Conforme o prometido, "o terceiro conto, ainda essa semana" aqui está ele.Apesar de ser a terceira a ser postada, essa aqui foi a primeira oneshot que eu idealizei pra essa coletânea – ou, em outras palavras, o motivo pelo qual eu iniciei o projeto – e a segunda que finalizei.
Não saiu exatamente como eu tinha planejado, mas nenhuma delas fica, não é mesmo? Espero que gostem... Vejo vocês no pé da página!

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Nada Normal

Por Graziela Leon

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Ele dorme, tranqüilo. Eu cuido seu sono, inquieta.
Meu menino. O motivo pelo qual modifiquei toda a minha vida...

Eu nunca fui a mais correta das garotas, mas também não era exatamente o tipo "problemática". Aliás, eu sempre fui terrivelmente comum, ou, melhor dizendo, eu era normal. Pais normais, vida normal, amigos normais.

Meus amigos normais faziam coisas normais, iam a lugares normais, davam festas normais, e se comportavam normalmente. Ah! Claro, eles também tinham amigos, que tinham amigos – todos eles, pessoas perfeitamente normais – e, vez por outra, o amigo de um amigo, tornava-se amigo também. Foi como eu o conheci; o cara mais incomum e fora da normalidade que poderia cruzar a minha vida. Seu nome era Sesshoumaru – mas Sesshoumaru "de quê" eu não poderia dizer, já que nunca soube.

Jaqueta jeans escura, Harley Davison, e um olhar capaz de derreter um iceberg... Ele era fascinante, com suas histórias sobre os lugares mais estranhos que se poderia imaginar, por onde ele já havia passado, e aquele jeito de não se importar muito com o que os outros pensavam. Eu tinha outros amigos assim, obviamente – sempre existe aquele cara que pensa ser o James Dean reencarnado – e não era a aparência, tampouco as experiências, que faziam ele ser tão diferente dos outros. Eu nem ser dizer ao certo o que ele tinha de tão especial, talvez fossem apenas os meus hormônios apitando... Ou talvez, o fato de que ele era livre.

Eu realmente invejava isso. Não que eu fosse uma prisioneira, ou algo do gênero... De fato, eu tinha acabado de atingir a maioridade, e dava meus primeiros passos em direção à minha "independência" – coisas como formar carreira, trabalhar, morar sozinha, sabe?, tudo dentro da normalidade. Mas eu me sentia meio... como explicar?... Enraizada, presa no chão, seguindo aquele caminho previsível que me levaria a uma vida medíocre, absolutamente normal. Era o que os outros esperavam de mim; era o que eu esperava de mim mesma.

Ele foi a minha válvula de escape, foi a coisa mais incrível e louca que aconteceu na minha vida – Bem, talvez a segunda coisa mais incrível e louca – e foi, de longe, o cara que eu mais amei até hoje.

Um mês. Um mês mágico, romântico, apaixonado e perfeito. Mas apenas um mês. Parecia que seria pra sempre, mas eu não poderia prendê-lo, cortar suas asas e obrigá-lo a fincar suas raízes comigo. Se ele o fizesse, estaria matando o cara imprevisível e cheio de vida que eu amava tanto. Sesshoumaru começou a se tornar inquieto, falando sobre a Austrália, e um amigo biólogo que estudava os animais do deserto australiano, sobre a cabana que ele tinha deixado na Indonésia, e de como eu iria me apaixonar por um certo vilarejo no alto de uma montanha da Argentina. Ele disse que me amava, que queria que eu fosse junto com ele pra qualquer lugar, pra todos os lugares. Disse que queria casar comigo.

Aí minhas raízes se encravaram mais no solo firme e confiável da vida que eu tinha. Eu tive medo de deixar o conforto da minha casa, meus planos medíocres, meu emprego estúpido. Tive medo de largar tudo o que eu conhecia, tive medo de que eu fosse apenas mais uma, das muitas que ele deveria levar por aí, nas suas viagens. Tive medo de me arrepender depois e, ironicamente, me arrependi muito disso.

Ele não se zangou com isso. Ele, que entendia a liberdade tão bem, me deixou livre pra escolher o que eu achava melhor pra mim. Ele nunca me pressionou, não me chantageou, nem me tratou como sua propriedade. Mas deixou claro que não deixaria de me amar, fosse qual fosse a distância entre nós.

Acho que ele entendeu os meus medos, mesmo que eu não os tenha justificado. Sesshoumaru entendia que eu não era assim tão madura, a ponto de me desligar tão completamente do meu mundinho pequeno. Ele foi embora, me prometendo que, algum dia, voltaria pra mim. Eu fiquei torcendo pra que, nesse dia, então, um de nós dois tivesse mudado o bastante pra que pudéssemos ficar juntos, aqui, ou no mundo inteiro, que fosse.

Cerca de duas semanas depois que ele foi embora, eu descobri uma coisa. Sesshoumaru poderia não demonstrar sua possessividade, podia não me tratar como sendo "sua", mas eu descobri que ele era possessivo. Tão possessivo que me deixou uma lembrança, pra que eu não esquecesse dele nem por um dia sequer.

Eu estava grávida, carregando em mim esse menino lindo que agora dorme sossegado no bercinho, e que fez a minha vida "normal" virar de cabeça pra baixo. Digamos que um filho não era algo que estava nos meus planos, e foi uma surpresa que fez meus pais ficarem absolutamente decepcionados comigo. Eu tive que me virar em duas pra tomar conta dele, desde que dei à luz, há catorze meses, e acabei aprendendo a não me importar muito com a opinião das pessoas.

Aos dezenove anos, eu achava que era difícil cuidar de mim mesma sozinha, e hoje eu vejo o quanto é extremamente complicado cuidar de outra pessoa, que depende total e exclusivamente de mim. Amadurecer "na marra" foi a única maneira de não enlouquecer.

Sesshoumaru não sabe que é pai, afinal, é bem difícil de encontrar alguém que não tem pouso fixo, mas acho que ele ficaria orgulhoso de ver que, mesmo sem falar mais do que cinco palavrinhas, o filho dele tem aquele mesmo olhar incendiário. Nosso menino se chama Heikou¹, um nome japonês que tirei de um livro, e que significa "equilíbrio"; é exótico, e achei que Sesshoumaru aprovaria.

Eu estava pronta pra ir atrás dele, quando descobri que estava esperando Heikou. Eu iria vasculhar o mundo inteiro atrás de Sesshoumaru, até encontrá-lo, mas, então, eu não poderia mais pensar só em mim. Eu tinha um filho, e esse filho teria necessidades.

Não foi fácil, não foi nada fácil. Eu perdi muitas coisas, muitas oportunidades, até mesmo alguns amigos. Meus pais acabaram aceitando minha decisão de ter essa criança, mas deixaram claro que não iriam assumir nenhuma responsabilidade pelos meus erros. Foi uma grande besteira, engravidar; um descuido injustificável, mas eu não posso dizer que me arrependo. Heikou é a maior alegria da minha vida, apesar de tudo, e não tem como me arrepender quando eu olho pra ele – já não consigo imaginar a minha vida sem esse garoto.

Só espero que Sesshoumaru cumpra a sua promessa, e volte pra mim. E, juro por tudo que é mais sagrado, espero que ele faça isso antes que Heikou seja grande o suficiente pra fazer perguntas sobre o pai. Não quero que meu filho cresça pensando que ele foi apenas o fruto de uma aventura impensada da desmiolada da mãe dele, nem que o pai me abandonou grávida, sem nunca voltar pra saber o que tinha acontecido.

Eu espero que meu filho possa crescer em uma – sei que vai parecer engraçado – família normal, com um pai e uma mãe que o amem, que se amem... Infelizmente, eu não posso fazer nada nesse sentido. Nada além de continuar amando o pai dele, aonde quer que esteja, e esperar, pacientemente, que ele venha bater na minha porta.

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¹Nota: O nome "Heikou" foi primeiramente utilizado pela ficwriter Queenrj na fanfiction "A Batalha Perdida de Sesshoumaru". Desde então, pra mim, qualquer filho de Sesshoumaru e Rin tem que se chamar Heikou. Agradeço à Queen por ter, gentilmente, cedido o nome do personagem pra que eu pudesse utilizá-lo nessa one - Ela também me prometeu que não vai desistir das fics, e que postará em breve... Vou cobrar isso!

Fim

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E aí? O que acharam???? Eu realmente gostaria de receber reviews nessa aqui, porque, como já disse, ela é o motivo pelo qual eu iniciei a coletânea, e seria MUITO bom saber a opinião de vocês!!!

Sério, galera... Quem escreve sabe bem do que eu estou falando. É horrível tu postar alguma coisa, que deu o maior trabalho pra escrever – que se tornou quase como um filho pra ti – e receber nenhuma review, ou apenas umas notinhas, que dizem só "continua"... Eu sou SUPER detalhista, gosto de saber cada reação que as pessoas tiveram ao ler, levo todas as opiniões em consideração, e amo receber críticas.

I'm Begging!!!!! Por favor, cliquem nesse botãozinho verde-simpático aqui embaixo... Dediquem dois míseros minutinhos a fazer uma Graziela feliz!
XOXO!!!!