Capitulo 30
Se não fosse a situação deplorável em que se encontrava, justamente pela fome, poderia-se dizer que ela era uma das criaturas mais bonitas que eu tinha visto em toda a minha existência. Dona de longos cabelos encaracolados e castanho-escuros, sua pele mais branca e transparente do que qualquer outro vampiro visto por esses olhos, essa mulher com certeza seria digna de disputar um concurso de beleza cm Rosalie, podendo, inclusive, desfrutar de um possível voto de Emmett. Logo que nos aproximamos, ela parecia saber que nós também éramos como ela.
A mulher, assim como nós, não passava por mais de dezenove anos caso perguntássemos a alguém quantos anos ela deveria ter. Ela estava aos pés de uma árvore, de aparência milenar, acorrentada pelo que me parecia ser o único metal que não podíamos quebrar. Era uma liga de aço e ouro, descoberta pelos Volturi, por volta de 1750, auge da revolução industrial, usada por um longo tempo para prender vampiros que mereciam. Eu só não imaginava o que essa menina teria feito para merecer ser trancada em tais correntes. Seria ela uma fugitiva dos Volturi? Tentei ler seus pensamentos. Deixei Bella mais para trás e cheguei perto dela, sozinho.
Ela estava pensando em várias das noites que ela ficou ali sozinha e com sede. E que todos os animais que chegavam perto fugiam e ela ao conseguia se alimentar. Eu fui ver como a corrente estava fechada e descobri que, bem perto do cadeado, tinha uma chavinha dourada. Encostei na menina para poder dar um suporte para seu corpo e aconteceu algo muito estranho. Tudo o que eu ouvia e via no pensamento dela, começou a fazer eco dentro de mim, com um Deja Vu maluco. Ela me olhou assustada e falou:
- Você esta tentando ler os meus pensamentos? – a voz dela era linda, suave. Apesar de estar muito fraca.
Eu a soltei e fiquei perplexo com tudo aquilo. Eu a toquei e o que ela pensava passou pela minha cabeça e pela dela. Nada poderia ser mais estranho que isso. A não ser se ela lesse os meus pensamentos e eu não lesse os dela. Bella se aproximou de mim depois que a tal menina falou.
- Oi, meu nome é Bella. – ela se apresentou. – Você está bem? – Ela ficou parada, olhando de mim para Bella, perplexa.
- Eu... Eu estou mal.... – ela disse, se movimentando. Eles podiam me tirar daqui e depois perguntar como eu estou né? Ela pensou, um pouco irritada. Eu peguei a chave e fui abrir o cadeado enquanto ela olhava para Bella e respondia. – Mas, agora ele já esta me tirando daqui. Meu nome é Marine Sophie Lewis. – e quando eu consegui tirá-la, ela caiu em cima de mim. E eu pude ver tudo o que ela tava pensando, assim como ela pode ver o que eu pensava também. Eu realmente queria saber qual era a dela...
Ela olhou bem fundo nos meus olhos, como se tivesse descoberto algo que não devia. E nós nos soltamos. Ela tentou se levantar, mas como conseqüência de sua fraqueza, caiu de novo. Dessa vez foi Bella que a segurou. E então, quando eu tentei ouvir o que ela pensava agora, tudo parecia uma caixa oca, sem som algum.
- Obrigada, Bella. – ela disse, olhando para Bella. – E vocês são vampiros também. Que bom encontra-los.
- Sim, é ótimo, Marine. – Bella respondeu dando um sorriso. – Mas porque você estava acorrentada?
- É... uma longa história... Eu... – e então ela caiu de novo no chão.
- Marine! – eu gritei, segurando-a. – Você precisa de sangue. Bella, procure um animal para ela se alimentar. Ela não se alimenta há meses. – Eu sabia disso porque ela acabava de me mostrar. Acho que ela percebeu o que nós dois poderíamos fazer. Bella confirmou com a cabeça e foi logo caçar.
Eu a coloquei no chão e ela me fitou por alguns segundos antes de pronunciar qualquer coisa. Mas neste mesmo tempo, ela passou algumas cenas que ela tinha visto na minha cabeça, inclusive a frustrada tentativa de uma transa com a Bella, que ela atrapalhou.
- Desculpa por isso... – ela disse. – Vocês são companheiros?
- Ah, ok. – eu respondi. – Na verdade, nós somos casados.
- Ah, sim... – ela disse, olhando para baixo. – Você tem uma aparência tão jovem e já é casado. Que desperdício!
- Como você conseguiu fazer aquilo? – eu disse, querendo cortar o assunto.
- Ah, o que? O negocio de desfrutar do seu poder? – eu não sabia onde ela queria chegar. – Aquilo é algo que eu faço normalmente. Sou um tipo único de vampira com habilidades especiais. Eu sou uma mímica de poderes.
