Oi! Quanto a essa one... Eu Pensei diversas e diversas vezes se eu deveria mesmo postá-la - e vcs vão entender quando lerem -, mas, por fim, decidi que deveria postá-la... Uma estória não publicada é apenas um emaranhado de palavras sem sentido.
Não pretendia postar tão cedo, mas como escrevi uma nova ontem, achei melhor postar logo. Boa Leitura! (E não deixem seus pais lerem...)
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"Estória fictícia, com pessoas e eventos fictícios; sem fins lucrativos. Inu Yasha, e todos os personagens relacionados pertencem a Rumiko Takahashi. Proibida a reprodução e/ou publicação."
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Sorte
Por Graziela Leon
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"Sorte, sorte na vida. Filhos feitos de amor..."
Cidade Negra
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Ondas calmas alcançavam a margem da praia, e o vento que vinha do mar esvoaçava os cabelos castanhos dela, sentada na areia, e fazia com que parecesse um ser mítico, encantado.
Sesshoumaru se aproximou silenciosamente, deixando que o barulho do mar escondesse sua presença. Rin estava totalmente absorta, contemplando o horizonte que, em poucas horas, começaria a escurecer. Ela quase deu um pulo quando ele passou uma fina corrente dourada em torno de seu pescoço. Os dedos levemente frios tocaram sua pele, aquecida pelo sol, quando ele fechou a jóia na altura de sua nuca, sob os cabelos, e um arrepio percorreu a coluna dela.
Rin levou a mão ao colo, e tocou o pingente; era um pequeno anjo dourado.
- Feliz aniversário – ela apenas lhe sorriu, e ele sentou na areia, a seu lado – O que quer de presente? Pode pedir qualquer coisa...
Ela levou a mão ao colar novamente.
- Mas você já me deu um presente!
- Isso?! – ele riu – Não... Comprei isso porque achei que você iria gostar dele, mas não é, exatamente, o seu presente de aniversário. Vamos... Não tem nada que queira?
Ela pensou por um instante. Havia uma coisa, sim, mas ela não sabia exatamente como pedir.
- Bom... A única coisa que me falta aqui é... Ah, Sesshoumaru! Você sabe... – Olhou para ele, que parecia não saber de nada – Eu quero um filho.
- Rin... Nós já falamos que... – Ele suspirou profundamente – Definitivamente não. Peça outra coisa.
- Porque não, Sesshoumaru? Porque não podemos ter um bebezinho? Você sempre diz que não, mas nunca diz o porquê! Um filho seu, é a única coisa que eu quero!
Sesshoumaru passou as mãos lentamente pelo próprio rosto, tentando organizar os pensamentos, ou melhor, os sentimentos. Virou-se para ela, e ficou de joelhos no chão, sentado sobre os tornozelos.
- Rin, você não se lembra de como era a nossa vida antes de eu te trazer pra essa praia? Quem éramos, ou como nós vivíamos?
Os olhos de Rin pareceram perder o foco, e suas sobrancelhas se moveram. Ela não olhava para ele, mas para as próprias mãos, postas no colo.
- É estranho, mas... – ela sacudia a cabeça, sorrindo um pouco – Eu não consigo lembrar... Quer dizer, eu consigo ver alguns rostos... Tem algumas pessoas, eu sei que as conheço, ouço elas falando, mas... Eu simplesmente não consigo me lembrar de quem são, ou qual a relação delas comigo... Eu não me lembro de nada antes de... de... – o rosto dela se iluminou, e ela lhe deu um olhar travesso – Desde aquela noite em que você entrou no meu quarto, e me mostrou o quanto somos perfeitos juntos... Acho que não importa muito o que aconteceu antes disso, não é?
A última frase dela veio como um bálsamo nas feridas abertas de Sesshoumaru.
- Eu também acho, minha querida. Mas lembra-se ao menos de qual é o seu nome?
Ela riu para ele, como se a pergunta fosse o maior de todos os absurdos.
- Claro que lembro, é Rin... Rin... Rin Taishou! – Ela abriu um sorriso radiante para Sesshoumaru, que parecia apreensivo – É Isso, não é? Somos casados...
Sesshoumaru se deixou sorrir levemente, e tocou o rosto dela com a palma da mão, em um carinho lento.
- É sim... Não importa o que digam, somos... casados – Rin se inclinou para ele, com um riso sonoro e o beijou durante longos minutos. Foi ele quem interrompeu o beijo – É melhor você entrar, Rin... já está aqui há muito tempo, vai pegar uma insolação. Peça à empregada para te fazer um lanche, eu vou logo depois de você.
Ela se levantou, ainda sorridente, e lhe deu mais um beijo rápido, antes de se afastar.
- Não acabamos aquele assunto, viu Sesshoumaru? – Ela disse, enquanto ia em direção à casa – Eu não vou sossegar enquanto não tiver nos braços um menininho com os seus olhos e o meu sorriso... Mas ele pode ter o seu sorriso, também, eu não me importo... Nós dois somos mesmo bastante parecidos...
Ela desapareceu, ainda murmurando planos para a criança que tanto queria. Sesshoumaru apoiou a testa na palma das mãos e sufocou um grito de desespero. Tivera, durante dois anos, a vida perfeita, em seu pequeno paraíso à beira-mar, mas agora tudo parecia querer desmoronar sobre sua cabeça.
- O que você faria, pai? – ele perguntou para o horizonte vazio, enquanto o mar ficava mais agitado com a proximidade do pôr-do-sol – O que faria se descobrisse o que eu fiz?
Ele fechou os olhos e pôde ver, como se estivesse acontecendo agora, a última vez em que falou com o pai. Seu jeito austero, firme, conservador. Sua voz grave, sempre tão controlada.
" – Não sei porque foi que você inventou essa maldita viagem de barco, Sesshoumaru, mas Rin está muito empolgada, não pára de falar a respeito... Sabe bem que eu não posso ir com vocês, então espero que tome conta dela. Sua irmã é muito distraída, e você sabe que ela não nada muito bem..."
- Você nunca teria entendido, pai, nunca... Eu fui cruel, mas é melhor que você pense que nós morremos, que fomos levados pela água, pra longe dos destroços de barco que você encontrou... Melhor do que saber a verdade, do que saber que seus dois filhos... – Ele se curvou sobre os joelhos, apertando o abdome com força – Você nunca entenderia o quanto eu a amava, o quanto eu sempre a amei. Quando eu vi a maneira como ela me olhava, também... Era a minha única oportunidade, e eu me apeguei com todas as forças. Eu nunca seria feliz, sem a Rin... Mas não se preocupe, eu vou seguir as suas ordens, pai... Vou cuidar da minha irmãzinha como ninguém mais cuidaria. Amá-la da forma como ninguém nesse mundo seria capaz.
Ele passou a caminhar na mesma direção que Rin andara, prestando atenção à maneira como o vento apagara já quase totalmente o rastro que ela deixara na areia. Olhou para trás e viu como as suas pegadas eram completamente visíveis, pequenas fossas curvas e profundas.
- Você tem sorte, Rin – ele sussurrou para as marcas pequenas dos pés dela – Tem sorte porque o seu cérebro bloqueou todas as suas lembranças... Você não precisa lidar com o nosso crime diariamente. Sequer sabe que o homem com quem se deita todas as noites, o homem que você chama de marido, o seu amante, é seu irmão de sangue. – ele pôs as mãos nos bolsos e ergueu os olhos - Pena que eu não tenha tido essa mesma sorte... Pena que eu seja maldito, que eu tenha sido o responsável.
Então ele voltou a entrar na casa, para viver sua vida perfeita e amaldiçoada.
Fim
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OI! Bem... Acho que o clima 'tá meio pesado, não? Só gostaria de deixar claro que isso é apenas uma EStória, ok? Falsa, fajuta, inventada, fictícia. Eu não aprovo, não apoio e não acho "lindo" nenhum tipo de relação incestuosa, e também não creio que essa one seja algum tipo de apologia...
A citação do verso, no início, foi uma idéia que tive DEPOIS de ter a oneshot escrita, ou seja, ela NÃO FOI baseada na música... Só achei que, sei lá, era uma associação interessante.
Espero as reviews para saber qual foi o impacto sobre vocês, beijos!
PS: A próxima one vai ser mais leve, prometo... Já está quase terminada, mas ainda não sei que título colocar... Alguma sugestão? Ela vai ter a ver com superação, "estar junto", sofrimento e apoio mútuo. Enfim, é sobre duas pessoas que se amam, e têm que consolar uma à outra, enquanto suportam sua própria dor. Deu pra entender???? Se alguém tiver uma sugestão para o título, eu estou aceitando MESMO.
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V
