Heeey, e então? o que acharam dos 3 primeiros capitulos? Não recebi neeeenhuma review! Isso me deixou triste ;/

mas ok! :D não esqueçam de por o link do youtube sem os '*'


Capítulo 4.

O sol já estava alto quando Edward sentiu o celular vibrando embaixo de seu travesseiro. Abriu uma pálpebra, logo em seguida abrindo a outra. Os olhos verdes arderam com a luz que invadia o quarto. Com um resfôlego e a cabeça latejando pelas doses de whisky da noite anterior, abriu o flip na altura de sua orelha.

-Alo? - uma voz tímida respondeu a ligação.

-Quem está falando? – a voz de Edward saiu feito um trovão abafado. Os olhos cerrados e a garganta seca comprovavam a ressaca.

-Edward? Sou eu, Micaela.

-Ah, sim. - respirou fundo.

-Queria me desculpar por ontem e avisar que você esqueceu algo aqui em meu apartamento, um penduricalho com uma fita ou algo parecido.

A consciência invadiu a mente de Edward como um raio, fazendo-o levantar num pulo. Coçou os olhos sentindo a cabeça e o quarto rodar. Após se despedir, já estava prontamente vestido e na frente do espelho do lavabo umedecendo o rosto amassado.

O que teria feito acordar tão depressa?

Recordações...

Novamente dentro de seu carro, Edward sentia suas têmporas lhe clamando por atenção. Seu pé empurrava o acelerador com determinação. Os pensamentos se confundiam com o cinza asfalto da rua embaixo dos pneus. A sensação de perda queimava seu peito.

Como o perfeito patético que era, Edward se martirizava por ter esquecido aquele objeto como se isso fosse o maior erro que ele poderia ter cometido. Como se toda sua existência tivesse importado nada. E todos os anos sentindo o intenso nó na garganta tivessem sido insignificante.

Com passos largos no corredor, chegou à porta de mogno e bateu suavemente, esperando-a se abrir, o que não demorou. Os olhos de Micaela surgiram aonde era a porta e um sorriso tímido brincava em seus lábios cheios.

-Bom dia. – ela falou.

-Bom dia. – Edward simplesmente soltou, com indiferença. – Onde está? - perguntou um pouco apressado enquanto entrava pelo espaço que o corpo de Micaela deu para sua passagem.

-Em cima da mesa, está tudo bem?

-Sim. – respondeu simplesmente.

-Você ficou bravo por ontem? – ela perguntou enquanto seus dedos brincavam no peito coberto por uma camiseta fina.

-Não. – um sorriso convencido brincava no seu rosto. – Eu entendo como você ficou. – falou cheio de si. – Até teria ficado, só que era realmente importante aquela festa, mas está tudo bem. – disse gesticulando.

-Entendo... – ela replicou abobada enquanto acaricia os cabelos da nuca de Edward e com a outra mão massageava o lóbulo de sua orelha.

A corrente com pingentes temáticos, presos por uma fita de cetim fina estava apertado forte na sua mão grande enquanto ele, com um sorriso triste, passava as lembranças por sua mente, certificando de que a culpa suave que o acolhera anteriormente não passava de uma impressão.

Edward tinha um problema evidente em esquecer essa parte de sua historia e isso o assolava dia e noite.

-Eu preciso ir. – com um gesto rápido Edward colocou o objeto no bolso da calça jeans e se desviou do abraço de Micaela. – Nós vemos qualquer hora. – suas palavras soaram sinceras.

Ele não podia se enquadrar no perfil de conquistador. Pelo contrário, Edward sempre fora facilmente conquistado. Bastava um simples olhar para ele estar bobamente apaixonado. Porém, essa característica única se transformou num fardo após os marcantes acontecimentos.

Novamente dentro de seu carro, Edward acelerava para onde sabia que seu peito ia se queimar em saudade e poderia novamente se corroer por ter sido tão fraco.

Suas cobranças eram intensas e dolorosas. Parecia um adolescente bobo que ardia o corpo de paixão não correspondida. E se punia dolorosamente por esses gestos desesperados. Empurrando garganta abaixo, como espinhos venenosos, maiores símbolos de lembranças que o ardiam o corpo inteiro.

O sobrado em que se dirigia nesse instante era um desses símbolos.

Após o sucesso de seu primeiro grande livro, anonimamente, Edward contatou o último homem que gostaria de conversar na face da terra. Sem que deixasse escolha, arrematou a casa branca com janelas em sua fachada. O canteiro que se lembrava, estava coberto de erva daninhas.

Tinha passado tanto tempo...

A primeira coisa que fez quando conseguiu respirar sem sentir-se sufocado, foi arrumar a casa meticulosamente. Sentindo que o aroma dos cabelos cor de mogno sumia de sua memória, ele precisava recuperar cada detalhe. Cada sensação.

O volvo agora estacionava no caminho para carros. Ele se dirigiu para a porta de entrada sem olhar para os lados. As mãos nos bolsos e os óculos escuros em sua face o isolavam do resto da vizinhança.

Após passar um dia e uma noite inteira estirado na ainda intacta cama com colchas roxas, ele se limitava ao jardim que havia no fundo da casa. A árvore baixa formava uma sombra agradável no balanço de madeira.

Suspirou, andando até o brinquedo e sentando-se ali. Encostou a cabeça na corrente de ferro e fechou os olhos, tentando imaginar como ela estaria nesse momento. Como seria a mulher que o deixara com lágrimas nos olhos e um coração despedaçado para a vida inteira.

Ele se questionava se os olhos redondos e acastanhados continuavam intensos e continham o toque de pureza que só ele acreditava enxergar. Se os cabelos compridos continuavam com o delicioso cheiro de frutas e a maciez de uma seda. Ele se perguntava se ela ainda corava enquanto um sorriso puxava seus lábios em um ângulo perfeito.

Edward suspirou com a imagem da pequena garota que o encantava com cada movimento. O vento frio da noite já soprava em seu cabelo quando sentiu o celular vibrar no bolso de sua calça.

-Alo? – sua voz continha toda a tristeza que ele guardava no peito.

-O que foi? – seu primo, agora o recente formado psicólogo do hospital que Carlisle dirigia, já sabia o que aconteceu com Edward.

-Nada. Precisa de alguma coisa? – sua voz vazia tomava um tom de costume, engolindo o nó em sua garganta.

-Você está na casa de novo, Edward? – Emmett perguntou.

-Emmett.

Edward afirmava como uma criança mimada que fora obrigado a contar o que aconteceu em sua infância para o primo, já que ele descobriu a depressão que Edward tentava esconder.

-Tudo bem. É... Rosalie quer dar um jantar hoje e quer saber se você pode vir.

-Claro, por que não? Preciso levar alguma coisa? – perguntou fingindo interesse. Ele só queria um banho quente e sua cama grande e espaçosa.

-Não. Rose está cuidando de tudo. Se você quiser, pode trazer alguém...

-Será um encontro de casais, Emmett? – perguntou sabendo da resposta.

-Mais ou menos. – o primo respondeu já sabendo da ausência de Edward.

-Vou ver se passo aí. Até mais.

-Até.

Edward respirou fundo sentindo o cheiro da fruta que florescia e olhou novamente para as marcas inscritas em seu tronco.

***

-Bella, amor. O que acha de pedirmos uma pizza? – Thiago perguntou animado pela linha.

-Pode ser. – ela respondeu cansada.

-Como foi o plantão? – perguntou preocupado.

-Cansativo. Um acidente de carro...

-Entendo. Venha para cá. Toma um banho relaxante, comemos uma pizza e você descansa!

-Seria uma boa. – ela disse sorrindo do outro lado da linha. – Estarei aí em quinze minutos.

-Estou te esperando, então.

-Beijos.

A cena dos feridos não saia de sua mente, a médica cardiologista lidava com pessoas entre a vida e a morte com freqüência, mas aquele acidente em especial havia chocado.

Ela realmente não gostava de acidentes de carros.

***

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O baque do corpo de Edward caindo na cama ecoou pelo quarto. Seu corpo nu balançava a medida que tentava controlar o pranto seco de seu peito. Com a música tocando alto em seu aparelho de som, ele gritava.

Os lençóis cor de gelo estavam torcidos e úmidos pelas lágrimas. Os nós de seus dedos brancos enquanto a face, rubra pelos gritos abafados.

Edward sofria. Calado. Sozinho.

O sono o abraçou com maciez quando o ar conseguiu infiltrar por seus pulmões e o induziu a uma inconsciência que ele idolatrava nesses momentos.

Sem sonhos e sem mais lembranças, Edward apagou largado na cama.

Suado. Nu e completamente devastado.

***

-Bella, telefone para você. – Thiago gritou do lado de fora do banheiro, onde o som do chuveiro ligado era perceptível.

-Quem é? – ela perguntou surpresa.

-É Alice Cullen.

A torneira foi imediatamente desligada e o corpo enrolado em uma toalha grande que tinha ao alcance da mão.

-Wow, isso foi rápido. – o sorriso brilhou no rosto de Thiago. – Toma.

-Bella falando... – a ansiedade na voz era evidente.

-Boa noite, Bella. Aqui é Alice, Alice Cullen.

-Ola, como vai?

-Bem, obrigada, e você?

-Estou ótima.

Depois da formalidade e boa educação que as duas tinham, Alice relaxou tornando a conversa descontraída.

-Sou filha do Carlisle, Bells. Posso te chamar assim, né?

-Claro, sei quem é! – Bella sorriu e seu tom de voz transmitiu a felicidade de estar em contato com a pequena.

-Então, nós estamos organizando uma reunião, nada demais e meu pai fez questão da sua presença.

-Nossa, obrigada. Quando vai ser?

-Amanhã durante a noite, pode ser?

-Claro, claro. – Bella disse se dirigindo ao criado mudo e pegando um papel acompanhado de uma caneta, pediu as coordenadas para chegar até o local.

-Sabe onde é?

-Sei sim, Alice, obrigada novamente por me convidar.

-O prazer será nosso. – Alice falou alegre. – Boa noite, Bells.

Bella tinha um olhar surpreso e um sorriso no canto dos lábios.

-Essa garota é tão simpática. – Ela falou ainda atônita.

-Eu vi. – Thiago já estava de cueca apoiado na parede próximo da cama de casal.

-Ela nos convidou para uma reunião na casa do Dr. Carlisle amanhã.

-E nós vamos?

-Claro! – ela disse empolgada.

-Então acho que você deve vir para cama junto comigo. – ele disse já deitado, batendo no coxão.

-Com que roupa eu vou? Pelo lugar que fica a casa, não poderá ser com jeans e uma blusinha.

-Vá com aquele vestido azul... Você fica linda nele. – Thiago sugeriu enquanto acarinhava o cabelo de Bella, que se aconchegava agitada em seu abraço.

-É verdade.

-Uhum.