Essa aqui não deveria ser a segunda oneshot postada, mas achei legal que ela fosse, já que o título é "Dois". Isso mesmo, esse é o nome da one, e não simplesmente a "numeração" dela... Vocês vão entender... Boa leitura!
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Dois
Por Graziela Leon
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- Rin, você me ama?
Ela ficou paralisada. Decidiu que, talvez, fosse melhor ele pensar que ela estava adormecida, então não moveu um único músculo. Ele a abraçou com mais força, trazendo-a mais junto de si, e mexeu-lhe nos cabelos.
- Vamos, eu sei que está acordada, não precisa fingir...
Ela abriu os grandes olhos castanhos, e ergueu o queixo para encará-lo. A expressão dele era gentil, levemente divertida, diante de seu comportamento infantil. Rin se revirou levemente entre os braços que a envolviam.
- De onde você tira essas coisas? – Ela resmungou, forçando a voz para parecer rouca e sonolenta, ao invés de confusa e constrangida – Está tarde, Sesshoumaru, vamos dormir...
- Apenas responda à minha pergunta – A voz dele era firme, mas não autoritária. Rin sabia que ele não deixaria aquilo assim; iria querer uma resposta – Quero saber se me ama.
Ela ergueu os braços, e os enlaçou no pescoço de Sesshoumaru, beijando toda a extensão de seu maxilar.
- Você sabe qual é a minha resposta – Ele ficou rígido, sem corresponder aos carinhos dela, e Rin percebeu. Não agradava a Sesshoumaru os subterfúgios que ela costumava usar, para se esquivar desse tipo de assunto – Ora, por favor, Sesshoumaru! Acha mesmo que eu ficaria dois anos ao seu lado se não o amasse? Sabe muito bem que eu te amo, não sei porque ainda insiste nisso...
Ela se desvencilhou dele, virou-se, ficando deitada de costas, dando chutes para desenrolar os lençóis das próprias pernas. Sesshoumaru se manteve exatamente na mesma posição que estava, e Rin imaginou que, dessa vez, demonstrar aborrecimento não o havia feito se sentir culpado.
- Ainda pensa nele? – Sesshoumaru se apoiou sobre o cotovelo, erguendo-se um pouco para olhar para ela – No Kohako?
Um arrepio percorreu a espinha de Rin, e instintivamente, ela puxou os cobertores mais para junto do corpo. Ponderou se deveria responder à pergunta, ou fingir-se ofendida.
- Kohako está morto – Disse por fim, sem emoção – Morto e enterrado, há muito tempo...
- Mas você o amava, não é mesmo?
Rin virou-se para ele, se aconchegando em seu peito como um gatinho, mas mantendo seus olhos firmes no olhar dele.
- Você estava lá, se lembra como foi... – Ele a enlaçou pela cintura, as mãos brincando em suas costas – Eu e ele estávamos noivos, lembra? Íamos nos casar...
- É óbvio que eu me lembro – ele a interrompeu, com um leve rancor na voz – Eu era o melhor amigo da noiva, e teria sido seu padrinho, se... – ele parou, deixando o restante da frase pairando no ar: "se Kohako não tivesse morrido...".
- Então, qual o problema? Ele era meu noivo, eu o amei, naturalmente – Ela o tocou no rosto – Mas Kohako morreu, pouco tempo antes do casamento. E você estava lá, ao meu lado, me consolando, me apoiando... – Rin selou-lhe os lábios rapidamente – E eu me apaixonei de novo, Sesshoumaru. Eu amo você, agora.
Ele sorriu diante da resposta, e a beijou, demoradamente.
- Eu fiquei do seu lado, a consolei, carreguei a sua dor comigo... É, eu fiz isso, mas não foi simplesmente porque eu era seu melhor amigo, Rin – Ele pôs uma mecha dos fios castanhos dela atrás da sua orelha – Mas também porque eu já te amava... Estava desesperado com a possibilidade de ver você se casar, mas vê-la sofrer daquele jeito foi muito pior... Acho que eu sempre amei você.
Mas Sesshoumaru não compreendeu a ambigüidade presente na resposta de Rin. Ele perguntou se ela "amava" Kohako, ou seja, um amor passado, que já findara no presente. Mas ela não disse "Eu o amava", e sim "Eu o amei", indicando assim, apenas a forma como se sentia sobre ele em um tempo passado. Rin nunca afirmou que seu sentimento havia findado.
Algumas horas mais tarde, ela permanecia acordada, enquanto sentia a respiração morna e calma de Sesshoumaru, adormecido, arrepiar a sua pele. Ela pensava sobre seus sentimentos.
"É uma pena, Sesshoumaru" pensava ela, enquanto acariciava os cabelos dele "que o amor não seja do mesmo jeito que os livros nos dizem... É verdade que eu o amo, e penso que, mesmo que Kohako não tivesse morrido, teria me apaixonado por você, mais cedo ou mais tarde. Mas ele não está aqui, para poder me decepcionar, me magoar, e me fazer correr para os seus braços, não há nada que vá me fazer odiá-lo, ou desprezá-lo. A morte tem dessas coisas; faz com que esqueçamos os defeitos daqueles que se foram, os torna inatingíveis" lágrimas teimosas percorreram o rosto de Rin "Infelizmente, o amor não é um sentimento que segue uma cartilha, ou que obedeça aos preceitos que decidirmos que ele deve obedecer. Eu te amo, Sesshoumaru, mas isso não significa que eu deixei de amar Kohako. E o mais triste, nisso tudo, é que eu não consigo amar nenhum dos dois completamente. Nós machucamos a nós mesmos, meu amor, por pensarmos que as coisas vão ser sempre certas, sempre justas. Mas, infelizmente, nada é assim".
Fim
Bem, espero que tenha sido interessante... Deve ter muita gente com raiva da Rin, agora, mas eu gostaria que vocês tentassem ver as coisas pelo lado dela... Ninguém manda no coração e, afinal, quem foi que disse que o amor é igual com todo mundo?
Pelo menos, ela não mentiu em nenhum momento... Espero as reviews de vocês. Quem comentou a one anterior, recebeu a minha resposta, e saibam que eu responderei TODAS as reviews que eu receber por aqui.
Posto a próxima ainda essa semana.... Ah! *Propaganda* Se estiverem à procura de uma long legal de ler, dêem uma passadinha no meu perfil e confiram "Correndo Atrás", meu trabalho mais atual sobre Sesshoumaru e Rin. Modéstia bem à parte, vale muito a pena ler!!
XOXO!
