Essa aqui, apesar de ser Sesshoumaru e Rin na essência, terá uma pequena cena com outro casal... Não posso dizer qual é. Leiam, por favor. Tem muito mais diálogos nessa aqui do que eu geralmente me permito, mas estou tentando me livrar de alguns vícios literários.

Bjos, amo vcs!

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Carpe Diem

Por Graziela Leon

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Sango ligou o gravador e olhou para frente. Era a primeira entrevista importante que ela fazia para aquela revista; Sesshoumaru Taisho, o "Homem do Ano", que, nos últimos doze meses, fez quadruplicar os rendimentos da empresa de mineração pela qual era responsável. Ela estava terrivelmente nervosa, mas o homem a sua frente parecia portar uma tranqüilidade perturbadora. Ele quase sorria, com sua confiança característica. Confiança essa que os jornais chamavam de "charme", o que lhe rendeu os rótulos de "conquistador" e "mulherengo".

Sango fez as perguntas básicas que constavam no seu roteiro, e a conversa acabou fluindo naturalmente. Apesar da fama de fechado, ele era uma companhia agradável, sempre muito educado e solícito para com ela. Exatamente o tipo de pessoa que sempre deve ter tido aquilo que desejava. Então ela começou a entrar no nível mais pessoal da conversa, na tentativa de extrair as informações que seu editor queria que ela extraísse.

- Certamente que o senhor tem visto os comentários a seu respeito, nos tablóides ultimamente – ele confirmou – O que acha do que eles têm dito, sobre o fato de o senhor trabalhar demais, e de não ter uma namorada?

- Eu não estou namorando, porque não estou interessado em ninguém, no momento, e não vejo forma mais gratificante de ocupar o meu tempo, visto que estou solteiro, do que trabalhando.

Sango sorriu. Ele sempre dava respostas de uma lógica simples, fazendo ela sentir como se suas perguntas fossem estupidamente óbvias.

- Então, você concorda com os comentários de que troca de namorada com relativa facilidade?

- A paixão é assim, moça. Ela é, por essência, rápida e efêmera. É hipocrisia dizer que alguém fica apaixonado por bastante tempo. Você não deve confundir paixão com amor; o amor é duradouro, a paixão não.

- Sei que posso estar sendo invasiva, mas...Então, você já amou?

Ele riu, mostrando seus dentes muito brancos. Sango pôde perceber que, apesar do sorriso, ele tornara-se melancólico, no instante em que ela fizera aquela pergunta.

- Sim, já amei.

- Alguém que conheçamos? Quero dizer, alguma das suas recentes namoradas?

Sango corou ao perceber como havia soado interessada naquele assunto. Os olhos de Sesshoumaru se tornaram mais brandos, e seu sorriso ainda mais divertido, como se aquela hipótese fosse muito engraçada, pra não dizer absurda.

- Não, moça... – ele ficou distante, de repente, focando algum ponto na parede atrás de Sango – O nome dela era Rin, e ela morava na casa ao lado da minha. Descobri que a amava quando tínhamos uns onze anos de idade...

- Onze anos? – Sango interrompeu – Está falando sobre amor de crianças?

- Sem interesses escusos, ou luxúria, nada pra se pedir em troca, mas ainda assim, um grande carinho e comprometimento mútuo... – ele a olhou com muita seriedade – Me desculpe, moça, mas não vejo uma expressão de amor mais verdadeira que essa – Sango resignou-se, havia alguma razão no que ele falava – Éramos crianças, sim, mas tínhamos um tipo de ligação que poucos adultos conseguem experimentar em uma vida inteira. Rin era especial, ela tinha um magnetismo que fazia com que todos gostassem dela. E eu era um garoto muito chato, acho que nem meus pais gostavam de mim, naquela época – Ele voltou a rir, e Sango percebeu a nostalgia na qual ele estava embebido – Quando ela vinha conversar comigo, na janela do seu quarto, eu nem acreditava na minha sorte. Nossa! Ela realmente gostava da minha companhia, e isso era um mistério pra mim...

"Com o tempo, eu acho que acabei absorvendo um pouquinho da personalidade dela, e ela da minha... Nos tornamos dois pivetes, atormentando os vizinhos – Ele voltou a rir, com as lembranças que o assaltaram. Sango imaginava o porquê de ele estar contando aquilo para alguém que sequer conhecia – Mas, com aquele rosto de anjo que ela tinha, ninguém nunca ficava zangado com Rin, e eles estavam começando a agir da mesma maneira comigo. Quando eu a beijei pela primeira vez, achei que ela fosse me encher de insultos, ou me bater... Então ela pôs as mãos na cintura e disse, com toda aquela arrogância de menina: 'Pensei que nunca fosse tomar a iniciativa!'. Ninguém nos entendia; crianças daquela idade costumam ter verdadeira aversão pelo sexo oposto, e nós dois éramos inseparáveis."

Sango percebeu que ele havia terminado seu relato, e ficou desesperada com a possibilidade de ele não falar mais no assunto.

- E onde ela está agora? Vocês ainda mantêm contato, depois do rompimento?

Ele sorriu e mordeu o lábio, como que para segurar alguma reação que não gostaria de ter, sacudindo levemente a cabeça.

- Rin morreu de leucemia aos quinze anos, e era minha namorada, na época – Sango não pôde evitar sua expressão de surpresa, diante da notícia – Pra falar a verdade, nós nunca chegamos a terminar o namoro.

- Eu sinto muito...

- Não tanto quanto eu.

- Então, nunca mais amou, depois que ela se foi?

A pergunta não foi por causa da entrevista. Assim como Sesshoumaru, Sango já nem mais se lembrava do gravador. Mas ela se sentia ligada àquela história, como se fosse amiga deles. De certa forma, ela havia sido uma amiga, naquele momento. Era uma história que Sesshoumaru não comentava, mas havia contado a ela por alguma razão. Talvez ele precisasse, enfim, falar sobre aquilo com alguém, e não tenha levado em consideração que ela era uma jornalista, quando o assunto surgiu. Tudo o que ela sabia, é que precisava saber mais sobre aquela história triste.

-Oh, não moça... É claro que amei. E ainda amo. – Sango ergueu suas sobrancelhas, não compreendia – Amo Rin da mesma maneira. E a amei durante cada segundo, todos esses anos, com a mesma dedicação de quando era um menino... Tive relacionamentos, sim, todos sabem disso. Mas, eu lhe disse agora pouco, o amor é duradouro, muito duradouro. E a morte, moça, não é nada, não muda nada. Não mudou o que sinto.

Eles ouviram leves batidas na porta, e um rapaz de terno entrou, anunciando que Sesshoumaru estava atrasado para um outro compromisso. Ele se levantou, e estendeu a mão direita para ela, em cumprimento.

- Desculpe-me, senhorita...?

- Senhora – Sango corrigiu – Sango Houshi.

- Pois bem, senhora Houshi. Foi um prazer conhecê-la, e um prazer maior poder conversar com a senhora. Espero tê-la ajudado, com licença.

E ele saiu.

- Não tem idéia do quanto – Sango disse para a sala vazia.

Ela juntou suas coisas com rapidez, e saiu da casa, acompanhada por um dos seguranças. Entrou em seu carro, mas não conseguiu dar a partida. De dentro da bolsa, ela pegou o gravador digital que usava para trabalhar, e escutou tudo novamente. Sem hesitação, pressionou um pequeno botão prateado na lateral do aparelho, e apagou os últimos sete minutos da entrevista.

Não era seu direito contar ao mundo o que havia sido confiado apenas a ela. O sentimento que aquele homem mantinha pela menina morta era delicado demais, puro demais, para cair no conhecimento do público, ser enxovalhado, investigado e banalizado pela imprensa. Ela voltou a jogar o aparelho dentro da bolsa, e dirigiu para casa o mais rápido que pôde.

...

Miroku estava dormindo quando ela chegou. Sango sentou-se na beirada da cama, e afagou os cabelos dele, o fazendo acordar com o toque.

- Já falei que te amo, hoje? – ela disse ao marido ainda sonolento, quando a olhou.

Ele a puxou para deitar-se ao seu lado, e acariciou seu rosto com cuidado.

- Está triste... O que houve?

Ela se aconchegou mais a ele. Estava triste, de certo modo, mas não queria falar a respeito.

- Nada. Apenas me abraça – ele obedeceu – Eu te amo.

- Também te amo, Sango.

Ela ficou horas acordada, sentindo os braços do marido ao redor de si, a respiração dele ficar mais calma quando voltou a dormir. Sango adormeceu pensando no quanto era agraciada por ter Miroku ali, e no quanto ficaria despedaçada se algum dia o perdesse.

Porque nunca se sabe o que a vida pode nos trazer, ela decidiu que aproveitaria o máximo possível de sua própria felicidade.

FIM

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Gente, eu fiz essa one em menos de três horas... A inspiração me acertou como um tiro, e eu comecei a escrever imediatamente. Espero que tenham gostado e, principalmente, pensado bastante com ela. Não desperdicem tempo, amores...

Carpe Diem

R&R