Capitulo 6

-É aqui? – Thiago perguntou ao parar na frente dos portões da mansão que estava no endereço indicado.

-Creio que sim. – Bella falou meio atônita com a imagem que tinha da casa.

-Boa noite. – uma voz soou do lado de fora do carro.

Um homem loiro e vestido de terno se aproximou do carro. O fio que saia de seu ouvido demonstrava que ele fazia parte da segurança da casa.

-Boa noite. – Thiago respondeu.

-Dr. Carlisle os aguarda. – o homem disse abrindo os portões.

-W.O.W – foi o que os dois disseram em coro ao deslizarem para dentro dos portões e avistarem o jardim e o gazebo com pequenas luzes e flores.

Bella desceu do carro e olhou para Thiago que permanecia com os olhos arregalados e com a boca aberta.

-Bella! – Alice gritou quando viu Bella fora do carro. – Você está linda!

Bella olhou para a pequena que vinha em sua direção com surpresa, as duas parecia se conhecer a séculos.

-Oi Alice! – ela respondeu timidamente.

Alice a envolveu num abraço, onde Bella sentiu uma segurança incomparável.

-Vamos entrando, você e o... Você deve ser o Thiago. – ela disse sorrindo e beijando o rosto do rapaz que estava pasmo. – O bonitão que falou comigo no telefone ontem. – ela disse brincando.

Bella riu, ela se sentia bem do lado de Alice.

-Vamos entrar! – ela disse puxando os dois para dentro da sala.

Bella olhou para Alice que caminhava em sua frente em um vestido verde escuro com estampas floridas. O tecido fino e brilhante modelou seu corpo enquanto a gola alta realçava os traços de seu rosto delicado. Seus joelhos pequenos e pálidos estavam expostos enquanto seu pé caminhava para a porta de entrada rapidamente em um par de sapatilhas pretas.

-Veja mãe, essa é Bella. – ela disse apresentando a Esme. – E esse é o namorado dela, Thiago.

Bella congelou por um instante vendo a jovem mulher de cabelos cacheados e de cor caramelo. Ela estava em um conjunto de terninho de tom pastel e calça social. Porem o formato de coração de seu rosto fez o peito de Bella se apertar.

-Muito prazer. – Esme disse abraçando os dois com um beijo no rosto. – Carlisle já ira chegar Bella. Venha, fique a vontade! – ela falou enquanto entrava na casa.

Bella respirou fundo, maneando a cabeça e tentando se distrair. Thiago tinha a mão em sua cintura e comentava em seu ouvido como era agradável a casa dos Cullen. Ela estava admirada com o bom gosto que Esme tinha em relação à decoração. Os móveis bem montados davam a sala uma sensação de conforto enorme.

-Vou chamar Carlisle. – Esme disse. –Com licença.

Bella assentiu com a cabeça e ficou conversando com Alice e Thiago virada de costas para a comprida escada de madeira que levava aos quartos, disfarçando como seu coração estava agitado e ansioso.

-Você faz o que, Thiago? – Alice perguntou curiosa.

-Eu sou editor de uma revista, e você?

-Ouviu isso Rosalie? – ela falou um pouco mais alto para que a loira de vermelho que estava do lado da sala, sentada no colo de um homem grande, ouvisse. – Rose é modelo. – comentou. - Eu sou estilista. – ela sorriu empolgada.

-Ah, isso explica essa roupa maravilhosa. – Bella brincou.

-Você também está linda. – ela comentou.

O olhar de Alice foi para trás dos ombros de Bella, fitando quem descia pela escada naquele momento. Um sorriso brincou nos seus lábios e ela comentou um pouco mais alto para chamar a atenção de Edward que descia distraído pelos degraus com seus cabelos desalinhados e uma camisa de botão azul clara.

-Eu quero apresentar uma pessoa para vocês, Bella!

Edward estancou no mesmo momento no degrau e respirando erraticamente olhou o corpo modelado dentro de um vestido azul que combinava com sua camisa, que respondia por Bella.

-Venha cá. – Alice o chamou e Bella se virou para olhar com quem ela estava falando.

Um calafrio correu o corpo de Edward ao encontrar os olhos castanhos intensos que de uma hora para outra o tornou tão saudoso. Seu coração batia disparado e ele sentia suas mãos tremerem.

Por quanto tempo esperou para voltar a encontrar aquela que o deixara há tantos anos? Sua boca seca mostrava o quão nervoso ele estava. Os três o aguardavam com um olhar curioso. .
Edward sentia sua cabeça rodar enquanto seus olhos gravavam na memória a imagem que estava a sua frente.

Bella corou com o intenso olhar de Edward e virou o rosto. Ele sentiu seu peito fisgar e com um impulso forçou suas pernas a saírem do lugar.

O seu corpo tremia dos pés a cabeça e sentia sua respiração falhar. O vento gelado que vinha da porta o distraiu quando tocou sua face quente. O medo corria por suas veias e ele estava confuso.

"Bella?" – uma voz sussurrava em sua mente, fazendo seu sangue correr rapidamente por suas veias.

Sua mão apertava a corrente de prata que trazia no bolso, sempre. Ele tentava se acalmar enquanto seu coração pulsava descontrolado. Como um raio, Edward saiu porta a fora, sem deixar-se aproximar de sua irmã e sua convidada.

-Ed... – Alice tentou gritar por Edward , quando Carlisle chamou sua atenção.

-Boa Noite! – Carlisle falou do topo da escada. – Que bom que veio. – dizia a um ou outro enquanto se aproximava de Bella paralisada.

-Boa noite, Bella. – ele sorriu ao se colocar na sua frente. – Que prazer reencontrá-los.

-Com licença. - Alice pediu nervosa, saindo pela mesma porta que Edward.

-EDWARD? - chamou.

O Carro prateado de Edward cantou pneus e saiu rápido demais pelos portões já abertos.

EDWARD POV

Traguei o cigarro mentolado para dentro de meus pulmões até a brasa chegar aos meus dedos. A fumaça presa em meu peito fazia minha cabeça rodar levemente e meu coração bater acelerado. O leve frescor da menta gelando minha garganta e adocicando minha língua. Tamborilei os dedos no criado mudo do quarto em penumbra. Passei a mão pela gola da camisa e desalinhei meus fios de cabelo, os puxando levemente.

Respirei uma, duas, três e quatro vezes antes de girar a maçaneta. Estava tão nervoso que até parecia que aquela reunião era minha. Finalmente puxei a porta e saí do quarto que me protegia, deixando qualquer e todo escudo que me envolvia nesses últimos anos deitado sobre a cama macia. Eu devia isso a Carlisle e a Alice.

Ao chegar à ponta da escada, passei meus olhos rapidamente nos poucos convidados que circulavam pela sala aberta e me coloquei a descer cada degrau enquanto olhava os meus sapatos.

-Eu quero apresentar uma pessoa para vocês, Bella! – ouvi a voz de Alice aumentar.

Estanquei no mesmo momento que minha respiração saiu errada de meu corpo. Olhei para o corpo magro que estava coberto por um vestido azul que lhe modelava a cintura e cobria as pernas de forma suave.

"Bella?" – minha mente questionou.

-Venha cá. – ouvi Alice falar quando meus olhos cruzaram com aquele mar castanho.

Senti um calafrio subir por meu corpo quando encontrei com a intensidade de seu olhar. Meu coração se inflou de saudade e eu senti sua batida falhar e retornar a pulsação rapidamente.

Minhas mãos tremiam e eu sentia minha boca seca, demonstrando todo meu nervoso. De canto de olhos eu olhava os dois atônitos.

Minha cabeça rodava enquanto gravava a figura linda que meus olhos enxergavam sem piscar, com medo que ela se esvaísse.

Quando suas bochechas coraram, senti meu peito se contorcer na mesma dor que anos atrás senti e meus pés sendo impulsionados para frente.

Eu sentia minhas pernas bambas e minhas mãos suarem enquanto se chacoalhava em meu bolso. Quando dei outro passo, senti o vento frio soprar no meu rosto que pegava fogo. Eu estava desesperado.

"Bella?"

Sentia a corrente de prata machucando a palma da minha mão enquanto a apertava forte dentro do bolso, meu coração estava descontrolado assim como eu. Quando observei novamente seu corpo, pude ver a mão masculina que estava apoiada protetoramente no final de sua cintura. Aquilo foi como um tiro atravessando meu peito.

Minha mente gritava por socorro e eu precisava sair dali. Novamente a brisa soprou em meus cabelos e eu vi a luz no final do túnel. Como um boi bravo sai porta a fora.

Corri para a garagem já sentindo minha vista turva, o que estava acontecendo comigo?

Entrei no meu volvo furioso batendo a porta com um pouco mais de força, sentia meu coração querer sair pela boca e minhas mãos tremendo no volante.

-Respira Edward, apenas respira! – quase gritei dentro do carro.

Acelerei forte enquanto os pneus gritavam no asfalto. Pude ver de relance Alice saindo pela porta com um rosto transtornado. Balancei a cabeça afastando a imagem de minha mente. Agora os olhos e as bochechas coradas invadiam minha cabeça e meu corpo.

Os faróis clareavam as curvas sinuosas enquanto minhas mãos continuavam a brigar com o volante. Minha vista estava embaçada, porem não sentia as lagrimas quentes escorrerem pelo meu rosto.

Meu coração estava batendo muito rápido e forte, bombeando o sangue de forma grosseira pelas minhas veias. Mesmo respirando rápido, a falta de ar incomodava meus pulmões.

Eu arfava enquanto tentava me concentrar nas curvas. Seu sorriso invadia minha cabeça libertando todos as lembranças que prendi com tanto esforço em minha memória. Foi quando senti meu peito se silenciar.

Meu coração simplesmente parou.

VOLTANDO A NARRATIVA NA TERCEIRA PESSOA

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O aparelho que controlava os batimentos de Edward apitava com cada movimento de seu coração falho. Sua pressão estava alta e o soro pingava vagarosamente enquanto levava o remédio para seu corpo débil. O tubo de alimento cravado em seu abdomen o mantinha nutrido enquanto o ar entrava artificialmente em seu pulmão. As ataduras envolta da cabeça e peito mostravam a gravidade de seu acidente.

-Dra. Bella, o paciente do quarto quatrocentos e trinta e seis espera por uma consulta sua.

-É o rapaz do acidente não é, Laura? – questionou a enfermeira enquanto caminhava lado a lado.

O salto baixo ecoava no corredor enquanto o jaleco branco realçava seus cabelos presos no meio da cabeça e os cachos castanhos soltos pelos ombros.

-Sim! Coitado, tão bonito... – ela disse com um sorriso triste no rosto.

-Aé? – a medica riu.

Ela chegou finalmente na porta do quarto e com um suspiro, adentrou no ambiente escuro.

Acendeu um abajur e caminhou até a maca. Olhou de canto de olho para o homem deitado com o peito nu apenas enfaixado em alguns pontos. Pegou a prancheta com a ficha do paciente e começou a ler.

"Paciente:Edward Cullen... Edward Cullen." – o nome ecoou em sua mente por alguns minutes até os olhos esverdeados gentis invadir sua mente.

A prancheta que estava em sua mão chocou-se no chão enquanto ela olhava pasmada para a face coberta por aparelhos na cama.

-Edward? – sua voz foi apenas um sussurro rouco.

Com as pernas bambas ela caminhou até a cerca de alumínio que protegia Edward. Sua mente trabalhava devagar enquanto as imagens eram reproduzidas em seu consciente.

Todas as tardes brincando ao lado de Edward brilhavam dentro de sua memória agora com intensidade que ela nunca imaginara sentir. O perfume tão gostoso de Edward entrou pelas suas narinas fazendo-a prender a respiração para armazenar o cheiro dentro de seu corpo. Outro passo a colocou rente a cama, seu ventre era prensado contra a grade gelada enquanto suas mãos passavam delicadamente pelo rosto, pescoço e peito de Edward.

-Edward. – ela sussurrava. – Quanto tempo, meu Edward. – sua voz falhando no final.

Por quantas vezes Bella não teve o sentimento de posse em relação a Edward enquanto os dois corriam pelo jardim, ou conversavam na ponte vendo o por do sol? Sim, ela acreditava que Edward era só dela. Entre as lagrimas que escorriam por sua face pálida, Bella riu sem graça quando se lembrou da primeira vez que tinha chamado-o de 'meu Edward'

FLASHBACK
Bella tinha apenas cinco anos, enquanto Edward já beirava os sete. Os dois corriam pelo gramado grande do parque central sob o olhar rigoroso de um casal apaixonado. Charlie e Renée completariam naquela semana sete anos de casado.

-Não vão muito longe. – gritou Charlie antes de voltar a abraçar o ombro de Renée e observar a filha correr.

-Você não me pega. – Bella gritou esbaforida.

-Você que pensa. – Edward respondeu desafiadoramente. – E se eu te pegar, o que eu ganho? – seu sorriso agora aumentara de tamanho enquanto suas bochechas coravam

-Hum... – a garota pensou enquanto os dedos se apertavam. – Você não vai me pegar. – ela falou decisiva.

-Vamos ver. – ele respondeu encantado. – Um. – um sorriso cresceu em seus lábios. – Dois. – ele já se colocava a postos. – Três.

-Você não me alcança. – ela falou rindo enquanto corria para se esconder em algumas arvores.

-Quatro.

-Vem me pegar Edward. – ela saiu de trás da arvore pulando, retornando rápido de volta a seu esconderijo.

O sorriso de Edward alargou enquanto ele terminava de contar. – Cinco.

Em um minuto Edward já estava rodeando a arvore aonde Bella estava escondida e a segurando com um abraço forte para ela não fugir.

-Eu disse que eu te pegava. – ele falou alegre enquanto ainda mantinha Bella em seus braços.

-Droga. – ela falou triste. – Por que você tem que ser sempre tão rápido?

Edward riu.

-Edward, me ensina a ser rápida? – ela perguntou corada e cabisbaixa.

-Não. – ele respondeu com um tom alegre.

-Por que? – ela encarou os olhos verdes já com a vista embaçada.

-Porque ai você vai correr de mim a sua vida inteira. – os olhos de Edward brilharam.

-Eu não vou correr de você. – Bella corou.

-Duvido.

-Quem vai correr de mim é você. Porque agora você é meu e eu nunca vou te deixar. – ela respondeu o abraço apertado

.
-Bella? – a voz rouca ecoou no quarto esvaindo a nuvem de nostalgia que a envolvia.

Ela passou rapidamente a mão no rosto limpando as lagrimas que ainda escorriam e fungou.

-Oi? – ela se virou para a voz. – Ah, olá Carlisle! – ela tentou disfarça.

-Você esta bem? – ele perguntou.

-Sim, sim. Não é nada! – ela passou a ponta dos dedos embaixo dos olhos para limpar a umidade que insistia em delatar seu choro.

-Como ele esta?

-Ele?

-Sim, meu filho.

Finalmente a ficha de Bella caiu. Até aquele momento, Bella não percebera a semelhança entre Edward e Carlisle, os olhos claros intensos e a voz aveludada. Sem dizer do sorriso encantador que o menino sempre reproduzia quando queria deslumbrá-la e pedir alguma coisa. Muito menos se tocou que os dois carregavam o mesmo e sonoro Cullen.

-Ah. – ela se abaixou apanhando a prancheta, desconcertada. – Eu ainda não fiz os exames necessários.

-Entendo.

-O que aconteceu com ele? – ela perguntou.

-Eu fiquei sabendo depois que todos foram embora naquele domingo. Alice avisou que ele saiu totalmente transtornado, pegando o carro. Eu não dei muita importância na hora. – ele disse cabisbaixo. – Edward sempre fora impulsivo. Se ele não concordasse com algo ou alguém, simplesmente ia embora, e nesses últimos tempos ele esta tão distante... – o constrangimento e culpa eram nítidas na voz do medico loiro que agora olhava para a imagem imóvel do filho na cama.

-Fique calmo, não havia como saber. Essas coisas simplesmente acontecem.

-A policia encontrou o carro dele amassado e retorcido no acostamento da estrada e um outro carro no mesmo estado, próximo. A atividade cardíaca dele já estava comprometida quando os paramédicos chegaram ao local. Por isso eu pedi que te chamassem Bella. – ele respirou fundo. – Sei de sua capacidade nessa área cardiológica, coisa que eu não tenho muita habilidade.

-Eu vou fazer o possível para saber o que aconteceu e tomar as devidas providencias Carlisle. Fique tranqüilo. – ela colocou sua mão no ombro do medico que estava evidentemente abalado. – Eu prometo. – sussurrou.


Mais um capitulo. Demorei né? Eu sei. Fanfiction estava querendo me sacanear.. mas agora esta ai!

Espero a reviews de vocês! :D

Beijao, Drigo