Capítulo 21

Foi assim que a minha filha colocou a nossa inteira existência a prova. Charlie ouviu aquelas palavras e ficou parado como uma estatua. Olhando de mim para Bella e para Jacob, esperando que alguém falasse alguma coisa plausível. Olhou mais uma vez para Renesmee e balançou a cabeça. Não pode ser! Ele pensou. Então uma variedade de momentos ocorridos passou por sua mente. Desde os telefonemas para Bella na época que ela havia voltado da lua-de-mel e estava com suspeita de uma doença tropical, até a primeira vez que a viu depois da transformação e o conhecimento de sua neta, que crescia absurdamente rápido. Ele estava confuso, isso era perceptível. Mas ele não negava a possibilidade.

Seus olhos pousaram em Jacob, como se ele esperasse que Jake negasse tudo aquilo que ele já tinha quase certeza que não era uma besteira qualquer de Renesmee.

- O quê? Não olha pra mim! – Jacob disse. – Eu não tenho nada haver com isso.

- Jacob! – Renesmee gritou em desaprovação.

- Que é, Nessie? Você realmente espera que eu me meta nisso? – ele perguntou.

- Calem a boca vocês dois! – Bella falou alterada. – Olhem para Charlie!

Com certeza, se eu não soubesse da verdade, eu poderia dizer que Charlie também havia virado um vampiro. Ele estava branco como mármore, e eu podia ouvir o ritmo do seu coração se desestabilizar. E aquilo significava apenas uma coisa. Antes que eu pudesse me adiantar, Charlie caiu no chão segurando o peito, com cara de dor. Era um AVC, eu havia estudado em minhas várias faculdades de medicina. Ate porque no meu caso, era bem mais fácil de perceber, pela minha capacidade de ouvir o ritmo cardíaco.

Bella, assustada, soltou um grito e foi ao socorro do pai. Logo em seguida, eu me coloquei ajoelhado ao lado de Charlie, que se contorcia em dor.

- Deus, Edward! – Bella gritou desesperada, tentando abraçar o pai dela. – O que vamos fazer?

- Primeiro... Jacob! – eu gritei – Jacob, tire Bella de perto dele!

- O que? – ela perguntou – você enlouqueceu? Eu não vou sair daqui de perto do meu pai!

- É pro bem dele, Bella. Agora, saia daqui! – eu gritei novamente, olhando para Jacob, que a tirou pelos braços, sem resistências. – Eu preciso de Carlisle! Renesmee! – eu gritei por minha filha, que estava prestes a chorar do meu lado, achando que tudo aquilo era culpa dela. – Ligue pro seu avô e conte o que aconteceu. Agora! Já!

Ela discou e me passou o telefone, que em menos de nanosegundos foi atendido.

- Sim, Ed. – Carlisle respondeu.

- É o Charlie, Pai. Ele teve um AVC. Você acha sensato leva-lo para o hospital daqui de Forks, ou seria melhor o de Seattle?

- Eu acredito que o de Forks é sensato, mas depende da situação. Leve-o ao de Seattle o mais rápido possível, pois na falta de equipamentos ele vai ter que ser removido para Seattle e pode ser tarde demais.

- Obrigado, Pai! – e eu desliguei. Segurei Charlie, já inconsciente, em meus braços. – Vou ter que leva-lo para o hospital de Seattle. Peguem o carro e me encontrem lá. Vou correndo.

E assim eu disparei com a maior velocidade que eu podia, chegando a Seattle míseros três minutos depois. Bem perto do hospital, peguei um táxi para fingir ter vindo de automóvel e não andando até o hospital. Charlie deu entrada no CTI e foi encaminhado para uma cirurgia de emergência, mas eu tinha consciência de que tudo ia ficar bem. Precisava ficar bem.