Episódio 12- "A Bailarina e o Soldado de Chumbo"
Sinopse: Tina foi encontrada e Shannon deseja ajudá-la desesperadamente. Sawyer e Ana-Lucia, assim como todos os outros estão de volta ao acampamento, mas o reencontro com Cassidy lhe trará muita dor de cabeça. Sayid também retorna, mas a influência de Juliet sobre seu marido começa a preocupar Shannon.
Censura: M.
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O corpo de Cristina era pesado devido ao desfalecimento da mulher, seus membros superiores e inferiores estavam largados de qualquer jeito enquanto um fio de sangue escorria de seu corpo, encharcando o lençol branco onde Shannon a tinha envolvido para ocultar-lhe a nudez.
Quando a encontrara dentro de um fosso, perto das cavernas onde também encontrara a pequena Clementine, Shannon pedira a Hurley e Charlie que procurassem algo para cobri-la. Charlie encontrou o velho lençol branco abandonado e o entregou para Shannon quando eles conseguiram tirar as duas mulheres de dentro do fosso.
Shannon tinha urgência em levar Tina para o acampamento, mesmo que Jack não estivesse lá. O ferimento à bala causado por Sun na perna dela parecia superficial e talvez Libby pudesse ajudá-la.
- Ela pesa pra caramba!- queixou-se Hurley.
- È verdade!- concordou Charlie que o ajudava a carregar Tina enquanto Shannon seguia à frente deles iluminando o caminho, a noite havia caído mais cedo e uma brisa fria avisava que choveria em breve. – Tô sentindo até a minha perna defeituosa doer agora!- continuou queixando-se Charlie, falando sobre a perna que machucara há algum tempo, durante o início da construção das rústicas casas da comunidade.
- Parem de se queixar vocês dois!- reclamou Shannon. – Tina precisa da nossa ajuda!
- Por onde vocês acham que ela andou todo esse tempo?- indagou Hurley.
- Sei lá, cara!- respondeu Charlie. – Será que ela estava vivendo com os Outros e voltou porque a missão dela era seqüestrar a filha do Sawyer que apareceu do nada junto com a mãe dela?
- Não sei não dude! E se ela encontrou a chave para outra dimensão? Eu vi isso em Jornada nas Estrelas.
- Jornada nas Estrelas? Não Hurley, isso é guerra nas estrelas!- contestou Charlie.
- Andem logo!- bradou Shannon, impaciente para que eles chegassem logo até à praia. Precisava ajudar Tina e era tudo o que importava: se sentir útil e ajudar alguém.
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( Flashback)
- Shannon! Shannon! Princesa, onde você está?- indagou a voz suave de Adam Rutherford, sobrepondo-se ao burburinho das pessoas que não paravam de falar. – Shannon!
A menina de oito anos estava encolhida embaixo da mesa de jantar, abraçando os próprios joelhos, muito assustada com tudo o que acontecia ao seu redor. Todas aquelas pessoas vestidas de negro falando sem parar de sua mãe e dizendo a ela que sentiam muito pelo que tinha acontecido. Mas Shannon não conseguia acreditar em nenhuma delas, por isso se escondera embaixo da mesa, esperando que essas pessoas fossem embora.
Adam não demorou a encontrar a filha quando Bandit, o cão de estimação de Shannon, um labrador farejou-a debaixo da mesa.
- Bandit! Sai!- pediu a menina, temendo ser descoberta, mas Adam levantou a toalha de mesa e olhou para a filha com ar compreensivo.
- Hey, pequena, o que está fazendo aí embaixo?
Shannon deu de ombros, os olhinhos claros brilhando devido às lágrimas derramadas pela morte da mãe.
- Venha para cá!- ele pediu e Shannon engatinhou para fora de seu esconderijo. Era um pouco alta para seus oito anos, o corpo esguio e delicado de quem praticava ballet desde os quatro anos de idade. Mesmo assim, Adam pegou-a no colo e a abraçou, carinhoso, dizendo a ela bem baixinho: - Vai ficar tudo bem, minha pequena.
- Estou com saudades da mamãe.- ela disse, com voz de choro.
- Eu também.- completou o pai.
Uma mulher loira, vestida de negro, segurando um lenço branco que usou para enxugar algumas lágrimas se aproximou deles.
- Eu sinto tanto, Adam, tanto! Fico me perguntando como vamos viver sem Serena daqui pra frente.
- Tentaremos sobreviver Sabrina.- respondeu ele, pesaroso. – Tenho certeza que é o que Serena esperaria de nós.
Shannon observou atentamente aquela mulher e sentiu algo ruim emanando dela, não sabia explicar o porquê.
- Shannon, esta é Sabrina, uma das melhores amigas de sua mãe. Foi ela quem cuidou do nosso casamento.
- Olá Shannon.- disse Sabrina, estendendo-lhe a mão.
Mas Shannon não estendeu-lhe a mão de volta. Se aquela era uma das melhores amigas de sua mãe por que nunca tinham sido apresentadas? Desceu do colo do pai e saiu correndo. Adam desculpou-se dizendo que a filha estava abalada com a morte da mãe e Sabrina assentiu.
Alguns meses depois da morte da mãe, Shannon começou a se conformar e a retomar seu ritmo de vida normal, embora ainda sentisse muito a falta dela. Seu pai tentava compensar isso estando sempre presente. Porém, uma tarde, quando o motorista acabou de trazê-la da aula de ballet, Shannon entrou correndo em casa como de costume.
O pai estava com visitas e ela não gostou nada de quem os estava visitando. Sabrina Carlyle, a mulher que conhecera no velório e dissera ser uma das melhores amigas de sua mãe.
- Shannon, dê boa tarde à Sabrina.
- Boa tarde.- respondeu Shannon monossilábica olhando para um garoto mais velho do que ela, de bochechas irritantemente coradas e olhos tão azuis que ele parecia quase cego.
- Sente-se aqui querida, porque eu e Sabrina temos algo importante a dizer.
Shannon sentou-se no sofá ao lado do pai, embora não estivesse com a menor vontade.
- Princesa, já faz oito meses que sua mãe partiu e eu não nasci para ser um solitário e Sabrina tem sido uma grande companheira para mim, por isso nós...- ele hesitou por um momento, mas completou a frase: - Nós vamos nos casar!
- O quê?- Shannon engasgou e olhou para Sabrina que sorriu triunfante.
- Sim, dentro de uma semana e ela e o filho dela, Boone, virão morar conosco. Seremos uma grande família feliz!
- Não! Isso nunca, papai! Se você se casar com essa bruxa, nunca mais lhe dirijo a palavra!
Sabrina arregalou os olhos e Adam ralhou com Shannon:
- Peça desculpas à Sabrina imediatamente!
- Não!
- Então suba para o seu quarto e só saia de lá quando resolver pedir desculpas!
Chorando, Shannon subiu as escadas correndo para o seu quarto, pensando que jamais pediria desculpas, não àquela mulher!
(Fim do Flashback)
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Sawyer estava em estado de choque ao ver Cassidy Philips correndo em direção à ele e se atirando em seus braços. Ana-Lucia que estava ao lado dele deu um passo atrás, confusa com tudo aquilo, não se lembrava daquela mulher, absolutamente.
- James! Pensei que nunca mais fosse vê-lo!- disse Cassidy, com lágrimas nos olhos, abraçando-o, mas ele permaneceu parado feito uma estátua, os braços largados em volta do corpo.
- Quem é essa mulher, Sawyer?- Ana indagou, não gostando nem um pouco da forma como ela estava agarrando seu homem.
Mas Sawyer não respondeu a pergunta de Ana de pronto, apenas se desvencilhou do abraço de Cassidy e indagou, perplexo:
- Cassie, como diabos você veio parar aqui?
- E isso faz diferença agora, James? Quase morri quando eu soube do acidente de avião e que você estava nele, só segui adiante por causa da nossa filha, eu chorava todas as noites sabendo que você nunca ia voltar pra mim!
- Filha?- questionou Ana. – Sawyer!
Uma pequena multidão se formou ao redor, todos ávidos por um confronto entre as duas mulheres de Sawyer.
- Acho que as coisas vão começar a ficar complicadas pro Sawyer agora.- comentou Kate embalando Lilly nos braços.
- Eu também acho.- concordou Michael ao lado de Jack.
- È melhor você intervir!- disse Kate.
Jack se aproximou dos três e observou a discussão por alguns minutos antes de se meter.
- Olha Cassidy, tô muito confuso agora pra te dizer qualquer coisa.- disse ele. – Eu sinceramente tô chocado por te ver aqui.
- Chocado, mas não feliz?
- Quem é você?- Ana-Lucia impacientou-se.
- Sou a mãe da filha dele e pelo jeito você é a mãe do filho!- ela olhou para o bebê James nos braços de Ana, bem quietinho apesar da discussão deles.
Sawyer se sentiu tão mal estando no meio das duas que sua única reação foi sair correndo, literalmente.
- James!- chamou Cassidy.
- Sawyer!- chamou Ana, mas ele não parou de correr até que estivesse longe dali.
As pessoas se entreolharam, surpresas com a fuga de Sawyer. Ele nunca fugira de nada antes, nem mesmo quando foi ameaçado de ser torturado por Sayid, quando por pura implicância fingira estar de posse das bombinhas de asma de Shannon.
Mas ele fugira porque simplesmente não sabia o que fazer, sentiu-se acuado e resolveu ir pra longe dali até que tivesse clareado as idéias. Porém, essa atitude de Sawyer deixou Ana-Lucia muito irritada e ela lançou um olhar de fúria para Cassidy:
- Eu não sei quem você é, nem de onde raios surgiu ou se já estava aqui na praia antes de eu sair daqui, mas fique sabendo de uma coisa, embora minha memória ainda esteja debilitada me lembro bem do que vivi com o Sawyer, ele é o pai do meu filho, o meu homem, não me importa nada quem você é!
- Ora, sua...- começou a dizer Cassidy, mas Libby a puxou pelo braço, dizendo:
- È melhor não se meter com Ana, você não a conhece!
Ana-Lucia se aproximou de Kate, ignorando todos aqueles olhares em cima dela e perguntou:
- Kate, onde fica a cabana do Sawyer, quero botar meu filho pra dormir.
- Fica no final da praia, a última cabana.- Kate respondeu.
- Eu levo você até lá!- ofereceu-se Libby sorrindo.
Ana olhou para ela e sentiu uma certa familiaridade em seu rosto.
- Eu a conheço?
- Claro que sim, Ana.Você é a minha melhor amiga nesse lugar.- respondeu Libby, olhando emocionada para James. – Seu bebê é tão lindo!
Ela olhou para a barriga de Libby e deu um sorriso.
- Venha comigo!- Ana acompanhou-a e Cassidy fez menção de segui-las, mas Kate interveio.
- Cassidy, deixe Ana em paz. Vamos esperar o Sawyer voltar e você conversa com ele.
- Não é justo Kate! Você me disse que ele está vivendo com ela, que assumiu seu filho, por que ele não fez o mesmo comigo?- lágrimas começavam a descer pelo rosto de Cassidy.
- Vem, vamos caminhar e conversar!- disse Kate com pena dela. – Jack, vou dar uma volta com Cassidy, daqui a pouco vou pra casa.
Jack assentiu e a beijou nos lábios, depois falou baixinho:
- Tô louco pra matar as saudades, amor!
- Eu também!
Lilly começou a chorar, procurando o seio de sua mãe com desespero.
- Oh meu amor, não chora! Vamos sentar nas pedras Cassie, tenho que amamentar minha filha.
Cassie a seguiu e elas caminharam para as pedras. A multidão se desfez e cansado, Jack começou a caminhar para sua cabana disposto a tirar um cochilo antes que Kate voltasse para casa, no entanto, antes que pudesse pôr os pés em casa viu Charlie e Hurley surgirem da floresta com uma mulher sangrando e desacordada nos braços. Shannon vinha logo ao lado deles, nervosa.
- Jack! Jack! Ainda bem que está aqui! Encontramos a Tina e ela está ferida!
- Tina!- ele exclamou perplexo.
Continua...
