Episódio 6- "A Marca Escarlate"
Sinopse: Meses se passaram e os sobreviventes retomaram à sua rotina, mas Sawyer não consegue esquecer o que lhe foi tirado e exige que a ilha lhe dê um sinal. Chega a hora de Kate dar à luz, mas ela ainda se sente incapaz de confiar em Juliet. Seria a médica uma espiã ou uma aliada?
Censura: M.
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Um acorde solitário de violão soou na calada da noite, seguido de uma voz masculina doce e agradável, que cantava uma canção num idioma ininteligível para a maioria dos habitantes do acampamento, mas que mesmo assim mantinha a atenção de todos em volta da fogueira para o cantor.
- "Longe de casa, há mais de uma semana, centenas de milhas e milhas do meu amor...Será que ela está me esperando...?"
Kate caminhava pela praia descalça, afundando os pés na areia fria na tentativa de diminuir a dor do inchaço de seus pés. Meses tinham se passado e ela estava no final da gravidez. Na verdade, Jack acreditava que ela poderia ter o bebê à qualquer momento, e não gostava que ela ficasse andando sozinha. Mas Kate, porém, era extremamente teimosa e não dava a mínima para as preocupações dele.
Naquele momento, se dirigia à nova casa de Sawyer no final da praia. Ao longe ela ouvia a voz de Paulo cantando para as pessoas em volta da fogueira, estava fazendo uma noite agradável e ela sentia o vento fresco despenteando levemente seus cabelos compridos.
- Sawyer?- chamou em frente à cerca que protegia os limites da propriedade dele e alguns segundos depois ele veio abrir. Sorriu ao vê-la.
- O doutor sabe que você veio até aqui, sardenta?
- Não tenho que dar satisfações para ele, Jack não manda em mim.- ela respondeu mal-criada alisando a enorme barriga. – O Locke começou um jogo de cartas faz cinco minutos e todos estão esperando você ir jogar para fazerem suas apostas.
Sawyer passou as mãos pelos cabelos, parecia cansado.
- Hoje não vou jogar não, sardenta, acho que vou ficar em casa e ler um pouco.
- Já disse que não deve forçar sua vista à noite, anda, vem ficar com a gente, não quero que fique aqui sozinho o tempo todo.
Ele respirou fundo, não estava com a menor vontade de sair de casa. Aquela era uma das noites em que queria ir dormir cedo e sonhar com Ana, mas sabia que Kate insistia porque se preocupava com ele, porque se sentia culpada por tudo. Resolveu aceitar apenas para não desapontá-la.
- Está bem, vou limpar todo mundo nesse jogo.
Kate riu:
- È assim que se fala!
Eles se juntaram às pessoas que comiam e bebiam ao redor da fogueira, conversando e rindo como se toda aquela situação que estavam vivendo fosse a coisa mais natural do mundo, tinham até um cantor para alegrar suas noites, mas Juliet, no entanto, não gostava quando Paulo emprestava o violão de Charlie e começava a cantar aquelas canções em seu idioma nativo, que ele chamava de "a trilha sonora da ilha deserta". Não conseguia entender o que as tais canções diziam, mas o fato é que ouvi-las de alguma forma a fazia sentir-se triste e quando ele começava a cantar, ela costumava ir sentar-se sozinha, na beira da praia perto das pedras e ficar olhando o mar, lembrando-se de como era sua vida antes de chegar àquela ilha.
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(Flashback)
Juliet estava terminando de arrumar suas coisas para dar um pulo em casa antes do almoço quando um dos enfermeiros da ala de emergência entrou em seu consultório esbaforido.
- Dra. Burke, Dra. Burke!
- O que foi Nathan?- indagou, estranhando a entrada repentina dele.
- Temos uma emergência na sala 15. Uma mulher que levou 4 tiros.
Juliet piscou os olhos azuis:
- Nathan, você sabe muito bem que eu não sou cirurgiã, por que não chamaram o Ethan?
- Porque essa moça que levou o tiro, uma policial em serviço, está grávida e o Dr. Rom precisa que a senhora o auxilie, ele tem esperanças de salvar o bebê dela.
- Oras Nathan, mas por que você não disse logo?- bradou Juliet, largando tudo o que tinha nas mãos em cima da mesa e acompanhando o enfermeiro para a sala de cirurgia n° 15.
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(Fim do Flashback)
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- "Não posso mais viver assim ao seu ladinho, por isso pego o meu radinho de pilha, pra te sintonizar sozinha, numa ilha...sonífera ilha..."
- Paulinho, eu adoro essa música!-exclamou Aline em português.
Dionna torceu o nariz ao ouvir Aline falar:
- Ah, já vão começar a conversar em português só porque ninguém entende!
- Ih Paulo, ela está de tpm hoje!- disse Aline, em português, rindo.
- Com certeza!- concordou Paulo, também em português.
- Querem saber? Eu não tenho paciência pra vocês!- Dionna reclamou, e chamou Debbie: - Não tá a fim de jogar cartas com o Locke, o Hurley e o Sawyer? Eles estão jogando agora.
- O Sawyer está jogando cartas?- perguntou Debbie.
Dionna fez que sim com a cabeça.
- Vamos sim!- concordou Debbie animada. Em seguida fez cara de nojo para Aline e Paulo, dizendo: - Melhor do que ficar escutando a voz desafinada do Paulo cantando a trilha sonora da ilha!
- Você não gosta de ouvi-lo Debbie, porque não entende nada do que ele diz, aliás, ás vezes tenho minhas dúvidas se você entende mesmo o inglês!
- Vamos Debbie!- chamou Dionna antes que Aline conseguisse tirar Debbie do sério.
- Ai, eu não agüento essas duas patricinhas! Que saudade da Tina!- disse Aline, um pouco triste ao se lembrar da amiga desaparecida.
- Ah Aline, não vamos pensar nisso agora, não adianta! Vou cantar outra música tema da ilha pra você, antes que o Charlie venha pedir o violão dele de volta.! Conhece essa aqui? "Vamos fugir, desse lugar, baby!"
Cinco longos meses tinham se passado desde o discurso que Jack proferira na praia e nada de extraordinário ocorrera no acampamento dentro daquele período. Juliet cumprira sua promessa levando remédios e suprimentos da "Caverna" para a praia, a estação porém, continuou deserta e intocada já que era freqüentemente utilizada pelos ursos polares como moradia.
A comunidade havia evoluído, Sayid retomou com Michael, Eko, Sawyer, Pedro e outros a construção das casas de madeira e bambu. Charlie resolveu voltar a participar da construção também, no entanto, dessa vez teve mais cuidado para não quebrar a perna e logo o acampamento ganhou ares de uma vila rústica. Uma casa de bambu foi construída somente para abrigar a cozinha, que continuava comunitária. O lugar onde faziam as refeições permanecia do lado de fora com o enorme guarda-sol, a mesa e o banco de madeira corrido.
Tina não retornara ao acampamento, e chegou o dia em que Mr. Eko resolveu colocar uma cruz de madeira com o seu nome gravado no cemitério da comunidade para que ninguém esquecesse dela. Desmond a princípio fora contra, mas depois de mais de três meses do desaparecimento dela chegou à mesma conclusão que o padre, Tina havia morrido na explosão da escotilha.
Depois do enterro simbólico de Tina, Eko sugeriu que fizessem o mesmo para Ana-Lucia, mas Sawyer não aceitou de maneira nenhuma, e ficava muitíssimo irritado quando algum espírito de porco, como ele costumava se referir, aparecia com essa idéia. E esse era o único momento em que Sawyer tocava no nome dela. Nas outras horas, ele fingia para todo mundo sequer lembrar da existência de Ana-Lucia e de seu filho. Até mesmo de Kate ele escondia sua dor, usando o sarcasmo como mecanismo de proteção.
Depois que terminaram a construção das casas e todos estavam bem acomodados, inclusive Juliet, Sawyer construiu sozinho uma cerca de bambu em volta da sua casa, para que ninguém entrasse e mexesse nas suas coisas. Continuava arrogante e irritante como sempre, fazendo o mínimo pelas pessoas do acampamento, só ajudava quando alguém lhe prometia alguma coisa em troca. A única pessoa por quem ele tinha o mais tenro carinho era Kate e à medida que a gravidez dela prosseguia, esse carinho só aumentava.
Jack sentia muito ciúme, mas geralmente guardava para si, até porque Kate se irritava bastante quando ele reclamava sobre o tempo que ela gastava com Sawyer. Era só ele dizer um "A" sobre o caipira para que ela começasse a dizer que ele era muito ingrato porque Sawyer lhe salvara a vida, e que ela própria gastava seu tempo com ele porque se sentia culpada por não ter impedido Benjamin Linus de levar-lhe o filho. Por causa disso, Jack preferia se manter calado, e no fundo sabia que ela tinha razão. Pensava consigo o quanto a memória dos habitantes da comunidade era curta porque durante aqueles meses esqueceram-se facilmente do motivo pelo qual Sawyer tinha certas atitudes. O homem perdera tudo o que havia conquistado de uma hora para a outra, mulher e filho, portanto era até certo ponto natural que ele agisse daquele jeito. O próprio Jack às vezes se perguntava o que faria se estivesse na situação de Sawyer.
Jack tinha acabado de ajudar Bernard a extrair um dente cariado de uma das pessoas. Estava cansado, precisava dormir, imaginou que Kate estivesse em casa, mas ficou aborrecido ao vê-la no meio do jogo de cartas de Locke, Hurley e Sawyer. Sentiu outra vez o veneno do ciúme ao vê-la rindo e abraçando Sawyer, olhando as cartas que ele tinha na mão.
Caminhou até o grupo, disse boa noite a todos e depois se dirigiu apenas a Kate:
- Estou indo deitar, você na vem?
- Ainda não, eu quero jogar cartas.- respondeu ela.
- Já é tarde Kate, acho que você devia descansar um pouco e eu pensei em cuidar dos seus pés inchados.
Kate olhou para os próprios pés, estavam realmente doloridos, mas ela ainda não estava com sono.
- Obrigada Jack, mas eu vou ficar mais um pouco.
Jack fez cara de contrariado e já ia insistir quando Sawyer disse:
- Kate, o doutor tem razão, melhor ir cuidar dos seus pés. Meu jogo está péssimo hoje e eu não quero que você me veja perdendo.
Hurley riu:
- Ele tá blefando, sempre diz isso pra gente se ferrar no final.
As outras pessoas riram e Jack ficou parado de pé encarando Kate com ar irritado. Mesmo contrariada, ela se apoiou em Sawyer e se levantou, aceitando em seguida a mão que Jack lhe estendia e desejando boa noite a todos.
Andaram de mãos dadas até a casa deles, mas no meio do caminho, Jack disse a ela:
- Típico não é? Você só resolveu vir porque o Sawyer disse.
- Não enche Jack!- ela brigou e largou a mão dele caminhando até a casa sozinha.
Quando entraram, Jack colocou alguns pedaços de lenha na lareira improvisada dentro da casa e esquentou água em uma panela. Kate se sentou no chão e Jack trouxe a panela até perto dela, lavou seus pés e começou a massageá-los. Fazia a tarefa mecanicamente porque estava morrendo de sono.
De olhos fechados e com as mãos sobre o ventre grávido, Kate murmurou baixinho:
- Eu queria que o bebê nascesse logo!
- Hum, o que você disse?- perguntou Jack, bocejando.
- Que eu queria que o bebê nascesse logo, Jack, não agüento mais essa espera. Tem sido mais difícil a cada dia, minhas costas doem, meus pés parecem duas bolas e com todo esse peso extra é difícil caminhar nas dunas de areia e também não posso subir nas árvores. Não sei como a Claire, a Sun e a Ana-Lucia agüentavam, e agora a Libby.
Jack balançou a cabeça levemente: - Elas agüentavam porque não ficavam inventando de fazer essas coisas, você é muito teimosa!
Kate sorriu, Jack estava ficando resmungão, eles pareciam casados há séculos. Jack terminou a massagem, ajudou Kate a ficar de pé e a conduziu ao quarto, deitando-a delicadamente na cama de almofadas do avião e folhas de palmeira e deitou-se ao seu lado, acalentando-a: - Jamais conheci alguém mais teimosa do que você, mas te digo uma coisa amor, quando o bebê nascer vai ter que se aquietar um pouco.
Kate revirou os olhos e sentou-se na cama, escorando as costas na parede de madeira: - Não tenho que me aquietar nada, só preciso que o bebê nasça logo para que eu volte a me sentir muito bem de novo... Ai!- ela exclamou de repente, apertando os braços em volta do ventre.
- O que foi Kate?- perguntou Jack assustado.
- Eu não sei, é uma dor fina na minha barriga! Ai!- ela queixou-se outra vez, fazendo careta.
Os olhos do médico se alargaram e ele ficou extremamente nervoso. Passou as mãos pela cabeça e pensou consigo: "Meu Deus, será que chegou a hora?"
- Kate, tente ficar calma, vai dar tudo certo!- disse ele colocando as mãos instintivamente sobre o ventre dela. – Eu vou chamar a Juliet...
- Você vai o que?- bradou Kate, nervosa.
- Chamar a Juliet. – ele repetiu. – Não posso fazer isso sem a presença dela.
- Como não pode?- Kate gritou. – Você é médico, pelo amor de Deus! Eu que não sou médica fiz o parto da Claire, por que não pode trazer o seu próprio filho ao mundo, Shephard?
- Porque é o meu filho.- Jack justificou-se, agoniado. – Além disso, foi a Juliet que ajudou você a levar a gravidez adiante, ela é a melhor pessoa pra fazer o parto.
- Pois eu não concordo com você! Ai!- ela gritou de novo, mas dessa vez era de dor.
- Não seja teimosa Kate! Agüente firme enquanto eu vou chamar a Juliet, vai dar tudo certo!
- Não Jack! Jaaack!- Kate gritou mais uma vez ao vê-lo sair da casa em direção à praia.
Mordeu os lábios de dor, e começou a lagrimar, com muita raiva. Não queria que aquela mulher pusesse suas mãos nela, sentia que ela queria roubar o seu filho, que só estava esperando por isso para voltar para o lado dos Outros.
- Não, essa mulher não vai roubar o meu filho!- murmurou, tentando se levantar da cama, mesmo com toda a dor que sentia.
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- Pois pode dar meia-volta "Promiscuous Girl".- disse Sawyer a Debbie, embaralhando as cartas do baralho no meio da mesa improvisada. – Aqui só tem lugar para os figurões.
- Que são?- ela indagou com a expressão zangada.
- Eu, o Magayver, o Prato-Fundo e o nosso amigo astronauta aqui!- Sawyer respondeu, apertando a mão de Philip que acabara de chegar para jogar.
- Òtimo, engulam essas cartas então!- reclamou Debbie. – Vamos Dionna!
- Ah não, se a Dionna quiser ela pode jogar!- provocou Sawyer.
- Mas ela não quer!- respondeu Debbie.
- Na verdade eu quero sim, Debbie.- disse Dionna, ansiosa por ficar ao lado de Philip.
- Como quiser!- falou Debbie, mal-criada saindo de perto deles.
- Tá legal, jogo individual, nada de blefes!- começou Sawyer.
- Está dizendo isso por você, né?- disse Philip.
Jack passou correndo por eles como um louco em direção à beira da praia onde estava Juliet, chamando a atenção de todo mundo.
- Hey, mas o que deu no doc?- questionou Sawyer.
Locke ficou em estado de alerta tentando entender o que acontecia. Todos se puseram a observar Jack trocando algumas palavras com Juliet, que pôs-se a segui-lo às pressas em direção à casa dele. Sawyer largou todas as cartas em cima da mesa.
- È a Kate! Não precisam me esperar, podem jogar!
Sawyer saiu correndo atrás de Jack e Juliet, quando se aproximou deles, perguntou: - O que aconteceu?
- A Kate está tendo o bebê.- respondeu Jack.
Kate suava muito quando Juliet entrou no quarto, ao ver a médica, ela fez cara feia. Não tinha conseguido fugir antes que ela chegasse.
- Kate, vai ficar tudo bem. Você só precisa relaxar. De quanto em quanto tempo estão vindo as contrações?
- Muito espaçadas.- respondeu Kate, sem olhar para Juliet. – Na verdade, elas estão diminuindo cada vez mais, o bebê não vai nascer agora.
- Kate, o que está fazendo?- repreendeu Jack.
- Não estou fazendo nada, só estou dizendo que o bebê não vai nascer agora.
Ela viu Sawyer entrar no quarto, e o chamou, estendendo sua mão para ele:
- Sawyer!
- Sardenta!- disse ele, pegando a mão dela e sentando-se na cama.
Jack passou a mão pela cabeça, e apertou os olhos:
- Kate, pare com isso, não haja como criança, se está fazendo alguma coisa para o bebê não nascer, saiba que pode estar prejudicando ele!
- Eu não estou fazendo nada!- ela gritou.
- Deixa ela, doutor!- bradou Sawyer, abraçando-a e acariciando seus cabelos.
- Òtimo, fique aí com o Sawyer!- disse Jack, irritado, deixando o quarto. Juliet o seguiu.
- Jack, não fique nervoso, ela deve estar dizendo a verdade. No fim da gravidez alarmes falsos são comuns.
- Ela é tão teimosa que me irrita!
Juliet tocou o braço dele gentilmente, e disse:
- Se ela sentir mais alguma coisa, não hesite em me chamar. Estarei na minha casa.
Antes que ela se afastasse muito, Jack falou:
- Obrigado.
- Pelo quê?
- Por tudo.- ele respondeu.
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(Flashback)
- Ethan, como ela está?- indagou Juliet entrando na sala de cirurgia 15 para atender a jovem policial.
- Nada bem.- o médico respondeu. – Está grávida de 16 semanas, quase impossível salvar o bebê, mas achei que devíamos tentar.
- Certo!- ela concordou, se preparando para examinar a moça. – Como ela se chama?
- Ana.- Ethan respondeu. – Ana-Lucia.
- Ana.- chamou Juliet.
- Hum...- ela murmurou semi-consciente.
- Vamos tentar salvar o seu bebê!
- Meu bebê...meu bebê...
No entanto, depois de horas de cirurgia, tiveram que retirar o feto, ele havia morrido sufocado no ventre de sua mãe, os tiros que a acertaram pegaram em uma parte muito sensível fazendo-a sangrar bastante, o que deixaria a policial praticamente estéril. Sentindo-se cansada e derrotada, Juliet deixou a sala de cirurgia e correu para o banheiro a tempo de vomitar a última coisa que havia comido, seu estômago se contorcia. Lavou o rosto e olhou a si própria no espelho. Levantou a bata médica e tocou seu ventre, ver aquela mulher tão jovem perder seu filho mexeu com ela, porque também estava grávida.
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(Fim do Flashback)
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Depois que Juliet deixou sua casa, Jack ficou sentado um bom tempo no batente de madeira da porta esfriando sua cabeça, assim que se sentiu mais calmo voltou ao quarto. Encontrou Sawyer ainda conversando com Kate, ela sorria enquanto ele segurava sua mão ternamente. Jack deu um olhar zangado aos dois. Sawyer notou isso de imediato, e soltou a mão de Kate, levantando-se da cama.
- Eu já vou indo, sardenta. Descanse, vai dar tudo certo.
- Sim Sawyer, obrigada por tudo.
- Boa noite doutor, qualquer coisa é só dar um telefonema lá pra casa que eu venho correndo.- gracejou Sawyer.
Jack assentiu com a cabeça e Sawyer deixou o quarto. Assim que ele saiu, ele sentou-se ao lado de Kate e acariciou seu ventre, indagando:
- Como está meu amor?
- Eu estou bem, foi um alarme falso.- ela respondeu doce, colocando suas mãos sobre a dele em seu ventre. Me desculpa Jack, mas é que sinto tanto medo que roubem meu bebê de mim como fizeram com a Ana.
- Kate, isso não vai acontecer. Eu estou aqui com você, cuidando de você e da nossa menininha.
Kate sorriu: - Como sabe que vai ser uma menina?
- Porque eu quero, uma menininha que se pareça com você, cheia de pintinhas pelo corpo, os olhinhos verdes...
- Hum, e se for um menino?
- Vou amá-lo do mesmo jeito porque amo você e estou muito ansioso para ser papai.
Kate envolveu seus braços ao redor do pescoço dele e o beijou. Jack deitou-se com ela, aconchegando-a junto de si e os dois dormiram tranqüilamente.
Em sua casa, Sawyer apertava nas mãos o colar de dente de tigre de Ana-Lucia e chorava baixinho. Havia dias como aquele em que a falta que ela lhe fazia chegava a um nível insuportável, e ter Kate ali tão próxima, e ainda por cima grávida e vulnerável, fazia com que ele desejasse ser mais do que amigo dela. Sentia-se imensamente sozinho, no acampamento havia outras mulheres com quem ele podia se envolver, mulheres bonitas, mas ele não queria nenhuma delas. Desde que caíra nessa ilha seu interesse principal sempre fora Kate, jamais deixara de amá-la, mas ela nunca o correspondeu da mesma forma, sempre amou Jack, e depois que se envolveu com Ana-Lucia, Kate desapareceu de seus pensamentos como num passe de mágica. Mas agora, sozinho outra vez ele se sentia impelido a estar com Kate novamente, embora soubesse que não era o certo.
Apertou os olhos, e enxugou as lágrimas com as costas das mãos, dizendo:
- Por que não consigo te esquecer? Se está morta eu deveria ter esquecido, não queria te amar mais. Mas se não esqueci é porque existe uma razão para isso, onde você está Ana? E nosso filho?
Ele colocou o cordão no bolso e rodeou a casa, na direção da floresta, gritou para dentro da mata:
- Ilha maldita, me mande algum sinal de onde eles estão! Se fizer isso, juro que parto agora mesmo em busca deles!
Depois desse desabafo, passou as mãos pelos cabelos loiros, desapontado, a floresta continuava silenciosa. Virou as costas para a mata quando de repente um calafrio transpassou-lhe o corpo, uma pequena ventania surgiu do nada, espalhando folhas secas. Sawyer voltou-se novamente para trás e viu que uma dessas folhas apontava insistentemente para uma só direção. Sorriu consigo, esse era o seu sinal, a ilha estava lhe dando algo, Locke estava certo. Correu para sua casa e preparou uma mochila com roupas e mantimentos, partiria naquele exato momento.
Quando saía de sua casa encontrou Philip caminhando em direção à despensa. Ele piscou os olhos castanho-claros, para ele, observando-o curioso.
- Para onde está indo Sawyer?
- Não é da tua conta, moleque!- respondeu Sawyer, estava com muita pressa.
- Vai procurar pelo esconderijo dos Outros?- insistiu Philip.
- Garoto, por acaso eu falei grego com você?
- Eu quero ir com você.- disse Philip.
- E por que?- questionou Sawyer.
- Por dois motivos cara, um: andar nessa floresta sozinho é suicídio, dois: descobrir o esconderijo dos Outros significa descobrir como podemos escapar dessa ilha.
- È, são motivos justos!- concordou Sawyer. – Então se quer vir, venha logo, porque eu não fico mais sozinho nesse acampamento nem mais um minuto, vou ter minha família de volta!
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- "Perdi meu amor, no paraíso! Dou tudo o que eu tenho, por um aviso..."- cantava Paulo, baixinho, dedilhando os dedos no violão sentado em frente à sua casa, com Aline ao seu lado.
Ela parecia absorta em algo muito importante, pois olhava fixamente na mesma direção. Paulo notou isso e não resistiu em perguntar:
- Até quando vai ficar sofrendo de amores pelo "brotha"?
- Hã?- ela indagou, distraída. – Do que está falando?
- Aline, minha querida conterrânea, eu sei que você gosta do Desmond há muito tempo.
- Não sei do que está falando.- ela respondeu, tentando disfarçar.
- Eu estou falando somente sobre o que eu vejo. Estamos há algum tempo aqui na frente da minha casa, e você não parou de olhar nenhum minuto para a barraca do Desmond, principalmente porque o cara está lá sentado tomando uísque sozinho porque a Tina desapareceu quando a escotilha explodiu. Por que você não aproveita a oportunidade e vai lá consolá-lo?
- Paulo,que horrível você dizer isso! Não importa se eu gosto dele.- admitiu. – Mas ele está com a Tina, e ela vai voltar, não seria certo...
- Aline, Aline!- disse ele, balançando a cabeça negativamente. – Você sabe muito bem que a possibilidade da Tina voltar é quase nula, Mr. Eko fez até um enterro simbólico para ela. Além do mais, por que está sendo tão leal? Estamos na selva, e a Tina sabia desde o começo, eu tenho certeza, de que você gostava do Desmond e qual foi a primeira coisa que ela fez depois que o Dylan morreu, hã? Se juntou com ele, nem pensou em você.
Aline ponderou por alguns momentos as palavras de Paulo e voltou a olhar para Desmond bebendo, ele parecia muito triste. Ela respirou fundo, e disse a Paulo:
- Quer saber? Eu já esperei demais, eu vou até lá falar com ele.
- Isso, vai fundo!
Ela se levantou e caminhou em direção à casa de Desmond, determinada. Paulo sorriu e resolveu ir devolver o violão de Charlie, já estava morrendo de sono. A casa do roqueiro era ao lado da sua. Deu três batidinhas na porta, Charlie apareceu com cara de sono.
- Valeu pelo violão, amigo!
- Disponha!- disse Charlie, tonto de sono, pegando o violão das mãos dele.
Paulo caminhou de volta para sua casa, mas dois vultos caminhando em direção à floresta lhe chamaram a atenção. Curioso, ele resolveu descobrir quem era e se esgueirou com cautela até a entrada da floresta. Porém, antes que alcançasse as árvores topou com outro corpo que estava indo na mesma direção.
- Ai!- reclamou uma voz feminina.
- Desculpe.- disse Paulo.- a trombada dos dois tinha sido tão forte que caíram no chão. – Por que está indo para a floresta no meio da noite, Nikki?- indagou ele, surpreso ao vê-la.
- Eu vi duas pessoas indo para a floresta e queria saber quem eram, porque ninguém nos diz nada nesse acampamento, imaginei que fosse alguém partindo em mais uma tentativa de nos tirar dessa ilha.
- Eu vim pelo mesmo motivo.- falou Paulo. – Mas se você está esperando que alguém por aqui lhe diga o que vai fazer então é melhor esperar deitada.- ele estendeu a mão ajudando-a se levantar.
- Quem está aí?- os dois ouviram a voz de Sawyer perguntando, em meio à escuridão da floresta.
- Sawyer?- questionou Paulo.
- Não, é o Zé Colméia!- respondeu ele, irritado deixando-se iluminar pela luz do luar, junto com Philip. Os dois carregando mochilas.
- Vocês estão indo para onde?- perguntou Nikki.
- De volta para o futuro!- disse Sawyer, sem muita paciência. – O que parece? Vamos encontrar o esconderijo dos Outros!
- Eu quero ir!- falou Nikki.
- Ah é? E por que Giselle Bundchen?- questionou Sawyer. – O que poderia te interessar lá? Seu namoradinho Peter Parker está aqui no acampamento.
- Eu quero ir porque preciso ir embora dessa ilha e acredito que as únicas pessoas que sabem como fazer isso são os Outros.
- Ah legal! Vocês vão partir em mais uma missão suicida.- disse Paulo. – Já falaram com o Conselho de Elrond sobre isso?
- Eu não dou a mínima pro clube do Bolinha!- falou Sawyer. – Aqui nessa ilha, se você ainda não percebeu é cada um por si e eu vou atrás do que é meu!
- Você vai atrás da Ana-Lucia.- concluiu Paulo.
Sawyer não respondeu, não queria desfazer sua imagem de durão diante de todos. Apenas colocou sua mochila outra vez na costa, e disse:
- Precisamos ir, nossa nave espacial já vai partir!
- Eu já disse que quero ir com vocês.- insistiu Nikki.
- Então venha, Barbie Malibu!- falou Sawyer.
- Eu vou também.- disse Paulo.
Os três voltaram seus olhares para ele, e Philip indagou:
- E qual é o seu motivo?
- Não quero que nada aconteça com a Nikki.- respondeu.
- Então tá, sigam-me os bons!- debochou Sawyer.
- Nikki, você não vai contar ao Pedro que vamos partir?- perguntou Paulo a ela.
- Não devo satisfação nenhuma a ele.- respondeu seguindo Sawyer e Philip para dentro da mata.
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Kate despertou do sono pesado sentindo uma dor insuportável no ventre. Tentou sentar-se na cama, mas seu corpo parecia entorpecido. Passou as mãos pelo rosto, estava muito suada. Olhou para o lado e não viu Jack.
- Jack? Jack?- chamou. – Eu não estou bem, por favor, me ajuda!
Mas ele não respondeu. Ela chamou mais alto:
- Jack!
Nesse momento, viu Juliet entrar no quarto escuro e sentiu muito medo.
- O que você está fazendo aqui? Cadê o Jack?
Juliet nada disse e lançando-lhe um olhar malévolo, puxou Kate pelas pernas e as escancarou. Kate gritou:
- Nãooooo! O que você vai fazer? Para! Jack!Jack!
Num gesto absurdo, Juliet começou a arrancar a criança do ventre de Kate e sangue em grande quantidade manchou os cobertores da cama. Ela chorava desesperada e gritava muito alto.
- Nãoooo! Nãoooo!
- Kate, Kate! Acorde!- pediu Jack, segurando-a forte na cama enquanto ela se debatia, tendo um pesadelo.
Ela abriu os olhos, arregalando-os com uma clara expressão de horror no rosto cheio de lágrimas, ao ver Jack abraçou-o e caiu no choro.
- Oh Jack! Eu estou com tanto medo!
- Medo do quê? Foi só um pesadelo, está tudo bem, eu estou aqui com você.
- Não Jack, eu vi tudo.- ela soluçou. – Aquela mulher estava aqui e arrancou o meu bebê de dentro de mim.
- Kate, isso é impossível!- disse Jack balançando a cabeça negativamente.
- Não Jack, presta atenção! Você lembra o que aconteceu com a Claire? Ela sonhou que alguém iria levá-la quando o bebê estava perto de nascer, e você não acreditou nela. Eu acho que vai acontecer o mesmo comigo. Jack, não deixa, por favor, não deixa!
- Kate, fica calma! Você está tremendo! Não vai acontecer nada, a Juliet não vai te fazer nada, ela não é assim...
- Como você sabe? Ela é um Deles!
- Jack?- chamou Locke, à porta da casa, junto com ele estavam Sayid, Hurley, Libby, Charlie, Jin, Eko, Bernard, Juliet, Desmond, Aline e outras pessoas. Todos preocupados porque ouviram os berros de Kate no meio da noite.
- Está tudo bem, John!- Jack respondeu lá de dentro.
- A Kate está bem?- indagou Sayid.
- Está sim!- afirmou Jack.
- Jack, eu posso entrar para dar uma olhada nela?- sugeriu Juliet.
- Sim, eu acho que você deve.- assentiu Jack.
- Não!- gritou Kate a plenos pulmões. – Essa mulher não vai tocar em mim, não vai!
De repente, ela sentiu uma grande quantidade de líquido inundar suas pernas, seguido de muita dor. Jack arregalou os olhos diante de toda aquela água e sangue que manchava o cobertor branco.
- Kate...-murmurou ele, assustado.
O olhar de Kate era de pânico ao vislumbrar suas pernas cobertas de sangue.
- Jack, o que está acontecendo? Por que tem tanto sangue?- ela indagou, assustada.
- Eu não sei Kate, por favor, preciso chamar a Juliet, você precisa dela!
- Não Jack, eu preciso de você. Por favor, me ajuda!
- O que houve Jack?- perguntou Juliet entrando no quarto.
- Não Jack, tira essa mulher daqui, tira agora mesmo, tira!
- Kate, nós precisamos dela!
Juliet balançou a cabeça negativamente ao ver todo aquele sangue:
- Ela está com hemorragia, o parto precisa ser feito com urgência! Jack ferva água e traga toalhas limpas! Chame também alguém para nos auxiliar no parto.
Ele concordou de imediato e saiu correndo do quarto para providenciar o que ela pedira. Kate ficou olhando furiosamente para Juliet, apesar da enorme dor que sentia.
- Vá embora daqui!- gritou Kate.
- Cale-se Kate!- disse Juliet com um tom firme. – È melhor começar a colaborar ou você e o bebê irão morrer!
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(Flashback)
- È isso aí Alice, manda essa bola pro espaço!
- Vamos lá garota!
- Ela é a melhor, não é Rachel?- dizia Juliet à sua irmã, empolgada com o desempenho da filha na quadra de vôlei. Não parava de tirar fotos.
- Sim, se ela continuar jogando desse jeito vai ser chamada para as próximas olimpíadas.- concordou Rachel, muito orgulhosa da sobrinha.
Alice olhou para a arquibancada e sorriu para a mãe e a tia no momento que ia fazer um saque quando de repente sentiu um líquido viscoso escorrendo por seu nariz em grande quantidade. Instintivamente, passou a mão sobre ele e esta se encharcou de sangue. No momento seguinte sentiu um torpor inevitável nas pernas seguido de um desmaio profundo que a derrubou ao chão.
Apavorada, Juliet desceu correndo as escadas, segurando o ventre grávido de quase nove meses e foi até a filha. Um aglomerado de pessoas já se formava ao redor da menina.
- Saiam eu sou a mãe dela!- bradou Juliet.
- Eu vou ligar para o Richard.- disse Rachel, retirando o celular do bolso.
Uma hora mais tarde, Alice estava internada em estado grave, dormindo a bases de medicamentos muito fortes. Juliet estava sentada no sofá do quarto, a cabeça entre as mãos numa clara expressão de desespero.
- Jules?- disse Richard, entrando no quarto.
- E então, qual é o estado geral dela? E os exames?
- Ela não está nada bem Jules, nada bem.- respondeu ele com o semblante muito triste. – Acho que estamos perdendo a nossa garotinha!
- Pare de dizer isso, não vamos perdê-la! Nem que eu tenha de vender a minha alma!
- Você já vendeu Jules, o problema é quando o diabo vier cobrar!- ele falou apontando para o ventre dela.
- Não seja estúpido, eu fiz isso pela Alice, o bebê pode salvar a vida dela! Não vou perder a minha filha para o câncer!
- Nossa filha! E não se esqueça que eu nunca concordei com isso, você me enganou. Não devia confiar tanto nessa tal de Karen Degroot.
- Eu sei o que eu estou fazendo, agora saia, quero ficar um pouco com a Alice se não se importa.
Ele saiu do quarto e ela se aproximou da cama da filha, e pôs-se a acariciar seus cabelos. Alice mal tinha completado doze anos, Juliet jamais a deixaria morrer.
- Faço qualquer coisa por você filha, qualquer coisa...
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(Fim do Flashback)
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Kate nunca sentira tanto medo em sua vida, nem mesmo quando decidiu assassinar seu pai explodindo a casa com ele dentro. Seu corpo inteiro latejava e ela se contorcia de dor, segurando com força o lençol da cama. Jack estava ao seu lado, cuidando dela, enxugando o suor de sua testa, confortando-a com palavras doces e amorosas de que iria dar tudo certo.
Juliet a despiu e colocou um lençol sobre suas pernas antes de examinar a dilatação. Sorriu ao constatar que tudo corria bem.
- E aí?- Jack indagou ao ver o sorriso dela.
- A dilatação está ótima, o bebê vai nascer logo.
- E o sangue?- questionou ele.
- Uma pequena hemorragia que já estancou.
- Ai, isso dói demais!- reclamou Kate. – Quando vai acabar?
A próxima meia-hora foi terrível para Kate, as dores aumentavam a cada minuto que passava. Juliet dizia que isso era bom, mas tudo o que Kate queria era que acabasse logo. Ficava o tempo todo lembrando de Ana-Lucia, era inevitável não pensar nela naquela hora difícil. Tinha medo que o seu parto se complicasse apesar de ouvir Juliet dizendo que estava dando tudo certo.
- Eu te amo Kate, vai ficar tudo bem...- Jack repetia carinhoso em seu ouvido, dando-lhe conforto.
Quando as dores começaram a ficar insuportáveis e Kate já estava gritando, assombrando as pessoas que esperavam pelo nascimento do bebê do lado de fora, Juliet colocou-se em posição e disse:
- Kate, agora vou precisar muito da sua ajuda, o bebê já está vindo, por isso faça muita força para ele sair logo. Vamos!
Kate respirou fundo e segurou na mão de Jack, que não parava de suar, talvez mais nervoso do que ela.
- Vamos Kate!- bradou Juliet, segurando suas pernas. – Faça força!
Ela começou a fazer toda a força que podia, sentindo seu interior se dilacerando, era definitivamente muito difícil dar à luz, ainda mais ali no meio do mato, sem anestesia.
- Jack ,eu não agüento, não agüento!- dizia ela, chorando sem parar.
- Kate, você consegue, é muito corajosa, sempre foi!
- Kate, mais uma vez, vamos, empurre!
- Ahhhhhhhhhhhhh!- ela gritou fazendo força, e mais sangue escorreu para suas pernas.
Nesse momento, Juliet arregalou os olhos:
- Deus, o bebê não está na posição correta! Isso vai ser difícil!
- O que está acontecendo, Juliet?- indagou Jack, mais do que preocupado.
- Venha ver você mesmo!- disse ela, ainda segurando firme nas coxas de Kate, observando com assombro a tarefa que tinham pela frente.
Kate estava pálida, e sentindo muita dor, seu corpo se esvaía em sangue e nada do bebê nascer.
- Vai ficar tudo bem Kate.- tranqüilizou Jack, soltando a mão dela e indo até Juliet ver com seus próprios olhos em que pé as coisas estavam.
Seu rosto assumiu uma expressão de medo, que não passou desapercebida aos olhos de Kate, nervosa ela questionou gritando:
- O que está acontecendo? Vocês dois estão mentindo pra mim! O que há de errado com o meu filho?
- Kate, fica calma.- pediu Jack, na verdade tentando acalmar a si próprio.
Juliet cochichou com ele:
- O que vamos fazer Jack? Tentar tirar o bebê assim é muito perigoso, mas se não o tirarmos logo, ele e a Kate irão morrer porque a hemorragia só tende a se agravar ainda mais.
- Podíamos tentar uma incisão, como a que eu fiz na Ana-Lucia...
- Podemos tentar, mas ainda assim não será suficiente para colocarmos o bebê na posição correta, o ideal seria fazermos uma cesariana...
- Parem de cochichar!- gritou Kate, se contorcendo de dor. – O que você está fazendo sua desgraçada? Está tentando convencer o Jack de que a minha morte será o melhor?
- Kate, mas o que você está dizendo?- indagou Jack. – Fique calma, por favor!
- Vamos operá-la, não tem outro jeito e que Deus nos ajude!- falou Juliet. – Eu vou esterilizar os instrumentos, volto logo!
- Quer operá-la sem anestesia?- bradou Jack, sem saber o que fazer.
- Jack, senão fizermos algo agora mesmo ela e o seu filho irão morrer, então teremos que tentar salvar um dos dois pelo menos.
- O quê? Juliet, o que você está dizendo?
Ela deixou o quarto para buscar os instrumentos e Kate segurou forte na mão de Jack, tremendo muito.
- Jack...- chamou com dificuldade.
- Sim, Kate?
- Deixem que ela me opere, só quero que salvem o bebê. Não se preocupem comigo.
- Mas o que você está dizendo? Não vou permitir que nada aconteça a você, vai ficar tudo bem!
- Não Jack, pare de dizer isso, você sabe que não vai ficar tudo bem. Eu estou me esvaindo em sangue e se eu for operada aqui sem anestesia e nenhum tipo de remédio para me recuperar, sei que não vou resistir, mas o bebê ainda pode ser salvo e você irá cuidar dele depois que eu me for.
- Kate, pare de dizer isso!- falou Jack, os lábios tremendo antecipando o choro que estava embargando-lhe a garganta.
- Não Jack, você não entende! Olha pra mim! Eu mereço tudo isso que está acontecendo comigo!
- O quê?
- Porque eu sou uma criminosa, uma assassina! E nem 100 anos nessa ilha podem mudar isso! Eu preciso...te contar o que eu fiz.
Mas Jack não queria saber, ele a amava. Estavam tendo uma segunda chance naquela ilha, o resto não importava.
- Eu não quero saber!- disse por fim. – Não me interessa nada do que você tenha feito antes de cairmos aqui, eu já te disse isso uma vez e repito, viver juntos morrer sozinho, eu te amo e nunca vou te deixar.
Nesse momento, Juliet voltou ao quarto, seguida por Sun que tinha um olhar de determinação no rosto.
- Eu vim ajudar.- disse a coreana.
- Juliet?- chamou Jack. – Vamos mesmo ter que operá-la?
- Segundo a Sun, não será preciso. Parece que a amiga de vocês sabe mais do que imaginam sobre trazer crianças ao mundo.
Jack ficou surpreso com aquela revelação, mas nada disse e deixou que Sun os ajudasse, voltando a ficar ao lado de Kate, confortando-a porque ele simplesmente se sentia incapaz de fazer o parto de seu filho, provavelmente desmaiaria antes que tudo acabasse.
- Kate, seu bebê vai nascer, mas vamos precisar muito de sua ajuda, por isso eu te peço que respire fundo e em seguida faça toda a força que puder, pausando e recomeçando tudo de novo.
Kate assentiu em meio à sua dor, a presença de Sun a fazia sentir-se mais segura e ela se esforçou para que tudo acabasse logo.
- Vamos Kate, você consegue!- dizia Sun, dando-lhe apoio.
Continua...
