" A Escotilha das 7 mulheres parte II"
Depois de caminhar por uns dez minutos com o bebê James nos braços, subindo uma ladeira, e sem ser interrompida, Kate chegou até uma escotilha abandonada. Resolveu entrar lá para descansar um pouco e se manter escondida até que pudesse voltar e procurar por Jack e Sawyer. Adentrou o lugar mofento e abafado e sentou-se em um canto, respirando forte, estava exausta e seus braços doloridos de tanto carregar o bebê na mesma posição. Ajeitou o menino nos braços, ele ainda chorava muito, os braçinhos e perninhas se debatendo no colo dela.
- Ai James, como eu queria saber a música que seus pais cantam pra você!- lamentou-se ela, sacudindo o pequeno nos braços.
De repente, o barulho de passos se aproximando, deixou seu corpo inteiro tenso, em estado de alerta. Quem seria? Sentiu muito medo! Tinha uma arma, mas como usá-la segurando um bebê? Respirou fundo e apertou o bebê nos braços tentando fazê-lo ficar quieto, mas não adiantava, James estava mesmo de saco cheio daquilo tudo, só queria sua mamadeira e sossego. Os passos começaram a aumentar de intensidade, e o sangue de Kate gelou nas veias ao ouvir a voz familiar do dono dos passos:
- Kate, eu sei que você está aí!- disse Ben Linus, falava a Kate como se falasse a uma criança, o que o tornava ainda mais assustador.
- James, meu amor, fica quietinho, faz isso pela tia Kate, por favor!- sussurrava ela para o pequeno, mas não tinha jeito, James não se acalmava.
Ben logo ouviu o choro do menino e um sorriso maldoso formou-se em seus lábios. Kate sentiu os passos dele se aproximando cada vez mais e entrou em desespero:
- Não James, fica quietinho por favor!
Apertou os olhos e mordeu os lábios, pedindo a Deus interiormente que a protegesse. Tentou pegar a arma no bolso de trás da calça, mas não teve tempo, porque Ben surgiu diante dela como um fantasma, com uma pistola engatilhada para ela.
- Vai ter coragem de me matar? A mim, ao James e o meu bebê?
- Ninguém precisa morrer Kate! Basta você me entregar o James e vir comigo sem resistência que ficará tudo bem!
- Não!- gritou ela, dando um passo para trás. Não notou que Greg e mais dois homens estavam atrás dela. A agarraram de imediato. Ben tomou-lhe o bebê que começou a chorar ainda mais!
- Não, me devolve o bebê! O que você vai fazer com ele?- esperneou Kate, tentando se soltar dos brutamontes que a seguravam.
Ben, como era de se esperar, não lhe deu atenção, apenas ordenou aos seus capangas:
- Levem-na de volta pra jaula, acorrentem e amordacem-na se for preciso, de lá ela não escapa mais!
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Jack, Sawyer e Juliet travavam uma batalha com os Outros para conseguirem escapar. Trocavam tiros, enquanto tentavam se ocultar com a ajuda das árvores da floresta. Mas as coisas estavam ficando difíceis, logo não teriam mais balas. Jack estava muito preocupado com Kate, imaginando se ela não havia sido capturada, vez por outra trocava olhares tensos com Sawyer, que também estava desesperado imaginando se seu filho estaria em apuros. Correram o máximo que puderam, com os Outros em seu encalço até chegarem a um barranco que levava ao litoral, foi quando Juliet avistou o barco Elizabeth.
- Estão vendo? È um barco!- ela exclamou.
- Eu não acredito!- disse Sawyer, alegre. – Deve ser a nossa comitiva de resgate!
- E agora? Temos que buscar a Kate e o seu filho, Sawyer!
- Sim, e eu também tenho que encontrar a Ana, vamos voltar!- concordou Sawyer de imediato.
- Não!- disse Juliet, surpreendendo-os. – Se voltarmos, não iremos mais conseguir chegar ao barco. Eles estão em nosso encalço, logo nos encontrarão!
- Você enlouqueceu?- bradou Jack, nervoso.- Jamais deixarei a Kate aqui! Vamos voltar!
- È isso mesmo, nós vamos voltar! – Se quiser embora, pode ir embora nadando, loira.- falou Sawyer.
- Não, eu irei com vocês, sem a minha ajuda não conseguirão retornar!- disse Juliet, rendendo-se a eles.
Jack deu uma última olhada para o barco aportado ao longe, e saiu andando na frente com Sawyer e Juliet os seguindo. Imaginou que seus amigos tivessem desembarcado e agora estariam procurando por eles. Com uma comitiva, seria muito mais fácil resgatar todos e fugir daquela ilha. Quanto a Juliet, poderiam dar um jeito de livrar-se dela no momento em que fossem embarcar, não a queria no acampamento, definitivamente não confiava nela.
No barco, Charlie ocupava-se de manter as velas preparadas para funcionar quando partissem, enquanto Jin observava a ilha com um binóculo. Foi quando o coreano avistou Jack, Sawyer e Juliet.
- Charlie!- gritou.
O roqueiro voltou sua atenção para ele.
- Vendo Jack, Sawyer, Outros!- falou Jin, apontando para a ilha.
- O quê? Você viu o Jack?- indagou Charlie.
- Jack!- repetiu Jin, junto com várias palavras em coreano, ainda apontando na direção da ilha.
Charlie tomou o binóculo das mãos de Jin e pôs-se a observar ele mesmo. Seus olhos azuis se alargaram ao ver Jack e Sawyer acompanhados de uma mulher loira que ele nunca tinha visto.
- Caramba Jin, é o Jack mesmo! E o Sawyer também, reconheceria aquele cabelo de vassoura de piaçava em qualquer lugar. Mas quem é aquela mulher?
Jin deu de ombros.
- Será que eles não avistaram o nosso barco? Mas passaram tão perto! E por que eles estão subindo o morro de volta? Cara tem uma galera vindo pela floresta para pegá-los!
- E agora, que fazer?- indagou Jin.
- Nós temos armas, mas é óbvio que não acertaremos ninguém da distância em que estamos e nem temos como sair daqui para ajudá-los, o jeito é torcer para que nosso grupo de resgate encontre-os primeiro que esse pessoal aí! Pôxa, e a gente nem tem um celular pra ligar pro Sayid!
- Celular?- questionou Jin.
- Foi uma piada idiota tá? Esquece o que eu falei! Ai minha nossa senhora da ilha mal-assombrada, proteja eles!- exclamou Charlie levantando as mãos para o céu.
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Sun ninava o filho tranqüilamente, rodeada pelas plantinhas de seu jardim, o sol gostoso da manhã tocando sua face quando avistou um grupo de pessoas maltrapilhas, descalças e desgrenhadas que nunca tinha visto, caminhando em direção ao acampamento. Seu coração começou a bater mais forte e ela camuflou-se no meio das plantas para não ser vista. Assim que o grupo passou pelo jardim, Sun correu para dentro da floresta, disposta a pegar um atalho até a praia e avisar ao acampamento da chegada daquelas estranhas pessoas. Corria o máximo que suas pernas podiam agüentar, apertando Jung nos braços, suor frio escorrendo de sua testa, caindo dentro de seus olhos apertados, fazendo-os arderem.
O atalho saiu direto na despensa da praia. Bernard estava lá, tratando alguns peixes que tinha pescado com Hurley para o almoço. Largou a faca que usava para descamá-los quando viu Sun chegar à despensa, saída do meio da floresta, com o rosto muito pálido. Bernard limpou as mãos na própria camisa e se dirigiu à ela:
- Sun, você está bem? Aconteceu alguma coisa?
- Ainda não, mas vai acontecer.- ela respondeu, nervosa. – Tem um bando de pessoas vindo para cá, elas tem uma aparência estranha, nunca as vi.
Bernard arregalou os olhos: - Você tem certeza disso?
- Certeza absoluta, precisamos fazer alguma coisa!
- Vem comigo!- disse ele. – Vamos reunir todo mundo!
Todas as pessoas foram chamadas rapidamente até o centro da praia. Bernard foi logo dizendo: - Um grupo de Outros está vindo pra cá agora mesmo!
Várias exclamações de medo foram ouvidas. A Sra. Lewis levou as mãos ao peito, assustada.
- Não temos tempo para sentir medo agora!- disse Michael, usando muletas por causa do ferimento à bala que sofrera na perna, vários dias antes. – Temos armas, vamos expulsá-los daqui! Mas precisamos que todas as mulheres e crianças se escondam na escotilha, até receberem o aviso de que é seguro sair!
- Pai, eu também quero lutar!- disse Walt.
- Ficou maluco, garoto? Pega o Vincent e vai pra escotilha com as mulheres agora!
Walt fez cara de chateação, mas obedeceu a seu pai.
- Libby!- falou Andrew. – Leve as mulheres para a escotilha.
Libby assentiu com Zack em seu colo. Hurley puxou Emma pela mão:
- Dudes, eu vou com elas para a escotilha.
- Michael!- chamou Libby. – Talvez não seja uma boa idéia você ficar, ainda não está completamente recuperado.
- Não se preocupe comigo, Libby! È melhor levar as mulheres pra escotilha logo!- ele retirou uma pistola do bolso e entregou a ela. – Tome, para a proteção de vocês.
- Tá legal pessoal, façamos como Ana-Lucia nos ensinou! Ela treinou nosso exército, não vamos decepcioná-la!- gritou Craig, engatilhando sua arma.
As mulheres seguiram Libby, se embrenhando na floresta com as crianças, rumo à escotilha. Debbie chorava, assustada, abraçada a Steve:
- Por que você vai ficar?
- È preciso que eu fique, para lutar pelo nosso acampamento, Debbie. È o único jeito de me redimir pelo que fiz a Ana-Lucia, ela não merecia isso e foi o meu erro que gerou toda essa confusão.
- Mas ninguém sabe o que você fez, só eu!- ela choramingou.
- Não importa, eu sei, e isso é o bastante para mim!
- Anda Bernard, vamos logo!- gritou Rose da entrada da floresta.
- Vá você Rose, eu vou ficar e lutar!- bradou Bernard, se armando com uma espingarda.
- Bernard, você enlouqueceu? Não é um soldado, é um dentista!
- Um dentista que vai lutar por nossas vidas!- ele respondeu. – Eu te amo Rose, vá, se esconda na escotilha, nos veremos em breve.
Com o semblante triste, ela desistiu de chamá-lo e se embrenhou na floresta com as outras, pedindo a Deus que protegesse os homens que ficaram para lutar. Como se a situação já não fosse estranha e assustadora demais, uma chuva torrencial começou a cair do nada, escurecendo o caminho á frente em plena luz do dia, dificultando a caminhada, formando enormes poças de lama no chão. As únicas armas que carregavam eram porretes de madeira, com exceção de Libby que possuía uma pistola carregada.
Claire cobriu Aaron com uma manta, tentando protegê-lo da chuva forte, enquanto se desvencilhava das poças de lama. Dana Lewis segurava no braço da filha Isadora, tremendo de medo. Debbie vinha mais atrás, chorando muito, Aline um pouco mais a sua frente, com Nikki. Pedro também decidira ficar e lutar.
De repente, Debbie sentiu seu corpo ser agarrado por mãos que surgiram do nada, deu um grito estridente e se debateu, tentando se soltar das mãos que a agarravam.
- Dude!- exclamou Hurley, pegando Emma no colo. – O que foi isso?
Tiros foram ouvidos, vindos da praia. A situação ficou crítica, metade do grupo atacava os homens na praia e a outra metade emboscou Libby, Hurley, as mulheres e as crianças que fugiam para se esconder na escotilha. Vincent saltou sobre um dos homens que tentava agarrar Walt e mordeu sua perna, salvando seu dono. A partir daí foi uma confusão e uma gritaria geral, as mulheres se defendiam como podiam em meio ao caos de suor, sangue, saliva, chuva e lama. Aquelas pessoas eram fortes, mas não estavam armadas, constatou Libby ao acertar um tiro na cabeça de uma mulher que tentava arrastar Sun e o bebê consigo.
Rose deu uma paulada na cabeça do homem que agarrava Debbie e a salvou. A adolescente correu para os braços dela como um bichinho assustado.
- Vamos! Fiquem todas juntas!- gritou Libby, tentando manter a união do grupo para que chegassem todas vivas à escotilha. Ao longe na praia, a troca de tiros era incessante, elas não faziam a menor idéia de quem ainda estaria vivo por lá.
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- Falha no sistema! Falha no sistema!- dizia uma voz feminina computadorizada, enquanto uma preocupante luz vermelha piscava no contador. Era a única luz que iluminava a escotilha.
Shannon e Tina estavam amarradas em cadeiras da sala do computador, incapazes de se mexer. Não conseguiram ver quem as amarrara, mas de uma coisa tinham certeza, aquelas pessoas haviam quebrado o computador.
- E agora, Shannon?- indagou Tina, nervosa. – Não temos como apertar o botão.
- Nem que tivéssemos como! Você ouviu o barulho, seja lá quem for que esteve aqui destruiu o computador, e ambas sabemos o que vai acontecer em poucos minutos, isso tudo vai explodir e nós vamos morrer.
- Não se eu puder impedir!- falou Tina, movimentando a cadeira em que estava amarrada para frente e para trás.
- O que vai fazer Tina?
Ela não respondeu, continuou balançando a cadeira, até cair com ela ao chão. Forçou as mãos que estavam amarradas e deslizou até o bolso da calça jeans com dificuldade e um pouco de destreza. Retirou uma faca de confecção caseira, bastante afiada e pôs-se a cortar as cordas. Shannon ficou observando aquilo pasma.
- Tinha essa faca no bolso o tempo todo? Onde aprendeu a fazer isso?
- È uma faca que uso para cortar frutas, e quanto ao que estou fazendo, um padre nigeriano me ensinou a fazer uma vez caso eu ficasse numa situação como essa um dia.
- Um padre nigeriano?- estranhou Shannon.
- Exatamente.- respondeu Tina, terminando de soltar suas mãos, logo suas pernas também estavam soltas e ela começou a soltar Shannon.
- E agora Tina? O que vamos fazer em relação ao computador?
- Eu sei o que fazer.- Tina disse, terminando de soltá-la. – Só preciso que você vá embora daqui e corra para o mais longe que puder.
- Como é? O que vai fazer?
- Eu preciso virar a chave eletromagnética Shannon, Desmond me explicou como fazer isso.
- E onde fica essa chave eletromagnética?
- Ai Shannon!- Tina irritou-se. – Chega de perguntas, eu só quero que você saía daqui, agora mesmo!
Shannon fez cara de tristeza:
- Mas e se algo acontecer com você?
Tina a abraçou: - Não se preocupe comigo, agora vá!
Shannon assentiu e se dirigiu para a saída, porém antes de sair completamente, voltou seus olhos para trás, e viu Tina subir numa cadeira e empurrar a tampa de um alçapão no teto da escotilha. Habilmente subiu por ele, e antes de se embrenhar no duto de ar, disse a Shannon:
- Te vejo em outra vida, irmã!
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Kate olhava para um lado e para o outro, pensando em várias formas de escapar dos homens que a arrastavam. Ben Linus havia desaparecido por outro caminho acompanhado pelo terceiro homem, levando o bebê James, e ela o perdera de vista, lamentando intimamente não ter conseguido conservar o bebê consigo. De repente, um ódio sem precedentes começou a tomar conta de seu corpo e Kate adquiriu forças do profundo de seu ser, não iria se render àqueles homens, por isso, num gesto instintivo de sobrevivência, a mesma adrenalina que fluía em suas veias quando se encontrava em situações que a privavam de sua liberdade, ela passou uma rasteira certeira em Greg que caiu, fazendo com que seu companheiro tropeçasse. Foi o suficiente para que Kate debandasse na carreira. Porém Greg conseguiu esticar o braço e segurou na perna dela, fazendo-a cair. Kate mais do que depressa, arrastou-se para frente e balançou a perna, se soltando com esforço da mão dele.
- Greg, seu estúpido!- bradou o outro homem. – Ben vai nos matar se perdermos a vadia de vista.
Eles puseram-se a correr atrás dela, mas definitivamente não tinham como alcançá-la, Kate era leve, graciosa e tinha muito pique, especialmente quando motivada pela raiva e o medo.
- Vamos atirar nela!- disse Greg.
- Ficou maluco, cara, você sabe que ela está prenha, e o Ben quer a criança!- falou o outro homem, grosseiramente, se referindo a Kate como se ela fosse uma vaca.
Enquanto eles discutiam o que fazer com ela, Kate corria para longe, embrenhando-se na floresta, escondendo-se por entre as árvores. Quando percebeu que as vozes deles estavam distantes, se permitiu parar um pouco. Encostou-se em uma árvore respirando entrecortadamente, exausta. O estômago começou a revirar e ela vomitou o pouco que havia comido logo cedo. Assim que o estômago lhe deu uma trégua, ela ergueu os olhos verdes para o horizonte e se deparou com um ser inacreditável diante de si.
-Oh meu Deus!- exclamou, atônita. Era o cavalo negro que vira uma vez, dócil, esperando por um afago dela.
Como se estivesse hipnotizada, Kate se aproximou do cavalo, acariciou sua crina e encostou seu rosto nele. O cavalo relinchou e se afastou dela o suficiente para que pudesse abaixar-se, num gesto claro para que ela o montasse. Kate balançou a cabeça afirmativamente, o que estava acontecendo era muito absurdo, mas ela não estava em condições naquele momento de questionar suas bênçãos por isso montou o cavalo e saiu galopando em disparada rumo ao litoral, disposta a encontrar Jack o mais rápido possível.
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- Kate! Kate!- gritava Jack enquanto caminhavam pela floresta em busca de Kate e do pequeno James.
A cada grito que Jack dava, Juliet ficava mais nervosa, em certo momento o advertiu: - Não deveria estar gritando desse jeito, vai acabar nos entregando de bandeja para eles!
- Eles?- ironizou Jack. – O seu pessoal? Pouco me importo, só quero encontrar a Kate, não devia ter dito para que saísse de perto de mim.
Sawyer deu um suspiro resignado:
- Doutor, detesto fazer isso, mas dessa vez vou concordar com a nossa amiga vira-casaca! Se a sardenta não tivesse corrido naquela hora poderia ter levado um tiro junto com o meu filho, a situação estava crítica lá!
- Eu sei...- retorquiu Jack, mas interrompeu a si mesmo ao escutar o barulho de passos se aproximando.
- Ah não, outra vez?- murmurou Sawyer. – Já estou ficando cansado disso!
- Eu disse a você Jack que eles nos encontrariam!- bradou Juliet.
Tensos, os três prepararam suas armas para se defender, dispostos a lutarem até a última bala por suas vidas.
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Sayid, Locke, Paulo, Desmond e Mr. Eko estavam atentos, carregando suas armas, caminhando a passos curtos pela floresta quando se depararam com Jack, Sawyer e uma mulher desconhecida apontando suas armas para eles. Ao vê-los, Sayid esboçou um sorriso, Jack abaixou sua arma, sorrindo.
- Omar!- exclamou Sawyer abaixando sua arma e abraçando Sayid fraternalmente. – Nunca fiquei tão feliz em ver você!
Sayid riu o abraçando de volta, já estava sentindo falta dos apelidos que Sawyer costumava inventar para ele.
- John!- disse Jack, abraçando Locke calorosamente.
- Hey brothas!- falou Desmond cumprimentando os dois ao mesmo tempo.
Ficaram todos ali trocando cumprimentos depois de muito tempo, ignorando a presença de Juliet, até que Mr. Eko, que não participava da pequena comemoração, pois estava compenetrado demais na missão de tirar seu grupo daquela ilha, indagou:
- Onde estão as moças?
Jack e Sawyer se entreolharam tristes.
- Estamos procurando pela Kate, que está com o bebê do Sawyer, e a Ana...
Sawyer cortou Jack:
- A Ana-Lucia está com eles, nos disseram que morreu, mas eu não acredito nisso.
- Eu também não, brotha!- concordou Desmond.
Os olhares de todos se voltaram para o escocês, mas ele deu de ombros, sem dar maiores explicações.
- E quem é ela?- Eko perguntou, lançando um olhar desconfiado para Juliet.
- Esta é Juliet, alguém que tem nos ajudado!- disse Jack, demonstrando pela primeira vez um pouquinho de confiança na médica.
Locke lançou um olhar curioso a Juliet, então ela era um dos Outros, que aparentemente desertava de seu grupo? Tinha muitas perguntas a fazer sobre isso, porém não teve tempo de fazer nenhuma, pois as pessoas que caçavam Jack, Sawyer e Juliet, finalmente os encontraram. Tom surgiu do meio das árvores, e disse, intimidante:
- Ora, ora, olha só o que eu achei!
Todos sacaram suas armas e apontaram para Tom.
- Podem atirar em mim se quiserem, mas saibam que estão cercados, portanto é melhor baixarem as armas e conversarmos como pessoas civilizadas.
- Pois não existe nenhuma civilidade em você.- bradou Jack.
- Jack, sempre metido à mártir, mas eu disse uma vez a vocês, esta é a nossa ilha, só vivem nela porque nós permitimos. No entanto, nossa paciência está acabando!
O grupo continuava com suas armas estrategicamente apontadas para todas as direções de onde pudesse vir o ataque, formando um círculo, Sayid gostou de ver, Ana-Lucia treinara bem seu exército. Era uma pena que ela não estivesse lá para ver a atuação deles.
- Juliet, você mais do que ninguém sabe qual é o castigo para deserção, não é mesmo?- falou Tom.
Ela nada respondeu. Jack inacreditavelmente respondeu por ela:
- Ela não precisa ter medo, é uma de nós agora e iremos protegê-la!
Tom deu uma risada sarcástica:
- Então você acha que a conhece, Shephard?
- Chega de toda essa conversa mole Zeek, diga onde está Ana-Lucia ou eu vou explodir seus miolos agora mesmo!- falou Sawyer, cheio de moral.
- Sinto muito James, nenhum de vocês aqui está em posição de fazer perguntas e muito menos, ameaças. Podem sair!- Tom ordenou ao seu grupo que se encontrava posicionado em todos os lugares, fechando o cerco contra os sobreviventes.
- Caraca!- exclamou Paulo ao ver que estavam mesmo cercados.
Sayid porém, não se intimidou e deu início ao tiroteio, acertando um homem que tentava se camuflar por entre as árvores. A partir daí, todos começaram a atirar e se proteger dos tiros em abrigos improvisados, como atrás de pedras e árvores. Um homem pôs-se a perseguir Paulo com uma espingarda, ele foi se desvencilhando dos tiros, se embrenhando na mata até que ficou cara a cara com o homem. As balas do sujeito haviam acabado e ele ficou apertando o gatilho, tentando atirar em Paulo, mas não conseguiu. Não contente com isso, o homem partiu pra cima do brasileiro disposto a quebrar-lhe a cara, Paulo tentou atirar nele, mas acabou se atrapalhando, não conseguia fazer a sua espingarda funcionar, por isso disse ao homem antes de cacetear-lhe a cabeça com o corpo de madeira da arma: - Eu sou brasileiro cara, não desisto nunca!
- Vamos brotha!- gritou Desmond para ele, avisando que eles se encaminhavam para o litoral de volta ao barco.
Ele não perdeu tempo e seguiu seus amigos, fugindo da perseguição que continuava implacável. Dois Outros já tinham sido mortos, e o grupo de sobreviventes liderados por Sayid, continuava firme e forte.
- Eu não vou sem a Kate!- bradou Jack, avisando que não subiria no barco enquanto ela não aparecesse.
- Mas Jack, nem sabemos onde ela está!- disse Locke, tentando dissuadi-lo a ir logo com eles, pois a situação estava começando a ficar difícil. Estavam ficando com pouca munição e com certeza perderiam se tivessem que travar um combate corpo a corpo na ilha dos Outros.
- Não importa, John!- falou Jack, determinado.
- Vejam, é a Kate!- gritou Paulo, mal Jack terminou de proferir suas palavras de determinação.
Ela vinha galopando num imenso corcel negro, seus cabelos bagunçados ao vento e por um milésimo de segundo, Jack esqueceu que estava em meio a uma batalha e ficou observando-a, fascinado. Kate trazia no rosto uma expressão tão determinada quanto a dele, e assim que estava próxima a confusão que envolvia a comitiva de sobreviventes, desmontou do cavalo e acariciou sua crina rapidamente, agradecendo o favor que o animal tinha lhe prestado. Em seguida, o cavalo saiu trotando, muito veloz e se embrenhou na floresta, desaparecendo.
- Kate, vá para o bote!- gritou Jack.
Mas ao invés disso, ela sacou sua arma e juntou-se a eles na luta. Sawyer trocou um olhar com ela indagando onde estaria o seu filho, mas ela desviou o olhar, se sentindo culpada por não ter impedido Ben de levá-lo. Foi nesse momento, que algo terrível aconteceu. Preocupado com a presença de Kate no tiroteio, Jack distraiu-se e levou um tiro de Danny Picket, nas costas. Ele nem teve tempo de entender o que estava acontecendo, só ouviu um zunido alto no ouvido e no momento seguinte seu corpo batia ao chão, desfalecido.
- Jaaaaaaaaaaackkkkkkkkkkkkkkkkkk!- gritou Kate, dando um soco bem dado num homem que tentava agarrá-la, saiu atirando e empurrando todos que se colocavam em seu caminho para chegar até Jack.
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A escotilha inteira tremia, todas as coisas de metal que existiam dentro e fora dela se acumulavam ao seu redor. Uma estranha força eletromagnética sugava tudo, sem controle. Shannon assistia aquela cena do lado de fora, pasma, agarrada em uma árvore, esperava ansiosamente que sua amiga Tina saísse de lá com vida.
- Tinaaaaaaaaaa! Onde você está?
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Picket atirou em Jack, mas Juliet atirou nele, embora ninguém tivesse notado. O homem sentiu uma dor aguda em seu peito e tombou morto ao chão logo em seguida. Tom jogou-se sobre ele, tentando ajudá-lo, mas só conseguiu encharcar sua camisa branca de sangue. Olhou para Juliet e gritou:
- Como você foi capaz?
Kate chorava, abraçada ao corpo inerte de Jack. O grupo de Outros havia dispersado quando Danny levou o tiro, a situação tinha ido longe demais e Sayid observou que todos eles pareciam muito assustados, como se a morte daquele homem em que Juliet atirara fosse trazer graves conseqüências a eles.
- Nós precisamos ir logo!- advertiu Juliet. – Eles trarão reforços e não teremos como escapar daqui!
Nesse momento, todos voltaram à realidade, estiveram paralisados diante do corpo de Jack, temendo que seu líder tivesse sucumbido.
- Ela tem razão, precisamos ir!- disse Mr. Eko com pesar, afinal ia voltar para o acampamento sem sua amiga Ana.
Sawyer respirou fundo, também não queria ir porque ia voltar sem Ana e sem seu filho, tinha perdido tudo. Mas precisavam sair dali ou logo estariam todos mortos.
- Vamos então!- falou Sawyer, agachando-se ao lado do corpo de Jack e fazendo menção para que Kate se afastasse dele.
- O que vai fazer, Sawyer?- ela indagou entre lágrimas.
Para a surpresa de todos, Sawyer o suspendeu do chão com muito esforço, e colocou o médico em suas costas.
- Não vamos deixá-lo morrer!- afirmou, se encaminhando para a beira da praia, onde o bote os esperava.
Embarcaram, apertando-se no bote, todos juntos. Kate colocou a cabeça de Jack em seu colo e esfregava o braço dele, nervosa, sussurrando baixinho que ele ficaria bem. Tom gritou da praia:
- Juliet, você fez seu destino, agora não tem mais volta!
A médica baixou a cabeça e ficou em silêncio, como todos dentro do bote. Sawyer olhou para Kate, e indagou angustiado:
- Onde está o meu menino?
- Me desculpe, Sawyer, eles o levaram!- ela respondeu com pesar.
O mar estava agitado, e o bote balançava muito, eles agarravam-se uns aos outros para não caírem. E de repente, como se as coisas não pudessem ficar ainda piores, uma grande explosão em forma de um olho humano formou-se no céu, que de azul adquiriu uma coloração roxa, inundando tudo ao seu redor. Todos começaram a sentir uma grande dor de cabeça, e Kate desequilibrou-se caindo no mar.
- Kate!- gritou Sayid, tentando vê-la em meio à luz forte que os cegava.
Na outra ilha, a situação era a mesma, todos se contorciam de dor tentando se manter em pé em meio ao turbilhão de luz. A mudança no céu acabou servindo para afastar o grupo que os atacava, e eles dispersaram no meio da floresta.
No mar, Kate se debatia, engolindo água salgada, quando sentiu alguém estender-lhe a mão. Instintivamente a pegou, segurando forte, era uma mão pequena e delicada, porém possuía muita força. Kate sentiu ser puxada de volta para o bote, e quando abriu os olhos, que ardiam devido ao contato com a água salgada, vislumbrou o rosto de Juliet, sua mão segurando ainda firme na dela. Juliet a tinha salvado.
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- Está acontecendo, Ben! – disse Bea, sentindo o teto subterrâneo da Hydra tremer.
Mas o terremoto parou de repente, e sem esboçar nenhuma emoção, Ben respondeu:
- Então agora não há mais nada que possamos fazer! Venha Alex!
A menina vinha logo atrás dele, segurando James, que chorava muito em seus braços. Ben o pegou dos braços dela e disse a Alex e Bea: - Fiquem aqui, eu vou entrar sozinho!
As duas obedeceram. Benjamin caminhou por um pequeno corredor estreito com o bebê debatendo-se em seus braços desajeitados que mal sabiam segurá-lo, até uma porta de aço, cuja numeração 2342 que a marcava, reluzia mesmo sob a luz fraca da lâmpada incandescente. Ao vê-lo, um homem que guardava a porta, girou uma pequena chave na maçaneta e abriu para que Ben entrasse.
- Querida, está acordada?- Ben indagou a uma mulher deitada na cama, o único móvel existente dentro daquele quarto mal iluminado.
O bebê ainda chorava, cada vez mais alto. Ao ouvir o choro dele, a mulher levantou da cama de um salto e lançou a Ben um olhar transtornado.
- Eu não disse que ia trazê-lo de volta pra você, querida. Ele está aqui!
- Meu bebê! Meu bebê!- ela repetia sem parar, tremendo muito.
Ben entregou James a ela, que o acalentou em seus braços, extasiada. Estranhamente, uma vez nos braços dela, James parou de chorar.
- Você trouxe o meu bebê de volta...
O menino deu um berro de irritação, apertando os olhinhos, o rosto vermelho.
- O meu filhinho quer mamar? Hã? Mamãe dá! Pronto! Pronto!- ela dizia com a voz mansa, enquanto sentava-se com ele na cama, e desabotoava a blusa branca que vestia.
James pôs-se a mamar no seio dela avidamente, sem objeções. Ben assistia a cena, sorrindo. Em seguida deixou-a sozinha com a criança e saiu do quarto. Ela começou a cantarolar pra ele, a primeira canção que inexplicavelmente lhe veio à cabeça:
"Quiero hablar de ti, de lo que yo te ame..."
LOST
Continua no próximo episódio...
