Recomeço - capítulo 29

Fandon: Supernatural

Personagens principais: Jensen / Jared

Sinopse: Jensen tinha um dilema: Como poderia ajudar seu paciente a encontrar um motivo para seguir em frente, quando ele próprio não conseguia encontrar seu caminho? ** Padackles / AU**

Nota: Esta fic é pura ficção, o foco dela é o relacionamento entre o psicólogo e o paciente, eu não entendo nada a respeito de psicologia, psiquiatria, ou qualquer outro tipo de tratamento.


Quando Jensen finalmente criou forças para levantar e sair dali, olhou ao redor, e sentiu seu coração falhar uma batida com o que viu. Havia alguém ali perto, sentado com a rosto apoiado entre as mãos... Era alto... tão alto quanto... Não, não podia ser, a não ser que alguém lá em cima estivesse mesmo dando uma forcinha. Mas aquela jaqueta tão conhecida, e aquela boina que ele tanto gostava de usar nos dias frios... Não, não podia estar alucinando, era mesmo ele... Então Jensen se aproximou, sentindo suas pernas tremerem, e sentou ao seu lado, tocando o seu ombro de leve. Quando Jared levantou a cabeça, seus olhos estavam vermelhos. Provavelmente tinha chorado.

- Jen, o que você... – Jared parecia incrédulo.

- Jare, eu não acredito que é você mesmo! – Então Jensen o abraçou... abraçou apertado, como se não quisesse soltá-lo nunca mais. – Eu tive tanto medo de que você já tivesse partido, eu tive medo de não chegar há tempo!

- Na verdade eu... eu não tive coragem de embarcar, Jen! Eu não tive coragem... – Jared falava com a voz trêmula, e as lágrimas voltaram a rolar por sua face. Seu olhar estava tão perdido quanto da primeira vez que Jensen o viu naquela clínica, parecendo tão pequeno, que Jensen teve vontade de pegá-lo no colo.

- Que bom que você não conseguiu Jare, que bom que não conseguiu! – Jensen secou suas lágrimas e tocou seu rosto com carinho.

- Mas o que você faz aqui, afinal? Como você soube que...

- Eu fui até o seu apartamento e não te encontrei, aí eu tentei a Meg e o Chad, e então minha última esperança eram os seus pais. E a sua mãe acabou me falando onde você estava.

- Jen, tem uma coisa que você precisa saber...

- Eu sei Jare, eu encontrei a foto no seu apartamento.

- Mas, como?

- Você deve ter deixado cair, sei lá. Jared, por que você não me falou? Por que não se abriu comigo?

- Porque ela disse que ia colocar nos jornais, Jen. A única forma de fazer ela se calar seria eu saindo da sua vida, e era o que eu estava tentando fazer.

- Que se dane, Jare! Será que você não entende que você é a única coisa que importa na minha vida agora? Você não vê o quanto eu te amo?

- Mas Jen... eu não quero ser o motivo de você ter a sua vida destruída, a sua carreira!

- Eu não quero saber da minha carreira! Eu estou cansado de esconder, eu não quero mais! Eu quero fazer parte da sua vida, quero conhecer seus amigos, quero que você conheça os meus, quero que você participe da minha vida, e não continuar nos escondendo naquele apartamento...

- Eu acho que você não entendeu, Jen. Quanto a isso, tudo bem, mas ela está falando de um escândalo nos jornais, isso com certeza vai destruir a sua reputação como médico!

- Quanto a isso, você pode ficar tranquilo, que eu também tenho uma carta na manga para usar contra ela. Pode ter certeza que ela não vai publicar nada nos jornais.

- Você tem certeza disso?

- Tenho, e ela vai ter uma surpresinha, mas depois eu te conto, agora vamos voltar para casa. Eu não acredito que você pretendia mesmo fugir pra longe de mim...

Jensen o abraçou novamente, e não resistindo, o beijou... Quando se separaram Jared finalmente sorriu, se sentia mais calmo agora, Jensen tinha esse poder sobre ele.

- Jen? Não sei se você percebeu, mas... Nós estamos no meio de um aeroporto, e tem um monte de gente olhando.

- Qual é a parte do "que se dane!" que você não entendeu? - Jensen perguntou sorrindo.

- Mas...

Jensen não disse mais nada, apenas o puxou pela mão e o levou para o carro. Durante o percurso até o apartamento de Jensen foram em silêncio, Jared ainda parecia um pouco assustado, perdido em seus pensamentos.

Logo que entraram no apartamento, Jensen o abraçou e beijou mais uma vez, sentia-se tão aliviado e tão feliz por ter Jared de volta, que tinha vontade de gritar.

- Eu estou tão feliz por você estar de volta, Jare! Tive tanto medo de te perder! – Disse tocando o rosto de Jared com as duas mãos.

- Jen, eu... me desculpe, eu... Mais uma vez eu agi por impulso. Cara, eu só faço besteiras, nem sei como você ainda me suporta depois disso tudo.

- Jared, você inventou aquelas mentiras sobre querer viajar, e estava mesmo disposto a ir embora, só pra não prejudicar a minha carreira? Você ia mesmo me deixar?

- Eu não sei o que deu em mim. Eu quero muito ficar com você, mas tudo que eu mais quero é ver você feliz, Jen. E eu não ia aguentar ver você ser destruído por minha causa. Eu sei o quanto você se dedicou pela sua carreira, e o quanto isso é importante pra você.

- Eu me dediquei sim, e eu amo o meu trabalho, mas você é a minha prioridade agora, Jared. É você quem eu amo acima de tudo! Você é o meu vício, e eu iria até Vancouver, ou até o fim do mundo se fosse preciso, pra trazer você de volta.

- Eu também te amo muito, Jen! E eu não sei o que seria de mim sem você. – Jared o abraçou apertado novamente, teve tanto medo de perder Jensen para sempre, que mal podia suportar a idéia.

Jensen percebeu que Jared estava tremendo, e sabia que ele tinha passado por emoções demais num dia só, visto que ainda não estava completamente recuperado.

- Jare, vem comigo... Você vai tomar este remédio, e vai se deitar para descansar um pouquinho.

- Mas Jen, o que... o que é isso?

- É só um calmante leve, pra diminuir a ansiedade, vai fazer você se sentir melhor. – Jensen mentiu.

Jared resolveu não discutir com Jensen, tomou o remédio e se deitou, pegando logo no sono.

- Você vai me odiar por isso depois, mas é o melhor que eu posso fazer por você agora. – Jensen falou para um Jared adormecido.

Jensen ligou para Chad e Meg, informando que Jared estava de volta, e também para a mãe de Jared, inclusive a agradecendo pela ajuda. Agora precisava colocar seu plano em prática, e com o calmante que dera para Jared, não precisaria se preocupar com ele, pois dormiria por pelo menos umas dez horas seguidas.

O celular de Jensen tocou em seguida, era Sebastian.

- E aí Jen? Conseguiu localizar o Jared? – Sebastian estava preocupado.

- Sim, graças a Deus ele desistiu de última hora, e não embarcou.

- Puxa, que alívio! E como ele está?

- Pode ficar frio, Doutor Sebastian, que o seu paciente está sendo muito bem cuidado. – Jensen falou brincando.

- É bom mesmo! Mas o que você fez?

- Eu dei um sossega leão pra ele, e agora ele está dormindo feito um anjinho.

- Jen, isso não se faz! A sua licença médica devia ser caçada! - Sebastian brincou.

- Eu conheço o Jared, e ele estava muito nervoso, amanhã vai acordar bem melhor. E eu tenho agora umas contas pra acertar com a Daneel.

- O que você pretende fazer?

- Outra hora eu te conto, preciso por o meu plano em prática, vou desligar agora, ok?

- Ok, e boa sorte, amigão!

Jensen desligou o celular e ligou o computador do escritório, sabia que aquele vídeo estava ali em algum lugar. O tinha deixado arquivado para... Bom, não sabia para que, mas tinha guardado.

Assim que encontrou, o anexou no e-mail que escreveu, e enviou para Daneel, ligando para ela em seguida.

- Alô, Jensen? É você mesmo? - Daneel atendeu animada.

- Sim, sou eu.

- Ficou com saudades, amor?

- Sim, tanta saudade que eu preparei uma surpresinha pra você.

- É mesmo? E qual é?

- Você gosta de fazer chantagens, Dan? Pois eu também gosto, só que a minha vai ser um pouquinho pior. Dá uma olhadinha no seu e-mail, que você vai saber. Só mais uma coisa: Você pode até colocar as fotos nos jornais, e se quiser eu até posso te mandar uma melhor, afinal aquele ali nem foi um dos nossos melhores beijos, mas se você fizer isso, o vídeo que eu mandei pro seu e-mail vai cair na internet logo em seguida. É você quem decide. Ah, e no seu lugar eu assinaria os papéis do divórcio também, o meu advogado vai te procurar amanhã. Tenha uma boa noite, Dannel.

E Jensen desligou com um sorriso maligno no rosto. Então tomou um banho e se deitou ao lado de Jared, o abraçando. Jared mesmo dormindo resmungou alguma coisa que Jensen não pode entender, e se aconchegou ainda mais em seu corpo.

- Nem dormindo você sossega, não é grandão? – Jensen teve que rir sozinho.

Mal tinha acordado pela manhã, e Jensen recebeu a ligação de Daneel.

- Você é um cretino, Jensen! – Foi a primeira coisa que ela disse, ou gritou, assim que ele atendeu.

- O que foi querida, algum problema com você?

- De onde você conseguiu aquele vídeo? Isso só pode ser uma montagem!

- Dan, esse vídeo estava no seu computador, e eu o encontrei há uns dois anos atrás, e acabei guardando, eu não sei por que. Mas até que teve uma boa utilidade agora.

- Eu odeio você!

- Bom, neste caso, a recíproca é verdadeira. Então você achou mesmo que ia tirar o Jared da minha vida, e que eu iria voltar pra você? Isso é a última coisa que eu faria na minha vida, Dan. Você pode ter certeza. E agora nós estamos quites, enquanto você esquecer as fotos, eu esqueço do vídeo, e além disso eu quero os papéis do divórcio assinados ainda hoje.

- E por que essa presa? Vai me dizer que você pretende se casar com o seu garotão? Tenha dó, Jensen! - Daneel falou debochando.

- Olha, quanto a casar com ele eu não sei, não acho necessário, mas quem sabe algum dia, não é? Mas o que eu quero mesmo é me livrar de você, pra sempre!

- Você sabe que vai ter que me pagar pensão, não é? Isso quer dizer que não vai se livrar completamente.

- Logo você arranja um marido rico para dar o golpe, aí eu me livro disso também. Quem sabe o Chris ainda esteja disponível.

Daneel apenas riu, irônica.

- Tudo bem querido, eu vou fazer o que você quer, mas eu tenho certeza que você não vai ser feliz com ele, isso é só uma fase, logo você vai enjoar e vai voltar correndo para mim, e eu vou estar sempre esperando.

- Acho que você vai se cansar de esperar, meu amor. Mas faça o que você quiser.

Jensen desligou o telefone, suspirando aliviado. Finalmente este problema estava resolvido.

Foi de volta para o quarto e encontrou Jared sentado na cama, ainda meio grogue.

- Me lembre de nunca mais confiar em um psiquiatra! – Jared falou bocejando.

- Teve uma boa noite de sono? – Jensen riu.

- O que você me deu, Jen? Calmante pra cavalos? Eu ainda me sinto meio zonzo...

- Mais ou menos, você precisava de umas horas de sono, estava muito nervoso ontem a noite. E ajudou, não ajudou?

- E agora, Jen? O que nós vamos fazer? – Jared perguntou preocupado.

- Quanto a Daneel? Já está tudo resolvido, Jare.

- O que você fez? Mandou alguém matá-la?

- Não precisou tanto, agora vem cá... Eu vou te dar um banho primeiro, e depois eu te conto o que fiz.

- Hmm. Vai me dar um banho, é? - Jared perguntou animado.

- Aham...

- E depois eu é quem sou o tarado da dupla!

- Cala essa boca e vem logo! – Jensen já estava quase nu, o esperando na porta do banheiro. Jared o seguiu e o prensou contra a parede do Box, o beijando.

- Acho que nem com calmante você sossega, não é? – Jensen falou entre os beijos, tocando o membro de Jared, que já estava bem desperto.

- Eu ainda morro de tesão por você! – Jared falou o agarrando pela cintura.

Depois do "banho" demorado, Jensen o arrastou para a sala, para lhe contar o que tinha feito.

- Você disse que tinha um vídeo dela fazendo o que? – Jared arregalou os olhos, espantado.

- Você entendeu, Jare! Não me faça repetir.

- Eu quero ver.

- O que?

- Me deixa ver!

Jensen acabou cedendo e ligou o vídeo no computador, onde Daneel e mais uma garota loira estavam num tremendo amasso em cima da cama, e então a coisa foi esquentando...

- Oh, meu Deus! – Jared exclamou de boca aberta. – Cara, a sua mulher era bem... dada!

- Cala essa boca, Jare!

- Olha só pra isso... Jen, agora confessa... Você estava filmando isso tudo, e depois entrou na brincadeira? Hein? Eu sempre imaginei que você por trás desse ar sério devia ser um pervertido! – Jared disse brincando.

- Claro que não, seu idiota! Esse vídeo é antigo, eu não namorava com ela na época, eu o encontrei no computador dela por acaso, quando estava procurando um arquivo.

- Ah, que decepção, Jen! Eu tava louco pra ver você entrando na festa...

- Cara, você não tem jeito mesmo, não é? - Jensen falou indignado.

- E você nunca pensou em convidar a amiguinha dela pra uma festinha a três, hein? Confessa Jen! Você não precisa esconder nada de mim. – Jared provocou.

- Agora chega! - Jensen desligou o vídeo.

- Ah Jen, não corta o meu barato! Eu queria ver como a coisa ia terminar!

- Você já está empolgado demais com isso, pro meu gosto. – Jensen falou sério.

- Isso é ciuminho, ou é só impressão minha?

- É impressão sua. E agora tira essas mãos cheias de dedos de cima de mim! – Jensen deu um tapa na mão de Jared, que já estava apalpando o seu traseiro.

- Qual é, Jen? Vai me rejeitar, agora?

- Eu não vou te aliviar só porque você ficou empolgadinho com o vídeo. Sai pra lá! – Jensen disse emburrado.

- Você sabe que eu só tenho olhos pra você, meu amor! – Jared o abraçou por trás, mordendo seu pescoço, e o deixando arrepiado.

- Não vem com essa conversa fiada, vá abaixar esses ânimos primeiro. – Jensen disse se afastando – E liga pra Meg. Eu falei pra ela que você já estava aqui, mas ela quer falar com você.

- Ok! Você sabe mesmo jogar um balde de água fria, não é?

Jared se sentou no sofá, ainda bufando, e ligou para Meg...

- Oi Meg.

- Jay! Oh, meu Deus! Que bom ouvir sua voz! Eu fiquei tão preocupada quando o Jensen ligou te procurando, que eu quase arranquei meus cabelos! Nunca mais faz isso, seu cretino! Eu odeio você! – Meg falou quase num fôlego só.

- Meg, só não esquece de respirar, ok? – Jared falou zoando.

- Como você está?

- Bem, eu acho.

- E quando você vai parar de fazer besteiras?

- Sei lá, acho que nunca. Isso deve estar no meu sangue. - Jared brincou.

- Que bom que você mudou de idéia, Jay. Eu sinceramente acho que você e o Jensen foram feitos um para o outro.

- Assim eu espero!

- Posso te contar uma coisa?

- Conta...

- O Sebastian me convidou pra sair.

- Quando?

- Ontem.

- Então vocês já saíram?

- Não, né seu idiota! Ontem a noite eu estava desesperada atrás de você.

- Ah, me desculpe.

- Mas nós vamos sair hoje.

- É engraçado, eu não consigo imaginar vocês dois juntos.

- Ah Jay, você quem não quer ver, porque nós formamos um casal perfeito. Aquele dia lá no apartamento do Jensen, ele me beijou...

- Rapidinho, né? – Jared falou de mau humor.

- Cara, ele beija muito bem, e tem um físico, aff... é muita areia pro meu caminhãozinho...

Jared riu.

- Você acha que eu devo dar pra ele no primeiro encontro?

- O que? É claro que não! – Jared praticamente gritou.

- E se eu não resistir?

- Meg, fecha essas pernas, e toma jeito! - Jared já estava furioso agora.

- Deixa de ser careta, Jay. E você não é meu irmão, pra ficar aí de ciuminho pra cima de mim!

- Ok, então não peça mais a minha opinião!

- Ok!

- Ok!

Ficaram algum tempo em silêncio...

- Jay, você ainda ta aí? – Meg perguntou com a voz melosa.

- Sim.

- Eu ainda te amo, ta? E você continua sendo o meu irmãozinho querido.

- Também te amo Meg! E se cuida, ta?

- Ta bom, beijo!

Jared desligou o telefone bufando...

- Que papo é esse de mandar ela fechar as pernas? – Jensen perguntou espantado.

Jared caiu na gargalhada...

- Ela é minha irmãzinha, Jen! Alguém tem que cuidar dela!

- E que belo exemplo você é, pra dar conselhos pra ela!

- Como assim? O que você quer dizer com isso? - Jared se fez de indignado.

- Você quer dizer que não transa no primeiro encontro?

- Claro que não!

Jensen gargalhou desta vez...

- Você quer enganar quem? Você transou com o Chad no primeiro encontro, comigo também... e isso que eu não sei muito da sua história antes do Jason.

- Caralho, velho! Jogando na minha cara, agora! Eu conhecia o Chad há três anos, e aquilo não foi um encontro, ele se aproveitou de um momento que... bom, que eu andava necessitado. E com você? Quem é que veio aqui no meu apartamento e me agarrou? Esqueceu? Você é muito engraçadinho, Jen!

- Oh, eu adoro quando você fica bravinho. – Jensen apertou suas bochechas.

- Sai! Agora eu que não quero mais saber de você!

- Ah, não? Tudo bem, pode ficar aí bravinho, que eu vou deitar na cama e relaxar um pouquinho. – Jensen disse tirando sua roupa na sala e indo completamente nu até o quarto.

- Ah, seu safado! Até parece que eu vou deixar você relaxar! – Jared falou e correu para o quarto, pulando em cima de Jensen na cama.

- Você tem noção do seu peso? Pra se jogar desse jeito em cima de mim? – Jensen reclamou.

- E você tem noção do quanto é gostoso, quando está assim, peladinho em baixo de mim? – Jared falou, e começou a beijar seu pescoço, e depois foi descendo pelo seu corpo...

Jensen soltou um gemido, e arqueou as costas...

- É por essas e outras que eu amo você! - Falou entre os gemidos.

Jared retirou seu membro da boca para rir alto, por alguns segundos, e depois voltou a abocanhá-lo...

- x -

Na semana seguinte, saíram juntos quase todas as noites, Jensen apresentou Jared a quase todos seus amigos, não dizia diretamente que era seu namorado, apresentava apenas como Jared, mas não disfarçava mais, nem escondia mais nada de ninguém. Não ficavam se agarrando ou se beijando em público, mas pela forma como viviam grudados, pelos sorrisos, olhares e gestos, todos percebiam logo de cara o que estava rolando ali.

Na sexta feira foi a vez de saírem com os amigos de Jared, os da empresa em que trabalhava, que Jensen ainda não conhecia. Chad também foi, mesmo não trabalhando lá, e mais tarde, quando Jensen estava entretido com os outros, Jared aproveitou para matar a curiosidade...

- E então Chad, como foi o seu encontro com o Leo? – Perguntou baixinho.

- Cara, foi demais! Nós estamos meio que... namorando. – Chad ficou vermelho e completamente sem graça ao falar isso.

- E você está gostando dele?

- Eu... acho que sim. E está sendo muito bom porque... Eu já nem acho você mais tão interessante! – Chad falou brincando.

- Magoei agora! – Jared fez bico e deu risadas.

- O que as meninas estão conversando? – Jensen perguntou curioso.

- É que o Chad me trocou por outro. – Jared brincou, deixando Chad sem graça.

- É mesmo? Finalmente uma notícia boa! – Jensen alfinetou.

- Fica frio, Jensen. Afinal se eu quisesse mesmo tirar o Jared de você, eu já teria conseguido. – Chad falou com sarcasmo.

- Você acha mesmo? – Jensen falou, quase querendo pular no pescoço de Chad.

- Claro que não, eu só estava brincando! – Chad ergueu o copo de cerveja, fazendo um brinde.

- O que você acha da gente ir embora, Jen? Você tem que acordar cedo amanhã, não tem? – Jared só queria sair dali, antes que as coisas esquentassem.

- Claro, afinal nós temos coisa melhor pra fazer em casa, não é amor? – Jensen disse olhando com ironia para Chad, e depois dando um selinho em Jared.

Se despediram dos amigos, e quando já estavam no estacionamento, Jared não aguentou...

- O que foi aquilo, Jen?

- O que?

- Então aquele negócio de parecer amiguinho do Chad no outro dia, lá no jogo, era tudo fingimento, não era?

- Olha aqui, eu não tenho nada contra o Chad, desde que ele não fique babando em cima de você.

- Ele não estava fazendo isso, Jen. Ele está até namorando um outro cara.

- Mesmo?

- O que você acha que eu quis dizer, quando falei que ele me trocou por outro, seu idiota? - Jared falou em tom de brincadeira.

- Mas é bom mesmo que ele saiba que você tem dono. – Jensen sorriu sacana.

- Sim, e agora só falta você mijar nos pneus do carro dele, pra marcar o território.

Jensen deu gargalhada.

- Ok, eu me excedi, será que você pode me desculpar? – Jensen falou já dentro do carro.

- Você vai pedir de joelhos? – Jared sorriu malicioso.

- Quantas vezes você quiser.

- Opa! Então está perdoado! Agora vamos logo pra casa, senão você vai ter que fazer isso aqui no carro mesmo...

- x -

Jared agora se consultava com Sebastian somente a cada quinze dias, inclusive a sua medicação já tinha diminuído a dosagem, mas sem previsão para largar de uma vez, seu amado psiquiatra tinha deixado isto bem claro.

Na segunda feira, depois do trabalho, foi ao consultório de Sebastian, com cara de poucos amigos.

- Olá Jared! Tudo bem com você? - Sebastian o cumprimentou.

- Não, nada bem. – Jared se jogou no divã bufando.

- O que está pegando?

- Você nem imagina?

- Não é por... por causa da Meg, é?

- Você sabe que ela é como uma irmã pra mim, não sabe?

- Eu imaginava...

- E o que você está fazendo com ela, então?

- Eu... namorando! Ou quase, sei lá... Jared, eu estou gostando dela, ok? Eu gostei do jeito dela... leve, descontraída, verdadeira...

- Aham. E eu não estou gostando nada dessa idéia.

- Pois é! Eu também não gostei nada de ver o meu melhor amigo literalmente de quatro por você, e no entanto eu aceitei, e até dei força!

- Qual é? Você aconselhou ele a me chutar, e eu ouvi!

- Ok, você tem razão, mas eu não sabia o quanto ele já estava apaixonado por você. Depois que vocês terminaram, que eu vi o quanto ele ficou arrasado, e você também. Me desculpe!

- Você é um cretino!

- Sim, eu sou. Mas mesmo assim eu estou gostando demais da Meg, e você querendo ou não, nós vamos continuar a namorar.

- Bom, pelo menos agora eu senti firmeza, antes pensei que você só estava de enrolação.

- E eu que sou o cretino, não é?

Jared deu risadas...

- Ok, agora vamos voltar para o assunto principal.

- Qual?

- Você.

- Que merda!

- Vamos lá, eu quero saber o por que de você ter fugido do Jensen daquele jeito.

- Foi ele quem mandou você especular isso?

- É claro que não, mas eu fiquei... digamos, confuso com a sua atitude. Eu pensei que ficar com o Jensen era a sua prioridade, e aí você o deixa, e tenta fugir daquele jeito? Por que?

- A minha prioridade não é ficar com o Jensen, mas sim fazer ele feliz.

- Hmm. E aí?

- Você acha que se ela tivesse mesmo colocado as fotos nos jornais, a esta hora ele estaria feliz?

- É, você tem razão. Mas você sabe que ele não ia desistir de você. E foi até bom, porque... essa relação escondida que vocês tinham, não estava sendo saudável pra ninguém.

- Mas mesmo assim, isso vai acabar o afetando de certa forma. As notícias se espalham, e tem muita gente preconceituosa. Com certeza ele vai perder vários clientes.

- Mas talvez ganhe outros... Afinal a população gay é bem grande nesta cidade. - Sebastian falou brincando.

Jared riu.

- É, talvez você tenha razão.

- E você, Jared. Ainda pensa muito no Jason?

- Cada vez menos, mas ainda penso.

- E se sente feliz agora?

- Sim, cada vez mais. Eu já não sinto mais aquele vazio aqui dentro. – Jared colocou a mão no peito – Antes, quando o Jensen não estava comigo, eu ainda sentia, era como se sempre estivesse faltando alguma coisa. Agora não mais, eu me sinto completo novamente.

-x-

Quando Jared voltou para casa naquela noite, ou melhor, quando foi ao apartamento de Jensen, este parecia nervoso, incomodado com alguma coisa.

- Aconteceu alguma coisa, amor? – Jared perguntou, estranhando.

- Não, está tudo bem. Como foi a sua consulta?

- Ah, tudo bem. Acho que ele gosta mesmo da Meg, eu não preciso me preocupar.

- E você foi lá pra isso? Eu não acredito... ou melhor, eu acredito sim.

- Pra isso e mais uma dúzia de perguntas básicas dele. Dá pra ver que vocês estudaram juntos, não sei quem é o mais curioso dos dois.

- Jared, eu...

- Jen, desembucha! Eu sei que tem alguma coisa te incomodando, você não me engana!

- Ta, eu... é... Você quer morar comigo?

- O que? – Jared estava bebendo água e se engasgou. Jensen lhe deu uns tapinhas nas costas.

- Jared, é... tudo bem se você não quiser. – Jensen falou sem graça.

- Não, eu... é só que... eu não esperava, eu...

- Eu entendo, Jared, e não quero te pressionar, nós temos todo o tempo do mundo, afinal...

- Eu quero!

- O que?

- É claro que eu quero, Jen! É tudo o que eu sempre quis! – Jared falou emocionado.

- Mesmo? – Jensen também estava com lágrimas nos olhos.

- Eu quero muito. – Jared o abraçou apertado, e o beijou em seguida.

- Meu apartamento, ou seu? – Jensen perguntou quando se separaram.

- É... você se incomoda se for no meu?

- Não, por mim tudo bem.

- Se você fizer questão, eu posso vir pra cá, não tem problema.

- Jare, eu sei o quanto você ama aquele lugar. E pra falar a verdade, eu também aprendi a amar. Aquele apartamento é a sua cara, e esse aqui... Bom, esse é a cara da Daneel. Até pensei em deixar pra ela na separação de bens.

- Até que não é uma má idéia – Jared concordou.

- Jare, você acha que consegue tirar umas férias, quem sabe no mês que vem?

- Eu acho que sim, mas por que?

- Porque tem dois anos que eu não tiro férias, eu pensei que está na hora de descansar um pouquinho, e acho que seria legal viajar com você pra algum lugar, só nós dois, o que você me diz?

- Eu vou adorar, mas você já sabe pra onde quer ir?

- Europa? A gente podia passear por alguns países, e ficar mais tempo onde mais gostar.

- Hmm... E Paris e Amsterdã estão inclusos no pacote?

- Pode ser, se você se comportar direitinho...

- Oba! – Jared sorriu feito uma criança que acaba de ganhar um brinquedo novo.

- x -

Na semana seguinte, Jensen levou suas coisas para o apartamento de Jared, e a única mudança que precisou ser feita foi na biblioteca, onde tiveram que colocar mais estantes, devido a imensa quantidade de livros de psicologia que Jensen possuía.

Também mudaram a decoração da sala e do quarto do casal, por insistência de Jared, que queria de todo o jeito deixar o apartamento com a cara de Jensen.

Tinha ficado perfeito, e Jensen realmente amava aquele lugar. Acordar todos os dias e poder ver o sol nascendo sobre o mar, era privilégio de poucos. A visão da varanda era espetacular, assim como a brisa que vinha do mar, e poder dormir com o barulho das ondas, era algo muito relaxante.

Saíam todas as noites para caminhar na beira da praia, descalços, deixando as ondas molharem seus pés. Corriam, brincavam na areia, caminhavam abraçados... Cada dia, cada momento ao lado de Jensen era especial. E Jared se sentia especial, por ter encontrado o amor verdadeiro pela segunda vez.

Agora não tinham mais o que esconder, suas famílias já estavam de acordo, seus amigos também, e com muita discrição, Jared inclusive acompanhava Jensen nos eventos, estavam sempre juntos, um completando o outro.

Depois de caminharem na praia, voltaram para casa naquela noite, e entraram no apartamento rindo de alguma bobagem que Jared falou...

- Você fica muito fofo, rindo desse jeito, Jen!

- Cara, isso é mesmo muito gay!

- E você já se deu conta de que nós somos gays?

- Só se você, porque eu sou muito macho, ok? - Jensen disse fazendo pose.

Jared deu risadas...

- Você me lembra o Ja... – Jared não terminou a frase, ficando sem graça de repente. – Me desculpe!

- Por que?

- Eu ia falar nele novamente.

- Você não precisa se desculpar por isso, meu amor. Ele foi parte da sua vida, e eu entendo perfeitamente que você lembre, e que pense, ou fale nele. Isso não me incomoda, de verdade.

- Você é incrível, sabia? As vezes eu nem acredito que você é mesmo real.

- Sabe o que eu estava pensando esses dias, enquanto você dormia?

- O que?

- Acho que se não fosse por você, eu ainda estaria casado com a Daneel, levando aquela vidinha mais ou menos, como você mesmo dizia. Depois que eu te conheci, ouvindo você falar do Jason de uma forma tão... profunda, intensa, que dava pra sentir o tamanho do amor que você tinha por ele, foi que eu passei a ficar mais exigente, a questionar se o que eu estava vivendo com ela era mesmo o suficiente pra mim, e se o que eu sentia por ela era mesmo amor.

- Mesmo?

- Sim, e agora ou já há algum tempo atrás, eu vejo que não chegava nem perto de ser amor o que eu sentia, talvez atração, ou então teimosia mesmo, já que eu achava que o casamento devia ser para sempre, sei lá. Eu só sei que você me resgatou de um casamento furado, e de uma vidinha sem graça, e me ensinou o que é amar de verdade.

- Então nós estamos quites, porque foi você quem me fez sentir vontade de viver novamente, e me fez querer recomeçar, me provando que eu poderia amar e ser amado novamente.

- Talvez esse seja o nosso destino, não é? Resgatar um ao outro, e viver felizes para sempre...

- Oh, então você acredita em conto de fadas? – Jared riu... – Será que você é o meu príncipe do cavalo branco?

- Cara, eu estava falando sério, e você vem me zoando?

- Foi mal. Me desculpe!

- Não, não tem desculpas desta vez. Você magoou meus sentimentos. – Jensen fez cara de ofendido, e um biquinho que Jared não resistiu.

- Você sabe o quanto fica beijável, fazendo biquinho desse jeito?

- Eu não estou fazendo biquinho! - Jensen teimou.

- Você não devia me provocar desse jeito...

- E por que não? – Jensen foi se afastando.

- Porque eu posso ser malvado com você. - Jared disse agarrando Jensen pela cintura e o derrubando no tapete da sala, com cuidado, se deitando sobre ele.

Então Jared o beijou de forma extremamente possessiva.

- Malvado? – Jensen perguntou entre os beijos.

- Aham, muito malvado...


FIM

Bom, eu só posso agradecer mais uma vez a todos que leram esta fic, e em especial pelas reviews maravilhosas que me incentivam cada vez mais a continuar escrevendo. Eu simplesmente amo interagir com os leitores, saber o que pensam, inclusive me emociono com algumas reviews, e dou risadas com outras, o que é muito bom, pois torna a coisa toda mais leve e divertida.

Tem alguns leitores que parecem ter bola de cristal, acabam adivinhando certas coisas, outros talvez se decepcionem, esperando algo completamente diferente. Mas este mundo é assim, eu simplesmente crio um universo alternativo e tento dar asas a imaginação, sei que agrado a alguns, e desagrado a outros, mas como dizem, é mesmo impossível agradar a todos.

Esta sem dúvida foi a minha fic mais longa até agora, e o meu suicida doidinho, e o meu terapeuta mais fofo do mundo, foram os personagens que mais amei escrever. Com certeza vou sentir falta, mas por outro lado, como diz a EmptySpaces, dá uma sensação de missão cumprida.

Sei que os dois últimos capítulos ficaram meio clichê, mas eu tinha que dar um final feliz e açucarado para os dois, eles mereciam, afinal.

Em compensação, a próxima fic que vou escrever (que será em parceria com o Thygoo do Nyah), não terá nada de clichê, e será algo completamente diferente do que já escrevi até agora.

Meu muito obrigada a todos pelo carinho e pela força.

Um grande beijo no coração!

Mary.