Capitulo III – Que comecem as aulas

O abajur do exterior brilhava como um farol. Um baixo movimento de carros pareceu romper a névoa matinal, era carro que a esperava no outro lado da rua.

Cada fibra de seu corpo gritava que se detivesse. Uma mulher respeitável não aparecia em público com roupas mais leves deixando em evidência algumas curvas. Uma mulher respeitável não lia um livro erótico de séculos anteriores. Uma mulher respeitável não procurava instrução sexual, mas ela sim e sabia que agora nada podia detê-la.

O golpe seco do bronze rasgou a névoa. Imediatamente, a porta se abriu de par em par.

Bella se preparou, mas não foi o hostil mordomo árabe com sua branca túnica quem a recebeu. Uma moça de rosto recatado e vestida com avental e touca, brancos. O uniforme tradicional dos criados ingleses.

Ela fez-lhe uma reverência, como se o fato de que uma mulher visitasse Edward sem acompanhante às quatro e meia da manhã fosse algo freqüente e habitual. E talvez fosse, pensou Bella de maneira sombria, enquanto franqueava a porta.

—Bom dia, senhora. Faz um tempo horrível, não? Meu patrão me ordenou que a fizesse passar diretamente. Faça o favor de me dar sua capa de frio?

Bella se sentia muito desconfortável, nas roupas, que ainda eram recatadas, mas já eram mais leves e atendiam um pouco o pedido de Edward. Mas se sentia sem suporte nenhum em seu corpo, sentia os seios pesados e grandes e os mamilos duros e maltratados.

—Não será necessário.

Durante um segundo a jovem pareceu querer insistir, mas fazendo uma nova reverência, murmurou:

—Muito bem, senhora. Siga-me, por favor.

As paredes de mogno do corredor tinham incrustações de madrepérola. O brilhante abajur do teto criava um jogo de sombras e luzes com o vigamento de madeira em concha.

Peças de porcelana do tamanho de um homem montavam guarda na parte inferior de uma escada circular. Um tapete oriental de um vermelho e amarelo brilhantes, subia pelas escadas e desaparecia na escuridão.

Não restava dúvida de que Edward tinha ordenado que as luzes do corredor estivessem todas acesas para que ela pudesse ver a loucura de seu intento desesperado, por lhe intimidar vinte e quatro horas antes.

Tinha funcionado.

Que tola havia sido pensando que podia persuadir aquele homem com dinheiro! Evidentemente, o número de suas proezas sexuais só era superado por suas posses materiais.

Se, como ela suspeitava, aquele encontro matinal tinha surto de seu desejo de humilhá-la, seria sua primeira e única lição. Qualquer que fosse o conhecimento que iria adquirir, este dependeria unicamente de sua própria vontade e não se preocuparia o mínimo pela delicadeza inglesa.

A introdução e o primeiro capítulo do "jardim perfumado" tinham conteúdos que não compreendia e ao menos estava decidida a entendê-los.

A jovem golpeou brandamente a porta da biblioteca antes de abri-la.

A cena que aguardava Bella não era a que tinha imaginado. Esperava que a biblioteca estivesse iluminada por uma luz fria e estéril como estava na manhã anterior. Não era assim.

Vestido com uma jaqueta de tweed, ele estava sentado detrás de uma enorme mesa de mogno, com sua cabeça inclinada sobre um livro e o cabelo acobreado resplandecente sob a luz do abajur.

Uma pequena xícara fumegante descansava junto a seu cotovelo direito. Era café e seu delicioso aroma impregnava o ar. Uma bandeja de prata, com sua jarra também de prata, repousavam num extremo da mesa.

Aquele aspecto tão inglês despertou um novo repico de temor dentro de sua cabeça.

O sexo era misterioso, exótico e estrangeiro. Bella podia sentar frente a ele e estudar com louvor da arte do amor erótico.

Discutir sobre isso com um nome que facilmente podia presidir sua mesa de jantar deixava a satisfação sexual no terreno filosófico e o transformava no fruto proibido de que tinha sido privada durante quatorze anos.

A jovem pigarreou brandamente.

- Desculpe senhor. Chegou quem o senhor aguardava. Deseja que lhe traga algo mais?

Edward não ouviu a criada ou preferiu ignorá-la. Ou talvez ignorasse Bella, para demonstrar o pouco que importava a um homem como ele.

Bella se sentiu subitamente como seu jardim de rosas, desolado e fora de temporada. Como sem dúvida, ele planejava que ela se sentisse.

Jogou os ombros para trás... E se perguntou se as plantas se sentiriam tão nuas e vulneráveis sem suas folhas, como ela estava agora.

Os batimentos de seu coração lhe pareceram intermináveis antes que ele fechasse o livro bruscamente e levantasse a cabeça.

—Obrigado, Lucy. Por favor, leve a capa da senhora Black e traga outra xícara.

Bella sentiu que lhe gelava o sangue. Vagamente percebeu que a criada fazia uma reverência. Depois, a capa deslizou de seus ombros e a porta da biblioteca se fechou com um estalo repentino no meio do silêncio.

Edward, e sim, pensou Bella à medida que a surpresa cedia à fúria, ele era um canalha, ficou em pé e assinalou com a mão uma poltrona de couro vermelha colocada diante de sua escrivaninha.

—Por favor, sente, senhora Black.

Bella nunca havia se sentido tão furiosa e nem traída. Tinha imaginado que ele ia tentar humilhá-la. Não tinha imaginado que lhe mentisse. —Edward, o sedutor —Apertou os lábios para evitar que tremessem. - Você me assegurou que um homem como você não compromete uma mulher.

Ele elevou as sobrancelhas simulando se surpreender.

Dois retalhos de marrom dourados, um pouco mais escuros que o bronze de seu cabelo.

— E você acredita que o tenho feito?

—Se tivesse desejado ser identificada, não teria usado uma capa protetora. Não havia nenhuma necessidade de me chamar pelo meu nome. Os criados falam.

— E devo supor que os homens ingleses não o fazem? —Uma ligeira brincadeira brilhava em seus olhos, como uma sombra mais escura. - Se você não desejava que os criados ingleses a conhecessem, senhora Black, não deveria ter deixado um cartão a um deles.

—Seu mordomo é árabe. - Disse ela com dureza.

— Ah, sim? E o que pensa que sou eu? Árabe ou inglês? — Isso faria alguma diferença se fosse para te reconhecer por seu cartão?

Ela teve que exercer todo o controle de que dispunha para não lhe dizer exatamente o que era ele.

—Seus mamilos estão duros, senhora Black. Excita-a, a ira?

Bella sentiu que o fôlego ficou preso na garganta.

De repente, ele sorriu, descobrindo dentes brancos e perfeitos.

Era um sorriso atraente, cheio de colides e picardia.

Ela não pôde deixar de associá-lo a Phillip, seu filho caçula, que sorria também assim quando fazia algo totalmente proibido e desejava evitar o castigo.

—Por favor, senhora Black, sinta. Minha criadagem é bem escolhida para não repetir os nomes de meus convidados. De onde a maioria vem os servos não tem o menor valor, jamais trabalhariam para qualquer família. Eles conhecem o valor da palavra senhora

—Na Inglaterra é proibido coagir criados. – Ela replicou gelidamente. - Nem tampouco consentimos esse tipo de tratamento.

—Mas não é proibido comprar a um criado, uma passagem de ida num navio de carga oriental. Ah, aqui está Lucy. Coloque a xícara e o pires sobre a bandeja... Assim. Esta bem. Obrigado. Já não necessitaremos mais de seu serviço.

Bella teve que controlar seu corpo para evitar que este seguisse de maneira independente, a criada que saia da biblioteca. Embora Edward não a tivesse traído, havia falado a palavra mamilos.

Mas o sentido comum a advertiu de que era ela quem lhe tinha pedido que a instruísse nas maneiras de agradar um homem. Se não podia suportar que ele pronunciasse uma parte da anatomia da mulher, como reagiria quando discutissem sobre a anatomia de um homem?

Indiferente a batalha em seu interior, ele serviu uma bebida surpreendentemente negra dentro da pequena xícara, logo acrescentou o que parecia ser um pouco de água. Ofereceu-lhe o café, apresentando-o de maneira formal, pegando delicadamente a beirada do pires.

—Venha, senhora Black. Sinta. A menos que tenha trocado de parecer, é obvio.

Era como se lhe tivesse atirado a luva no colo. Aquele gesto provocantemente correto implicava que se aquela lição fracassara e a culpa seria única e exclusivamente dela.

Era um desafio que não podia recusar.

Bella se ergueu ainda mais, o qual realçou seus seios, aumentando o atrito de seus mamilos. Lentamente, cruzou a grande distancia que os separava pelo tapete oriental e se sentou na beirada da poltrona de couro vermelho.

As normas da correta etiqueta, indicavam que uma mulher devia se portar na frente de qualquer pessoa da sociedade. Ela sabia que ele era rico, mas não passava de um qualquer para seus semelhantes. No entanto algo dizia que poderia confiar naquele homem.

Fria e metodicamente estirou a mão para alcançar o pires de porcelana, veteado de azul.

—Obrigado.

O café estava espesso, tão doce e tão forte que quase a deixou sem respiração. Além disso, estava fervendo.

Ofegando, pousou rapidamente o pires e a xícara sobre a mesa. — O que é isto?

—Café turco. Está recém feito. Deve soprá-lo e logo tomá-lo de um gole. Leu os capítulos designados?

Bella colocou a mão sobre a garganta, sentia como se a tivessem escaldado.

—Sim.

Edward se reclinou no assento. Em seu rosto aparecia um jogo de luzes e sombras.

— E o que aprendeu?

Os olhos verdes deixaram de ser zombeteiros. Eram os olhos de um homem penosamente atraente observando uma mulher penosamente pouco agraciada.

Bella se esqueceu imediatamente da dor na garganta. Vestindo uma expressão insípida que a sociedade exigia de uma mulher respeitável em público, evitando mostrar qualquer emoção ordinária e vulgar, procurou no interior de sua bolsa e extraiu o livro e um maço de papéis.

Deixou o livro sobre a mesa, ao lado da pequena xícara. Sentindo como se fosse uma menina em idade escolar, consultou os papéis.

—Estima-se que "O Jardim Perfumado" foi escrito no começo do século XVI. Acredita-se que o autor nasceu na Nefzaoua, um povo situado na costa do lago Sebkha Melrir, ao sul de Tunísia, daí seu nome, Sheik Nefzawi, já que muitos árabes adquirem sua denominação pelo lugar de nascimento. Embora "O Jardim Perfumado" não é exatamente uma recopilação de autores, é provável que algumas seções tenham sido tiradas de diferente escritores árabes e hindus.

Senhora Black.

Bella apertou os dentes.

Edward pronunciava seu nome como se de verdade ela fosse uma menina em idade escolar... E bastante estúpida, por certo.

Ela levantou o rosto. Os olhos verdes estavam escurecidos pelas grossas sobrancelhas negras.

— Sim, Sr. Cullen?

—Senhora Black, acaso lhe disse que lesse as notas do tradutor?

Os dedos da mulher se apertaram com raiva, enrugando suas notas.

—Não.

—Então vamos sair do foco da história do livro e do autor e procedamos com a seção também conhecida como "Comentários gerais sobre o coito". Ele sorriu, desafiando-a a que continuasse.

Bella pensou em seu marido com outra mulher. Pensou em seus dois filhos, inimizados com seu pai. Respirou profundamente, para acalmar os fortes batimentos de seu coração.

—Muito bem. - Disse com certa tranqüilidade, voltando para suas notas. - O Sheik assegura que o maior prazer do homem reside nas partes naturais da mulher e que não conhece nem a quietude até que ele. —elevou a cabeça, cravando seu olhar na dele, — a penetre.

Ela se negou a afastar o olhar daqueles olhos de cor tão intensa. E também se negou a reconhecer que seus seios se endureceram.

De repente, Bella sentiu desejos de humilhá-lo da mesma forma que ele queria denegri-la. Queria ser ela quem o envergonhasse e o escandalizasse.

—Então, Sr Cullen, parece que o comentário que você fez ontem referente a que todos os homens são da mesma natureza é certo. Mas estou confusa com respeito à referência do Sheik sobre que "o homem funciona da mesma maneira que uma maça de morteiro, enquanto a mulher colabora com ele com movimentos lascivos...".

O chiado do abajur sobre a mesa afogou o rugido de seu coração. Os lenhos que ardiam na lareira se partiram e rangeram.

Finalmente, ele disse com suavidade:

— O que é o que a confunde, senhora Black?

Havia chegado o momento. Já não podia pretender ser pudica.

O sexo não era um assunto proibido.

Bella se perguntou se ele conseguia ouvir as batidas de seu coração.

—Antes de me casar, a única orientação sexual que recebi foi de minha mãe. Não compreendo como pode se mover uma mulher, sem entorpecer as ações do homem. A minha relação com Jacob é algo totalmente mecânico e sem muito entrosamento.

Edward estava sentado como se fosse de pedra. Até a fumaça que subia de seu café parecia haver gelado.

Ela tinha conseguido escandalizá-lo. Ela tinha conseguido escandalizar a si mesma.

Uma coisa era lhe contar a um desconhecido a infidelidade de seu marido e outra muito distinta era dar detalhes sobre seu leito conjugal.

O calor na biblioteca se tornou repentinamente insuportável. Distraidamente, ela procurou por sua bolsa e capa.

—Desculpe...

Um rangido de madeira lhe fez levantar a cabeça bruscamente.

Ele se inclinou para diante em sua cadeira. Seus olhos ardiam à luz do abajur.

—Em árabe a palavra dok significa amassar, golpear. É uma combinação do movimento de investida que um homem utiliza para alcançar o clímax dentro da mulher, com a pressão de sua pélvis contra ela para incrementar suas sensações. Sedimento é um movimento de balanço. Uma mulher pode levantar ou balançar seus quadris para cima, para encontrar com o embate para baixo, do homem. Ou pode rebolar seus quadris de um lado a outro para complementar os movimentos de impulso dele. Chegará um momento em que os movimentos do homem serão muito rápidos ou fortes, para que a mulher possa se mover sem deslocá-lo. Nesse momento, a melhor maneira de agradar tanto a ele como a ela mesma é envolvendo suas pernas ao redor de sua cintura e simplesmente sustentando-o, enquanto que ele faz ambos alcançar o orgasmo.

Uma sensação elétrica sacudiu o corpo de Bella.

De repente, as palavras dele se transformaram em imagens visuais, como se estivesse observando a projeção de uma lanterna mágica.

Mas as cenas se projetavam em seus olhos e não sobre uma parede. Não eram as inocentes transparências pintadas a mão que mostrava a seus filhos para entretê-los e educá-los.

Eram imagens eróticas, imagens explícitas iluminadas por uma luz muito mais quente que um insignificante brilho.

Havia um homem nu e figuras que avançavam em uma seqüência rápida, de maneira que investia e esfregava alternativamente seu corpo escuro entre as pernas pálidas e estendidas que subiam cada vez mais alto sobre os quadris magros e musculosos.

Pela primeira vez em sua vida, a mulher de cabelo cor mogno estava completamente aberta e vulnerável debaixo dele. Não havia nada que segurasse o homem, que golpeava e pressionava dentro de sua suavidade e não havia nada que ela pudesse fazer para reter seu próprio prazer...

A realidade retornou com o eco distante de uma porta que se fechava bruscamente.

Bella piscou.

Estava com as palmas das mãos úmidas. Como também estavam outras partes de seu corpo nas quais era melhor não pensar. E ainda não estavam nem na metade da primeira lição.

Jogou seus ombros para trás.

—Desculpe, posso lhe pedir que me empreste uma caneta e papel? Eu gostaria de fazer algumas anotações.

O assombroso hipnotismo de seus olhos se cristalizou.

— Pensa você consultar suas notas quando seu marido visitar seu leito, senhora Black? — Ele disse com acidez.

—Se for necessário, Sr. Cullen. – Ela replicou imperturbável.

Como resposta, ele empurrou uma caneta qualquer para o outro lado da mesa, abriu uma gaveta e tirou uma folha de sulfite.

Bella notou que ao lado de suas canetas e pertences tinha uma espécie de pluma de ouro. Parecida bem pesada, mas achou melhor não mexer e nem questionar.

— Poderia repetir o que acaba de dizer, por favor?

Felizmente, as imagens proibidas estiveram ausentes em sua segunda explicação, mais fria e breve.

—Obrigado, Sr. Cullen —Terminou de escrever com um pequeno gesto de ênfase e novamente consultou suas notas. - A introdução termina dando o título completo da obra do Sheik, "O Jardim Perfumado" para a pulverização da alma. Continuamos então com o capítulo um?

Edward sorriu um sorriso masculino, planejando sua vingança.

—Naturalmente.

—O Sheik assegura que os homens se excitam pelo uso de perfumes...

—Está adiantando, senhora Black. Não só saltou o começo do capítulo, mas também omitiu os dois subcapítulos: "Qualidades que as mulheres procuram no homem" e "Os diferentes tamanhos do membro viril".

"Membro viril" ressoou em seus ouvidos como um eco.

Bella apertou a caneta em suas mãos para acalmar sua respiração entrecortada. Aquele era o momento que tanto havia temido, mas agora que chegara, sentia estranhamente animada.

— Não encontrei algo que valesse a pena. - Mentiu.

—Uma lástima, senhora Black. Você recordará que a introdução finaliza com o amigo e conselheiro do Sheik lhe indicando formas de incrementar o tamanho do membro viril. O capítulo um se titula "O que concerne aos homens meritórios". O Sheik dá grande importância às genitálias masculinas. Se seu marido sofrer de algum transtorno sexual, você deve poder julgar se é devido ao tamanho de seu membro, em cujo caso deve saber qual é a longitude correta, para... Alongá-lo.

Os olhos claros emitiam brilhos. Edward estava desfrutando de seus esforços por incomodá-la.

—De acordo com o Sheik, um homem "meritório" deve possuir um membro que tenha "como máximo a longitude equivalente ao longo de doze dedos ou três palmos e como mínimo seis dedos, ou um palmo e meio".

Bella lutou para evitar que o fogo que transpassava seu peito subisse para seu rosto.

— Refere-se ao largo da mão de uma mulher ou de um homem?

Ele apoiou suas mãos, uma sobre outra na suntuosa madeira escura da mesa.

—Será você quem dita, senhora Black.

Ela jamais tinha parado e pensado em seu marido desta forma, a situação era tão mecânica que não saberia nem definir ao certo o que era que ele tinha.

Estava apenas familiarizada com o tamanho de seus dois filhos quando eram pequenos, para comparar com um homem.

A curiosidade foi mais forte que a prudência.

Colocou seus pertences de lado e se inclinou para diante.

Suas mãos eram grandes e mediam bem mais que a largura das suas, juntas.

—Um palmo... —A mão do Sheik Bastardo que estava mais perto dela se moveu para diante, alguns dez centímetros. – Dois palmos.

Os olhos de Bella se dilataram.

Impossível. Nenhuma mulher podia acomodar vinte centímetros.

— E bem, senhora Black?

Bella se recostou em sua cadeira.

—Ou os homens árabes têm membros extremamente grandes ou mãos muito pequenas, senhor Cullen. Até o momento em que chegamos ao capítulo que contém as receitas para incrementar o caráter meritório do homem, eu sugiro que passemos aos benefícios do perfume.

Inclinando para diante, ajeitou a caneta e se preparou para escrever.

— Em suas viagens, o que tem a me dizer sobre o perfume se usa num harém?

Uma risada profunda e masculina alagou a biblioteca.

Bella nunca tinha visto ou ouvido antes um adulto ceder de maneira tão desinibida ao riso. As damas usavam um risinho afogado e os cavalheiros riam a gargalhadas. Descobriu que a risada verdadeira era contagiosa.

Edward tinha uma série de molares perfeitos.

Ela mordeu os lábios para não cair no ridículo, durante um momento em que baixou a guarda e seus olhos se encontraram com os dele e compartilharam o absurdo da situação.

—Touché, Taliba. —Seus olhos verdes continuaram cintilando inclusive depois de que a risada se apagou.— Inclino-me ante sua enorme curiosidade ... Nesta manhã. Âmbar, almíscar, rosa, pétalas de flor-de-laranja, jasmim... Todos esses aromas são habituais entre as mulheres árabes. Que perfume você usa?

Sua voz era rouca, íntima. Não era a voz de um homem com a intenção de humilhar uma mulher.

Bella voltou bruscamente à cabeça para trás.

—Lamento lhe informar que sou alérgica a perfume. Do que é o que me chamou... Taliba?

A luz em seus olhos se apagou e passaram da cor da turquesa polida ao da pedra tosca ainda sem cortar. —Taliba é a palavra árabe que designa um estudante, senhora Black.

De maneira absurda, Bella se sentiu decepcionada. Jacob jamais tinha empregado um termo carinhoso com ela, nem sequer durante os 10 meses em que a cortejou, nem nos quatorze anos de matrimônio.

Simulou estar escrevendo a palavra árabe em suas notas.

— É necessário que uma mulher utilize perfume para atrair um homem?

— O que aconteceria se lhe dissesse que sim?

Uma grande mancha de tinta negra se estendeu pelo papel.

—Então consultarei o dermatologista para ver se há algo que modere minhas alergias durante o tempo que irei satisfazer meu marido.

—Não é necessário que sacrifique sua saúde. —O calor e a risada haviam desaparecido de sua voz. - Um grande Sheik, no momento de entregar sua filha favorita em matrimônio, aconselhou-a que a água é o melhor dos perfumes. Você é alérgica a flores?

—Não.

—Então triture pétalas de flores em sua pele, debaixo de seus seios e no triângulo de pêlos entre suas coxas. A combinação do aroma da flor com o calor úmido de seu corpo será bem mais eficaz que algo que possa comprar num frasco.

O suor envolvia a parte inferior dos seios de Bella, que rabiscava energicamente... Flores trituradas debaixo de... Durante alguns momentos, a ponta da caneta que rasgava a superfície do papel afogou o estalo da madeira ardente e o chiado da chama da lareira.

Edward tinha deduzido que um homem desfrutava da fragrância do corpo de uma mulher.

Ela se cheirou discretamente. Tudo o que podia cheirar era o benzeno de seu traje de lã limpo e o forte aroma do café e a fumaça da madeira que ardia.

— Sabe você o que é um orgasmo, senhora Black?

Bella deixou de rabiscar subitamente. Sua confusão se converteu em vergonha, que a sua vez estalou numa fúria vermelha, brilhante.

Não deixaria que ele a humilhasse.

Bella levantou a cabeça.

Os olhos verdes de sempre estavam esperando os seus.

—Sim, Sr. Cullen. Sei o que é um orgasmo.

Com os olhos semicerrados, ele estudou-a como se fosse um animal ou um inseto, o qual nunca antes vira.

— O que é?

O que é?

Durante alguns minutos, a consternação lhe tirou a fala.

Era evidente que ele não acreditava que ela soubesse.

Que lhe pedisse descrever uma experiência tão intensamente pessoal era escandaloso, mas que acreditasse numa mentirosa era mais do que podia suportar.

Os lábios dela se contraíram.

—É o... Topo do prazer.

— Já experimentou você esse topo do prazer?

Ela inclinou o queixo e teria respondido com um categórico e desafiante sim, se não fosse pelo repentino ardor nos olhos dele.

—Acredito que esse não é assunto de sua conta.

—Você diz que só deseja aprender a agradar seu marido, senhora Black. - Disse ele, com aspereza. - Acaso não deseja também aprender a sentir maior prazer?

De repente, Bella se sentiu tremendamente contente por ter estudado tão avidamente. Embora não podia igualar seu conhecimento sexual, certamente podia defender quando tratava de competir em sagacidade.

Um pequeno sorriso de triunfo se esboçou em seus lábios.

—Certamente, Sr Cullen. Não pode ter esquecido as palavras do Sheik. As partes de uma mulher não sentem "nenhuma sensação prazerosa ou satisfatória até que as mesmas tenham sido penetradas pelo instrumento do macho". Assim, ao agradar seu marido, uma mulher sente prazer em si mesmo. — E Jacob, pensou sombria, sentia o maior prazer quando não lhe impunha nenhum tipo de exigência. Nem sequer tinha se incomodado em abrir a porta do quarto para ver se ela estava bem quando tinha voltado para casa.

Mas não desejava pensar em seu fracasso como mulher no passado.

A satisfação no leito conjugal devia ser possível. Só tinha que... Aprender a consegui-la.

Sem pensar muito, perguntou-lhe:

— Você se excita com os beijos, Sr. Cullen?

— E seu marido?

Uma sensação de frieza invadiu Bella.

Jacob há muito tempo não a beijava de maneira apaixonada, mesmo antes já não acontecia com freqüência. Agora menos ainda, eram apenas selinhos em breves encontros.

Não, isso não era completamente certo. Quando o pastor os declarou marido e mulher, Jacob tinha pousado brevemente os lábios sobre os seus com pouco entusiasmo.

Bella baixou o olhar para o pequeno relógio de prata que tinha no prendedor de seu vestido. Eram cinco e dez.

Inclinando-se, apoiou a caneta sobre a mesa, mas não resistiu, pegou a grossa pluma de ouro e ficou observando, simulou como seria escrever com tal e a devolveu no lugar.

—Não discutirei sobre meu marido com você e nem com ninguém, Sr. Cullen. —Com mais pressa que graça, envolveu o maço de notas e as colocou com rapidez na bolsa. — Acredito que nossa aula se concluiu.

E Bella tinha resistido com seu orgulho intacto, embora não tivesse acontecido o mesmo com seu pudor. Devia sentir aliviada. Mas não era assim.

—Muito bem, senhora Black. — Edward, com seus olhos novamente zombeteiros, ficou em pé. — Eu a verei amanhã. Às quatro e meia da manhã.

Pegou o pequeno livro de couro da mesa e o entregou.

—Capítulo dois, senhora Black.

Assentindo com a cabeça, ela aceitou o livro e se dirigiu para a porta sem fazer nenhum comentário.

— Regra número dois. Amanhã pela manhã e cada manhã a partir de agora, você deixará sua capa na porta de entrada... e nada de luvas de dama da alta sociedade.

A fúria lhe percorreu. Havia obedecido aos homens de sua vida durante trinta e dois anos... Por que tinha que acatar as ordens daquele estranho?

— E se não?

— Então darei por finalizado nosso acordo.

O coração bateu forte em seu peito e depois começou a pulsar num ritmo desenfreado.

A que ele se referia? Às aulas... Ou a sua palavra de cavalheiro do Oriente e do Ocidente de que não diria uma palavra a ninguém?

—Devo supor que você não sente grande simpatia nem pelas capas nem pelas luvas. - Disse ela com frieza.

A risada retornou a sua voz.

—Supõe corretamente, capa apenas se for algo para te deixar mais ousada ou cometer uma loucura e luvas, não se usam mais hoje em dia.

— E pelo o que se sente agradado?

—Por uma mulher, senhora Black. Uma mulher quente, úmida e voluptuosa, que não teme sua sexualidade e nem sente vergonha de satisfazer suas necessidades.

****

O aroma de benzeno seguia suspenso no ar da biblioteca. Edward levantou a pluma que Bella Black tinha tocado por fim.

Qual das duas é você, senhora Black? — Murmurou para si enquanto acariciava delicadamente o suave metal, que ainda conservava o calor da pele. — Uma mulher que tem medo da sua sexualidade... Ou uma mulher que sente vergonha de satisfazer suas necessidades?

Ela tinha as mãos pequenas. Obstinada entre seus magros dedos, a grossa e pesada pluma parecia um primitivo falo de ouro. A esposa do ministro da Economia e Fazenda teria que usar ambas as mãos para abranger um homem do tamanho de Edward.

A lembrança sacudiu todo seu corpo. "Não compreendo como pode se mover uma mulher sem entorpecer as ações do homem". Depois dos comentários ingênuos do dia anterior pela manhã, deveria estar preparado para sua honestidade. Não estava. Ela tinha conseguido surpreendê-lo uma vez mais. Como podia uma mulher tão inexperiente gerar tanta tensão sexual?

Ibn.

Os dedos de Edward se aferraram compulsivamente ao redor da pluma de ouro. Preparando o corpo de forma inconsciente para defender, levantou a cabeça.

Muhamed estava em pé atrás da poltrona de couro vermelho, que Bella Black tinha deixado vazia só a alguns momentos. Uma capa com capuz negro cobria o turbante do mordomo e o branco thobs de algodão.

Os olhos verdes se fixaram naqueles tão escuros, que pareciam negros.

Olhos de Cornualles.

Um sorriso cínico se instalou nos lábios de Edward

Edward parecia árabe, mas em realidade não era. Muhamed tentava parecer inglês, mas não passava nem perto.

Bella Black, como tantos de sua raça, via só o que estava preparada para ver.

— O que acontece, Muhamed?

—O marido não saiu de casa ontem pela manhã. Só a mulher, a senhora Black. Partiu em um táxi antes das dez. Não sei para onde. Mais tarde, enquanto estava fora, o marido voltou para jantar. Foi...

— Disse que não tinha saído de casa, - interrompeu Edward bruscamente. — Mas voltou para casa para jantar.

A face de Muhamed, ainda forte e musculosa para a idade de cinqüenta e três anos, permaneceu impávida.

—Desconheço o motivo disso.

Edward sim o conhecia.

Jacob Black tinha passado a noite com sua amante. E com certeza Bella Black também sabia. Aonde ela teria ido pela manhã, deixando sua casa antes da hora em que acostumavam sair às damas da alta sociedade? As compras? Fazer visitas? Fuga?

Não, Bella Black não fugiria. Nem da infidelidade de seu marido nem de um acordo com um sedutor canalha como ele.

— Aonde foi o marido depois de jantar?

— Ao edifício do Parlamento. Permaneceu ali até as duas da manhã. Logo voltou para casa. Está lá agora.

Como também estaria Bella breve.

Teriam leitos matrimoniais separados... Ou compartilhariam o mesmo?

Imediatamente, Edward repudiou a idéia de que Bella compartilhasse a cama com outro homem. Não poderia sair de sua casa se assim fosse. Mas isso não significava que não pudesse reunir com seu marido em sua cama.

Sentiu uma punhalada de ira em seu interior.

Bella Black sabia o que era um orgasmo.

Tinha-o aprendido de seu marido? Podia penetrar em sua fria reserva inglesa sob a aparência de decoro e lhe deixar alcançar o topo do prazer?

—Não descobriu a identidade da amante de Jacob Black? — Disse em tom imperioso.

Os olhos negros de Muhamed brilharam.

— Não.

— E, entretanto deixaste sua casa sem vigilância. Ordenei-te que o seguisse até que descobrisse quem é a amante.

— Acreditei oportuno voltar, Ibn.

Edward não se deixou enganar pela reticência de Muhamed. Seus escuros olhos de Cornualles irradiavam desaprovação.

Se explique.

— A senhora Black é um problema.

Não parecia ser um problema, apoiada na beirada da poltrona vermelha, fazendo equilíbrios com sua bolsa, suas luvas e suas notas. Seu pálido rosto emoldurado tinha sido a imagem do decoro até que lhe tinha explicado que um homem amassa e esmaga seu corpo dentro de uma mulher como se fosse uma massa.

Então seus claros olhos cor chocolate se acenderam de ardor. Seus soberbos seios se avultaram dentro de seu vestido de lã, sensíveis. Tão sensível às palavras. Ao suave toque do tecido esfregando contra a pele livre das ataduras.

A cada respiração, seus mamilos foram ficando cada vez mais duros.

Não era seu corpo o que ela tentava esconder por entre as roupas. Eram seus desejos.

Que tipo de homem era Jacob Black que preferia abster da paixão genuína, pelo prazer pago?

Edward apoiou o queixo sobre a ponta de seus dedos, escondendo-se atrás de uma dura inflexibilidade seus pensamentos e uma fome voraz e repentina.

—Talvez seja assim. Mas é meu problema.

— Esqueceste, Ibn?

Cada vez que Muhamed o chamava Ibn, Edward o recordava.

Algumas vezes, esquecia... Quando dormia com alguém. Isabella Black o fazia esquecer só com as palavras. Quanto tempo havia passado de que Edward tinha desejado uma mulher... E não simplesmente para esquecer? Quanto tempo havia passado de que tinha rido?

— Não esqueci, eunuco. — Replicou fria e deliberadamente, Edward.

Muhamed voltou à cabeça bruscamente.

Imediatamente, Edward se arrependeu de suas palavras. Muhamed não tinha pedido para levar a carga que lhe tocava, como tampouco ele a sua.

Perguntou-se como sobrevivia seu empregado, incapaz de escapar a seu passado dentro do corpo de uma mulher, embora fosse brevemente. Pelo menos Edward tinha esse privilégio. Minutos inteiros, aonde o único que importava era o som da carne que investia, úmida e o calor suave de uma pele feminina possuindo-o, absorvendo-o até que lhe tirasse a dor e deixasse só a lembrança. Rogava a Alá e a Deus para que lhe permitisse encontrar uma mulher que pudesse aceitar o que ele não era capaz de suportar.

— Vá. — Ordenou Edward brandamente, controlando a fúria e a repugnância que sentia por si mesmo. — Contrate alguém. Não me importa o que custe. Quero saber tudo o que faz Jacob Black. Todos os lugares que visita. Todas as pessoas com quem fala. Todas as mulheres com as quais se deitou alguma vez. Eu quero me inteirar. E espero que não me volte a falhar.

Com o corpo tenso como a alfanje que levava sob as dobras da capa e seu thobs, Muhamed se dispôs a se retirar da biblioteca.

Edward baixou a vista para a xícara vazia que descansava perto de seu cotovelo. A xícara cheia que Isabella tinha deixado rapidamente depois de dar um gole no quente café turco.

Muhamed tinha razão. Uma mulher como Isabella Black podia causar a um homem como ele, muitos problemas. Aqui, na Inglaterra, ele estaria preparado.

— Muhamed.

O homem se deteve ante o som da voz de Edward, com a mão a ponto de fechar a porta.

— Não repetirei os enganos que cometi no passado.


Ta ai mais um capitulo de O Tutor!

*solta a respiraçao*

tensão, heim?

ADORO!

Espero que gostem, e comentem né pessoal?

Por favor! x)

To megaaa feliz com os leitores novos, e fico muuuito contente com as reviews de vocês! Que tal chegarmos as 25 reviews pro proximo capitulo heim?

eu acho uma boa!

;)

Xarol me ameaçou de cortar a postagem de O Tutor caso eu nao a supreenda com os posts da minha fic, e sem reviews de vocês, eu fico triste, e nao rola de escrever. Entenderam o processo?

ASHUASUHSAUHSAHUSAHUASUH

ENTAO É ISSO

REVIEW

REVIEW

REVIEW!

;)

beijos, drigo.