Capitulo 18
Narrativa
O tempo passava e o clima dentro do volvo ficava cada vez mais pesado. Bella sentia seu peito apertar por ver como Edward ficara chateado por suas atitudes, porém o medo das ameaças de Carlisle serem verdadeiras a impedia de raciocinar perfeitamente. Por outro lado, Edward se segurava para não tomar os lábios de Bella e pedir que ela o desculpe. Os dois se seguravam como podia dentro do carro.
Quando a rodovia foi finalmente liberada, Edward acelerou e em menos de meia hora o volvo brecava furiosamente na frente do centro cardiológico. Na porta, Aro esperava de braços cruzados e com cara de poucos amigos.
-Obrigada. – ela disse já abrindo a porta.
-Bella. – Edward protestou. – Por favor... – suas sobrancelhas se uniram e ele fez beiço feito uma criança birrenta. – Não estraguemos mais o clima!
Ela sorriu ainda triste e beijou seus lábios.
-Edward... – pronunciou antes de sair totalmente do carro.
-Eu venho te buscar, me ligue. – ele sorriu. – Vamos jantar, sim? – seu melhor sorriso estampado no rosto.
Ela concordou com a cabeça e deu as costas. Edward esperou ela atravessar a portaria pra novamente cantar pneus e sair de volta à rodovia. Seu dia seria longo...
O caminho de volta para o apartamento de Edward estava livre e em menos de quarenta e cinco minutos ele já estava em frente ao elevador.
-Por que não estava assim na ida? – tamborilou os dedos na parede enquanto o elevador não chegava na garagem.
Sua impaciência estava crescendo enquanto o bendito não chegava. Apertou mais uma vez, duas o botão e nada. Cruzou os braços no peito e encostou-se à parede de frente e próxima ao elevador.
-Talvez seja alguém se divertindo no elevador. – riu e ergueu o punho para ver que horas era no relógio de pulso. – E alguém extremamente, hmm, ativo. São quinze para sete da manhã! Apesar... – e seus pensamentos foram interrompidos, o elevador chegou e dele saiu o síndico, de braço dado com a esposa.
Edward segurou um riso, soltando o ar forte pelo nariz. O homem engravatado o olhou desconfiado e ele apenas os cumprimentou, entrando no elevador.
Ele estava inquieto. De frente pro espelho, arrumou o casaco. Os cabelos despenteados foram mais uma vez meticulosamente bagunçado e a barba por fazer que lhe pinicava o rosto, mas que muito lhe agradava, alisada.
Batucando ao ritmo da musica extremamente baixa e ambiental do elevador, Edward saiu em seu andar quase dando cambalhotas. Estranha sensação após o clima tenso de horas atrás, porém agora não fora mais um sonho a noite que passara com Bella, era uma dose de ânimo.
Como de rotina, abriu o apartamento jogando a chave no sofá e indo direto para seu quarto. O estado do mesmo era deplorável, porém se lembrava exatamente como aqueles lençóis foram parar no chão, ou como a cama estava totalmente bagunçada. Ou se não, a toalha jogada na sala. Sorriu ao lembrar como seu corpo clamava pelo dela.
Suspirou e pegou o notebook que repousava na cômoda. Abriu o arquivo que tinha o nome de seu próximo livro e digitou algumas frases, totalmente agitado.
Pegou o celular e discou rapidamente os números do amigo que no quinto toque atendeu com uma voz embriagada.
-Jasper? – chamou assim que o telefone foi atendido.
-Diga, Edward. – a voz de Jasper soou sonolenta do outro lado.
-Hmm... Desculpe por isso. – ele pediu sinceramente. – Mas precisava saber como estão as coisas no escritório hoje!
-Quem é, Jazz? – a voz de Alice sussurrou ao fundo.
-Fuck! – Edward exclamou. – Desculpe mesmo, Jasper. Afinal, isso são horas de estar dormindo? – provocou.
-Cullen, são 7 e meia da manhã. O que você faz acordado há essa hora, a todo vapor? – perguntou desconfiado.
-Bella teve um compromisso cedo. – ele deu de ombros, como se Jasper fosse ver aquele gesto. – Daí levei ela até lá! – sorriu. – Mas então, alguma coisa pra hoje?
-Eu não sei! – ele disse ainda dormindo. – Sabe, eu estava no meio de um sonho bom e a sua irmã estava dormindo também. Então, realmente se eu não desligar logo eu não me responsabilizarei pelo que posso te responder.
-Desculpe! – ele pediu novamente. – Não tinha noção que a bela ainda estava adormecida. – brincou. – Volte a dormir, vou escrever mais um pouco e daí eu já te levo o que eu tenho pronto. – disse empolgado.
-Seja como for. – Jasper resmungou. –Apenas não tome o que quer que seja que você bebeu, outra vez. Sim?
-Mas...
-Até logo, Edward. – Jasper desligou.
Edward riu e voltou a digitar, talvez mais calmo. As rimas iam aparecendo verso após verso. Seus dedos tocavam com exatidão cada tecla, montando palavra por palavra na tela. O sorriso bobo em seus lábios mostrava como Bella fazia diferença na vida dele. Inconscientemente, ele temia esse vínculo que sua felicidade criara com a companhia de Bella. Acostumado a ser independente dentro de sua casca de dor, sentir-se totalmente entregue a aquela que lhe ferira, era no mínimo, apavorante.
Terminou aquele capitulo e sorriu satisfeito para a tela do notebook. Seu projeto era escrever uma historia através de poemas interligados. Audacioso, ele achava. Salvou em um pen drive o arquivo e foi tomar um banho. Seu dia iria ser produtivo, acreditava ele!
*
Após ouvir os pneus de Edward cantando na estrada próxima ao portão do centro, Bella se dirigiu cabisbaixa até Aro que a aguardava de braços cruzado e encostado em uma pilastra, na frente da porta automática do centro.
-Desculpe, Aro. Foi o que eu te disse, a rodovia estava interditada...
-Não precisa se desculpar, Bella. – ele a interrompeu com um sorriso no rosto. – Fico feliz que tenha vindo. Vamos entrar?
Bella assentiu com a cabeça e entrou logo depois dele. Ele andava em sua frente, calado, enquanto ela observava os corredores refrigerados. Era um lugar acolhedor, pensou enquanto as enfermeiras passavam por ela com um sorriso terno no rosto.
-Vejo que você conquistará grandes amizades. – Aro comentou olhando sobre os ombros e erguendo uma sobrancelha.
-Espero. – ela disse apenas, desviando o olhar das intensas íris acastanhadas de Aro.
-Chegamos. – ele disse finalmente, depois de vários passos naquele imenso corredor branco. – Aqui, Bella. É onde trabalharemos.
-Remos? – sussurrou Bella, assentindo. – Certo. – sorriu.
Olhou pro seu relógio apreensiva, ansiosa. Sem saber ao certo, olhou para o consultório e viu uma pequena janela no canto da sala.
-É o laboratório. – Aro comentou enquanto pegava umas papeladas. – Pode ir ver, depois. – sorriu trazendo um bloco em sua mão.
-O que é isso? – Bella perguntou curiosa.
-Seus papeis de admissão. – ele estendeu em sua direção. – Mas me diga, porque essa urgência de Carlisle? – Aro perguntou desconfiado. – Ele estava tão relutante em te transferir para cá. Pensei que ia ter que insistir muito para ele me permitir ter você em minha equipe, porém de uma hora para outra, ele te manda para cá.
Bella pegou o papel em mãos e começou a analisá-lo.
-E então? – Aro insistiu se aproximando. – O que você aprontou, Isabella?
Bella estremeceu lentamente. O medo borbulhou em seu estomago e ela temeu que Aro ouvisse seu coração alto pulsar dentro do peito.
-Nada, Aro. – ela disse baixo. –Ele só achou melhor que eu viesse rápido, antes que aparecessem outros pacientes. – ela completou dando de ombros e assinando os papéis.
-Certo. – Aro se convenceu, aparentemente. – Vamos conhecer o centro? – sorriu cordial.
-Claro. – Bella sorriu também.
Os dois caminharam por todo o centro e Bella agradeceu por Aro não ter tocado mais naquele assunto. Carlisle talvez falasse... Mas ela realmente não queria pensar nisso.
O dia passou consideravelmente rápido para Bella, que logo se empolgou com os primeiros prontuários que Aro entregou para ela. Ao todo, eram três. Melhor do que nada. As horas corriam que quando se deu conta, já se passavam das duas da tarde.
-Hey! – uma moça jovem apareceu no vão da porta onde Bella analisava alguns exames. – Bella, certo?
-Sim! – sorriu.
-Sou Ângela. – ela sorriu simpática. – Você já foi almoçar? – perguntou tímida. – Sabe, todo mundo já foi e eu não gosto de comer sozinha.
Bella riu tranqüila e jogou os papeis em cima da mesa.
-Não almocei ainda, não. Aceito seu convite!
Bella levantou e terminando de abrir a porta, saiu e acompanhou Ângela até o refeitório. As duas conversavam tranqüilas como se fossem amigas há tempos. E isso agradou Bella.
Ângela era de sua altura, um pouco mais alta. Os cabelos negros caiam completamente enrolado até sua cintura e ela usava um óculos na face. Seus olhos negros eram gentis e ela tinha um sorriso fácil.
-Quanto tempo está aqui, Angie? – Bella perguntou enquanto abria o sanduíche natural.
-Hmmm. – a moça parou para pensar. – Há um ano. – sorriu. – Mais ou menos.
-Certo. – Bella assentiu com a cabeça feliz.
Ela sentia seu coração se inflar, pura e simplesmente. Sem motivos, sem medos e sem prazo. O medo que sentiu de manhã agora estava dissipado. Talvez seu trabalho a distraiu.
O almoço foi rápido e o dia correu mais ainda. Dado sete horas da noite, Aro bateu na porta e apenas colocando a cabeça para dentro, avisou que ela já podia ir embora.
-Certo! – ela sorriu terminando algumas anotações.
Aro refletiu um pouco observando ela receosa e antes de sair, perguntou:
-Posso te oferecer uma carona?
Bella parou o que tava fazendo e o encarou. Os olhos de Aro eram fixos em sua expressão e ele tinha um meio sorriso nos lábios. Bella refletiu um pouco e logo concluiu que não era necessário.
-Na verdade, não há necessidade. Eu vou voltar com... não importa. Não há necessidade mesmo. Obrigada. – ela sorriu agradecendo.
-Sabe, eu insisto. – ele entrou e fechou a porta atrás de si.
Bella soltou a caneta na mesa e se recostou na cadeira. Mordeu o lábio inferior e coçando o braço nervosa analisou Aro. Não daria menos de trinta e cinco anos para o experiente médico parado em sua frente. Seus olhos eram intensos e tinha um tom indecifrável. Os cabelos negros se confundia com a barba por fazer que lhe cobria o maxilar.
-Desculpe, Aro, não gostaria de ser grossa... – ela começou um pouco receosa. – Mas eu tenho um compromisso essa noite. – ela desviou o olhar.
-Um jantar? Eu também posso te chamar para jantar? – ele perguntou se apoiando na mesa dela.
Bella sentiu-se constrangida. As bochechas logo se esquentaram tomando o mais tenro tom de vermelho e ela abaixou a cabeça. Sentiu suas mãos tremerem levemente de nervoso e voltou a encará-lo.
-Um dia, quem sabe? – sorriu se levantando. – Bom, eu vou indo, Aro. – ela disse se levantando e pegando a bolsa. – Até amanha.
-Não se atrase, Bella. – ele disse antes que ela batesse a porta confusa.
Bella caminhava pelos corredores exageradamente brancos com passos largos e rápidos. Questionava-se se o que acabou de fazer trazia riscos para sua carreira no centro médico. Os pensamentos se confundiam na cabeça dela, enquanto os dedos automaticamente discavam para Edward.
-Oi Bella. – a voz dele ecoou no ouvido de Bella, trazendo conforto pra seu organismo.
-Ola, Edward. – sorriu. – Será que você pode me buscar? – coçou a nuca desconfortável, olhando para os lados. – Eu já terminei aqui.
-Claro! – ele exclamou feliz do outro lado da linha. – Mas na verdade...
-O que foi? – Bella interrompeu nervosa.
Edward apenas riu do outro lado da linha. Seu corpo se arrepiava com cada palavra de Bella e ele se sentia contente com isso.
Bella caminhava mais rápido agora, quase correndo. Ao passar pela porta automática, recebeu o golpe de vento gelado da noite. Estremeceu se protegendo atrás de uma pilastra.
-O que foi, Edward? - perguntou nervosa, já tremendo com o frio.
-Se você olhar para trás... – ele abaixou o celular e começou a rir.
Bella olhou para o aparelho em sua mão confusa e recebendo outro sopro de vento gelado na nuca, maneou a cabeça.
-Mas que droga! – praguejou baixo, já achando que estava louca por sentir o perfume de Edward na brisa. -Edward? – recolocou o aparelho no ouvido, esperando resposta.
-O que foi? – ele perguntou perto de seu ouvido, trazendo o corpo dela contra seu peito, envolvendo sua cintura.
Bella estremeceu ao mesmo tempo em que sentiu seu coração vir parar na garganta. Antes de qualquer reação que ela pudesse ter, Edward a virou, olhando para seu rosto com um sorriso largo nos lábios.
-Mas como... o que? – Bella tentava dizer com os olhos arregalados. – O que você tá fazendo aqui? – perguntou sem entender.
-Vim te buscar, ué! – Edward deu de ombros. Rindo feito uma criança. – Não era o que você queria?
-Mas eu acabei de... – ela levantou o celular.
-Vamos, Bella! – ele a abraçou novamente, encostando as costas dela em seu peito e a empurrando em direção ao volvo enquanto beijava o pescoço dela. – Deu pra te ver você tremer de frio de longe. – ele sorriu mordendo o pescoço dela e erguendo a cabeça.
-Isso dói. – ela resmungou.
-Eu não senti absolutamente nada. – soltou a cintura dela e andando ao seu lado, passou o braço por baixo do dela, trazendo-a para seu corpo.
Bella ainda não tinha entendido o que Edward fazia ali, sendo que acabara de ligar para ele. Talvez apenas a surpresa dele estar esperando por ela a deixasse assim, entorpecida. Sim, era a surpresa de ter Edward a sua espera que a deixara assim.
Edward sorria, enquanto seus dedos brincavam com a lateral do corpo de Bella. Ele passara as ultimas duas horas no estacionamento do centro médico esperando por ela. Não que isso o incomodasse e ele até aceitaria ser chamado de maluco, caso ela o achasse assim. Mas não conseguira se conter no escritório depois das cinco da tarde.
FLASHBACK
-Onde você vai? – perguntou Jasper, olhando no relógio de pulso.
-Buscar Bella. – ele sorriu feito um adolescente.
-Mas... – Jasper tentou argumentar, com as sobrancelhas erguidas. – Tá certo. – deu de ombros, maneando a cabeça. – Você está doido, Edward. – ele avisou, continuando a programar a semana de trabalho. – E eu estou começando a temer isso. – sorriu, provocando.
-Fique tranqüilo. – ele sorriu. – Eu termino isso logo. – batucou no notebook, colocando-o dentro da mochila. – Mas eu não to conseguindo me concentrar aqui. Ansiedade. – deu de ombros, se justificando.
-Não sei o que Esme tomava na gestação de vocês, mas pelo visto... boa coisa não era. – Jasper brincou, lembrando de Alice.
-Até mais.
-Até.
Parando o volvo no estacionamento do centro cardiológico, Edward abriu o notebook no colo enquanto olhava para a porta de saída ansioso. Rindo de como aquilo parecia total e absurdamente coisa de um adolescente e sua primeira namorada. Deu de ombros, afinal, era o que Bella era. Sua primeira namorada, sempre seria.
FIM DO FLASHBACK
-Edward? – ela chamou, cutucando o braço dele suavemente.
-Oi? – focou sua visão e olhou para ela, que estava com a cabeça encostada em seu peito.
-Abre o carro! – exclamou. – Está frio...
-Ah! – balançou a cabeça, dissipando o flashback momentâneo. – Claro. – sorriu.
-No que você estava pensando? – Bella perguntou, circulando o carro até a porta do passageiro.
-Apenas lembrando algumas coisas. – disfarçou.
Não confessaria que estava pensando em como se sentiu na espera por ela. Ela sairia correndo, se soubesse. Defendia em sua mente.
Os dois entraram no volvo e seguiram pela rodovia.
-Onde você quer jantar? – Edward perguntou acariciando a coxa de Bella.
-Você escolhe. – sorriu. – Apesar de que se você dissesse que iria passar em casa... eu ficaria realmente feliz. – Olhou para a roupa que vestia e depois olhou para Edward, que usava uma camisa diferente da que ela o viu colocar de manhã.
-Por quê? – perguntou, olhando para Bella com uma expressão curiosa.
-Olha para mim, Edward. – ela resmungou.
-Bem que eu queria. – ele sorriu. – Mas realmente seria difícil agora. – voltou a cabeça para a estrada.
-Certo... – ela bufou. – Mas eu estou horrorosa.
Edward não respondeu. Se fosse entrar nesse assunto, acabaria por demonstrar demais como ele se sentia encantado por aquela figura sentada do seu lado.
-Viu! – Bella choramingou. – Você concorda!
-O que? – Edward perguntou confuso.
-Que eu estou horrorosa. - disse emburrada.
Edward se perguntava se tinha perdido alguma coisa.
-Claro que não, Bella. – ele passou a mão no cabelo de Bella com a mão livre. – Você é linda. – sorriu quando viu que Bella estava fazendo charme. – Sempre foi. – desceu a mão pelo braço dela e desfazendo seus braços cruzados, trazendo sua mão até a boca. – Mesmo quando era uma menininha toda envergonhada. – sorriu beijando a mão dela e entrelaçando os dedos.
-Mas olha minha roupa. – reclamou novamente. – Não posso sair com você desse jeito.
Edward maneou a cabeça e apertou o entrelaçado de dedos, olhando novamente para ela.
O caminho até o restaurante foi rápido. Edward preferiu escolher por si só onde jantariam, já que Bella o encarregara disso. Parou o volvo na entrada do lugar e lentamente andou até Bella, que se recusava a sair do carro.
-Pare com isso, Bella. – ele pediu abrindo a porta. – Venha comigo?
Bella olhou para ele, que sorria com a mão estendida. Inclinou a cabeça e viu o restaurante onde ele a levara. Sua face se contorceu numa careta de medo.
-Você não quer que eu te pegue no colo, não é? – ele falou baixo, perigosamente baixo. – Você sabe que eu não me importaria de fazer isso. – ele completou.
Bella resmungou novamente, e antes que Edward desistisse e fosse para um fast food, ela pegou na mão dele, saindo do carro. Ele em resposta, sorriu abertamente.
Edward deixou a chave com o manobrista do restaurante e entrelaçou os dedos na mão de Bella.
-Boa noite. – Edward se aproximou da moça que os esperava com um sorriso congelado no rosto. – Reservei uma mesa hoje pela manhã.
-Boa noite. Seu nome, por favor. – ela pediu gentil demais.
-Edward Cullen. – respondeu a moça.
Anna dedilhou o nome de Edward no computador e após confirmar a reserva, os levou até a mesa pedida por ele.
-Aqui está! – ela indicou a mesa reservada, afastada do movimento do restaurante. – Fiquem a vontade e eu mandarei alguém lhes servir.
-Obrigado. – Edward puxou a cadeira para Bella.
Anna, que tinha os cabelos presos em um rabo de cavalo dourado, olhou sobre o ombro para Edward, com um sorriso extremamente sedutor, pelo menos foi o que pensou.
-E então, Bella? – Edward se sentou a sua frente, capturando sua mão por cima da mesa. – Como foi seu dia? – perguntou realmente curioso.
Bella estava atenta a cada movimento de Edward, porém isso a pegou desprevenida.
-Meu dia foi bom. – declarou simplesmente, desviando o olhar dos olhos verdes intensos de Edward.
-Bom? – ele perguntou com um sorriso. – Seu primeiro dia de trabalho num lugar como aquele, foi bom? – repetiu o tom desanimado de Bella.
-Sim. – ela confirmou. – Aro me mostrou o lugar e me passou alguns relatórios para analisar. – deu de ombros. - "Me ofereceu uma carona e me convidou para jantar, também". - pensou.
-Aro... – Edward repetiu pensativo. – Eu o conheço? – perguntou.
-Talvez. – Bella deu de ombros. – Não que seja importante, creio. Mas ele é conhecido de seu pai.
-É! – ele concordou. – Deve ser isso. – desviou o olhar pela primeira vez, pensativo.
-Boa noite! – o garçom se aproximou. – Irei servi-los essa noite, gostaria de beber alguma coisa, senhorita?
Bella levantou os olhos para o garçom e depois de pensar um pouco, pediu apenas uma água gaseificada.
-E o senhor? – virou-se para Edward. – Gostaria de algo para beber?
Edward olhou para Bella que tinha o olhar perdido no restaurante, e com um tom baixo, sussurrou para o garçom.
-Me traga seu melhor champanhe, por favor.
-Está certo. – ele concordou com a cabeça, se afastando.
-Você está bem? – Edward perguntou a Bella.
-Sim. – Bella retomou a atenção para Edward.
-Certo. – ele maneou a cabeça, sorrindo.
-O que foi? – Bella perguntou nervosa.
-Está tão distraída. – Edward acariciou as costas da mão de Bella. – O que houve?
-Ah. – ela passou a mão livre pelo cabelo. – Só estou um pouco cansada. – sorriu. – Não é nada.
-Tem alguma coisa te incomodando. – ele falou, simplesmente, sem interesse. – O que é? – voltou à atenção para o cardápio.
Bella engasgou com a própria saliva, ou com o ar que ela inalava naquele segundo.
-O que você está dizendo? – perguntou tensa.
-Seus olhos. – ele declarou. – Eles não ficam mais de cinco segundos nos meus. – ele continuou. – Aconteceu alguma coisa hoje? – ele fechou o cardápio, olhando atentamente para Bella.
E aconteceu exatamente o que ele disse, mesmo ela tentando permanecer naquela imensidão verde, desviou o olhar no tempo exato.
Edward se inclinou por cima da mesa, segurando o queixo e virando o rosto na direção do seu.
-Me diga o que aconteceu, por favor? – ele pediu.
Bella sentiu-se tremer. "Você não fez nada de errado!" – entoava em sua mente, como um mantra. "Não tem problema de contar, tem? Eu não fiz nada, eu devo contar, não devo?" – o turbilhão de pensamentos invadindo sua mente, enquanto ela se forçava a se firmar no olhar dele.
-Arodeuemcimademimhoje. – falou de uma vez só, baixo.
Edward sentou no mesmo momento que aquelas palavras o atingiram. Escorregou a mão do queixo dela, até repousar novamente em suas mãos. E feito um raio, a lembrança se iluminou em sua mente.
FLASHBACK
-O que Aro tem a ver com isso? – Esme exclamou, enquanto as lágrimas corriam de seu rosto. – Já faz mais de cinco anos que nos conhecemos, e agora que ele vai te cobrar ética, Carlisle? Temos um filho agora!
-Eu sei, Esme! – Carlisle respondeu baixo. – Ele sempre fez vista grossa quanto a isso, mas agora ele resolveu me chantagear! – respondeu preocupado.
-O que vamos fazer, Carlisle? – Esme perguntou, temerosa. – Ele ira te despedir?
-Não! – Carlisle a acalmou. – Ele não pode fazer isso, não enquanto eu tenho toda a aprovação da diretoria do hospital, mas ele pode fazer alguma coisa.
-O que? Te denunciar?
-Eu não sei, Esme! – Carlisle confessou, beirando o desespero.
-Papai? – Edward apareceu na porta do escritório.
Esme virou de costas pra porta, limpando as lágrimas que insistiam em rolar por suas bochechas, enquanto Carlisle caminhava até a criança que estava parada na porta.
-Edward... – Carlisle começou, antes de abraçá-lo. – O que foi?
-Por que mamãe está chorando? – ele perguntou, apontando para Esme.
-Não é nada, Edward. – Esme virou-se, forçando um sorriso. – Não é nada!
Carlisle olhou para ela, que apenas deu de ombros.
-Quem é Aro, papai?
-É o chefe do papai. – Carlisle explicou, se controlando.
-E o que ele fez? – perguntou curioso.
Carlisle olhou novamente para Esme, que negou com a cabeça.
-Nada, filho. – Carlisle bagunçou os cabelos cor de bronze dele. – Agora volte para cama, está muito cedo.
-Mas...
-Vamos, Edward. – Esme o interrompeu. – Volte para cama!
Edward virou as costas, cabisbaixo e subiu as escadas, e antes da porta se fechar ouviu Carlisle sussurrar.
-Talvez seja melhor não envolve-lo nisso.
Esme concordou.
FIM DO FLASHBACK
-Edward? – Bella tocou sua face, pela terceira vez naquele minuto. – Me responda.
-Aro? – ele perguntou um pouco abalado. – Aro deu em cima de você?
-Sim. – Bella confirmou, envergonhada.
-Aro Volturi? – perguntou mais uma vez.
-Sim!
-Certo. – Edward passou a mão pelo cabelo nervoso. – O que ele falou? – perguntou encarando ela.
-Edward...
-Está bem. – bufou. – Mas... – os ciúmes corroendo de forma lentamente.
-O que foi? – Bella perguntou preocupada.
-Se afaste, está bem? – advertiu ele. – Eu sei que eu não tenho esse direito sobre você, mas não quero vê-la com ele. – e a lembrança daqueles meses com seus pais separados pulsando em sua memória. – Por favor, Bella. – ele pediu nervoso.
-Tá! – ela disse baixo. – Vou tentar, mas ele é meu chefe... – respondeu como se não houvesse saída.
-Droga! – Edward sussurrou esmurrando a mesa.
-Descu...
-Não é sua culpa, Bella. – ele alisou novamente a bochecha dela. – Não é sua culpa. – e seu olhar novamente se perdeu pelo restaurante.
O jantar correu silencioso. Com as últimas lembranças, Edward se esquecera de pedir a champanhe, deixando por isso mesmo.
-A conta, por favor? – pediu ao garçom, quando o viu passar pela mesa.
-Pode deixar, senhor. – ele parou por um momento. – Você vai querer que embrulhe o pedido?
-Pedido? – Edward perguntou confuso ao garçom. – Ah sim! – ele se recordou e sorriu fraco. – Não tem como suspender, não é? – viu a expressão negativa do garçom. – Então pode trazer.
Ele assentiu e saiu por um instante, deixando Bella confusa enquanto terminava sua refeição. Ela se sentia incomodada com o silencio, mas prometera a si mesma que daria aquele tempo a Edward.
-Aqui está, senhor. – o garçom interrompeu o silencio, trazendo a champanhe e a fazendo borbulhar na taça.
-Você aceita, senhorita? – ofereceu a Bella que olhava para Edward confusa.
-Não, obrigada.
Edward deu um gole longo na champanhe e largando a taça na mesa, perguntou se podiam ir embora.
-Você quem sabe, Edward. – Bella respondeu somente.
-Então vamos.
O volvo prateado aguardava na porta do restaurante enquanto Bella olhava fixamente para um Edward frio, distante. O silencio dentro do carro não foi diferente.
-Será que você poderia me deixar em casa? – Bella perguntou sufocada.
-Claro. – Edward respondeu simplesmente, pegando o próximo retorno.
-Você ficou bravo, Edward?
-Não, Bella. – ele desviou pela primeira vez os olhos da estrada e olhou para Bella. – Eu só estou confuso.
-Hm. Certo. – Bella assentiu mordendo o lábio de nervoso e se calou.
-Chegamos. – Edward anunciou minutos depois.
-Obrigada. – Bella pegou uma sacola que tinha no banco de trás e abriu a porta do Volvo. – Bem, me desculpe por alguma coisa que eu fiz e que tenha te deixado assim.
-Não foi você, Bella, acredite. – a face de Edward se retorcendo em arrependimento.
-Ok. Você quer subir? – ela perguntou.
-Desculpe, Bella, eu preciso organizar meus pensamentos.
-Está bem. Até! – se afastou do carro e antes de se virar, acenou.
Edward aumentou o volume do som que soava baixo no volvo e acelerou mais, tentando se distrair na batida da música.
.com/watch?v=Z0i3-wolG7g&feature=related
Suas mãos apertavam mais o volante. Ele via os meses em que pegara Esme chorando por Carlisle estar 'viajando' se desenrolarem por sua mente lentamente.
-Eu não vou deixar você fazer isso com a minha Bella! – Edward rosnava enquanto as ruas surgiam por baixo das rodas de seu volvo.
O caminho até seu apartamento foi curto, porém o suficiente para suas idéias estarem mais definidas, objetivas.
Os dedos longos encontravam as teclas do notebook violentamente, enquanto um texto desconexo e perturbador surgia na tela. Não ouviu o celular tocar, apenas na terceira vez permitiu-se voltar à realidade de seu quarto.
-Edward Cullen falando. – atendeu sem humor.
-Que bom que te encontrei. – a voz feminina se fez ouvir do outro lado da linha.
-Quem está falando? – perguntou ajeitando o celular no ombro e voltando a se sentar em frente ao notebook na cama.
Ela riu sensualmente.
-Micaela, Edward. Esqueceu-se? – perguntou fingindo tristeza.
-Desculpa, não te reconheci. – declarou desanimado. – Como está?
-Estou ótima, de volta a cidade. E você? – perguntou sensual.
-Estou bem, Micaela. Também estou na cidade.
-Jura? – perguntou histérica. – Sabe, estava com saudades.
Edward não respondeu nada.
-E então, quando podemos nos ver? – sua voz cheia de malicia.
-Essa semana, infelizmente, estou ocupado, Micaela.
-Que tal na próxima?
-Depois marcamos direito, sim? – falou desanimado.
-Está bem!- completou animada. –Preciso ir, Eddie. Beijos. – e desligou.
-Eddie? – perguntou olhando o visor do celular, sentindo-o vibrar com o recebimento de uma nova mensagem.
"Edward, sou eu. Bella. Me desculpe por hoje, não queria te aborrecer. Espero que amanhã nós nos vejamos, estou com saudades. É, eu sei que isso é bobo, mas não consegui me conter. Dormir essa noite sem você será difícil, mas tudo bem. Beijos! B.S"
Os dedos de Edward discaram rapidamente os números conhecidos de Bella e em instante a voz doce dela soou triste do outro lado da linha.
-Você recebeu a mensagem não é? – perguntou tristonha enquanto se apertava mais ao edredom.
-Sim. Bella...
-Não precisa se justificar, Edward. – ela o interrompeu. –Só queria ouvir sua voz outra vez.
-Me perdoe por essa noite, Bella! – ele se deitou de costas no colchão. – Eu apenas fiquei aborrecido por você estar tão perto de Aro. Hmm, digamos que eu me lembrei de onde o conheço.
-Não precisamos falar disso, Edward. Eu só não conseguiria dormir sabendo que você estava irritado comigo.
-Eu não estou irritado com você! – ele sussurrou. – Eu te amo demais para isso. – falou rouco.
Bella ficou em silencio, absorvendo aquelas palavras.
-Bella? – perguntou preocupado. – Já dormiu?
-Não. – respondeu rindo baixinho. –Mas agora consigo dormir.
-Nos vemos amanhã? – perguntou esperançoso.
-Pode ser – ela concordou.
-Depois que você chegar em casa, me liga. – pediu.
-Ok!
-Durma bem, Bella.
-Obrigada. – e antes que o típico 'desliga você' começasse, Isabella desligou.
Edward suspirou fundo e ficou olhando o teto enquanto esperava o sono chegar, o que realmente não demorou.
Heeeey! Como vocês estão? Então galera, era pra ter postado os três capitulos direto, mas a Pri teve uns compromissos, e me mandou depois esses dois, e eu deixei o tempo passar. HUASUAHUAUSHAUHASHUAS Desculpem. Por isso não teve NA naquele capitulo 16.
Pois bem, ai está o capitulo 17 e o 18 para voces lerem E comentarem, Ok? Esses dois são bem complicadinhos heim? E Aro? FDP! AHUASUHSAHUASHUASHUASHUAS
É isso tchurma, beijones.
Drigo
