Capitulo 15
Depois de deixar as lágrimas aliviarem a dor que machucava seu coração, Bella permitiu dormir por algumas horas. Poucas, realmente. Como se tivesse acabado de fechar os olhos, a lembrança que deveria entregar na manhã seguinte o prontuário de Edward durante os dois meses e dizer ao seu pai os procedimentos que ele teria que ser submetido, brilhou sobre suas pálpebras.
O seu diagnóstico e os procedimentos começaram a ser digitado as cinco e meia da manhã já que ela não conseguia mais ficar na cama. Os dedos tamborilavam rápido nas teclas fazendo o tek tek ecoar pelo apartamento irritantemente repetitivo.
Finalmente a impressora terminara de imprimir a última folha e Bella pode ir para o hospital. Seu pé ia fundo no acelerador e seu peito tremia em pensar no nome dele.
O caminho até o hospital fora um pouco distraído, e isso resultou em alguns problemas no percurso. Novamente o som de seu salto ecoava pelos corredores angustiantes e pálidos. Suas mãos tremiam e ela não sabia como começar. Seu punho fechado socou a porta em leves batidas.
-Entre. – a voz ríspida a fez vacilar. -Eu disse entre! – ele repetiu sem se virar quando não teve resposta.
-Eu trouxe os resultados dos exames desses dois meses e o que terá que ser feito daqui pra frente, Carlisle. Edward... – sua garganta fechou. –Está apto para os procedimentos padrões para uma cirurgia, ao menos que o senhor prefira que ele continue no tratamento através de drogas controladas
-Por que, doutora? – finalmente seus olhos cor de mel cruzaram com os castanhos escuros de Bella.
Um arrepio subiu por sua coluna ao ouvir aquela indagação de Carlisle. Ela fingiu não entender a pergunta.
-Creio que a vida dele será melhor, Carlisle!
Carlisle fechou os olhos e levou a mão as têmporas. Ele bufava.
-Pare de mentir para mim, Isabella! – ele sibilou. – Por que você fez isso? – seu punho encontrou a mesa. – Eu te entreguei um filho como um paciente e você o aceitou como um homem? – ele dizia frustrado. – Eu quero você longe dele, Bella! – ele a encarou. – Como médica e como amante!
-Carlis...
-Sem mais mentiras, doutora! – ele a interrompeu. – Você sabe que isso é antiético! Aliás, não se trata apenas de ética aqui, não é mesmo doutora? – ele a fuzilou. – Isso é proibido nesse hospital.
-Eu...
-Chega, Isabella! – ele gritou. – Eu estou farto disso tudo. Você deveria ter me contado, Bella! – ele falou inconformado. – Agradeça por isso não chegar aos ouvidos de Aro, já que a oportunidade que ele lhe deu será sua única chance agora e eu espero realmente que você a aproveite. – ele disse assinando a papelada que Bella trouxe. – Agora, por favor, vá embora... e deixe isso no balcão. Arrume suas coisas o mais rápido possível. Estarei ligando para Aro e confirmando sua transferência em alguns minutos.
Bella encostou-se à cadeira sentindo suas pernas bambas. Como Carlisle despejara aquilo tudo em cima dela sem ao menos dar-lhe o direito de defesa? E como assim ela teria que ir embora? Ele não pode fazer isso, pode? – era o que sua mente exclamava.
-E antes que você fale alguma coisa. – ele falou sério. – Enquanto você esteve fora, eu virei coordenador desse hospital.
Como uma bomba seus pensamentos tiveram respostas. Sim, ele podia fazer aquilo.
-Carlisle. – Bella falou séria. – Posso falar?
-Sinceramente, doutora? – ele levantou os olhos. – Não! – exclamou. – E eu gostaria de verdade que a senhorita saísse.
Sua dignidade que já não estava lá essas coisas, nesse momento tocou o subsolo.
Bella ergueu a cabeça, se apoiando no ultimo resquício que lhe sobrou de orgulho e marchou para fora do escritório do médico. Outra vez nos corredores, Bella correu.
Sentia o oxigênio de seu peito se esvair novamente e as lágrimas lhe embaçarem a vista. Ela sentia a cabeça um pouco zonza e uma ânsia em seu estomago a fazia contrair o corpo.
Como ela conseguiu chegar até aquele lugar era um mistério, pois as lágrimas lhe ocupavam a visão. Ao sentir o cheiro da grama molhada, ela estancou. Passou suas mãos nos olhos encharcados e tentou ajustar sua vista, porém as lágrimas não paravam de fluir.
-Com licença? – uma voz máscula lhe chamou a atenção. – A senhorita está bem? – ele perguntou receoso. – Claro que não, idiota! – resmungou. –Ela está chorando. – continuava em seu monologo. – Posso te ajudar...?
-Bella. – ela resmungou limpando novamente os olhos. – Pode me chamar de Bella.
-Prazer. – ele falou um pouco atrapalhado. – Me chamo Laurent.
Agora a visão de Bella se acostumara com a claridade que refletia em suas lágrimas.
O rapaz parecia demasiadamente jovem e os cabelos em cachos davam ao rosto branco um aspecto quase infantil. Seus intensos olhos azuis a olhavam com atenção. Com MUITA atenção.
Ao ver algo diferente no olhar do garoto, a ânsia de Bella apertou-lhe o ventre, fazendo-a imediatamente tampar a boca e continuar correndo.
-Hei! Volte aqui, Bella! – ele gritou nas costas dela.
POV. E.
-Então o que te preocupa? – perguntei acariciando sua coxa.
-Bem... – suas mãos envolveram a minha em um aperto. – Isso não é certo. – ela sussurrou.
Aquilo foi como um choque em meu corpo. Retirei a mão de sua perna que parecia me eletrocutar.
-Nunca foi. – cuspi as palavras apenas, colocando minha mão de volta ao volante.
Eu olhava atento a estrada enquanto ouvia ela bufar ao meu lado. Meu peito doía e eu sentia o nó preso na minha garganta. Depois do que pareceram séculos, chegamos finalmente na frente do apartamento de Bella.
-Edward... – ela me chamou ao sair do volvo, ainda segurando a porta. – Eu não queria... – sua voz trazia dor
-Tudo bem, Bell. – apertei minhas mãos no volante até que os nós de meus dedos empalidecessem. – Desde sempre isso não deu certo. Não podemos juntar o que o destino, ou seja lá que porra, insiste em separar. Fique bem. – encerrei aquela conversa ali, depois de quase perder o controle e puxá-la para dentro do carro e mostrar a ela o quanto éramos certos.
Ela fechou a porta no momento em que meus dedos afrouxaram o aperto do volante e eu ia chamá-la. Antes que eu me arrependesse, arranquei com o carro. Os faróis do porsche estavam agora em meu retrovisor. Acelerei mais para despistá-la.
Cheguei em casa e apenas gritei, enquanto ia subindo as escadas.
-Cheguei! Estou indo tomar um banho...
Enquanto me despia ouvi os passos de Esme no quarto.
-Filho? – ela chamou na porta do banheiro. – Como você está?
-Estou bem, mãe. – menti. – Saio em alguns minutos, já conversamos.
-Está bem! – ela respondeu. –Vou pedir para que preparem o jantar, estávamos esperando vocês.
-Ok!
A água quente que caia em meus ombros era perturbadora. Algo estava errado naquela cena. Algo estava faltando. Eu sabia o que era. Sim, seu corpo quente envolvendo o meu. Suas pernas envoltas na minha cintura enquanto suas unhas entravam em minha nuca e sua boca gemia em meu ouvido. Era ELA que estava faltando.
Desliguei rápido o chuveiro quando percebi que as cenas que preenchiam minha mente começaram a provocar sensações que eu não queria sentir no momento.
-Edward! – Carlisle exclamou quando me viu saindo do quarto com uma calça jeans e camisa. – Que saudade! – ele me abraçou. – Onde pensa que vai? – perguntou analisando a roupa do filho.
-Vou para casa, pai.
-Nem pense nisso! – Esme gritou da cozinha. – Vocês passaram muito tempo fora e agora terão que ficar aqui até eu matar a saudade.
Bufei contrariado. Eu agora queria minha casa, meu notebook, minhas musicas e um bom whisky. Era pedir demais? Já que o que eu mais queria de verdade, achava tudo isso 'errado'.
-Venha Alice, Jasper... – Esme chamou saindo da cozinha com uma travessa na mão.
O cheiro da macarronada invadiu meu nariz, trazendo outra cena automaticamente em minha mente.
Sentamos todos a mesa e começamos a jantar. Alice tagarelava sobre a viagem enquanto Jasper ria e tentava conte-la.
-Creio que de todos nós, quem mais gostou dessa viagem foi Edward.- ela soltou.
Meu corpo estancou e eu a encarei com fúria.
-Por que diz isso, Alice? – Esme perguntou interessada com um sorriso no rosto olhando entre eu e Alice.
-Fala pra ela, Edward. – ela me provocou.
-Diga, filho. – era vez de Carlisle insistir nisso.
Olhei para Jasper esperando que ele falasse alguma coisa. Ele apenas me olhou com os olhos cerrados e maneou a cabeça pra mim, entendendo minha situação.
-Se você não falar, eu farei isso, Edward. – Alice ameaçou.
-Shit. Não me ameace duas vezes, Alice! – sibilei. – Pra mim já chega! – disse jogando o guardanapo na mesa e saindo para a escada.
-Edward! – Carlisle me chamou antes da porta do quarto ser batida.
Peguei a mala e tirei meu notebook de dentro dela. Ajeite-me na cama e comecei a digitar com os fones no ouvido.
www*youtube*com*watch?v=-TPeR8Aq6BQ
"Cem dias me fizeram mais velho,
Desde o momento em que eu vi seu lindo rosto
Milhares de mentiras me fizeram mais frio
E eu não sei se eu posso ver isso da mesma maneira
Mas todos os quilômetros que nos separam
Desaparecem quando eu sonho com a sua face."
"Eu estou aqui sem você, baby
Mas você ainda está em minha mente solitária
Eu penso em você, baby,
E eu sonho com você o tempo todo
Eu estou aqui sem você, baby
Mas você ainda está comigo em meus sonhos
E hoje à noite, somos só você e eu."
Meus dedos que tamborilavam pelas teclas descreviam cada segundo desses meses que passaram tão rápido. As formas de seu corpo descritas em palavras escolhidas, enquanto a música alta preenchia o vazio do meu corpo com suas vibrações harmoniosas.
-Edward! – finalmente consegui desviar os olhos da tela ao sentir a mão gelada de meu pai retirando os fones de ouvido. – Estou te chamando há horas!
-Desculpe. – murmurei retornando a digitar.
-O que está fazendo? – ele perguntou sentando ao meu lado na cama e curvando-se para enxergar a tela.
-Não é nada.
-Edward... – ele falou. – Vindo de sua mente, nunca é nada. – ele comentou sorrindo. – Vamos, deixe eu ver.
Respirei fundo e virei, colocando o notebook em seu colo, esfregando meu corpo até a outra ponta da cama.
-"Seus lábios cheios agora estavam nos meus, enquanto seu cheiro dominava meus sentidos. Delicada, quente, luxuriante. Minhas mãos deslizavam por sua silhueta delineada e firme enquanto meus lábios traçavam sua rota de fogo por seu pescoço." – ele lia em voz alta.
Sentia minha orelha queimar de tanta vergonha. Aquilo não era para ser lido e muito menos por meu pai. Éramos homens adultos agora, mas eu me sentia um adolescente sendo pego em sua intimidade.
Ia interrompê-lo quando ele começou a ler o ultimo parágrafo.
-"Quatorze anos se passaram e ela continuava delicada e extremamente corada. – Bella. – um gemido rouco saiu de meu peito ao penetrá-la." – sua voz falhou ao pronunciar o nome de Bella.
Vi o rosto de Carlisle passar de vermelho para branco como cera, para retomar um tom de escarlate.
-Você transou com a Bella, Edward? – ele perguntou respirando pesadamente.
Eu ri ironicamente.
"Eu estou aqui sem você, baby
Mas você ainda está em minha mente solitária
Eu penso em você, baby,
E eu sonho com você o tempo todo
Eu estou aqui sem você, baby
Mas você ainda está comigo em meus sonhos
E hoje à noite, garota, somos só você e eu..."
-Carlisle...
-Você transou com a Bella? – ele me olhava furioso.
Balancei a cabeça indo para o banheiro, já passara da idade de conversar sobre esse tipo de coisa com meu pai.
-Responde, Edward! – ele gritou segurando a porta. – Você transou ou não com aquela vadia? – ele cuspiu cada palavra.
Meu sangue começou a borbulhar dentro de minhas veias e com os lábios retorcidos em cima dos dentes eu o alertei.
-Nunca mais diga isso.
Minha voz não passava de um rosnado e aquilo o deixou furioso. O que se seguiu passava por mim em câmera lenta. Seu punho fechado batendo em meu queixo com força e a dor pulsante em meu maxilar só fizeram minha raiva crescer.
Minhas unhas cerradas furavam a pele da palma de minha mão de tamanha força que eu a apertava.
-Me responda. – ele perguntou novamente.
"Eu estou aqui sem você, baby
Mas você ainda está em minha mente solitária
Eu penso em você, baby,
E eu sonho com você o tempo todo
Eu estou aqui sem você, baby
Mas você ainda está comigo em meus sonhos
E hoje à noite, somos só você e eu"
Era obvio que sim! Meu pai nunca pareceu ser tão burro como agora ele se demonstrava. O ar entrou pelas minhas narinas na tentativa de abrasar a ira que corroia meu corpo.
-Não é mais da sua conta o que eu faço ou deixo de fazer. – respondi tirando seu corpo de meu caminho. Peguei meu notebook da cama e sai do quarto descendo as escadas.
-Aonde você vai? – Esme perguntou saindo da sala de jantar.
A porta da sala batendo foi a resposta que eu poderia dar a ela. Entrei no volvo sentindo cada célula de meu corpo se fundir em ódio. Como em um deja vu, sai da mansão com meu corpo tremendo, enquanto os pneus de meu carro cantavam sob meus pés.
A quem eu queria enganar? Bella mexia com cada poro de minha pele. Se ela achava que éramos errados, então errados seguiríamos.
Eu precisava dela assim como meu corpo precisava de ar naquele momento para respirar
"Os quilômetros simplesmente continuam a correr
Como as pessoas que deixaram seus caminhos para dizer 'olá'
Eu ouvi que essa vida é supervalorizada
Mas eu espero que ela continue bem enquanto nós caminhamos"
Como eu cheguei a garagem de meu apartamento, eu não sei explicar. As luzes da rua passavam tão rápidas por meu para brisa que pareciam flashes apenas. A brisa gelada soprava nos vidros fechados do volvo em alta velocidade. Aos poucos, sentia meu corpo relaxar e a fúria que me corria se acalmar.
Eu não entendia a atitude de meu pai. O que lhe interessava se eu tinha ou não feito amor com Bella naqueles dois meses que ficamos naquela fazenda?
E por que ele queria saber disso AGORA? Logo agora que ela tirara a conclusão que não éramos 'certos'. Ficamos quatorze anos separados e quando finalmente ficamos juntos, ela achava que era 'errado'!
O que poderia ser? – eu me perguntava enquanto subia com o elevador até meu andar, tamborilando os dedos no aparador que tinha embaixo do espelho largo.
Entrei em meu apartamento aspirando o cheiro de menta que meu cigarro deixou no lugar. O ambiente escuro era totalmente familiar aos meus pés, que caminharam até o quarto após depositar as chaves na mesa de canto que ficava próxima a porta.
Joguei-me na cama enorme ainda vestido enterrando minha cara no travesseiro, passando os últimos acontecimentos por minha mente. O maxilar dolorido gritava o porquê de aquilo tudo estar daquele jeito.
Estava quase pegando no sono quando de sobressalto o celular que ficara ali no quarto carregando tocou alto.
"Tudo que eu sei, e em qualquer lugar que eu vou
É difícil, mas isso não vai acabar com o meu amor
E quando o último cair, quando tudo isso estiver dito e
feito
É difícil, mas isso não vai tirar o meu amor"
Peguei e abri o flip olhando de quem era a chamada e meu coração quase parou de verdade nesse momento.
Além das inúmeras mensagens e chamadas perdidas, o número que gritava no visor
fez meu sangue esvair por minhas veias. Sinceramente, eu achei que iria morrer naquele momento!
O porquê disso? Não sei, mas realmente aquilo me deixou desesperado.
Passei longos cinco minutos olhando o nome na tela até que a chamada se encerrou. Depois de tanto tempo, o que Jessica queria comigo? Já se passavam uns dez meses desde que nós terminamos o nosso namoro.
Fui checar as mais de 11 chamadas perdidas.
Micaela
Micaela
Alice
Alice
Micaela
Jessica
Jessica
Jessica
Jessica
Micaela
Jessica
Bufei irritado ao ver outra mensagem de texto lotar a caixa de mensagem.
"Ed! Preciso conversar com você. É urgente, entre em contato. Com amor, Jessi."
Com amor? A vi agarrada com James atrás de meu carro enquanto eu comprava a nossa aliança de noivado. Neguei-me a continuar a ver suas mensagens e fui direto para a de Micaela.
"Edward, já estou de volta na cidade. O que acha de um jantar aqui em meu apartamento? Vamos combinar, estou com saudades. Beijos, Mi."
Balancei a cabeça antes de solta-la novamente no travesseiro. Eu não conseguia pensar em outra mulher que não fosse Bella naquele instante. Porém, não poderia sofrer mais quatorze anos por ela novamente, certo?
ERRADO. Eu estava muito confuso naquele momento. Apaguei todas as mensagens e chamadas como se eu não tivesse visto e voltei a dormir.
*
O sol clareou meu rosto e eu senti o jeans apertado me machucando. Resmunguei enquanto desabotoava a calça e chutava ela pra longe com meus pés. Puxei ainda adormecido a camisa de botões pela cabeça enquanto bufava. O sol na minha cara estava incomodando.
-Quem deixou a cortina aberta? – sibilei nervoso.
Virei a cara pro outro lado e dei de cara com o relógio de cabeceira marcando quinze minutos para as duas horas da tarde.
-Puta que pariu! – gemi enquanto sentia um balde de água fria jorrando sobre minha cabeça.
JASPER.
Heeey Heeey! :)
Eu demorei né? Mas fiquem felizes, já que o pessoal do orkut sofreu a mesma demora, e não teve 3 capitulos diretos assim. HUSAUHSAUHSAUHAS Brincadeira, podem me xingar nas reviews! :) Espero que gostem dos capitulos, e não esqueçam da musica desse capitulo. É bem importante para o clima do momento e tudo mais. :) Eu espero realmente que gostem, ok?
Beijo beijo,
Drigo
