CAPÍTULO VI – Constatações
Edward olhou com atenção um jornal de quatro anos. Aparecia uma fotografia de Jacob Black, recém designado ministro da Economia e Fazenda e sua esposa Bella, com seus dois filhos, Richard e Phillip.
Um jornal atual mostrava Jacob sozinho. Tinha o cabelo curto e negro, penteado para um lado. As mulheres o considerariam muito bonito, pensou Edward desapaixonadamente, enquanto que os homens ficariam impressionados pela confiança que tinha em si mesmo.
Um jornal de um mês mostrava uma foto de Bella em pé, atrás de um pódio, em que só se viam sua cabeça e seus ombros, ocultava quase todo seu cabelo. As mulheres a veriam como uma mulher moderna que apoiava de maneira ativa as boas obras e a carreira política de seu marido. Para os homens seria uma esposa útil embora aborrecida.
Um jornal de seis meses tinha publicado uma foto de Jacob e Bella juntos, aparentemente o casal perfeito. Ele sorrindo afavelmente e ela com um olhar sonso. logo estava um jornal de muitos anos antes que mostrava uma fotografia do Swan, primeiro-ministro eleito e sua esposa, Renée, com sua filha ainda criança, Bella.
Charlie Swan tinha sido muito afortunado na política. Seu primeiro mandato como primeiro-ministro havia durado seis anos. Depois de perder o apoio de seu gabinete, tinha lutado para recuperar seu posto. Seu segundo mandato, do qual já tinham transcorrido quatro anos, não dava sinais de debilidade.
Edward comparou os dois retratos familiares.
Bella parecia com seu pai. Enquanto que os filhos de Bella... Eram parecidos com Jacob.
L'na! Maldito seja! Seria muito mais singelo se parecessem com Bella. Levantou uma cópia do The Time também muito antigo. Uma fotografia de Bella acompanhava uma notícia que anunciava seu casamento com Jacob Black, que possuía uma promissora carreira política.
Parecia tão jovem. E tão ingênua. O fotógrafo tinha captado, fosse acidentalmente ou a propósito, a romântica ilusão de uma menina sem experiência, a ponto de se transformar numa mulher. Bella tinha se casado aos dezoito anos. Isso significava que na atualidade estava com trinta e dois. E agora seu rosto não tinha nenhum tipo de expressão, nem em pessoa, enquanto se sentava frente a Edward discutindo sobre relações íntimas, nem nas diferentes fotografias tomadas depois da nomeação de seu marido no gabinete de seu pai.
Os jornais mencionavam muitas de suas atividades. Fazia uma intensa campanha a favor de seu marido, assistindo festas, organizando bailes de caridade, beijando meninos órfãos e repartindo cestas aos pobres e doentes.
Segundo tudo o que tinha observado, Bella era a filha, esposa e mãe perfeita. Uma mulher que merecia ser elogiada.
Atirou o jornal sobre sua mesa. A repugnância se misturava com a indignação, o desejo com a compaixão. O temor se sobrepôs a todos eles. Temor de que Bella Black soubesse realmente quem era seu marido. Temor de que tivesse procurado deliberadamente a Edward devido a esse conhecimento. Ela devia saber sobre seu marido! Mas, por outro lado... Não havia nenhuma maneira de que pudesse saber... A verdade sobre Edward.
As páginas do amarelado jornal se agitaram. Uma suave rajada entrou na biblioteca.
—Ibn.
A voz de Muhamed podia soar cortesmente inexpressiva para aquele que não o conhecesse. Não era. Muhamed pedia a Edward em silêncio que rechaçasse Bella Black, como ele já o tinha feito em seu coração. Talvez Muhamed tivesse razão. Bella tinha intimidado o mordomo. Queria que Edward lhe desse instrução sexual. Nenhum dos dois atos aparentava ser inocente.
— Seria possível que esse detetive que contratou... —Edward fez uma pausa, odiando-se por perguntar, mas incapaz de deter a pergunta. - Estivesse equivocado?
Os olhos negros se cruzaram com os verdes.
—Não há nenhum engano, Ibn.
Edward recordou o vermelho ardente no cabelo mogno escuro de Bella... E seu rubor quando a elogiara. Suas reações eram as de uma mulher que raras vezes recebia galanterias.
Uma fúria cega, fria e dura subiu até seu peito. Ela merecia algo melhor que Jacob Black.
— O que está fazendo Black esta noite?
—Está num baile.
— Quem o organiza?
—A Sra Whitfield.
—A mulher com a qual o ministro da Economia e Fazenda foi supostamente visto... Quem é, Muhamed?
O rosto escuro de Muhamed permanecia paralizado. —Não sei, Ibn.
Edward o olhou intensamente, com os olhos semicerrados.
—Mas tem uma idéia.
—Sim.
—Então me traga as provas necessárias.
A noite se formava do outro lado das enormes janelas. Estaria Bella dançando nos braços de seu marido no baile dos Whitfield?
Naquela manhã tinha tomado dois goles de café turco, apesar de que era óbvio que lhe desgostava. Ou não? Se tivesse a oportunidade, o que escolheria Bella? O decoro ou a paixão?
De repente, imaginou-a nua, reclinada sobre vários almofadões de seda. A imagem podia ser ridícula. Mas não era. Podia imaginar vividamente seu escuro cabelo cor mogno caindo em cascata sobre suas costas e sobre seus seios enquanto ele lhe chupava os mamilos.
—Manda chamar um táxi. - Ordenou Edward de repente. - Esta noite serei eu que seguirei Black.
O baile resultou ser muito pior do que Bella tinha imaginado. Conversou com as jovens debutantes que ainda não tinham pares e com os homens que eram muito tímidos para se aproximar do sexo oposto.
Também havia se aproximado daqueles homens e mulheres mais velhos ou que estavam muito fracos para dançar. E todo o tempo pôde ouvir a modulação forçada das risadas nervosas das mulheres e as gargalhadas masculinas enquanto o mais deslumbrante da sociedade girava e dava voltas na pista de baile, absorta em sua busca de prazer.
Edward havia elogiado seu cabelo. Quanto tempo tinha passado desde que Jacob lhe tinha feito um elogio... Sobre o que fosse? Quanto tempo pode uma mulher agüentar com tranqüilidade a ausência de sexo?
—Senhora Black...
Bella demorou um segundo em dar conta de que estavam lhe falando. Seu companheiro, Sr. Inchcape, um nobre de oitenta anos cujo característico aroma corporal obrigava a colocar a cabeça, contra o vento, não necessitava de sua conversa, só alguém que o escutasse.
—Senhora Black, tenho alguém aqui que deseja que o apresente.
Bella se voltou, agradecida Sra. Whitfield, dona da festa.
Seu cálido sorriso se gelou. Edward, todo vestido de negro e gravata branca, destacava sobre a figura baixa e redonda da anfitriã. Em seu outro braço se pegava uma mulher alta. À parte de acima de sua cabeça alcançava o queixo dele. Era magra, elegante e trajava um vestido turquesa que combinava com seus olhos. Seu rosto era perfeito. Seu cabelo dourado estava preso num coque.
O reconhecimento foi instantâneo. Ela devia ser a mulher com a qual ele se derrubou até que seu perfume se converteu em seu próprio aroma. Sentiu uma dor aguda no peito. Ciúmes, inveja.
A mulher era tudo o que Bella jamais seria.
Exatamente o tipo de mulher que ela escolheria para um homem como ele. A face roliças da Sra Whitfíeld estavam acesas pelo champanhe e o calor que irradiavam dos mais de cem corpos.
—Esme, me permita te apresentar a senhora Bella Black, a ilustre esposa de nosso ministro da Economia e Fazenda. Senhora Black, esta é Esme Cullen.
Aturdida, o primeiro que pensou Bella foi: Não é a amante Edward, é sua mãe e logo, de forma incoerente, embora não é o suficientemente velha para ser sua mãe.
Com um sorriso cálido, Esme estendeu uma mão.
— Como vai, senhora Black? Ouvi falar muito de você.
Um arrepio frio de temor percorreu as costas de Bella. Ignorando a cálida apresentação, fez um rígido aceno.
— Como está você, Sra. Cullen?
—Esme, conhece Sr. Inchcape?
—É obvio que sim. Como está você, Sr. Inchcape?
Lorde Inchcape assentiu com a cabeça, salpicada por uma enfermidade hepática.
— Ainda segue viajando para esses países estrangeiros e fazendo seqüestros?
O sorriso de Esme se alterou imperceptivelmente.
—Por desgraça, ultimamente, não.
Divertido, o rosto roliço e pequeno da anfitriã se iluminou.
—Se comporte, Esme. Senhora Black, permita-me lhe apresentar ao filho da Sra Cullen, Edward Cullen. Edward... A senhora Black.
Os olhos verdes colidiram com os de cor chocolate de Bella. Em seu olhar estava tudo o que tinham lido e discutido naquelas duas últimas manhãs. "O que significa que o membro de um homem tem a cabeça como um braseiro?" "Significa que está vermelho de desejo e quente por uma mulher". Deus, o que estava fazendo ele ali?
Teria contado a sua mãe algo sobre suas aulas?
Bella assentiu rigidamente.
—Sr. Cullen.
Antes de poder adivinhar suas intenções, Edward fez uma reverência e tomou a mão de Bella. A pressão de seus dedos era abrasadora.
—Ablan wa sabiam, senhora Black
Com uma mistura de horror e fascinação, Bella observou a cabeça bronze inclinar sobre sua mão. Seus lábios, quando a beijou estavam ainda mais quentes que seus dedos.
O sangue se retirou de sua cabeça ao vê-lo erguer o rosto. Arrancou sua mão da dele. A Sra Whitfíeld, como se não tivesse acontecido nada estranho, sorriu ao companheiro de Bella.
—Sr Inchcape... Sr. Cullen.
Ele se ergueu tanto como o permitiam seus ombros murchos. - Em meus tempos não partíamos que pessoas sem muita conduta circulasse entre nós.
—Oh, Meu deus...
Bella sentiu como o fôlego ficava preso na garganta ante a brutalidade do comentário, logo que registrou a exclamação afogada da anfitriã.
Os olhos dela lançavam gélidos dardos de chumbo.
—Em meus tempos, Sr Inchcape, você não teria um título, portanto, não tivesse sido apresentado a alguém, fosse o que fossem.
O rosto amarelado de Sr Inchcape se cobriu de manchas vermelhas.
—Mmmm. —O murmúrio rouco de Edward encheu o explosivo silêncio. - A senhora Black acreditará que somos comums.
O olhar gélido da anfitriã não se alterou.
—Duvido muito que seja nós, a quem a senhora Black considere comums.
Bella reprimiu uma explosão de risos.
Sr. Inchcape se voltou e caminhou airadamente para a multidão envolvente de homens e mulheres. Esme olhou enfurecida naquela direção enquanto o perdia de vista.
—O homem malvado já se foi. - Disse lacónicamente Edward. - Pode relaxar, sua cria está segura.
Um veloz brilho de consternação brilhou nos olhos cinzas dela. Foi seguido de uma risada forçada.
—Sinto muito, senhora Black. Mas foi uma grande provocação. Como mãe, estou segura de que entenderá meu aborrecimento.
Bella duvidava de que tivesse uma só fibra de instinto maternal em seu corpo.
—Sim, é óbvio. - Disse friamente.
Os olhos do Edward jogaram faíscas furiosas de fogo.
Esme apertou seu braço. Seu sorriso era cálido e simpático.
—Viemos procurá-la para a próxima dança, senhora Black. Meu filho deseja dançar a valsa. Por favor, não lhe diga não. Se o fizer, talvez nunca mais o possa convencer a vir numa festa.
Bella deu um olhar furtivo sobre a massa transbordante de sedas de luxuosas cores e gravatas brancas que os rodeava, procurando desesperadamente seu marido, sua mãe ou um motivo para declinar o convite. Uma mulher respeitável não dançava com um homem com aquela reputação.
—Meu marido e eu não dançamos a valsa...
—Seu marido está no salão das cartas, senhora Black. - Interrompeu brandamente Edward. - Estou seguro de que não se importará que eu ocupe seu lugar - Especialmente, se, como você diz, ele não dança a valsa.
Ele não estava falando da valsa. Estava falando de sexo. Jacob não dançava com ela em público, dizia-lhe ele, como tampouco se deitava com ela em particular.
Bella podia sentir o olhar curioso da anfitriã e a estranha atitute da mãe dele. E escutou a si mesmo enquanto dizia:
—Será um prazer dançar com Edward Cullen.
Antes que pudesse voltar atrás, Bella foi empurrada entre muito vestidos de seda de luminosas cores e jaquetas de um negro intenso. Dedos duros e quentes a pegaram pelo cotovelo, justo onde terminava sua luva e começava sua pele nua.
Bella deu um passo para um lado e foi jogada para Edward sob ritmo estridente de um violino que desafinava. O corpo dele estava tão quente e duro como seus dedos. Podia cheirar o calor que emanava sob a seda de sua roupa. Não havia indícios de aroma de mulher.
Cegamente, deu um passo atrás, mas sem êxito. Estava incurralada numa imprensa sufocante de seda perfumada e o roçar de um corpo sólido enquanto as mulheres e os homens se colocavam a dançar.
Ele pegou sua mão direita, levantou-a e a afastou de seu corpo para que seus seios se levantassem dentro do justo vestido e se realçassem. Era excitante, perigoso. Não era o que tinham acordado.
—Você disse que não me tocaria.
—Como seu tutor, senhora Black. Não como seu companheiro de dança.
— Por que veio?
—Porque sabia que você estaria aqui.
—Se soubesse não teria vindo.
Uma mão forte lhe firmou a cintura.
—Pergunto-me o por que.
Ele estava muito perto, Bella não podia respirar. Tentou se afastar do intenso calor que irradiava seu corpo.
—Se você não me tocar, fará que mexeriquem mais que já o fazem, senhora Black.
Ele tinha razão.
Apertou os dentes e elevou o braço contra a vontade, cada vez mais acima... E descansou os dedos de sua mão esquerda sobre o ombro dele.
Começou a música, num som de violinos e os lembretes estrondosos de um piano. O ar quente rodeou Bella e de repente se converteu em parte da mais seleta sociedade, do suave toque da seda de vivas cores e das jaquetas negras. Homens que pisavam e mulheres que giravam.
Concentrou-se em seus trajes, algo que não fosse o incômodo palpitar de seu coração e a dureza aguda de seus mamilos sob o atrito escorregadio da seda.
Trabalhou em excesso desespero por encontrar um tema seguro de conversa. Acreditava que não devia ser sensível a um homem que não fosse seu marido.
—Não sabia que você dançava.
—Você quer dizer que não sabia que eu fosse aceito pela alta sociedade.
Não tinha sentido mentir.
—Sim.
—Há muitas coisas que desconhece de mim, senhora Black.
— Você tem relações sexuais com a anfitriã?
Bella tropeçou no momento em que as palavras saíam de sua boca, sem que pudesse dete-las. Os dedos de Edward se cravaram em sua cintura.
—Você parece estar a par da fofoca reinante. Por que não me conta isso você?
— Do que outra maneira podia saber que meu marido e eu tínhamos aceitado um convite para o baile?
—Minha mãe. – Ele disse casualmente, fazendo-a girar. - Ela e a Sra Whitfíeld são companheiras de bridge.
— Sabe sua mãe algo sobre nossas... Aulas? - Perguntou sem fôlego e num tom quase inaudível.
—Siba, senhora Black. Eu lhe disse que não falo do que acontece entre uma dama e eu sob portas fechadas.—Sua perna se meteu entre as dela enquanto a fazia girar uma vez mais e um denso calor se apoderou da parte central de suas coxas. - Está sofrendo desnecessariamente um colapso nos pulmões.
Bella enterrou os dedos em seu ombro... Aonde não havia ombreiras, só músculo duro.
—Não estamos em sua casa, Sr. Cullen. Não tente usar regras aqui que só valem lá.
— E seu marido, senhora Black? Acaso ele não opina a respeito de suas roupas íntimas?
A réplica afiada não chegou a sair dos lábios de Bella.
Seu marido jamais a tinha comentado algo sobre sua roupa intima e muito menos expresso interesse nela. Entretanto, não lhe cabia dúvida alguma de que o Edward tinha visto muita roupa interior feminina.
— Por que dança tão bem se não assiste regularmente a eventos sociais?
— Por que dança tão bem a valsa, se seu marido não o faz?
—Não disse que ele não dançasse a valsa. - Replicou ela severamente.
Jacob dançava valsa. Simplesmente não dançava com ela. Guardava as diversões sociais para seus eleitores.
—Me conte algo sobre seus filhos.
—Já lhe disse que não falo de meus filhos.
—Mas neste momento não sou seu tutor. Sou um homem que está conversando para passar o tempo enquanto dançamos em um evento que mais parece do século passado.
Bella jogou a cabeça para trás, enquanto abria sua boca para lhe dizer que se dançar com ela era uma tarefa tão aborrecida, não devia se incomodar.
Foi um engano.
Apenas vinte centímetros separavam seus rostos. A largura de suas duas mãos.
—Meus filhos estão em Eton.
—Chamam-se Richard e Phillip, não é certo?
—Sim, mas como...
—De vez em quando leio algum jornal. O que gostam...? De política?
Um sorriso apareceu na boca de Bella, recordando a briga de Phillip com o jovem Bernard.
—Não, meus filhos não estão interessados na política. Richard está estudando para ser engenheiro... Diz que a tecnologia é o que move o mundo e quer ajudar as pessoas, bem mais que ao governo. Phillip quer ser marinheiro.
Um sorriso afetuoso suavizou o rosto de Edward.
—Richard parece um menino inteligente.
Bella procurou em seus olhos algum rastro de brincadeira, mas não achou nenhum. Uma corrente de orgulho maternal se sobrepôs a sua cautela.
—É. Faz seus estudos para um dia entrar em Oxford. Mas para o Phillip será duro quando Richard for de Eton. Sempre estiveram muito unidos apesar de sua diferença de idade e possivelmente porque suas personalidades são opostas. Richard é mais calado e estudioso. Phillip é aventureiro. Não me surpreenderia que assaltassem a despensa do colégio à noite, em busca de algo para comer. Sempre o fazem quando estão em casa.
—Você ama seus filhos.
Era tudo o que tinha.
Bella evitou seu ardiloso olhar.
—Ahlan wa salgam. O que significa?
—Em termos gerais, significa que é um prazer conhecê-la. Ama você seu marido?
Bella pisou em seu pé... Com força.
—Se não o amasse, não teria ido até você.
— Seu marido a ama?
—Isso não é assunto...
—Suponho que o seja.
Não estaria pensando em...?
—Acredito que será melhor que cancelemos nossas aulas, Sr. Cullen. Farei com que lhe devolvam seu livro.
—É muito tarde, Taliba.
O temor roçou a pele de Bella.
— O que quer dizer?
—Temos um acordo.
Seus olhos cintilaram ao compreender suas intenções.
—Eu lhe chantageei e agora você quer me intimidar.
—Se for necessário...
Era o que tinha temido aquela primeira manhã, portanto, não deveria se sentir tão... Ofendida.
— Porquê?
—Você quer aprender a agradar um homem... E eu quero lhe ensinar.
Bella se sentiu arder de ira.
—Deseja me humilhar.
Os cílios de Edward criavam sombras côncavas sob seus olhos.
—Como lhe disse anteriormente, você pouco sabe sobre mim. Recorda a história do Dorerame no capítulo dois de "O Jardim Perfumado"?
—Mataram-no. - Respondeu ela com tristeza. E também se recordava que havia sido de maneira bastante macabra.
—O rei que o matou liberou uma mulher de suas garras.
—Uma mulher casada.
—Logo o rei tomou a mulher e a liberou de seu marido.
—Isso é absurdo. —Não queria pensar na mulher casada que era "liberada" de seu marido. - Não vejo aonde quer chegar com esta conversa.
—Simplesmente a isto: uma mulher na Arábia tem certos direitos sobre seu marido. Entre eles está o direito a união sexual. Tem o direito de pedir o divórcio se seu marido não a satisfaz.
A mortificação estalou dentro do peito de Bella. Como ele poderia afirmar que não estava satisfeita com seu casamento, com seu marido, sendo que justamente queria aprender a agradá-lo.
Como ele se atrevia...?
—Para sua informação, meu marido me satisfaz. – Espetou-lhe.
—Não haverá mais mentiras entre nós, Taliba. Você teve a coragem de me pedir que a ensinasse, agora tenha coragem de enfrentar a verdade.
— E qual se supõe que seja a verdade, Sr. Cullen?
—Olhe para seu marido. Quando ver o que é e não o que você quer que seja, obterá a verdade. —De repente, ele soltou sua mão e liberou sua cintura. – A dança terminou, senhora Black.
Bella retirou sua mão esquerda bruscamente, afastando-a de seu ombro.
—Não me coagirá.
—Temo que sim. Você ama seus filhos, mas não sabe nada a respeito de seu marido... Ou de você mesma. Espero-a amanhã pela manhã.
Bella saudou um conhecido enquanto sua mente tratava de assimilar e analisar velozmente suas palavras.
—Você sabe quem é a amante de meu marido.
—Não.
—Então, por que está fazendo isto?
—Porque acredito que é você uma mulher meritória.
—Não tenho membro masculino. - Replicou ela friamente.
A dura linha da boca dele afrouxou. Um brilho brincalhão cintilou em seus olhos. Parecia o menino travesso que deveria ter sido quando tinha doze anos, incitado por sua mãe.
—Veremos.
—Não estarei lá amanhã pela manhã.
—Estará. E eu estarei esperando-a.
Olhou fixamente para o outro lado do salão, os olhos de seu marido. Um homem se aproximou dele, um colega do gabinete. Jacob se voltou para homem mais velho e caminhou para o salão de cartas.
Quase paralisada, Bella se deu conta de que Jacob a tinha visto e a tinha ignorado. Voltou seus olhos para o olhar esverdeado de Edward. Ele também tinha visto como Jacob a tinha ignorado.
—Não lhe mentirei se você não difamar meu marido.
—Está bem.
—E se insistir com a verdade, deve estar preparado para mostrá-la.
Os cílios escuros desenhavam afiadas sombras sobre sua face.
—Eu estou para instruí-la, Taliba. Não o contrário.
—Talvez ambos aprendamos.
—Talvez. —Ele ofereceu-lhe seu braço.
Ela apoiou com temor seus dedos sobre a manga da camisa. Sob a seda, seus músculos estavam tensos como uma vara. Um calor abrasador se apoderou de seu interior. Procedia de seu olhar, sobre seus seios. Jogou os ombros para trás, dando conta muito tarde de que o movimento empurrava seus seios para cima e para fora.
Edward elevou as sobrancelhas. O riso faiscava nas profundezas de seus olhos.
—Regra número três. Amanhã você não usará nenhum objeto de lã em minha casa. Poderá usar seda, musselina, veludo, brocado ou o que queira, desde que não seja lã.
—E você, Sr. Cullen. - Perguntou ela de forma audáciosa, com um gemido. – O que usará?
—Tanta ou tão pouca roupa como você deseje.
Bella sentiu que lhe secava a boca, imaginando a suave pele alva dele tomada do desejo. De repente recordou quem era ele e quem não era ela. Um homem como ele não desejava uma mulher cujo cabelo estava salpicado de fios de prata e cujo corpo tinha engordado pela gestação de dois meninos.
—Estamos envoltos numa aprendizagem, Sr. Cullen, não numa comédia burlesca.
As cabeças giraram para ver quem ousava rir com uma alegria tão expansiva.
Bella mordeu os lábios para evitar rir com ele.
É obvio que eram os nervos. Não havia nada nem remotamente gracioso no fato de que toda a sociedade fosse testemunha da risada desinibida dele, especialmente quando ela estava segurando seu braço e também sendo observada. Mas foi em vão resistir, já que não pôde manter seus lábios numa linha reta.
Olhos cor verde esmeralda apanharam os de Bella. Eram os olhos de sua mãe e não estavam divertidos.
Bella afastou bruscamente sua mão do braço de Edward. A risada dele se apagou imediatamente. Bella se voltou, deixando-o plantado. E sentiu como se algo morresse também dentro dela.
Estamos intensos, hoje...huh?
HAUHSAUHSAUHSAHUS
Seeeguinte, não chegamos aos 50 como combinado, mas postei por causa da Pri. Então, more, aproveite o capitulo.
Eu gostei... o que vocês acharam?
REVIEW, REVIEW!
:D
75 e sai o capitulo VIII :)
drigo
