Capitulo 9
O caminho foi silencioso até o hospital. Bella se despediu de Alice no estacionamento com um abraço apertado.
-Obrigada. – disse antes de se dirigir até o elevador.
Bella acenou antes da porta de ferro fechar. Encostou sua cabeça na parede de metal gelada, respirando fundo e se preparando para o dia de trabalho.
Ao sair para o corredor, viu Abigail se aproximar, trazendo em seus braços os prontuários de seus pacientes.
-Bom dia, doutora. – Abigail cumprimentou Bella andando paralelamente a médica.
-Bom dia, Abigail. – ela sorriu. – Algum problema?
-Problema nenhum.
-Abigail, por favor. Vou precisar de diagoxina, nitroglicerina e morfina para o quarto quatrocentos e trinta e seis, você providencia?
-Pode deixar. – Abigail sorriu e foi até seu balcão.
Bella continuou a andar até sua sala para confirmar as visitas que teria que fazer naquele dia.
-Bella! – ouviu uma voz masculina chamar no final do corredor.
Bella virou e viu Thiago saindo do elevador e vindo na sua direção.
-Olá Thiago. – Bella sorriu e beijou o namorado.
-Está tudo bem? – ele perguntou preocupado após soltar Bella de um abraço.
-Está. – ela não se convenceu.
-Ok. O que aconteceu ontem?
-Problemas do hospital. – Bella sorriu. – O jantar ainda está de pé? – ela perguntou constrangida.
-Claro. – ele sorriu. – Fiquei preocupado.
-Desculpa. – ela abraçou-o de novo.
-Tudo bem.
-A que horas você sai hoje? – ele perguntou colocando uma mecha do cabelo de Bella para trás da orelha. – Irei te levar para casa.
-Eu vim de carro, Thiago. – ela comentou. –Eu vou pro teu apartamento lá pras seis, ok?
-Pode ser. – ele sorriu. – Até Bells. – ele sorriu aliviado.
-Tchau. – ela acenou enquanto virava de costas e continuava a caminhar.
Bella estava perdida em pensamento quando chegou à sua sala. Em cima da mesa, o monitor mostrava os quartos que ela deveria visitar.
Respirando fundo, pegou alguns prontuários que tinha em sua mesa e voltou para o corredor.
-Está tudo pronto para o inicio do tratamento do Edward Cullen, doutora.
O nome de Edward fez uma corrente elétrica subir por seu corpo. Ela olhou para Abigail, confirmou com a cabeça e continuou a andar.
Ao entrar no quarto e ascender a luz de entrada, Bella apoiou a bandeja com os medicamentos.
-Pensei que não viria nunca. – a voz ecoou no quarto escuro. – Quando que ele sai?
Bella assustou, virando-se rapidamente para Alice.
-Alice, você ainda me mata de susto!
Alice sorriu desanimada e apoiou a cabeça nas mãos. Os cotovelos repousavam nos joelhos e ela acompanhava com o olhar tudo que Bella fazia.
-Você não me respondeu. – ela falou distraidamente enquanto olhava o corpo imóvel de Edward.
-O que? – Bella perguntou enquanto colocava as seringas de volta na bandeja.
-Quando ele sai.
-Depende, Alice. Se ele responder bem aos medicamentos, talvez quinze dias. É difícil dizer. – Bella sorriu. – Você vai ficar aí? – ela perguntou se dirigindo para a porta.
-Sim. – ela sorriu e se levantou indo até a cama. – Precisamos conversar. – ela riu.
-Está bem. – Bella saiu, fechando a porta atrás de si.
Vinte dias depois...
-Com licença, doutora. – Abigail surgiu pela sala de Bella. – Doutor Carlisle gostaria de falar com você.
-Ah sim. – Bella sorriu e levantou-se da cadeira.
-Algum problema?
-Não. – Bella tranqüilizou Abigail. – É para falar sobre Edward. – sorriu.
-Hum. – a enfermeira resmungou e parou ao passar pelo balcão. – Precisa de alguma coisa? – falou um pouco mais alto.
-Só confere o medicamento dos pacientes, Abigail. – falou por cima do ombro antes de entrar no elevador.
Bella sentia uma ansiedade correr por suas veias enquanto subia até o andar de Carlisle. Pelo que examinara, Edward acordaria hoje de manhã.
-Posso entrar? – bateu na porta do médico não contendo um sorriso.
-Claro, Bella.
Ao abrir a porta, Isabella se deparou com um grupo de médicos do centro cardiológico da cidade, seu sorriso se desfez e após cumprimentar os médicos presentes com um aperto de mão tremulo, sentou-se no lugar vago.
-Algum problema? – conseguiu pronunciar.
-Na verdade não. – Carlisle sorriu. – O tratamento de Edward teve um efeito inesperado, doutora. Eu resolvi chamar alguns colegas do centro cardiológico para conversarmos melhor sobre o caso.
-Entendo e a conclusão? – perguntou nervosa.
-Chegamos à conclusão que não devemos abusar da recuperação de Edward e por conta dos sintomas, teremos que proporcionar a Edward uma mudança brusca de vida.
-E... – Bella já tamborilava os dedos na mesa de vidro a sua frente, tamanha sua apreensão.
Em sua mente, a insegurança gritava alto. Mesmo Carlisle comentando que o tratamento de Edward fora a contento, Bella sentia-se intimidada pela presença do conselho cardiológico.
-Então, conversei com alguns amigos. – Carlisle indicou os diretores do centro a sua frente. – E eles concordaram comigo.
Bella olhou para os três homens igualmente de branco e voltou o olhar a Carlisle mordendo os lábios de apreensão.
-Diga logo, Carlisle. A moça está ficando nervosa. – Aro comentou com um sorriso nos lábios.
-Bella, eu tenho uma proposta para você. – Carlisle encostou-se à cadeira e olhou Bella nos olhos.
-Proposta? – ela imitou o movimento, encostando-se na cadeira.
-Sim. – Ele observou a reação de Bella. – Eu tenho uma casa no campo, doutora. Edward precisara de ar puro após sair do hospital. Durante um tempo, como você bem sabe, ele terá que ter um acompanhamento médico e sinceramente no local não existe uma rede hospitalar preparada para esse tipo de assistência, talvez um posto de saúde ou algo do tipo.
-E onde eu entro nisso? – Bella perguntou sentindo seu coração na boca.
-Bella, eu queria que você acompanhasse ele por um período. Só até ele se acostumar com a rotina nova. – ele falou calmamente, suplicante. – Seu trabalho junto a Edward foi espetacular. O que acha?
Bella sentiu o ar sair por seus pulmões, porém não percebeu se ele retornou. Sentia sua cabeça um pouco zonza e tinha consciência do transtorno estampado na cara.
-Bella? – Carlisle perguntou. – Você está bem?
Bella forçou o ar a passar por sua garganta seca e assentiu com a cabeça.
-Olha, se você quiser não precisa aceitar. É que eu confio em você para cuidar do meu filho.
-Carlisle... – ela engoliu em seco. – Eu posso pensar? Eu tenho outros pacientes e algumas coisas da minha vida...
-Claro, Bella. Edward acordou hoje pela manhã. Ele ainda permanecera alguns dias internado até ter um nível estável, você sabe. – Carlisle riu. – E terei que ter mais algum tempo para amaciar a idéia na cabeça dele. Ele está escrevendo um novo livro agora e dificilmente aceitará. – comentou orgulhoso. – Então, poderá me dar essa resposta na quinta?
-Quinta? – Bella repetiu um tanto quanto nervosa. – Eu não sei, Carlisle. Vou pensar.
-Hoje é sexta, Bella. Por favor, pense esse final de semana.
-Ok. – disse já se levantando, indo rumo a porta.
-Bella...? – Aro chamou. – Posso conversar com você a sós?
Bella franziu o cenho, mas assentiu com a cabeça.
Os dois saíram da sala, e Aro fechando a porta atrás de si, pigarreou.
-Bella. – ele sorriu. – Pelo que Carlisle nos comentou, seu trabalho junto a Edward foi incrível.
Bella sentiu suas bochechas esquentarem e agradeceu com um breve sussurro, ainda tentando organizar os pensamentos em sua cabeça. Sua mente vagava entre o rosto de Edward e como ela daria a noticia para Thiago, caso decidisse.
-Bella? – Aro perguntou tocando seu braço.
-Pois não? – Bella perguntou distraída.
-Eu também tenho uma proposta para você. – Aro repetiu malicioso.
-O que é? – Bella arqueou uma sobrancelha.
-Após o termino do tratamento de Edward e da sua viagem, eu gostaria que você viesse trabalhar no centro conosco.
Bella encostou-se ao batente da porta da sala de Carlisle e levando a mão a boca que estava escancarada, indagou.
-Como é?
-Isso mesmo. – ele sorriu. – Assim que terminar seu tratamento com Edward, eu quero que você vá para o centro cardiológico junto conosco. Claro que no começo, você estará como uma médica assim como você faz aqui, porém se tudo que Carlisle nos contou for verdade, creio que teremos uma diretora muito talentosa junto conosco.
Bella arfou recebendo mais esse choque de informações.
-E então? Teremos esse privilegio?
-Aro...! – Bella exclamou. – Como?
-Isso que você ouviu! – ele riu. – Entendo, você tem que pensar. – ele coçou a nuca. – Vou te dar o mesmo prazo que Carlisle, o que acha?
-Pode ser. – ela disse ainda confusa.
-Espero que pense com carinho. – ele disse entrando na porta.
Bella sentiu sua cabeça rodar e seus joelhos fraquejarem. Apoiou-se novamente na porta e respirou fundo tentando acalmar seu coração.
As coisas estavam indo um pouco rápidas demais.
Bella retirou o celular do bolso do seu jaleco, discando o numero com os dedos trêmulos.
-Thiago? – falou assim que a voz masculina respondeu do outro lado da linha.
-Claro, né, Bells? – ele disse rindo.
-Vai sair hoje? – ela perguntou seria.
-Não estou pensando em nada, por quê?
-Nós precisamos conversar. – ela tentou esconder a confusão na voz.
-Aconteceu alguma coisa?
-Sim. – ela respondeu soltando o fôlego.
-Fala Bella, eu estou ficando preocupado.
-Daqui a pouco estou aí! Eu já terminei o que tinha que fazer aqui no hospital. Pode ser?
-Bella, você esta me matando assim!
-Daqui a pouco, Thiago. Beijos.
-Te amo. – Thiago encerrou a ligação.
Bella seguiu até sua sala para buscar sua bolsa, evitando olhar para o corredor onde o quarto de Edward se encontrava. Como ela gostaria de ver como ele estava.
-Eu posso e devo fazer isso. – um sorriso brincou em seus lábios quando ela mudou a direção de seu passo.
Bella caminhou até a porta do quarto e com uma leve batida entrou.
Seu coração batia alto enquanto suas pernas bambas tentavam caminhar.
-Com licença. – falou tímida ao ver o quarto cheio.
Em segundos, Bella sentiu dez pares de olhos mirarem sua face vermelha enquanto ela se apoiava na parede.
-Bella! – Esme veio até ela e a abraçou. – Muito obrigada.
-Que isso, foi só meu trabalho.
Após sentir seu corpo ser solto, seu olhar encontro-se com os olhos de Edward, onde todos os presentes foram sumindo de seu campo de visão.
-Emmett, Rose. – ouviu Alice chamar ao fundo. – Vamos deixar a doutora examiná-lo.
Emmett encarou Alice confuso enquanto Esme e Rosalie já caminhavam para fora.
-Vamos Jasper. – ela falou estendendo a mão para o noivo que estava sentado numa poltrona no canto do quarto, levantando de seu colo.
Edward desviou o olhar para a veneziana assim que o click da porta fechando ecoou pelo quarto vazio. Bella respirou fundo e seguiu ao lado da cama. Colocando o estetoscópio que estava em seu ouvido no peito de Edward, que recuou ainda mais com o toque frio, perguntou como ele se sentia.
Ele olhou para a face rosada de Bella e respirou fundo. O aparelho que contava seus batimentos cada vez mais altos.
-Acalme-se, Edward. – Bella tentou parecer profissional, porém sua voz falhou ao pronunciar o nome dele.
Edward não emitia nenhuma palavra e Bella sentia seus olhos cravados em seu rosto pálido.
-Como se sente? – perguntou novamente, levantando seu rosto.
-Bem. – Edward respondeu colocando sua mão livre sobre a da médica que corria o aparelho em seu peito. – E você? – ele sussurrou.
A mão de Bella tremia com o suave toque das mãos de Edward que lhe massageavam o punho.
-A falta de ar melhorou? – perguntou com sua voz embargada. – Sentiu alguma taquicardia?
-Não. – Bella sentia o calor que emanava dos olhos de Edward.
O aparelho ligado que demonstrava os batimentos estava apitando cada vez mais alto.
-Edward, respire fundo e tente se acalmar.
-Não. – ele respondeu somente. – Não vou me acalmar e nem vou respirar fundo. – falou como se fosse uma criança.
Bella segurava o soluço que estava preso em sua garganta fortemente.
-Você precisa se acalmar se quiser sair daqui. – comentou colocando o aparelho de pressão em seu braço e bombeando. – Se quiser continuar vivendo.
-Eu não quero. – ele voltou o olhar para o rosto de Bella.
-Eu vou pedir para a enfermeira aplicar o seu remédio e volto amanhã, está bem? – ela respirava fundo, mantendo as lágrimas em seus olhos.
-Por favor... – ele disse enquanto olhava ela colocando as coisas em cima da bandeja. – Peça apenas que Alice entre. – ele falou com o olhar perdido.
-Pode deixar. – falou indo rumo à porta.
-Bella. – ele chamou ao ouvi-la rodar a maçaneta.
-Sim? – ela perguntou baixo enquanto apoiava a testa na porta.
-Por que você me deixou? – sua voz trazia toda dor a tona.
Bella soluçou alto deixando as lágrimas escorrerem por suas bochechas. Ela não conseguia raciocinar e com um impulso, saiu quarto a fora chorando pelo corredor.
Alice viu a cena e logo voltou para o quarto, perguntando ao Edward o que tinha acontecido, mas recebeu apenas soluços dolorosos em resposta.
Bella entrou em seu carro com a visão turva e tratou de sair o mais rápido possível do estacionamento.
-Você precisa se acalmar se quiser sair daqui. – comentou colocando o aparelho de pressão em seu braço e bombeando. – Se quiser continuar vivendo.
-Eu não quero. – ele voltou o olhar para o rosto de Bella.
-Eu vou pedir para a enfermeira aplicar o seu remédio e volto amanhã, está bem? – ela respirava fundo, mantendo as lágrimas em seus olhos.
-Por favor... – ele disse enquanto olhava ela colocando as coisas em cima da bandeja. – Peça apenas que Alice entre. – ele falou com o olhar perdido.
-Pode deixar. – falou indo rumo à porta.
-Bella. – ele chamou ao ouvi-la rodar a maçaneta.
-Sim? – ela perguntou baixo enquanto apoiava a testa na porta.
-Por que você me deixou? – sua voz trazia toda dor a tona.
Bella soluçou alto deixando as lágrimas escorrerem por suas bochechas. Ela não conseguia raciocinar e com um impulso, saiu quarto a fora chorando pelo corredor.
Alice viu a cena e logo voltou para o quarto, perguntando ao Edward o que tinha acontecido, mas recebeu apenas soluços dolorosos em resposta.
Bella entrou em seu carro com a visão turva e tratou de sair o mais rápido possível do estacionamento.
