Não, e então por que?
- Porque eu estava com o Chad.
- Claro, então você quer dizer que eu estava com ciúmes?
- Yep!
- Isso é ridículo! Apesar de eu achar que ele é uma péssima companhia pra você. E ontem ele só provou que é mesmo um irresponsável.
- Ele é um grande amigo, Jen. Você não sabe o que está falando. E fui eu quem levou ele para o bar. E fui eu quem quis beber, ele não teve nada com isso, e sabe por que? Porque eu estava com vontade. Porque as vezes eu gosto de simplesmente fazer o que me dá vontade. Você consegue entender isso, doutor? - Jared perguntou ácido.
- Eu não vou discutir com você sobre os seus amigos, tudo bem, você conhece ele há bem mais tempo que eu. Eu só detesto o fato de você ter feito isso tudo logo quando eu estava longe. E ainda por cima parar de tomar os remédios, Jared... quando você pretendia me contar?
- Sabe o que eu mais odeio disso tudo?
- O que?
- Você não consegue esquecer um minuto sequer que é o meu psiquiatra. Eu só queria que você me visse de vez em quando como o homem da sua vida Jen, e não como seu paciente.
- E sabe o que parece? Que você não precisa mais de mim, nem como seu psiquiatra, e nem na sua vida.
- O que você está querendo com isso? Arranjar uma desculpa?
- Uma desculpa pra que?
- Pra terminar tudo.
- Eu não falei nada disso, Jare. Por favor, não coloque palavras na minha boca.
- Eu ouvi você e o Sebastian conversando aquele dia, na sua casa. Você disse que precisava fazer, só não tinha coragem. Se você estava esperando eu te dar um motivo, vá em frente. Esta é a sua oportunidade...
- É isso o que você quer? Terminar o namoro assim?
- Namoro? De que namoro você está falando, Jensen? – Jared deu risadas.
- Qual é a graça nisso, Jared? – Jensen perguntou sério.
- Nada Jen, isso realmente não tem graça, mas o que você quer que eu diga? Você não consegue sequer dizer o que sente por mim! Se é que sente alguma coisa além de tesão...
- Você não sabe o que está dizendo.
- Não mesmo?
- É, acho mesmo que eu não tenho mais nada o que fazer aqui. – Jensen virou as costas e foi embora, sem sequer olhar para Jared mais uma vez.
Jared chutou a porta com raiva, depois escorregou por ela, até sentar no chão, onde chorou todas as suas mágoas.
No domingo, quando a ressaca já tinha passado, tudo parecia ainda pior. A realidade caiu como uma bomba. Teve vontade de correr até o apartamento de Jensen e se ajoelhar aos seus pés, o implorando para voltar. Mas não ia fazer isso, ainda tinha o seu orgulho, e este estava realmente ferido.
Chad ligou no domingo, para saber se estava tudo ok.
- Não se preocupe, Chad. Está tudo bem – Jared disse pela décima vez.
- Mas Jay, tem certeza? Porque eu posso ir lá falar com o Jensen se você quiser, afinal eu me sinto meio culpado pelo que aconteceu.
- Você não tem culpa de nada, deixa de besteira! Eu e o Jen já estávamos com problemas, e aproveitamos a vazada pra jogar tudo na cara um do outro, você não tem nada a ver com isso.
- E agora? O que você vai fazer?
- Eu vou dar um tempo, e depois vejo o que fazer. Por enquanto é melhor deixar as coisas esfriarem.
- Eu sinto muito cara, eu realmente sinto muito, e se precisar de qualquer coisa, me liga, ok?
- Valeu, Chad! Obrigado pela força. Até mais.
- x -
Jensen passou o domingo trancado em seu apartamento. Se deitou na cama e ficou lembrando das noites em que Jared passara ali com ele. Lembrou da sensação de estar em seus braços, do quanto era reconfortante acordar ao seu lado pela manhã, ver aquele olhar sonolento, e mesmo assim com aquele sorriso que fazia Jensen se derreter por inteiro.
As palavras de Jared ainda martelavam na sua cabeça: "Você não consegue sequer dizer o que sente por mim! Se é que sente alguma coisa além de tesão". Não, com certeza não era só tesão. Claro que com Jared tinha sido o melhor sexo da sua vida, e que só de pensar naquele corpo perfeito chegava a sentir um arrepio na espinha, mas não era apenas isso.
Gostava da sua companhia, das suas risadas, de quando ficava emburrado, quando era amável, até mesmo da sua teimosia Jensen gostava. Apesar de serem o oposto um do outro, parecia que se completavam, Jensen podia conversar com ele durante horas a fio, que o assunto não acabava. E o mais importante, podia lhe falar de tudo, desde a sua família até dos seus pacientes, do seu trabalho, do qual Daneel vivia reclamando que não suportava, porque era um assunto maçante.
Jared demonstrava interesse em tudo o que Jensen fazia, e era sincero, as vezes até sincero demais. Jensen já conseguia ler todas as suas expressões, e amava cada uma delas. Amava... será que o que sentia era amor? Estava tudo tão confuso... O que sentia por Jared jamais tinha sentido com alguém, nem mesmo com Daneel nos seus melhores dias.
Jensen sentia um aperto no peito, queria muito ver, falar novamente com Jared, se acertar com ele, mas bem lá no fundo, sentia-se magoado, e não iria dar o braço a torcer tão cedo.
Na segunda feira foi trabalhar desanimado, e por sorte não tinha muitos pacientes para atender. Pegou o telefone na mão algumas vezes, pensando em ligar para Jared, mas sempre desistiu na última hora. Talvez terminar tudo tenha sido a coisa certa a fazer, afinal que futuro teria um relacionamento como esse? Talvez fosse melhor deixar Jared seguir sua vida, como médico, deveria estar ajudando a sanar seus problemas, e não lhe causando mais um.
No fim da tarde, Jensen já estava saindo do consultório, quando recebeu um telefonema que fez seu coração falhar...
- Doutor Jensen, eu preciso da sua ajuda. O Jared tentou novamente! – Era a voz da Sra. Sharon, desesperada.
Jensen desligou o telefone e pegou um táxi rumo ao hospital. Não estava em condições de dirigir, seu coração parecia querer pular do peito, suas mãos tremiam e suava frio, não conseguia acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo.
Quando chegou na sala de espera, encontrou Sharon chorando, abraçada ao Sr. Gerald.
- Sra Sharon, o que foi que houve? E como ele está? – Jensen perguntou, tentando disfarçar o seu real desespero.
- Oh, Doutor Jensen, obrigada por ter vindo. Ele... parece que não foi muito grave, ele ainda está desacordado, mas apenas fraturou algumas costelas, e tem alguns arranhões superficiais. Também bateu a cabeça, mas pelos exames não houve traumatismo craniano.
- Mas a senhora disse que ele...
- Doutor, ele bateu o carro contra um muro de concreto, aparentemente sem nenhum motivo, simplesmente bateu. O que me leva a crer que...
- Algum vestígio de álcool ou drogas no sangue?
- Nada.
- Houveram testemunhas? Eu não posso acreditar que...
- Não, ninguém.
- Bom, eu acho melhor esperar ele acordar para saber o que houve. - Jensen tentou manter-se calmo.
Neste instante a enfermeira apareceu na sala, informando que Jared estava acordado, e que poderia receber visitas, mas apenas uma ou duas pessoas de cada vez.
Sharon e Gerald entraram, e Jensen permaneceu na sala de espera, ainda não conseguindo digerir aquilo tudo. Podia esperar tudo de Jared, menos uma nova tentativa de suicídio. Não, com certeza Jared teria uma outra explicação para isso. Só teria que esperar para poder falar com ele a sós.
Sharon secou as lágrimas e se aproximaram da cama, Jared parecia abatido, mas estava bem.
- Mãe? O que houve com o garotinho? – Jared perguntou com a voz fraca.
- Do que você está falando, meu filho?
- Do menino, que eu atropelei.
- Jared, você não atropelou ninguém, você bateu o carro sozinho, contra um muro de concreto, não havia mais ninguém envolvido no acidente.
- Mãe, tinha um garoto, ele correu na frente do carro, então eu tentei desviar, e bati... Ele morreu? Fala a verdade, Mãe! – Jared dizia chorando, nervoso.
- Jared, a ambulância chegou minutos depois do acidente, assim como a polícia, que fez o laudo. Realmente não havia mais ninguém além de você – Gerald falou com toda a calma.
- Não, não... eu sei que havia... eu não estou ficando louco! – Jared falava desesperado.
- Filho... Você tentou novamente, não foi? – Sharon falou chorando.
- O que?
- Você pode nos falar, filho. Nós só queremos te ajudar!
- Não! Eu não... Me deixem sozinho, mãe, só me deixem sozinho, por favor! – Jared falou com raiva, chorando.
Os dois saíram do quarto, e depois de ouvi-los, Jensen esperou alguns minutos, e entrou.
Jared olhava para algum ponto fixo na parede, e sequer desviou o olhar quando Jensen entrou.
- O que foi Jensen? Eles mandaram você aqui pra me internar de novo? – Jared perguntou com um sorriso sarcástico, finalmente encarando Jensen, mas ainda tinha lágrimas em seus olhos.
- Sua mãe me ligou falando do ocorrido, eu vim porque quis.
- Você também acha que eu tentei suicídio?
- Por que você não me conta o que houve?
- E pra que? Se você também não vai acreditar em mim.
- Por que você não tenta?
- Ok... tudo o que eu me lembro é que eu estava dirigindo, e de repente um garotinho atravessou a rua na frente do carro. Eu estava muito rápido, e não dava tempo de frear, então eu joguei o carro pro acostamento, e... bati.
- Como era o garotinho?
- Loiro, devia ter uns cinco anos, eu não sei, não deu tempo de ver direito. Ele estava com uma mulher no outro lado da rua, e de repente ele correu para o meio.
- Como era a mulher?
- Era uma senhora, eu não sei, não reparei muita coisa, foi tudo muito rápido.
- Não havia mais ninguém além deles, que você tenha visto? Alguma testemunha?
- Não.
- Ok.
- Jensen?
- Hmm?
- Eu não tentei suicídio, eu juro! Você acha que eu... que eu estou tendo alucinações? Você acha que eu estou ficando louco? - Jared perguntou desesperado.
- Não, você não está tendo alucinações.
- Mas você acredita em mim? Eu não me importo no que os meus pais, ou os outros pensem. Você acredita em mim, Jensen? - Jared o olhava com aqueles olhos pidões.
- Sim, eu acredito.
A Sra. Sharon entrou no quarto novamente, querendo saber o que Jensen achava disso tudo.
- E então doutor? Foi mesmo uma nova tentativa, ou ele está alucinando?
- Não, ele não está alucinando.
- Então ele tentou mesmo...
- Não. Tem que haver outra explicação. Ele diz que desviou do garoto, então eles podem simplesmente ter ido embora.
- Quem iria embora num momento desses?
- Qualquer pessoa assustada, com medo, e com uma criança de cinco anos igualmente assustada.
- Sinceramente Doutor, eu não acredito nisso! – Sharon disse e saiu.
- Obrigado Jensen, por acreditar em mim. – Jared disse aliviado.
- Tudo bem. Você deveria descansar agora, pode dormir, eu vou ficar por aqui.
Em poucos minutos Jared voltou a dormir. Logo Chad, Meg, e mais três amigos de Jared, que Jensen não conhecia estavam fazendo burburinho na sala de espera, e acabaram sendo expulsos do hospital. Saíram resmungando e Jensen deu risadas, tinham que ser mesmo amigos de Jared.
Logo apareceu uma senhora na sala de espera, procurando pelo moço que havia se acidentado.
Jared arregalou os olhos e sorriu como uma criança quando os dois entraram no quarto.
A senhora segurou sua mão, emocionada.
- É bom saber que ele está bem. – Jared falou, também emocionado, olhando para o garoto.
- Você salvou a vida dele, muito obrigada! Na verdade eu nunca vou poder agradecer o suficiente por isso. Mas e você? Está muito machucado?
- Não, eu estou bem. E obrigado por ter vindo, eles já estavam achando que eu enlouqueci. – Jared falou rindo e sua mãe o olhou sem graça.
- Eu saí de lá porque... tive medo de ser presa, eu não tenho como pagar pelos prejuízos. Me desculpe, eu deveria ter ficado lá.
- Já está tudo bem, não precisa se preocupar com nada.
- Obrigado, moço! – O garotinho falou meio tímido, segurando a mão de Jared.
- Ok garoto! Só vê se toma mais cuidado ao atravessar a rua, está bem? – Jared falou sorrindo.
- Ta bom.
Os dois saíam e Jared olhou para os seus pais, com um sorriso vitorioso, Jensen que estava no canto do quarto assistindo a tudo, teve vontade de ir lá e abraçá-lo, tamanha a felicidade e alívio que estava sentindo.
Continua...
Reviews??
