Episódio 9- "O Mágico de Oz"

Censura: M.

Sinopse: Sayid e Locke finalmente chegam à Vila dos Outros e tudo o que o grande caçador quer é desvendar todos os segredos da ilha nem que para isso precise compactuar com o inimigo.

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John Locke fitou de soslaio o único olho bom de Mikail Bakunin e continuou a íngreme subida pelo tronco da árvore. A aspereza da madeira e os movimentos intensos que ele fazia ao se arrastar pelo tronco machucavam-lhe as coxas e John sentia o cansaço iminente. Mas não conseguia parar a si mesmo.

Olhou para o outro lado da cerca e avistou Danielle Rosseau. A francesa subira rápido pelo tronco dando a impressão de já estar acostumada a fazer aquilo. Tomando isso como incentivo, John Locke respirou fundo e deu um último impulso para concluir a árdua tarefa, pensando consigo que apenas algumas árvores, segundo a francesa, os separavam do verdadeiro acampamento dos Outros. Um acampamento repleto de informações para ele descobrir sobre a Ilha. John era completamente fascinado pela Ilha desde que caíra nela, em sua opinião o lugar era um organismo vivo que respirava e exigia sacrifícios em troca de benefícios.

Do outro lado da cerca, Sayid estava impaciente apontando sua arma para Mikail.

- Anda logo John!- gritou.

Menos de um minuto depois Locke já estava do outro lado com olhar triunfante e munido com sua pistola preparou-se para cobrir Sayid já que era a vez de Mikail atravessar.

- Não tente nenhuma gracinha!- ordenou Sayid em alto e bom som.

- Como esta aqui?- respondeu Bakunin petulante antes de atravessar a cerca de uma vez e cair ao chão do outro lado estribuchando.

De olhos arregalados, Locke não podia acreditar que Mikail Bakunin havia acabado de cometer suicídio. Aproximou-se do homem agonizante junto com Rosseau enquanto Sayid fazia conjecturas do outro lado da cerca. Mikail tremia e babava como um epilético ao mesmo tempo em que uma grande quantidade de sangue escorria de seu nariz, até que ele parou de se mexer totalmente.

- Está morto?- indagou Sayid.

Locke fez que sim e Sayid bateu o pé no chão indignado.

- Droga!

Mas Locke não estava escutando as imprecações de Sayid, por sua cabeça só passava uma única coisa, Mikail Bakunin sabia exatamente o que estava fazendo, a Ilha exigira seu sacrifício e logo o homem morto no chão seria recompensado. Um sinal claro disso se fazia presente ao lado do corpo, uma linda flor de pétalas lilás crescia no mato alto e somente John Locke entendia o que isso significava.

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(Flashback)

- Mamãe! Mamãe!

- Me deixe Jeannie, eu estou ocupada!- bradou a mãe, irritada. A criança nunca lhe deixava, principalmente quando ela tinha tanto serviço doméstico para fazer. Olhou para o filho adotivo sentado no sofá desenhando algo em uma folha de papel. Irritou-se mais ainda:

- John! Eu não te mandei recolher todas as folhas do jardim?

- Sim, mamãe. Me desculpe, eu já estava indo fazer isso.- respondeu o garoto envergonhado, deixando sua folha de papel para trás.

A pequena Jeannie insistiu:

- Mamãe, quero te mostrar uma coisa!- seus olhinhos azuis pediam desesperadamente por atenção.

- Agora não Jeannie, vá brincar um pouco lá fora.- disse a mãe, ríspida preocupada com o enorme cesto de roupas que tinha para passar.

Jeannie finalmente deixou a mãe, embora um pouco triste, mas em sua condição de criança logo esqueceu o infortúnio e pôs-se a brincar no jardim, sozinha. Ao longe seu irmão recolhia as folhas do jardim. Ela gritou para ele:

- John!

O garoto deu um sorriso para ela e voltou a concentrar-se em sua tarefa. Foi quando Jeannie avistou uma flor crescendo no alto de um monte de areia, coberto pelo mato, ao lado de um velho poço desativado, no terreno baldio que ficava colado à sua casa. Era uma flor extraordinária com pétalas lilás, brilhando à luz do sol. Imaginando que poderia dar a bela flor à sua mãe, Jeannie correu até o poço e não hesitou em subir nele. Porém, as perninhas curtinhas não conseguiram escalar o poço com destreza e na tentativa de se equilibrar, a pequena escorregou e caiu de tal forma que seu pescoço se quebrou. A morte foi certa e ela nem teve tempo de gritar.

A manhã passou voando e depois de terminar de recolher as folhas do jardim, John voltou para o seu desenho. Sua mãe terminou todos os seus afazeres, inclusive o almoço. Foi quando se deu conta de que não vira mais a pequena Jeannie desde cedo. Preocupada, ela saiu a procurar a filha acompanhada por John. Não precisou olhar muito porque logo viu a menina caída no chão junto ao velho poço com o pescoço quebrado.

- Jeannie!- seu grito histérico ecoou por toda a vizinhança.

John correu até o corpinho inerte da irmã e seus olhos azuis se encheram de lágrimas. Ele voltou-se para a mãe balançou a cabeça negativamente e a mãe caiu num pranto dolorido e incontrolável.

Seis meses se passaram desde o fatídico acontecimento. A mãe de John já estava a ponto de enlouquecer e todos os vizinhos comentavam. Porém, numa tarde de inverno enquanto ela bordava sentada no sofá um enorme cão entrou pela porta da frente. Um belíssimo animal de pelagem dourada, exibia saúde e graça. John observou do pé da escada sua mãe e o cão se encarando. Por mais incrível que parecesse parecia existir uma conexão entre eles.

E assim foi durante cinco anos. A alegria da mãe de John voltara e o cão inexplicavelmente costumava dormir todas as noites na cama que pertencera à sua irmãzinha Jeannie. Ao final de cinco anos, a mãe de John faleceu de uma pneumonia e o cachorro a acompanhou até o momento em que foi enterrada no túmulo junto a Jeannie. Depois disso, John jamais viu o animal outra vez e no túmulo de sua mãe e irmã inúmeras flores de pétalas lilás cobriram a grama e ele soube naquele momento que nenhum sacrifício era por acaso.

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(Fim do Flashback)

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- Nunca mais!- disse Ana-Lucia olhando o próprio rosto diante do espelho do banheiro. Seus olhos estavam inchados de tanto chorar, mas aquela era a última fraqueza a que se permitiria. Benjamin Linus, aquele homem odioso que dizia ser seu marido nunca mais a tocaria e se arrependeria pelo resto de seus dias por ter cometido tal violência contra ela. Ana-Lucia se lembrara do próprio nome e queria vingança.

- Alex!- chamou do quarto logo depois que saiu do banheiro e se vestiu.

A menina entrou no quarto segurando o pequeno James que assim como sua mãe também estava com os olhinhos vermelhos de tanto chorar.

- Oh meu bebê, não chora, vem aqui com a mamãe.

O bebê esticou os bracinhos para ela e uma vez em seu colo deitou a cabecinha em seu ombro chupando o dedinho. Ana sentou-se na cama com o filho nos braços e olhou muito séria para Alex.

- Você sabe de toda a verdade, sempre soube!- acusou.

Alex sentiu-se desconfortável e reconheceu na "madrasta" um olhar de angústia e raiva que não deixava margem para mentiras, ela finalmente começava a se questionar sobre tudo, principalmente sobre quem era de verdade.

- Sim, eu sei, Ana-Lucia.- admitiu sem rodeios.

- Por que mentiu pra mim? Você confabula com seu pai?

- Não Ana, jamais aprovei o que meu pai fez. Mas não havia nada que eu pudesse fazer até que o Sawyer aparecesse, eu sabia que ele viria atrás de você.

- Sawyer!- ela repetiu o nome, lembrando de que o havia chamado assim quando ele a beijara inconsciente na casa de barco, soava cada vez mais familiar. Seria algum apelido?

- Você ainda não se lembrou de tudo não é? Sabe pelo menos quem é o homem a quem você está escondendo na casa de barco?

- Ele disse que é o pai do meu filho.- ela arriscou, pedindo desesperadamente em seu íntimo que Alex confirmasse sua história.

- Sim, ele é!- respondeu Alex. – Há cinco meses atrás, algumas pessoas de seu grupo foram capturadas pelo meu. James Ford ou "Sawyer" como seu pessoal o conhece conseguiu escapar, mas você não. Meu pai usou você como cobaia de um projeto secreto da Dharma Initiative todo esse tempo. Ele esperava apagar sua memória pouco a pouco para que você esquecesse para sempre quem é e se transformasse em outra pessoa. Cheguei a pensar que ele havia conseguido, mas quando Sawyer apareceu você ficou de um jeito que me fez perceber que não importa o que meu pai faça, o amor que você sente pelo pai de seu filho é capaz de anular tudo o que ele fez para apagar suas lembranças.

Ana-Lucia ponderava cada palavra do que Alex dizia, tentando digerir tudo. Sua cabeça estava um mar de confusão.

- E quanto à contaminação? Por que moramos nesta ilha se não existe contaminação nenhuma no mundo?

- A contaminação existe, mas creio que somente aqui na ilha e ainda é um mistério, até para o meu pai. Eu moro nessa ilha desde que nasci, não sei como minha falecida mãe veio parar aqui, meu pai não gosta de me contar essa história, fica nervoso quando toco no assunto. Mas eu sei como você, Sawyer e todos os outros do seu grupo vieram parar aqui.

- Como?

- Há quase dois anos houve um acidente de avião aqui na ilha. Você estava nele junto com os outros. Um campo eletromagnético puxou a aeronave para a ilha.

- Campo eletromagnético?

- È complicado de explicar assim, mas o que eu quero que você entenda Ana-Lucia, é que você é uma sobrevivente desse vôo por isso está na ilha.

- Não houve nenhuma tentativa para nos resgatar dessa ilha?

- Deve ter havido, mas eles jamais poderiam encontrar essa ilha porque esta não é uma ilha comum. Aqui existe uma espécie de magnetismo raro.

- E é possível se comunicar com o mundo exterior nessa ilha ou esse magnetismo impede?

- Não entendo muito sobre isso, mas sei que desde que houve a explosão de uma Escotilha meses atrás que ficava próxima ao seu acampamento e que controlava boa parte do magnetismo na ilha começamos a ter dificuldade de comunicação com o mundo exterior, mas acredito que o meu pai saiba a razão.

Nesse momento, James começou a se irritar no colo da mãe e esfregou o rostinho nos seios dela, querendo mamar. Sem tirar os olhos de Alex, Ana-Lucia abriu os botões da blusa e deixou que o pequeno mamasse à vontade.

- Sei que está com muitas dúvidas agora e que gostaria de tê-las respondida o mais rápido possível, mas lhe digo uma coisa.- falou Alex. – Nesse momento, é melhor você se ater ao fato de que o pai do seu filho está escondido em nossa Vila e que o meu pao pode descobrir isso mais cedo ou mais tarde. Você precisa fugir daqui com ele assim que estiver totalmente recuperado.

Ana-Lucia baixou os olhos para o pequeno James e acariciou seus cabelinhos loiros. O menino sugava avidamente um dos seios dela, enquanto fazia carinhos instintivos no outro seio, puxando o mamilo. Fazia todo o sentido que ele fosse filho do belo quem escondia na casa de barco, por que não notara antes a enorme semelhança que existe entre eles? Isso sem falar na inquietude de seu coração desde que o encontrara na horta, quase desmaiando.

- Só tem mais uma coisa que eu preciso saber nesse momento Alex.

- O quê?

- Você confirmou pra mim que o James é o pai do meu bebê e disse que o amor que sinto por ele foi o que fez com que eu começasse a me lembrar de quem sou.

- Sim.- respondeu Alex, atenta à pergunta que se formava.

- O que eu quero saber realmente é qual é a minha relação com James Ford? Tudo bem, ele é o pai do meu filho, mas não consigo recordar nada sobre ele antes dessa ilha. Alguns flashes me vem à cabeça, mas todos na ilha. Somos casados, amantes ou namorados? Estávamos viajando juntos no avião? Tinha mais alguém da minha família comigo? Minha mãe?

- Não, você estava viajando sozinha e em relação a você e Sawyer tudo o que eu sei, isso porque ouvi meu pai comentando com Tom uma vez é que se conheceram aqui na ilha.

Ana alargou os olhos, seu bebê tinha cinco meses, se Sawyer era o pai de seu filho e eles se conheceram na ilha significava que...

- Alex, há quanto tempo meu grupo está nessa ilha?- ela indagou, dando vazão ao seus pensamentos.

- Quase dois anos.- respondeu Alex.

- Meu Deus!- exclamou Ana-Lucia. – Então desistiram de nos procurar, pensam que estamos mortos?

Alex não respondeu e Ana disse:

- Minha cabeça está uma confusão agora, mas acho que nunca me senti tão feliz desde que acordei naquele quarto de hospital quando seu pai começou a mentir pra mim.Mesmo estando presa nessa ilha sem chances de resgate, só o fato de saber que existe alguém que me ama e que vai me resgatar daqui desse lugar e por quem vale a pena continuar...- uma lágrima involuntária rolou dos olhos dela.

Alex tocou carinhosamente uma mecha dos cabelos negros dela e disse:

- Vou sentir muito a sua falta quando for embora, gostei muito de conviver com você esses meses, me senti menos sozinha. Mas quero que você seja feliz, por isso na primeira oportunidade vá embora com o Sawyer e seu filho, farei o que estiver ao meu alcance para ajudá-los.

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Bernard dormia sob o efeito de fortes analgésicos quando Jack terminou de pontear o ferimento a faca no abdômen dele. Passou as mãos pela cabeça, exausto, pensando consigo que momentos de paz na comunidade eram realmente raros, vira e mexe ele tinha um abacaxi do tamanho do mundo para resolver. Mal podia aproveitar o tempo para ficar ao lado de Kate e da pequena Lilly.

Arrumou algumas bandagens ensangüentadas para jogar fora quando Mr. Eko entrou na enfermaria seguido por Rose que trazia nas mãos um prato de caldo de carne fumegante.

- Rose, Bernard ainda não pode comer.

- Mas isso não é pro Bernard, é pra você Jack. Não o vi se alimentar desde a hora em que o Bernard foi ferido e a Kate disse que você não comeu nada desde que acordou.

- Ok.- respondeu Jack, resignado tirando o prato de caldo das mãos dela. Olhou para Mr. Eko antes de sair da enfermaria. – Quero falar com você depois sobre o que vamos fazer a respeito de Steve e Dionna.

Mr. Eko assentiu silenciosamente. Jack foi comer na cozinha livre da praia e encontrou Kate embalando Lilly nos braços, sentada em cima da mesa.

- E o Bernard?- ela indagou.

- Ele vai ficar bem, foi só um susto.- ele começou a comer. – Então foi você quem me entregou pra Rose dizendo que eu ainda não tinha comido?

- Não reclame, eu poderia ter dito a Sra. Lewis, daí a inquisição seria maior e te obrigariam a comer um porco inteiro.

Jack riu.

- Não ri não, passa logo esse caldo pra cá que estou morrendo de fome.

Ele encheu uma colher e deu na boca de Kate. Jack ficou brincando de fazer aviãozinho com ela, dando várias colheradas de sopa quando uma coisa chamou a atenção de Kate.

- Você viu isso?- indagou ela, ajeitando a nenê em seu colo.

- Isso o quê?- questionou Jack franzindo o cenho.

- Tem algo no céu. Pegue a Lilly, eu vou ver o que é.

Ela colocou a menina rapidamente no colo dele e saiu correndo em direção ao mar como que se tivesse sido atraída por algo.

- Kate!- Jack chamou. – Kate!

Ele odiava a mania que Kate tinha em sair correndo quando acontecia algo. Parecia-lhe muita imprudência da parte dela avistar o perigo e correr na direção dele sem ter a mínima idéia do que se tratava.

Preocupado com ela, ele não teve escolha e a seguiu correndo ainda com a filha nos braços.

- Kate!- chamou mais uma vez vendo-a correr para a beira da praia, até que a alcançou.

Os olhos dela demonstravam espanto.

- Kate, eu não vejo nada de diferente no céu.- comentou Jack embalando Lilly no colo porque a pequena começara a chorar. Ela havia se assustado quando ele começou a correr.

- No céu não mais.- disse Kate. – Mas tem alguém se afogando na água, Jack.

Jack acompanhou o olhar de Kate e viu claramente uma pessoa se afogando na água. Seus olhos se alargaram e num instinto ele entregou Lilly a Kate, tirou a camisa, os sapatos e se jogou no mar.

Kate ficou apreensiva observando Jack ir atrás da pessoa que se afogava, ela queria poder ajudá-lo mas estava com a filha nos braços e nada podia fazer além de chamar ajuda. Avistou Charlie e Craig um pouco mais acima na praia e gritou:

- Charlie, Craig, ajudem o Jack! Tem alguém se afogando no mar!

Rapidamente, Charlie e Craig correram para a água e foram ajudar Jack. Minutos depois os três voltavam com uma mulher desmaiada nos braços. Uma multidão começou a se formar na beira da praia. Quem seria aquela mulher?

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A tarde passou depressa e Ana-Lucia não agüentava mais a ansiedade para retornar ao depósito de ferramentas e encontrar com Sawyer. Ben havia lhe dito que estaria ausente por muito tempo e que talvez nem voltasse no mesmo dia para casa e ela aproveitou para ir levar mais comida para Sawyer. Procurou Alex para que ficasse com James, mas ela não estava. Olhou para o pequeno brincando com seus bichinhos no cercadinho e resolveu que deveria levá-lo para ver o pai, seu verdadeiro pai.

Entusiasmada, Ana vestiu-o com um macacãozinho jeans,um boné e tênis. Pegou uma sacola colocou algumas coisas para ele como fraldas, uma mamadeira com água e brinquedos e pôs o filho no carrinho enquanto buscava comida na cozinha para Sawyer. Já estava saindo de casa quando encontrou Cindy no jardim.

- Aonde vai com tanta pressa amiga, pode me dizer?

- Estou levando o James para dar uma volta.

- Então vou com você, precisamos conversar. Benjamin me pediu para falar-lhe.

- Falar comigo sobre o quê?- questionou Ana, impaciente.

- Bem, ele disse que vocês brigaram de novo e que você poderia precisar de uma amiga…

- Cindy, querida, agradeço o seu interesse, mas não quero falar sobre isso agora, só quero dar uma volta a sós com o meu filho, seria possível?

- Tudo bem.- Cindy não insistiu diante da rispidez dela, estava surpresa, Suzane nunca a tratara assim. – Então está bem amiga, nos falamos depois.

Ana-Lucia esboçou um falso sorriso e saiu caminhando, empurrando o carrinho do filho. Pegou um atalho até o depósito de ferramentas através do pomar principal que abastecia a vila e finalmente chegou lá, constatando que não havia sido seguida. Sabia que não poderia demorar muito, se fizesse isso provavelmente Cindy ou qualquer outra pessoa contaria a Ben que ela não quisera companhia para passear aquela tarde.

Tirou a chave do cadeado do depósito do bolso da jardineira jeans que vestia e destrancou a porta. Entrou e rapidamente fechou a porta atrás de si. Sawyer estava deitado no chão, enrolado no cobertor. Ergueu-se rapidamente quando a viu e seus olhos brilharam ao ver o pequeno James no carrinho.

- James?

Ana-Lucia tirou o filho do carrinho e caminhou até Sawyer com o bebê nos braços. Ele estendeu os braços na direção dela e ela lhe entregou o menino sem hesitar. James arregalou os olhos para o pai como se o estivesse examinando. Sawyer o segurou com braços trêmulos, emocionado ao poder carregar seu filho outra vez.

- E aí moleque? Papai sentiu muitas saudades de você.

James continuou encarando o pai. Ana-Lucia pensou que ele fosse chorar, mas o menino não chorou. Ao invés disso, esticou sua mãozinha gordinha e tocou o nariz de Sawyer com curiosidade.

- È o papai, bebê. Seu pai.- disse Ana-Lucia, pela primeira vez em tempos muito certa do que dizia.

Sawyer abraçou o menino junto ao peito e estendeu o braço esquerdo para acolher Ana-Lucia também. Sentiu-a trêmula em seus braços e indagou:

- Há algo errado, Lulu?

Ela não respondeu, mas ele insistiu.

- Eu vi quando aquele desgraçado do Ben arrastou você daqui hoje mais cedo. Ele a machucou? Ana, se ele fez alguma coisa com você, juro que eu...

- Ele não fez nada, apenas gritou comigo e me mandou estar em casa quando ele voltar.- Ana-Lucia mentiu, de alguma forma sentia-se humilhada e envergonhada demais para contar ao pai de seu filho que Benjamin Linus a violentara, e que costumava abusar dela há pelo menos cinco meses usando a mentira de que eram casados.

- Tem certeza?

- Sim.- respondeu ela, beijando-lhe a boca, Sawyer a beijou de volta e Ana disse:

- Precisamos deixar esse lugar! Mas não quero fugir daqui de qualquer jeito, Benjamin Linus precisa pagar por suas mentiras, por ter apagado minha memória, por ter me afastado de você todo esse tempo...

- Sim.- Sawyer concordou.

- Preciso ir agora. Mas voltarei à noite.

- Como sairá sem ele perceber?

- Não se preocupe com isso, eu estarei aqui.- respondeu ela, pegando o bebê com cuidado dos braços dele. – Diz tchau pro papai, James.- ela balançou a mãozinha do menino no ar e Sawyer sorriu acenando para o filho. – Vejo você à noite, cowboy.- o apelido carinhoso saiu espontaneamente e o coração de Sawyer acelerou, estava começando a reconhecer sua Ana outra vez.

- Mal posso esperar!- respondeu ele, sedutor.

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- Obrigado por me manter informado, Cindy- disse Benjamin Linus no rádio.

- Só estou fazendo a minha parte Ben.- respondeu Cindy. – Ela me disse que queria dar uma volta com o bebê, não aceitou a minha companhia e depois sumiu. Mas acredito que ela deve voltar logo, vou ficar esperando por ela aqui na sua casa.

Benjamin ficou em silêncio, pensando no que fazer. Aquilo era muito ruim, ruim não, era péssimo. Ana-Lucia, sua cobaia perfeita para o projeto 2342, que ele tão cuidadosamente escolhera por ser uma pessoa emocionalmente perturbada estava começando a se lembrar de sua antiga vida, portanto estava começando a ficar imune às drogas injetáveis que ele lhe administrava para mantê-la sob seu controle.

A única solução seria aumentar a dose do medicamento e se seu corpo não agüentasse, não carregaria a culpa pela morte dela, afinal, Ana-Lucia já deveria estar morta em virtude do acidente de avião. Não falharia com o projeto, não quando esperou por tanto tempo por essa chance que se ela escondia algo dele era porque estava recobrando sua memória e se estava recobrando sua memória era porque o projeto 2342, o projeto que ele Karen Degroot lhe concedera.

- Continue vigiando-a Cindy e me mantenha informado. Quando ela chegar em casa fique com ela até eu chegar, se ela está tentando me enganar eu logo descobrirei.

- Sim, Ben!- respondeu Cindy, se comportando como um soldado.

- E só mais uma coisa Cindy.

- Sim?

- Se Suzane está me enganando acha que Alex tem tomado partido nisso?

- Não posso afirmar, mas Alex é sua filha, sabe como ela gosta de bancar a rebelde.

- Certo, como eu disse me mantenha informado sobre os passos de Suzane, devo estar retornando de noite para a Vila.

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A mulher cuspiu muita água quando Jack depois de várias tentativas fazendo respiração boca a boca e massagem cardíaca conseguiu trazê-la de volta à vida em mais um de seus feitos heróicos. As pessoas aglomeradas em torno do médico e da mulher misteriosa deitada no chão começaram a aplaudir Jack e ele agradeceu fazendo um sinal para que parassem e em seguida pediu que se afastassem, pois a mulher precisava de espaço.

Ela fitava um ponto qualquer no céu com seus imensos olhos verdes quando Jack tocou sua testa gentilmente e indagou:

- Quem é você? De onde veio?

Kate encarou o rosto da desconhecida e seus olhos se alargaram quando a reconheceu:

- Oh meu Deus, é você Cassidy?

A mulher piscou os olhos, confusa, e disse:

- Onde eu estou? Quem são vocês?

Ela começou a se exaltar e Jack tentou acalmá-la.

- Fique calma, está tudo bem, você estava se afogando e nós a salvamos.

Kate olhava para a mulher, incrédula. Não podia acreditar que era Cassidy Philips quem estava ali.

- Eu não me lembro de nada.- disse a mulher. – Eu estava no meu carro, dirigindo na estrada com a minha filha, estávamos voltando para Albuquerque mas aí de repente estou aqui e...

De súbito ela parou de falar se dando conta da presença de outras pessoas ao seu redor. De pé, olhando para ela estava um homem negro, alto e forte com uma aparência rústica segurando um bastão, ao lado dele outro homem, mas baixo, também negro, barbado e de cabelo black power, o outro homem ao lado deles era oriental, e uma mulher também oriental estava ao lado dele segurando um bebê. Mas a pessoa que viu ao lado dessa mulher foi a que a deixou mais surpresa.

- Kate...- murmurou vendo a própria, de pé olhando para ela e assim como a mulher oriental, também segurava um bebê, só que um bebê mais novo, recém-nascido. – Eu não posso acreditar!- conseguiu dizer e com a ajuda de Jack ergueu-se do chão.

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Ódio percorreu o corpo inteiro de Ana-Lucia quando Benjamin Linus chegou em casa à noite. No entanto, quando ele se aproximou dela na cozinha e a abraçou por trás, beijando-lhe o pescoço, ela lhe sorriu e indagou:

- Por que demorou tanto? Fiz sua sopa preferida para o jantar, querido.

Benjamin ergueu uma sobrancelha, sua cobaia parecia feliz e tranqüila, ao contrário do que ocorrera de manhã. Oscilações de humor constante seriam parte dos efeitos colaterais da medicação à essa altura do tratamento?

- Fico feliz que esteja de tão bom humor, querida.- arriscou ele.

Ana fez cara de culpa:

- Me desculpe querido por tudo de ruim que eu te disse hoje de manhã, eu não estava bem e sei que sou a única culpada por você ter se aborrecido comigo.

Os olhos dele brilharam e ele sorriu genuinamente, tomando as mãos dela entre as suas:

- Se de hoje em diante voltar a ser uma boa menina só terá a ganhar com isso, Suzane.

Ela sorriu de volta e o beijou levemente nos lábios.

- Obrigada por ter mandado Cindy me fazer companhia hoje, ela estava aqui quando eu retornei do passeio com o bebê.

- Oh sim, de nada querida. Sei o quanto gosta da Cindy.

Ana-Lucia serviu o jantar e Benjamin comeu com gosto a sopa de ervilha e cenoura, sua favorita. Depois, eles foram para a sala e Ana retirou-lhe as botas sujas de lama, aconchegando-se a ele no sofá em seguida como uma esposa obediente. Benjamin estava tão feliz que finalmente contou a Alex onde Karl estava escondido e autorizou à filha que fosse vê-lo aquela noite. Tudo estava perfeito em seu lar, então por que deveria se preocupar?

Entretanto, alguns minutos depois assistindo a TV com sua esposa, Benjamin Linus caiu em sono profundo e seu ronco ressoava pelas paredes da sala, como o ronco do gigante malvado na fábula de "João e o Pé de feijão". Alex retornou à casa seguida por Karl, que abraçava a namorada, feliz por tê-la junto de si novamente. Ao vê-los, Ana-Lucia sorriu:

- È bom vê-los juntos.

- Se não fosse por você...- começou a dizer Alex, mas Ana a interrompeu.

- Não, você tem me ajudado muito, obrigada por me conseguir os tranqüilizantes.- ela fitou Benjamin adormecido no sofá.

- Você deve ir logo.- avisou Alex. – O efeito passa em algumas horas. Nós tomaremos conta do James.

Ana assentiu e entrou no quarto indo direto para frente do espelho, examinando-se. Por sorte, a última violência de Ben cometida contra ela não deixara marcas, portanto, Sawyer não perceberia. Arrumou os cabelos e passou um pouco de batom nos lábios, sabia que era um desejo tolo enfeitar-se, mas queria estar bonita para o seu homem, o homem a quem de fato seu coração pertencia.

Queria estar com ele àquela noite, entregar-se e esquecer todas as experiências ruins que tivera com Linus nos últimos cinco meses.

Deixou a casa, como sempre tendo o cuidado de observar se não estava sendo seguida por algum dos sentinelas de Benjamin. Conseguiu chegar à casa de barco sem problemas, destrancou a porta e encontrou Sawyer quieto, os olhos azuis brilhando na escuridão.

- Eu trouxe comida pra você.- disse ela, entregando a ele uma vasilha com hambúrguer e batata-frita que ela preparara especialmente para ele.

Sawyer comeu rapidamente, estava mais interessado na companhia de Ana do que na comida. Depois de tomar alguns goles de água de uma garrafa que ela também tinha trazido, disse a Ana:

- Vem cá!

Ana-Lucia sentou-se ao lado dele e sua respiração tornou-se mais rápida, estivera ansiosa o dia inteiro para ficar a sós com ele outra vez agora que já sabia da verdade.

Sawyer tocou-lhe a face, e envolveu-lhe o rosto em um beijo terno que foi aumentando de intensidade aos poucos. A língua ousou movimentos mais intensos dentro da boca de sua amada e ele sentiu que ela não parecia nenhum um pouco hesitante a um contato mais íntimo, e ele já não a tocava havia cinco meses. A queria desesperadamente naquela noite.

- Sinto falta do seu cheiro, do seu corpo, do seu gosto...- ele murmurou.

Ana-Lucia sentiu as pernas bambas e no momento seguinte estava deitada no chão, envolvida pela redoma do corpo masculino, as pernas fortes misturadas com as dela.

- Precisamos agir logo!- disse ofegante, sentindo beijos e mordidas em seu pescoço. – Você já está melhor e a cada dia fica mais arriscado mantê-lo aqui.

- Sim, nós conversaremos sobre isso, meu docinho, mas agora, eu quero tirar a sua roupa!- disse ele com a voz enrouquecida pelo desejo.

Ana também queria fazer amor, mas as últimas experiências que tivera a faziam sentir medo de retrair-se durante o sexo e decepcionar o único homem que poderia tirá-la daquele lugar. Sawyer notou a hesitação dela, e se afastou respirando pesadamente.

- Você não quer?- indagou. – Se não quiser, não vou forçá-la, eu...

Ela interrompeu as palavras dele começando a desabotoar a blusa azul que vestia. Sawyer acompanhou o movimento trêmulo dos dedos dela nos botões da blusa e esperou que ela se despisse.

Tirou a camisa e apressou-se em abraçá-la, sentir seu calor quando Ana ficou nua da cintura para cima.

- Você é tão bonita,oh Deus, nunca parei de pensar em você!

A necessidade de fazer amor era urgente, começou a beijar o corpo dela, arrancando suspiros de prazer do fundo de sua garganta. Era muito diferente com ele, pensava Ana-Lucia, Sawyer era maravilhoso e a enchia de prazer.

Beijou-lhe o umbigo e tirou rapidamente a calça jeans e a calcinha dela, jogando as incômodas peças de roupa para o lado. Ficou observando-a nua, deitada no chão da casa de madeira, apenas um cobertor servindo como cama improvisada. Fitou os olhos negros que demonstravam desejo ardente, deliciou-se com a pele morena distribuindo beijos molhados, afagou os seios cheios e os sugou com vontade antes de perder-se entre as coxas grossas, sentindo o cheiro íntimo que brotava do corpo dela, cheiro que jamais esquecera, conservava consigo em seus sonhos de luxúria.

- Você é a maior beleza dessa ilha Ana!

Ela se contorceu sentindo os dedos que afagavam seu sexo e clamou por ele:

- Quero ser sua outra vez, me faça lembrar como era quando estávamos juntos...

Sawyr terminou de se despir e Ana quase gritou de necessidade quando viu o corpo nu dele, preparado para lhe dar prazer.

- Vem cowboy, vem...- ela disse provocativa, sem perceber que estava se comportando como costumava fazer antes, durante os momentos de paixão com Sawyer.

- Minha morena...- ele balbuciou, tomando o corpo dela para si, deslizando dentro do interior úmido dela, buscando o aconchego que lhe fora negado por meses.

Grossas lágrimas tomaram o rosto de Ana e ela começou a se mexer de modo frenético junto com ele, balbuciando palavras que só faziam sentido para os amantes:

- Oh Sawyer...assim...quero mais forte...ahhhh...meu amor...te amo! Ai, Deus, te amo!

Sawyer beijou e lambeu as lágrimas dela, sentindo o gosto salgado nos lábios. Olhavam-se nos olhos, apaixonados, a pulsação de seus corpos acelerada. Amavam-se como se fosse a primeira vez que o fizessem.

Ele trocou de posição com ela, quase sentando-se sobre o cobertor e a trouxe consigo, aumentando o nível do prazer que sentiam. Ana mordeu-lhe o ombro e arranhou-lhe as costas. Beijaram-se na boca e Sawyer a afastou um pouco para vislumbrar o belo corpo feminino se movendo contra o dele, viu as faces coradas de Ana, os seios que mexiam levemente na direção dele e o próprio sexo tomando o dela com incrível avidez.

Ana-Lucia jogou a cabeça para trás e gritou sendo atingida de uma só vez pelo clímax intenso.

- Sawyer!!!- ela sentiu que ele voltava a se deitar no chão, dessa vez com ela por cima de seu corpo caindo pesadamente, forçando os quadris dela para frente e para trás, completando o ato ao derramar sua semente dentro dela.

Sawyer rolou para o lado com ela e ambos ficaram alguns segundos em silêncio, entorpecidos demais para falar. Ana-Lucia estava imensamente feliz. Ele deu um lindo sorriso a ela que inevitavelmente lhe trouxe boas lembranças de seu romance com ele.

- Somos uma dupla e tanto, muchacha!

Ana puxou o rosto dele para si e eles voltaram a se perder um nos braços do outro.

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(Flashback)

- Já arrumou suas coisas, John?- perguntou o padre à porta do quarto do garoto com um semblante afável.

- Sim, padre.- respondeu ele terminando de guardar seus brinquedos em uma caixa. – Mas eu não queria ir.

- Você sabe que é preciso, sua irmã e sua mãe morreram, e como ela não era casada e nem tinha família você terá que ir viver no abrigo até completar 18 anos.

- Mas eu não gostei do lugar quando estive lá com o senhor padre, algo naquele lugar me dá medo!

- Bobagem garoto, ande logo que a charrete está nos esperando.

À contragosto John terminou de ajeitar suas coisas e seguiu o padre. Levaram cerca de uma hora e meia para chegar ao orfanato onde John Locke viveria até completar dezoito anos. Mal fizera quinze anos e a perspectiva de ter que ficar lá pelos próximos três ou quatro anos não lhe agradava em nada, mas o que ele poderia fazer?

Na primeira noite naquele lugar, John isolou-se dos outros. Foi ler seu livro preferido no quarto, "O Mágico de Oz" que fora o último presente de natal que ganhara de sua mãe. Durante a leitura escutou um barulho estranho vindo da janela, levantou-se e foi até lá espiar, mas não viu nada além da neve caindo incessante do lado de fora. Voltou para a cama e tentou concentrar-se na leitura, mas era praticamente impossível porque o barulho na janela persistia, como se algo ou alguém arranhasse a vidraça desgastada da janela.

Respirou fundo e tentou não se preocupar com isso, mas seus olhos se alargaram quando de repente as luzes se apagaram. John começou a tremer e deixou o livro de lado. Um vulto branco movia-se na escuridão.

- John!

- Quem é você?- perguntou trêmulo. – O mágico de Oz?

- Eu sou Jacob.- o vulto respondeu com uma voz medonha.

Ele não tinha face, não tinha boca e nem garganta, como será que ele falava, John indagou a si mesmo

- E da onde você vem, Jacob?

- Da ilha...da ilha...

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( Fim do Flashback)

- John! Acorde! John!

Locke espantou-se com a mão direita de Sayid batendo-lhe no ombro. Arregalou os olhos azuis e se situou. Não estava no orfanato e sim no meio da selva com seu amigo Sayid.

Eles haviam chegado à Vila dos Outros algumas horas atrás, John quis entrar logo no lugar, mas Sayid o advertiu que seria melhor esperar que escurecesse.

- Já anoiteceu Locke, você dormiu demais.- disse Sayid recarregando sua espingarda.

- Certo! Devemos ir então!- falou Locke esfregando os olhos e se recompondo.

Sayid e ele tinham se mantido escondidos próximo ao que parecia ser uma casa de barco, estavam se locomovendo pela mata devagar, procurando um bom ponto de entrada na Vila quando viram alguém sair da pequena casa de madeira em frente ao rio. Sayid ficou muito surpreso assim que reconheceu quem era aquela pesso.

- Ou estou louco ou acabo de ver Ana-Lucia sair daquela casa.

Locke deu uma risada.

- Você não está louco, meu amigo, essa ilha opera milagres. Os cabelos estão mais compridos, mas não tenho dúvidas de que é Ana-Lucia.

- Eu acho que demos falar com ela.- arriscou Sayid.

- Sim.- concordou Locke. – Vamos segui-la e ver para onde ela está indo.

Locke e Sayid seguiram Ana-Lucia até uma casa onde um homem com expressão rabugenta a esperava.

- Eu não acredito! Esse homem é o...- começou a dizer Sayid e Locke completou.

- Ele mesmo. Benjamin Linus, o líder dos Outros.

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- Onde você estava?- Benjamin esbravejou quando viu Suzane chegando ao pátio da casa.

- Eu fui botar o lixo para fora.- respondeu ela, tentando parecer o mais natural possível, enquanto seu coração ainda batia descompassado pelos momentos vividos com Sawyer na casa de barco. – Você acabou adormecendo enquanto assistíamos Tv.- o efeito do sonífero não tinha durado muito tempo, da próxima vez em que precisasse usá-lo colocaria uma dose mais forte. Ela bocejou e disse:

- Estou com tanto sono, vamos dormir?

Eles entraram na casa e Benjamin foi direto para o quarto. Ana-Lucia correu para a cozinha, pronta a pôr o lixo para fora antes que ele descobrisse sua mentira. Pegou o saco de lixo e dirigiu-se para o quintal. Benjamin a seguiu sorrateiramente.

Com um suspiro de êxtase relembrando os beijos de Sawyer, Ana-Lucia colocou o saco de lixo dentro de uma enorme lixeira de metal no quintal da casa e de repente sentiu uma mão apertando-lhe a boca para que não gritasse.

- Ana-Lucia!- disse uma voz masculina com um forte sotaque. – Não grite, somos nós, Sayid e Locke.

- È bom saber disso!- disse Ben Linus, maldosamente apontando uma arma para Locke que ele pegara primeiro enquanto John fazia o reconhecimento da casa.

Continua...