Episódio 13- Salve-nos Charlie! Parte I

Sinopse: O sonambulismo de Charlie está de volta através de estranhos sonhos que o fazem confrontar passado e futuro. Amanda, a vidente da comunidade diz a ele que precisa tomar cuidado com a cruz branca, mas qual será o significado disso? Jack decide que um projeto de controle de natalidade precisa ser implantado na ilha.

Censura: M.

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(Flashback)

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O piano era seu novamente, mas Charlie sabia que isso ainda não era o bastante. Junto às teclas havia um bilhete carinhoso, assinado pelo irmão Liam, a cunhada Karen e a marca da pequena mão da sobrinha Megan, de dois anos.

"Charlie,

Espero que me perdoe irmãozinho, por tudo o que te fiz passar. Estou te devolvendo o piano que muito me ajudou em minha recuperação. Espero que ajude você também. Sai dessa, caçulinha! Estamos todos com saudades de você, venha nos ver em Sidney".

Charlie deixou o bilhete de lado com um resmungo. Sua dose de heroína ainda ia durar mais dois dias se ele fosse econômico, depois não sabia como faria para conseguir mais. Suspirou. Tentou não pensar mais nisso naquele momento. Alisou as teclas do piano com carinho, como sentira falta dele, o melhor presente que já ganhara na vida.

Como se tivessem vontade própria, seus dedos deslizaram pelo piano, tocando uma canção que ele compusera sobre ele e Liam há algum tempo, pretendia colocá-la no mais novo cd da Driveshaft que nunca chegara a lançar. Quando começou a cantar, sua voz soou triste como a melodia do piano:

" Funny now...finally you see me standing here. Funny now, I'm crying in the rain. All alone, trying to be invincible…together now…we can be save…"

Ele parou de tocar. A canção dizia que ele e Liam só poderiam ser salvos da própria desgraça se estivessem juntos, e Charlie estava sozinho. Levantou da frente do piano e foi até a gaveta de fundo falso ao lado do sofá ingerir mais um pouco de sua dose diária de heroína.

Retirou o pacote plástico de dentro da gaveta, abriu o saco com cuidado e aspirou um pouco do pó. Logo aquela sensação de conforto que aliviava toda e qualquer ansiedade veio e Charlie fechou os olhos, jogando a cabeça para trás. Porém, durante a sua viagem pelo desconhecido ouviu uma voz de criança dizendo:

- Papai, não faça isso!

- O quê?- indagou Charlie a si mesmo, abrindo os olhos e buscando o dono daquela voz pela sala de seu minúsculo apartamento.



- Papai, pare!- repetiu a voz.

Charlie se levantou do sofá cambaleante, dessa vez tinha exagerado na dose de heroína e nada fazia muito sentido. Caminhou até a porta e a abriu. Viu um cenário inacreditável diante de si, uma floresta. Piscando os olhos ele deu um passo à frente e sentiu a textura da grama verde com seus pés descalços.

- Papai!

Ele ouviu a voz infantil novamente, mas dessa vez enxergou o pequeno garoto, praticamente um bebê, loiro, com os cabelos repletos de cachinhos e as pernas roliças. O pequeno anjo estava nu em cima de uma pedra. Se desse um único passo, cairia dentro do mar.

- Hey!- gritou Charlie, correndo pela grama até alcançar a areia da praia e chegar até a água. – Você vai cair, é melhor descer!

O menino sorriu e deu um aceno para ele, dando um passo a frente e balançando em direção às fortes ondas que quebrantavam na praia e o engoliriam em questão de segundos.

- Não!- Charlie gritou, o coração disparado de medo de ver aquele menino morrer.

- Charlie!- gritou uma voz feminina às costas dele.

Ele voltou-se para trás, para dentro de seu apartamento e viu uma linda garota loira de longos cabelos, que segurava um cobertor na mão e o olhava com expressão muito preocupada.

- Charlie, o que você está fazendo? Todos estão te olhando.- disse ela.

- Você não está vendo que o bebê vai cair? Eu preciso salvá-lo!

- Do que você está falando?- ela indagou e Charlie voltou a olhar para frente. Viu as pedras, mas não viu garoto nenhum. De repente fitou a si próprio e percebeu que estava completamente nu.

- Onde estão minhas roupas?

Risadas irromperam ao redor deles.

- Era isso o que eu estava tentando te dizer Charlie, você saiu da nossa cabana completamente nu e veio até a praia.

De repente, tudo fez sentido. Estivera sonambulando como fizera outras vezes e Claire viera em seu auxílio trazendo um cobertor para cobri-lo quando percebera que ele saíra da barraca, nu em pêlo.

- Eu não sabia que aqui tinha virado praia de nudismo!- debochou Sawyer sem perder a piada enquanto todos riam do pobre Charlie.

Ele se cobriu com o cobertor que Claire lhe entregara e começou a caminhar para longe dos comentários maldosos.

- Ele está bem?- indagou Jack, ao lado de Kate que segurava Lilly.



Todos estavam em trajes de dormir, pois tinham saído de suas casas às pressas quando escutaram os gritos de Charlie na praia.

- Ele vai ficar bem sim.- respondeu Claire, colocando uma mão no ombro de Charlie para confortá-lo enquanto caminhavam de volta à sua cabana.

- Gente, o show acabou!- disse Kate. – Vamos dormir.

- Que maldade rirem do Charlie assim.- comentou Rose. – Todo mundo sabe que ele é sonâmbulo.

- Vamos dormir, cowboy.- chamou Ana-Lucia, apoiando seu bebê na cintura.

Sawyer olhou para ela e viu que ela vestia apenas uma das camisas dele. Como ele era muito mais alto, a camisa ficava um vestido curto, mas as pernas de Ana estavam totalmente à mostra e alguns engraçadinhos estavam olhando e assobiando. Ele não gostou nada disso.

- Mas como é que você sai da nossa cabana tão nua quanto o Charlie? Anda, vamos voltar imediatamente!

Ana-Lucia franziu o cenho e ignorou o ataque de ciúmes dele enquanto eles voltavam para sua cabana, junto com a multidão que se desfazia. Cassidy observou os dois juntos e cada vez tinha mais certeza que seria mais difícil do que ela pensava ter Sawyer de volta. Já fazia dois meses que eles tinham se reencontrado, mas ele nunca desgrudava daquela mulher. No entanto, isso não fazia Cassidy desistir, teria o pai de sua filha de volta a qualquer custo.

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Quando o dia amanheceu, as pessoas ainda estavam comentando na comunidade sobre a aparição de Charlie nu na praia em plena madrugada, gritando como louco. Por causa disso ele não quis sair da cabana pela manhã. Claire reclamou disso quando foi levar-lhe algo para comer depois de não tê-lo visto à mesa de refeições na despensa da praia.

- Vai mesmo ficar aqui o dia inteiro?- ela indagou colocando um copo de café ralo e um pedaço grande de mamão em cima de uma mesinha de madeira para ele.

Charlie pegou o café e começou a tomar em pequenos goles antes de responder:

- Sim, vou. Faço idéia do que estão falando de mim lá fora.

- Querido você não pode ficar assim.- Claire disse, sentando-se ao lado dele. Aaron brincava com um cavalo feito de madeira que Eko tinha feito para ele. O padre vinha se mostrando um excelente marceneiro e fizera vários móveis úteis para diferentes pessoas na comunidade. – O que aconteceu ontem à noite não foi sua culpa. Eu só lamento não ter acordado a tempo de evitar que você passasse vexame. Você sempre foi sonâmbulo Charlie, e desde que começamos a ficar juntos eu tenho conseguido evitar que você sofra acidentes ou que as pessoas façam troça de você, me desculpe por não ter conseguido te ajudar ontem.



Charlie pegou a mão de Claire e a beijou com ternura.

- Dessa vez foi diferente.

- Diferente como? Com o que estava sonhando?

- Me vi sozinho no apartamento que eu morava em Londres depois que a banda acabou. Eu estava como sempre me drogando, meu irmão Liam tinha mandado devolver o meu piano que ele roubara, eu acho que já te contei essa história...

- Sim.- Claire assentiu, esperando que ele continuasse.

- Eu estava zangado porque tudo estava dando certo para o meu irmão, menos pra mim. Ele tinha conseguido se livrar das drogas e voltar pra esposa e pra filha, mas eu continuava na mesma. Só que no meu sonho, eu escutava o Aaron dizer: Papai não faça isso! Aí eu abri a porta do meu apartamento e vi a ilha, a praia, o Aaron estava em cima das pedras e ia cair, fiquei com medo, mas de repente você me chamou e eu estava nu no meio da praia.

- O que você acha que tudo isso significa?

- Fiquei imaginando se o Aaron estaria em perigo.- ele sussurrou.

- Não Charlie, o Aaron está bem, talvez você precise encontrar algo, como da outra vez que você achou que precisava salvar o Aaron de morrer afogado. Acho que esses seus sonhos tem a ver com você mesmo, talvez devesse ir falar com o Eko sobre isso.

- Ele vai me mandar rezar e nada vai se resolver.

- Não diga isso!- Claire o recriminou. – Não seja tão negativo! Já que acha que o Eko não te ajudaria, por que não conversa com a Amanda? Ela talvez possa explicar esse seu sonho.

- Ah, Claire, você sabe que não acredito nessa baboseira cigana da Amanda. Nem você deveria acreditar porque foi você mesma quem me contou sobre aquele vidente que te fez pegar o avião pra Los Angeles e agora está aqui nessa ilha.

- Eu penso que ele não podia evitar o meu destino Charlie, mas deve ter previsto que eu sobreviveria ao acidente. Agora ande, tome logo o seu café e leve o Aaron para dar uma volta. Não quero você enfurnado aqui o dia inteiro.

- Mas Claire...

- Ignore os comentários maldosos que com certeza irá escutar!

Charlie sabia que Claire tinha razão, o que estava feito estava feito. Tomou com gosto o café da manhã e resolveu que sairia com Aaron.

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Libby empurrou o pedaço de manga com uma expressão enfadada no olhar. Hurley preocupou-se.

- O que você tem?

- È que ela ainda está lembrando do Charlie correndo nu pela praia.- debochou Craig. – Ela perdeu até o apetite.

- Eu falei com você?- indagou Hurley fazendo cara feira para Craig, que deu de ombros. – Pois não deviam ficar caçoando do Charlie, qualquer um nessa ilha está sujeito ao sonambulismo. Quero ver se irão ficar caçoando de mim se eu acordar no meio da noite e andar por aí de cueca!

- Oh por favor, jamais faça isso, Hurley. Ou terei pesadelos para o resto da vida!- caçoou Dionna junto à Debbie, Isadora e Anabeth.

- Cale-se Dionna, ou devo lembrar da estupidez que você e o Steve cometeram contra o Bernard?- falou Libby, enérgica, aborrecida porque estavam provocando Hurley.

Envergonhada, Dionna se calou e logo se retirou com as amigas.

- Você ainda não me disse por que está tão abatida- disse Hurley, acarinhando um cacho macio dos cabelos loiros de Libby que lhe caíam pelo rosto.

- È que eu estou com muita vontade de comer uma fruta.- respondeu ela, um pouco envergonhada.

- Que fruta?

- Ah, Hugo, é uma fruta que nunca vi por aqui. Nem adianta falar.

- Me diz qual é a fruta.- ele insistiu.

- Morango. Estou morrendo de vontade de comer morango e não sei mais o que fazer, só penso nisso dia e noite. Acho que é a gravidez.

- Hum, se ela não conseguir realizar o desejo seu filho vai nascer com cara de morango, Hurley, como dizia minha avó.- falou Aline, sentada do outro lado da mesa degustando um pedaço de manga ao lado de Craig.

- Quem vai nascer com cara de que?- perguntou Desmond que vinha chegando à despensa de alimentos para tomar seu café da manhã. Ao vê-lo, Aline sentiu que sua pele ficava gelada e o coração batia mais forte, era sempre assim quando ele chegava perto. Mas tentou disfarçar sua aflição, cumprimentando-o.

- Bom dia, Des.

- Bom dia.- respondeu ele. – E aí, quem vai nascer com cara de que?- ele voltou a perguntar, com um sorriso.



- A Libby está desejando comer morango.- respondeu Hurley. – E a Aline disse que nosso filho nasceria com cara de morango se ela não realizasse esse desejo. Não que eu acredite nisso, mas eu estou achando ela muito pálida.

Desmond olhou para Libby e concordou com Hurley.

- È verdade, brotha. Ela me parece um tanto angustiada, mas sem razão de ser. Eu sei onde podemos encontrar morango.

- Sabe?- questionou Hurley, esperançoso.

- Sei sim. Mas é um pouco longe, eu acredito que a gente vá levar pelo menos 1 dia e meio pra voltar. Estaria interessado?

- Mas é claro, dude!- respondeu Hurley, animado. – Quando partimos?

- Hugo, você não precisa fazer isso.- disse Libby.

- Não meu amor, eu preciso.- respondeu ele. – A comida por aqui anda escassa e eu não quero que você fique passando vontade. Eu vou até o fim do mundo se for preciso para te trazer morango!

- Oh!- fizeram algumas pessoas que estavam presentes à mesa do café da manhã.

- Isso é poético!- comentou Aline.

Nesse momento, Charlie se aproximou com Aaron no colo. Ouviu alguns risinhos abafados e se aborreceu:

- Tá legal, muito engraçado! Só porque ontem à noite todo mundo viu o meu...

- Opa, abafa o caso!- disse Aline, enquanto os demais riam, à exceção de Hurley e Libby. – Você não devia ligar para esses perdedores, você é uma gracinha Charlie, melhor que muitas pessoas que não tem coragem de assumir um relacionamento, você e a Claire estão firmes desde o começo e eu admiro isso e muito.

Desmond sabia que a indireta tinha sido para ele, mas ignorou o comentário de Aline.

- Obrigado.- respondeu Charlie. – Vocês ouviram só?

Ninguém disse mais nada sobre o assunto. Pelo menos não naquele momento.

- Se é longe então é melhor nos apressarmos e irmos logo, Desmond. – Quanto antes trouxermos os morangos para Libby melhor.

- Morangos, Hurley?- indagou Charlie.

- Sim, Libby está desejando morangos.



- Quando a Claire estava grávida, ela sentia desejo de comer manteiga de amendoim, como eu não pude conseguir levei um pote de manteiga de amendoim imaginária e funcionou.- explicou Charlie.

- Ah, mas com a Libby não vai funcionar não, dude. Além do mais, o Des sabe onde podemos encontrar morango, mas é um pouco longe.

- Ah, quer dizer então que estão partindo em uma expedição e nem cogitaram em me convidar? Péssimos amigos que são vocês.- queixou-se Charlie.

- Você quer ir com a gente?- perguntou Hurley.

- Lógico ué! Eu vou só levar o Aaron pra Claire, pegar algumas coisinhas e me junto a vocês.

- Eu também posso participar de tão nobre missão?- perguntou Craig.

- Você nunca se oferece pra nada.- disse Aline.

- Engano seu, eu ajudei a encontrar a Tina. Agora faço parte do clube.

- Certo, quem quiser vir pode vir, mas temos que ir logo.- disse Hurley.

- Bom dia.- saudou Jack, de longe, sendo puxado por Kate para dentro da floresta, ela parecia com muita pressa.

- Bom dia.- responderam todos em uníssono.

- Ué, por que será que a Kate estava arrastando o Jack daquele jeito?- indagou Charlie.

- Só Deus sabe!- respondeu Craig.

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- Kate, pra onde está me levando?- perguntou Jack com um sorriso divertido nos lábios enquanto Kate o arrastava floresta adentro. – Sinto que você não está com boas intenções.

Kate deu uma gargalhada.

- Nem mais uma palavra, Shephard. Hoje você vai ser meu, sem interrupções. Ontem estávamos quase conseguindo, a Lilly nos deu uma trégua e a noite estava perfeita. Se não fosse o Charlie ter acordado todo mundo e dado aquele showzinho na praia...

- O Charlie é sonâmbulo, Kate, ele não tem culpa do que faz quando está dormindo.

- Eu sei.- respondeu Kate, sem deixar de puxá-lo.

- E onde está a Lilly?



- Eu a deixei na casa do Sawyer, Ana prometeu tomar conta dela um pouco pra nós ficarmos sozinhos.

- Podíamos ter esperado até a noite...

- Dammit, Jack!- Kate reclamou. – Já faz dois meses que não fazemos amor, e o meu tesão está no limite, você e seus malditos escrúpulos de médico!

- Nós não podíamos fazer amor até que você estivesse recuperada do parto, Kate.- ele explicou. – Muitas mulheres não gostam de serem pressionadas a ter relações enquanto estão amamentando, eu não quis te deixar desconfortável.

- Você deveria saber que não sou como as outras- ela revidou e quando eles chegaram à uma clareira, Kate empurrou Jack contra uma árvore, beijando-o. – Eu estava brincando, eu amo seus escrúpulos, amo você por ter respeitado o meu tempo, mas agora eu te quero, Jack...

Ele trocou de posição com ela, imprensando-a contra a árvore e Kate suspirou.

- Mudou de idéia quanto a não ser a minha Eva?

- Sim...serei sua Eva pra sempre se for preciso.- Kate respondeu e eles voltaram a se beijar.

As mãos de Jack começaram a tatear o corpo dela, ao mesmo tempo em que seus lábios desciam pelo pescoço de Kate, beijando, mordiscando. Ela ergueu a bainha da camisa dele e Jack a tirou.

- Você sempre foi tão bonito.- Kate elogiou, acariciando as tatuagens dele, no braço. – Se um dia eu sair dessa ilha, vou fazer uma tatuagem pra você. No lugar que você escolher.

- Hum, está me dando idéias.- disse ele, tirando a blusa dela e abaixando o sutiã, libertando os seios. Jack acariciou os mamilos rosados de Kate, colocando um deles na boca e gemendo ao contato.

- Eu amo você, Jack.- ela gemeu quando ele começou a sugar de leve o seio dela.

Ele se afastou e olhou-a nos olhos, apaixonado.

- Então case-se comigo, assim que sairmos dessa ilha! Seja minha de verdade, pra sempre!

Kate o beijou em resposta e eles escorregaram da árvore para o chão. A mão de Jack abriu depressa o zíper da calça dela, tirando-a. Em seguida, Kate fez o mesmo com a calça dele. Nus, deitados na relva, eles se olharam com doçura e paixão.

Ela separou as coxas para recebê-lo e Jack se encaixou entre elas, buscando a umidade do corpo feminino. Kate o abraçou com braços e pernas, e Jack se colocou 

dentro dela de uma vez só. Os movimentos do amor começaram lentos, mas à medida que o clímax se aproximava para ambos, eles iam aumentando de intensidade, assim como os gemidos de Kate.

- Oh Jack...Jaack... Jaaack...Jaaaaaack!- ela gritou quando o prazer a atingiu e Jack desmoronou em cima dela, arfante.

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- Cadê a sardentinha? Cadê?- dizia Sawyer, brincando com Lilly, colocando as mãos sobre o próprio rosto e as tirando, mas a menina não parava de chorar desde o momento em que Ana saíra da cabana dizendo que ia até a horta de Sun pegar alguns legumes para a sopa de James e deixara as duas crianças com ele. "Não vou demorar", ela disse, mas já fazia um bom tempo que tinha saído e ele realmente não sabia como lidar com dois bebês chorando ao mesmo tempo, sim, porque James também chorava, sentado no colo dele, balbuciando as únicas palavras que sabia dizer:

- Mama..mama...mama...

- Pôxa, vocês dois não querem me dar uma trégua?

As crianças começaram a chorar mais alto e Sawyer se desesperou. Precisava de ajuda com aqueles dois, mas não podia arredar o pé da cabana e deixá-los sozinhos, Ana e Kate o matariam provavelmente. De repente, ele sentiu que algo quente e viscoso estava sujando suas calças. Seus olhos azuis se arregalaram em pânico.

- Não James, você não fez isso com o papai! Não!

Ele levantou o garoto que berrava de cima de sua coxa e praguejou:

- Son of a...- mas se interrompeu de imediato, Ana já tinha dito milhões de vezes para que ele não falasse palavrões na frente do menino. – Ah, meu Deus, por que?- ele levantou do banco onde estava sentado, levando James consigo e disse á Lilly:

- O titio Sawyer já volta, ok sardentinha? Agora eu preciso realizar uma missão extremamente perigosa com esse moleque aqui.

Lilly não parou de chorar dentro de seu cestinho e Sawyer não sabia mais o que fazer quando resolveu cantar a primeira música que lhe veio à cabeça:

- "Don't worry, about the things, every little thing, it's gonna be all right..."

Ao som de sua voz, os dois bebês começaram a se acalmar e ele continuou cantando:

- "So baby, don't worry about the things, every little thing it's gonna be all right..."

Aproveitando que as crianças tinham se acalmado, Sawyer despiu a fralda suja de James fazendo cara de nojo enquanto cantava. Pegou um pedaço de pano limpo e 

limpou o filho o melhor que pôde antes de colocá-lo sentado dentro da pequena tina onde a mãe costumava banhá-lo. Durante esse processo, esqueceu de cantar e as crianças recomeçaram a chorar.

- Ok!- ele resmungou. – Eu canto! "Three little birds..."

Antes de dar banho em James, ele retirou a própria calça jeans suja e a jogou em um canto da cabana. Depois agachou-se e começou a dar banho no filho, que riu para ele, batendo as mãozinhas na água.

- Você é um golpista mesmo, hein moleque! Fez isso só pra eu te colocar na bacia, não foi?- Sawyer sorriu para o filho. – Diz papai, diz!

- Mama!- o menino disse com mais um sorriso, mostrando seus dois únicos dentinhos.

- Não, a mama não está aqui, é o papai, diga papai!

- Mama!- ele repetiu e Sawyer franziu o cenho, frustrado terminando de dar-lhe banho.

Porém, quando tirou o menino da bacia, um novo choro começou porque ele não queria sair de lá. Ignorando os protestos do filho, Sawyer o enxugou e colocou uma fralda limpa nele, mas quando o pegou no colo de novo, a fralda escorregou porque estava mal colocada.

- Caramba!- ele reclamou e voltou a sentar-se com James mesmo sem a fralda, perto de Lilly que estava chorando outra vez.

- Ok, qual é o problema agora, mocinha?

Ele sentiu um cheiro ruim invadindo o ambiente, sabia que não era o filho porque ele tinha acabado de limpá-lo. Fazendo cara de desespero outra vez ele olhou para Lilly:

- Não sardentinha, não me diga que agora é você?

Nesse momento, Ana-Lucia entrou na cabana trazendo alguns legumes em um pacote como cenoura, batata e tomate. Viu Sawyer com uma expressão de desespero diante das duas crianças, de camisa e cueca; o bebê James sem a fralda.

- Sawyer, o que aconteceu?- ela indagou. – Colocando os legumes em uma mesa.

- Ana, graças a Deus que está aqui! Me salve por favor! Esse garoto sujou minhas calças e essa menina não para de chorar, e acho que ela precisa trocar a fralda também.

Ana-Lucia deu uma gargalhada e foi até ele.

- Eu não acredito que fez tanta confusão com uma coisa tão simples. Sawyer, te deixei com as crianças por vinte minutos!

- O suficiente pra eu querer me suicidar!



- Mama!- exclamou James no colo dele, batendo palminhas ao ver a mãe.

Ana roçou o rosto no rostinho do filho e disse:

- Fique um pouco com o papa enquanto a mamãe cuida da Lilly, tá bom?

Sawyer deu espaço para que Ana pegasse Lilly.

- Oi gracinha, vem aqui com a tia Ana!- a menina deu um largo sorriso sem dente para ela.

- Ela não ri assim pra mim!- Sawyer queixou-se. – Ela tem a personalidade do Jack.

- Não seja bobo, Sawyer!- ela voltou-se para Lilly tirando-lhe a fralda suja. – Você é a sardentinha, é sim!

- Sawyer!- chamou uma voz feminina à porta da cabana. Ana-Lucia fechou a cara, sabia exatamente quem era, mas nada disse.

Sawyer foi até a janela da cabana e saudou Cassidy:

- Hey, Cassie!

Ela sorriu para ele, sedutora, segurava Clementine pela mão.

- Diz oi pro papai, querida.

- Oi, papai.- a menina disse, timidamente e Sawyer sorriu para ela.

Desde o incidente entre Ana-Lucia e Cassidy na praia há dois meses atrás que ele vinha tentando conquistar a menina, mas ela se mostrava bastante retraída, especialmente na presença de Ana, tinha medo dela por ter batido em sua mãe.

- O que você deseja, Cassie?- ele perguntou vendo a cara de impaciência de Ana enquanto trocava Lilly.

- È que tem uma goteira terrível na palha da minha cabana. E do jeito que o ar está pesado creio que irá chover mais tarde. Você poderia consertá-la?

Sawyer havia construído a cabana para Cassidy e Clementine com a ajuda de Charlie, Bernard e Jin. Para Ana-Lucia a cabana estava em ótimas condições, mas Cassidy estava sempre solicitando que ele fizesse algum conserto e ele sempre aceitava por causa da filha. Isso costumava deixar Ana muito irritada.

- Está bem, eu vou dar uma olhada.- garantiu ele. – Me esperem lá!

Quando ele olhou para Ana-Lucia, ela tentou fingir indiferença à proposta de Cassidy e disse:

- È melhor você ir logo, para estar de volta até a hora do almoço.



Ela já tinha terminado de trocar Lilly e pegou James do colo dele.

- Vá!

- Não está zangada?

- Não.- ela respondeu com um falso sorriso.

Sawyer deu-lhe um rápido beijo nos lábios, dizendo:

- Voltarei logo, cariño.

- James!- ela o chamou, antes que ele saísse.

- O que?

- Vista as calças por favor.

- Ops!- ele exclamou e foi procurar calças limpas antes de deixar a cabana.

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- Tudo pronto?- perguntou Desmond quando viu Hurley, Charlie e Craig vindo na direção deles carregando mochilas.

- Prontíssimo!- respondeu Charlie. – Vamos aos morangos!

- Hugo, eu já disse que você não precisa fazer isso!- falou Libby. Mas seu olhar ainda estava pálido.

- Nada disso, eu vou trazer os morangos para você. Pode esperar!- respondeu ele, beijando-lhe a testa.

- Trarei morangos pra você também, Claire.- disse Charlie quando a viu se aproximar com Aaron no colo, o menino estava com cara de choro porque o pai iria entrar na floresta e não ia levá-lo.

- Se encontrar um pé de manteiga de amendoim eu ficaria feliz.- respondeu ela, beijando-lhe os lábios.

- Então vamo nessa, né? – falou Craig, animado.

Eles entraram na floresta acenando para todos que foram se despedir deles, porém ao ultrapassarem algumas árvores, Amanda surgiu diante deles com o semblante estranho.

- Hey!- cumprimentou Desmond, mas o olhar dela foi para Charlie.

- Charlie, tome cuidado com a cruz branca!

- Cruz branca?- ele indagou sem entender



- Sim, na cruz branca seu sangue espirra e você morre.- ela respondeu, enigmática caminhando de volta para a praia sem dizer mais nada.

Continua...

Continua...