A canção do exílio parte II

Hurley acordou com dor nas costas depois de ter passado a noite inteira dormindo recostado a uma árvore. Que saudades ele estava sentindo do seu colchão feito de folhas de bananeira.

- Dude!- ele queixou-se para Desmond ao tentar se levantar. – Que noite péssima!

Desmond deu um sorriso compreensivo para ele antes de voltar sua atenção para a mulher ferida que dormia profundamente ao lado dele.

- Ela ainda tá viva?- Hurley perguntou.

- A pulsação está fraca, mas está viva sim.- Desmond respondeu.

- Acha que eles ainda vão demorar muito para voltar?

- Já deveriam ter voltado, brotha. Estou começando a imaginar uma maneira de a levarmos para o acampamento.

- Mesmo que fizéssemos uma maca e a carregássemos, dude, não sei se isso seria uma boa idéia. Ela está com um ferimento do tamanho de um bonde debaixo das costelas. Ela sangraria até morrer antes que chegássemos à comunidade.

- Acho que tem razão. Não temos outro remédio senão esperarmos, brotha.

- Por que será que ninguém veio procurá-la?- indagou Hurley. – Ela desceu de pára-quedas aqui, deveria estar em um avião ou helicóptero...

- Quem é que consegue achar essa droga de ilha, brotha?- retrucou Desmond. – Além disso, ela poderia estar pilotando um helicóptero sozinha e ejetou quando chegou aqui.

- Mas ela disse o nome Pedro, dude. Talvez esse fosse o nome do piloto do helicóptero.

- Talvez... – acrescentou Desmond.

- Olha só cara, to indo tirar um particular e já volto.- disse Hurley.

- Um particular?- Desmond não entendeu.

- È...tipo...você sabe...

- Ah entendi!- disse Desmond.

Hurley se afastou, se embrenhando no meio dos arbustos para satisfazer suas necessidades básicas. Quando ele estava voltando para junto de Desmond, o barulho de passos se aproximando o deixou em estado de alerta.

- Quem está aí?- ele indagou assustado se lembrando de que não tinha nenhuma arma. Seria mais uma daquelas adagas voadoras que tentara cortar a garganta de Charlie? Trêmulo, ele indagou novamente: - Quem está aí?

De repente, Sayid apareceu entre os arbustos seguido por Jack e Charlie.

- Ah, é claro que eu sabia que era vocês, pessoal.- disse Hurley enxugando o suor frio da testa.

- Onde está a mulher ferida?- Jack indagou.

- Ela está com o Desmond. Venham comigo!- falou ele conduzindo o grupo até onde Desmond estava.

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Claire viu Libby à porta da cabana dela pendurando algumas roupas ao sol com a ajuda de Emma enquanto Zack brincava com Walt e Vincent. Equilibrando Aaron nos quadris e segurando o pacote de morangos enviados por Hurley com a outra mão, Claire foi falar com Libby.

- Bom dia, Claire.- disse ela, sorridente.

- Bom dia, Libby. Isso é pra você.- ela entregou a Libby o pacote com os morangos.

- O Hugo entregou isso pra você? Onde é que ele está?- Libby indagou.

- Foi o Charlie quem me entregou isso ontem à noite. – respondeu Claire. – O Hurley não voltou com ele.

- Como ele não voltou?

- Parece que eles encontraram uma mulher ferida na floresta e o Hurley ficou lá com o Desmond cuidado dela enquanto o Charlie vinha com o Craig buscar ajuda, então ele deixou os morangos que ele colheu pra você comigo.

- Obrigada.- respondeu Libby. – Mas quem é essa mulher que eles encontraram? Uma dos Outros?

- Eu não sei, Libby. O Charlie não foi muito específico, ele estava com muita pressa. Disse que levaria o Jack até onde eles estavam.

- È verdade que atiraram no Craig ontem à noite?- Shannon indagou se aproximando das duas mulheres.

- Sim, é verdade. O Charlie me contou.- afirmou Claire.

- Atiraram no Craig? Ele está bem?

- Eu acho que ele está bem sim, alguém me disse que ele está na enfermaria se recuperando.- disse Claire.

- Eu achei um bilhete do Sayid dizendo que iria com o Jack pra selva ajudar a salvar uma mulher. Alguém sabe quem é essa mulher?

- Era justamente sobre isso que estávamos conversando.- falou Claire. – Não fazemos a menor idéia. Só teremos mais notícias quando o grupo voltar.

- Ontem eu tive um sonho estranho.- Shannon comentou.

- Que sonho?- Libby quis saber.

- Sonhei que alguém entrava na minha tenda e tirava o meu sangue. E eu queria gritar mas não podia porque estava dopada ou algo assim.

Claire sentiu um arrepio involuntário no corpo. Ela sabia o quanto os sonhos poderiam ser poderosos naquela ilha, tanto como premonições ou lembranças de algo adormecido na mente.

- Você checou se estava ferida?- Claire indagou.

Shannon piscou os olhos.

- Claire, foi só um sonho.

Claire balançou a cabeça negativamente.

- Não devemos brincar com sonhos aqui nessa ilha, Shannon. Não se lembra dos pesadelos que eu tinha quando estava grávida do Aaron?

- Mas isso é diferente... – insistiu Shannon.

Pedro ouvia a conversa das mulheres, não muito longe enquanto degustava uma manga. Então Shannon se lembrava do que ele tinha feito? Bem, não era motivo de preocupação ainda já que ela acreditava ter sido um sonho.

Ele ainda tinha muitas amostras de sangue para colher antes de enviá-las a Benjamin Linus. Além das amostras, ele estava pensando seriamente se contava a Ben sobre a mulher que Charlie e os outros tinham encontrado na floresta. Pedro se perguntava se essa mulher seria do grupo de Linus. De qualquer forma, não seria difícil de descobrir. Uma das coisas que Pedro se gabava era de seu exímio talento para a espionagem desde que fora introduzido no mundo dos espiões há algum tempo atrás.

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(Flashback)

Havia uma venda de tecido escuro sobre os olhos dele. Pedro podia sentir o próprio suor frio escorrendo por sua testa e pingando sofrivelmente sobre seu rosto. Fora o maior erro de sua vida roubar a Mercedes do mafioso coreano Paik. Se ele soubesse a quem pertencia aquele carro, jamais teria sequer pensado na idéia de roubá-lo. Desde o dia em que topou com esse homem, sua vida mudou por completo.

Pedro passou a trabalhar para ele em troca de sua vida, executando uma variedade infinita de serviços sujos como extorsão, chantagem, e avisos violentos. Ainda não tinha chegado ao extremo de matar, mas não duvidava que um dia seu patrão lhe exigisse isso.

Mas apesar de tudo não conseguia entender porque aqueles homens armados tinham entrado em seu pequeno apartamento em George Town. Pedro foi drogado, vendado e amrrado. Depois disso não se lembrava de mais nada. Agora que o efeito da droga estava passando, ele podia ouvir vozes e movimento ao seu redor, mas não discernia quantas pessoas eram e nem o que diziam. Ele se perguntava o que seu patrão pretendia agora.

De repente, Pedro sentiu que estava sendo colocado sobre uma cadeira e uma arma foi apontada diretamente para sua nuca. Seus braços ainda estavam amarrados. As cordas cortavam a circulação de seu sangue. Pedro gemeu sentindo que o fim estava próximo e dessa vez não teria como fugir.

- Pedro Tavares de Souza Brito. Que nome mais longo! As pessoas no seu país costumam ter o nome tão comprido assim?- indagou uma voz grave e debochada.

- Por favor senhor, não me mate!- Pedro implorou. – Eu juro lealdade ao Sr. Paik, sempre fui muito fiel. Não sei porque agora ele está duvidando disso e resolveu me castigar.

- Isso não tem nada a ver com Paik.- ele afirmou.

- Quem é o senhor?- Pedro indagou ficando curioso de repente.

- Sou Charles Widmore e soube de seus memoráveis feitos. Então cheguei à conclusão de que você seria o cara certo para executar um serviço muito importante pra mim.

Pedro ficou quieto por alguns instantes. Sua sorte estava mudando novamente, ele podia sentir.

- Que espécie de serviço, senhor Widmore?- ele perguntou. Charles Widmore era um nome mundialmente conhecido. Pedro ouvira dizer que ele era um empresário multi-milionário que ganhava a vida com exportação de bebidas alcoólicas de excelente qualidade. Porém, também ouvira dizer em seu próprio meio que Widmore fazia mais do que vender uísque e vinho de boa safra.

- Tirem a venda dele.- Widmore ordenou e a visão de Pedro foi liberada.

Ele viu um homem alto, careca, de expressão ranzinza na frente dele. O próprio Widmore e mais alguns guarda-costas. Pedro ficou em silêncio para ouvir o que Widmore tinha a dizer.

- Eu li cada detalhe da sua ficha. Você tem um currículo interessante Sr. Brito. O perfil ideal de pessoa que estou precisando. Já esteve nas ilhas Fiji alguma vez?

- Não, senhor. O que tem de interessante lá?- indagou Pedro.

- Sou um homem de negócios, Sr. Brito. E tudo o que vou lhe contar agora é confidencial. Estritamente confidencial, me entendeu?

- Claramente, senhor.

- Eu tenho uma ilha perto das ilhas Fiji. Uma ilha muito especial. Fizemos descobertas incríveis nesta ilha. Eu tinha uma equipe trabalhando lá.

- E o que aconteceu com sua equipe, senhor?- Pedro ousou perguntar.

Widmore pareceu ficar perturbado com aquela pergunta, mas respondeu, ainda que com fúria na voz:

- Um homem chamado Benjamin Linus assassinou a minha equipe. Destruiu o meu projeto e tomou conta da minha ilha! Preciso colocar um espião lá dentro. Alguém que possa me informar sobre o que Linus anda fazendo.

- E o senhor acha que eu sou o homem certo para o trabalho?

Widmore andou de um lado para o outro por alguns instantes até que respondeu:

- Veja bem garoto, como eu disse, li a sua ficha e sei que tipo de rato é você. Alguém que não tem problemas em fazer o serviço sujo por uma boa quantia em dinheiro.

- E de que quantia estamos falando?- a essa altura Pedro já estava animado com aquela proposta.

- Mais dinheiro do que você já viu em toda a sua vida.- respondeu Widmore.

- Então eu terei apenas que ir para esta ilha e ser o seu espião?

- Parece simples, mas não é tão simples assim. Esta ilha é quase impossível de ser localizada. È como um buraco negro no contínuo espaço tempo. Você entende?

- Me desculpe, Sr. Widmore, mas faltei às aulas de física no colégio.- disse Pedro.

- O que eu quero que você entenda é que existem muitos riscos para se chegar lá. Está disposto a enfrentá-los? Se você conseguir, jamais terá que fazer outro serviço sujo de novo com a quantia que terá em mãos. Mas dou-lhe um aviso, uma vez envolvido em minha organização e jamais poderá sair por completo. Nunca poderá revelar sobre tudo o que viu ou ouvi.

- Sou bom em guardar segredos. Também não tenho medo de correr riscos.- assegurou Pedro. Quanto a nunca poder sair de uma organização, Pedro sabia que isto era via de regra para homens como Paik e Widmore. Ainda assim, Pedro podia ser mais esperto do que eles e se aproveitar das relações que tinha com ambos para ganhar em cima disso.

- Então acho que estamos entendidos. No entanto, tem mais uma coisa que precisa saber. – Pedro estava prestando muita atenção. Charles Widmore continuou: - Como eu disse, encontrar as coordenadas desta ilha é quase impossível, exceto porque um avião caiu nesta ilha há pouco mais de um ano e acabamos obtendo sucesso em conseguir novas coordenadas. Você ouviu falar do Oceanic 815?

- Sim, o avião que caiu em uma fenda nas águas do pacífico. Não houve sobreviventes.

- As estatísticas podem estar erradas.- Widmore assegurou.

- Como assim? Eu vi no noticiário. Até mostraram o avião afundado!

- Rapaz, eu tenho um grande plano nas mãos e preciso realizá-lo. Existe a possibilidade desse avião ter caído na minha ilha e de sobreviventes estarem vivendo nela nesse exato momento. Mas infelizmente, minha certeza se resume a um amontoado de coordenadas e parcas informações em um computador. Eu tinha conseguido infiltrar um homem na ilha há alguns anos atrás, mas Linus descobriu tudo e o assassinou. Não posso falhar novamente.

- Eu não falharei, senhor.- garantiu Pedro. – Mas devo lhe dizer que mesmo aceitando sua proposta, ainda trabalho para Paik, então...

- Não se preocupe com Paik. Eu cuidarei dele. Sua grande primeira missão além de espionar Linus será descobrir sobre a existência desses sobreviventes e informar a mim. De acordo com seu relatório prosseguiremos com a segunda parte do plano. Naomi!

Uma mulher adentrou a sala. Ela parecia durona com seu olhar inquisitivo para Pedro, estampado em seus olhos amendoados. Morena, estatura mediana e corpo curvilíneo, Pedro sentiu uma estranha inquietação ao vê-la.

- Pedro, esta é Naomi.- Widmore os apresentou enquanto os guarda-costas dele o desamarravam finalmente. Pedro esfregou os pulsos doloridos e fitou os olhos da jovem mulher.

- Devo dizer muito prazer?- disse ele, fitando Naomi de cima a baixo.

- Òtimo! Ele tem senso de humor.- disse ela com sarcasmo.

- Pedro será nosso espião na ilha.- Widmore explicou a ela. – Já sabe o que fazer.

- Naomi irá para a ilha comigo?- Pedro indagou.

- Oh, não!- a própria Naomi respondeu. – Não tenho a menor vontade de fazer essa viagem sem volta, fico feliz que tenha se disponibilizado.

- Pedro, Naomi irá colocá-lo a par do resto das coisas que precisa saber e o orientará sobre que caminho seguir para chegar até a ilha. Boa sorte e aguardo ansiosamente por seu relatório.

- E quanto ao pagamento?- Pedro perguntou depressa enquanto Widmore deixava a sala com seus guarda-costas, restando apenas ele e Naomi.

- Você irá receber. Widmore é um homem de palavra.- explicou Naomi. – Portanto não fique questionando-o sobre dinheiro a toda hora. Ele não gosta.

- Ok, entendi.- respondeu Pedro. – Então? O que devo fazer agora? Pegar um táxi até a ilha misteriosa do Sr. Widmore?

- Estou faminta!- disse ela. – Venha, vamos dar uma volta, comer alguma coisa, e eu explicarei tudo.

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(Fim do flashback)

Tina foi até a igreja para falar com Mr. Eko logo cedo. Desde o dia em que retornara à comunidade ela ainda não conseguira se ajustar. Não conseguia se lembrar de todo mundo e as pessoas também não faziam muito esforço para ajudá-la. A única pessoa com que ela se sentia bem era com Eko. Dele, ela se lembrava muito bem. Inclusive do romance que tiveram no passado.

Quando estava com Eko, Tina ainda tinha esperanças de que o amor deles pudesse ressurgir, mas ele parecia mesmo ter abraçado a causa religiosa e não dava sinais de que voltaria a ficar com ela, embora sempre demonstrasse muito carinho e atenção quando estavam juntos. Sobre Desmond, ela não se lembrava muito, mas sabia através de Eko que sua amiga Aline o amava, portanto, era melhor que suas memórias românticas com o escocês não fossem relembradas.

Tina subiu o batente de madeira que dava para a porta da igreja e empurrou a porta, chamando por Eko:

- Eko! Você está aí?

Não houve resposta e Tina entrou na igreja procurando por ele. Mas não o encontrou. Viu apenas um homem sentado em um dos bancos da igreja com um caderninho de anotações e uma garrafinha com um líquido amarelado ao seu lado.

- Olá!- ela chamou.

O homem ergueu o rosto para ela.

- Olá, Tina. Acho que não se lembra de mim.- ele comentou. – Eu sou o Pedro.

- Oi.- disse ela, embaraçada por não se lembrar dele.

- Tudo bem.- disse ele. – Eu ouvi dizer que você anda desmemoriada. Mas parece que não se esqueceu do padre né? Estava procurando por ele?

- Sim.- disse Tina.

- Acho que ele ainda não veio aqui hoje.- Pedro respondeu. – Sabe, eu ás vezes gosto de vir aqui, me sentar e escrever. Esse lugar tem o poder de fazer eu me sentir melhor quando preciso. Sempre gostei de igrejas.

- Eu também.- respondeu Tina.

- Você cantava na igreja, não era? Pelo menos foi o que eu ouvi.

- Sim, na Nigéria.- ela respondeu. – Bem, eu vou indo ver se encontro Eko. Me desculpe interromper sua meditação.

- Não, tudo bem.- Pedro esfregou o rosto na testa suada. Estava muito calor. Ele pegou sua garrafinha de cima do banco e estendeu para Tina. – È suco de manga, quer? Está muito calor! Está frequinho, eu o peguei a pouco na despensa, Rose o preparou.

- Obrigada.- Tina sorriu em agradecimento. – Está mesmo muito quente.

Ela tomou alguns goles e em seguida se despediu de Pedro deixando a igreja. Pedro esperou alguns segundos para segui-la e logo a encontrou cambaleante à porta da igreja. Dessa vez ele tinha colocado uma quantidade mais eficiente de tranqüilizante para animais no suco e seria muito fácil pegar mais uma amostra de sangue. Pedro esperava que até o final do dia tivesse a maior parte das amostras para enviar à Benjamin Linus.

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Ana-Lucia despertou e encontrou-se sozinha na cama. Ela esfregou os olhos e espreguiçou-se procurando Sawyer e o filho com o olhar pela cabana, mas eles não estavam em casa. Ela levantou-se da cama e lavou o rosto em uma vasilha com água que Sawyer tinha posto sobre a mesa. Em seguida gargarejou um pouco da água para tirar o gosto amanhecido da boca.

Ela escutou vozes do lado de fora da cabana e reconheceu uma das vozes como a de Sawyer. Ana prendeu os cabelos num rabo de cavalo e saiu da cabana. Aparentemente Sawyer estava em uma reunião com Luke, outros homens e Kate. Ele segurava o filho deles no colo, balançando o menino de um lado para o outro. O bebê sorria feliz com a brincadeira.

- Eu estou dizendo pra vocês, foi aquele maldito filho da p* que entrou na minha cabana noite passada.- dizia Sawyer.

- Como pode ter tanta certeza disso?- Kate indagou ajeitando a filha no colo. – Acha mesmo que ele se arriscaria a vir até aqui, sozinho?

- Talvez não estivesse sozinho.- disse Luke. – Ele poderia ter uma cavalaria esperando por ele na floresta.

- E como nós não encontramos ninguém?- indagou Andrew. – Fizemos uma busca por toda a praia e os arredores da floresta.

- Outros conhecer floresta!- disse Jin.

- Acho que o Jin tem razão.- acrescentou Paulo. – Se eles estavam se escondendo, sabem muito bem como fazer isso. Nós nunca os encontraríamos.

- Tá, suponhamos que Benjamin Linus tenha entrado em sua barraca ontem à noite.- disse Kate. – Por que ele entraria justamente em sua barraca? O que poderia ter lá que fosse do interesse dele?

- Mama!- gritou James de repente ao ver Ana-Lucia se aproximar. – Mama! Mama!

- Oi, querido.- disse ela estendendo os braços para pegá-lo. Sawyer entregou-lhe o bebê e continuou a conversa com os outros.

- Sardenta, eu não sei, mas a verdade é que alguém entrou na minha cabana enquanto o doutor se ocupava com o Craig.

- O que aconteceu com ele?- Ana-Lucia quis saber.

- Ele levou um tiro na floresta.- respondeu Kate.

- Gente, essa mulher que os rapazes encontraram na floresta pode se tratar de uma armadilha.- disse Andrew.

- Armadilha!- concordou Jin.

- Ou uma desertora dos Outros como a Juliet.- acrescentou Paulo.

- Ainda nem sabemos se ela é uma desertora.- disse Kate. – Ainda acredito na possibilidade dela ser uma espiã.

- Mesmo depois desse tempo todo que ela está aqui?- argumentou Sawyer com incredulidade.

- Deveríamos montar um grupo de busca.- Ana sugeriu. – E fazer uma nova ronda nos arredores à luz do dia. Seria mais eficiente.

Lilly começou a chorar e Kate a sacudiu levemente, colocando-a no ombro e dando-lhe tapinhas nas costas.

- Eu acho uma boa idéia. Nós poderíamos dividir por perímetros e...

Sawyer cortou as palavras de Kate.

- Pode até ser uma boa idéia, meninas. Mas nenhuma de vocês duas vai participar desse grupo de busca.

- E por que não?- as duas indagaram em uníssono.

- Eu preciso mesmo responder?- Sawyer retrucou. – As duas estão com suas crianças no colo pelo amor de Deus. Se alguém tem que se arriscar aqui, esse alguém somos nós.

- Não vejo relevância para o seu comentário, cowboy. Afinal de contas eu sou a mãe e você é o pai. James precisa de nós dois!

- È, mas você...

- Se você disser que não posso ir porque sou mulher parto a sua cabeça em duas!- Ana ameaçou.

- E você sardenta, que parte do meu corpo pretende nocautear para que eu a deixe ir?- indagou Sawyer com sarcasmo.

- Nenhuma!- Kate respondeu matreira. – Não tenho tempo para isso, querido. Você não manda em mim e o Jack não está aqui para discutir comigo, portanto...

- Kate, eu acho que nós podíamos começar a busca a partir das pedras e... – Andrew começou a dizer e todos se afastaram conversando sobre as novas estratégias de segurança para a comunidade. Apenas Sawyer e Ana-Lucia permaneceram no mesmo lugar.

James choramingou e Ana-Lucia o embalou, falando ternamente com ele:

- O que foi, cowboyzinho? Está com fome? Quer papinha?

- O guri acordou cedo.- disse Sawyer. – Eu dei papinha de frutas para ele, mas acho que agora ele quer outra coisa.

Ana sorriu e beijou a cabeça do filho.

- Oh sim, mamãe vai dar pra você, meu bebê.

- Chica, está mesmo falando a sério sobre participar desse grupo de busca aos Outros?- indagou Sawyer com seriedade.

- E alguma vez na minha vida eu não falei sério?- devolveu ela com um olhar pouco amigável para ele.

- Mas você tem que pensar no James! Não seja tão teimosa!

- Eu sempre penso no James! Todos os meus pensamentos são para ele.- disse ela se afastando em direção à cabana para amamentar o filho.

- Ana-Lucia!- Sawyer chamou indo atrás dela.

- O que você quer?- ela indagou sem paciência. – Acabo de me lembrar que ainda estou zangada com você pelo que aconteceu ontem.

- O quê? Mas eu pensei que nós já tínhamos superado isso, afinal você está em casa comigo.

- Oh!- ela exclamou sarcástica. – Então você não me conhece mesmo!

Sawyer bufou. Não adiantava discutir com ela.

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Jack terminou de suturar o ferimento da mulher misteriosa e protegeu o machucado com gaze. Ela deu um pequeno gemido quando ele terminou, mas continuou adormecida.

- Ela vai ficar bem?- indagou Hurley.

- Tudo vai depender se o ferimento não infeccionar.- respondeu Jack. – Eu dei um antibiótico para ela e estou esperando por uma reação positiva. Há quanto tempo ela está dormindo?

- Desde o momento em que a encontramos, brotha.- respondeu Desmond. – Ela chegou a dizer algumas coisas desconexas...

- È, ela ficava dizendo Pedro... – lembrou Hurley.

- Ela falou o meu nome.- acrescentou Charlie. – Era como se ela me conhecesse.

- Dude! Tá viajando!- disse Hurley.

- Nós temos que levá-la para o nosso acampamento.- disse Jack. – Vamos ter que improvisar uma maca e carregá-la até lá.

- Podemos fazer a maca com bambu.- disse Desmond.

Sayid ouviu um barulho de folhas sendo pisadas perto deles e resolveu investigar. Ele caminhou devagar por entre as árvores até que a visão sobrenatural do homem com o tapa-olho apareceu diante de si.

Ao ver Sayid, o homem deu um sorriso debochado e começou a correr.

- Você aí, pare!- disse Sayid e foi ao encalço do homem.

- Sayid!- gritou Jack ao ver o amigo correndo e começou a correr também.

Continua...