Oi, amores! Prometi que não levaria muito tempo, certo??? Na verdade, até demorei mais do que planejava, mas foi uma semaninha bem complicada. Espero que não tentem me matar, ao final desta aqui... Boa Leitura!

A Porta

Por Graziela Leon

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Gritos e resmungos eram facilmente ouvidos, vindos dos apartamentos vizinhos, e da calçada, lá embaixo. Ayame aumentou o volume da televisão.

As mão de Rin tremiam muito e ela tentava, sem ter lá muito sucesso, ocupar a mente com tarefas banais e ignorar o que acontecia à sua volta. Enquanto guardava a louça limpa no armário, um copo escorregou por entre seus dedos, e se espatifou no chão; Rin soltou um palavrão pouco publicável.

- Ah, pelo amor de Deus! – disse Ayame, impaciente, desligando a televisão – Desse lá e conversa com ele, antes que expulsem nós duas desse prédio, ou pior, chamem a polícia pra prender ele.

Rin virou de costas para a irmã mais velha, tentando demonstrar indiferença.

- Não tenho nada pra falar. Já disse tudo o que devia ao Sesshoumaru – Ela suspirou – Daqui a pouco ele cansa e vai embora...

- "Cansa e vai embora"? Acho que você não está falando do mesmo Sesshoumaru que eu. Antes de conseguir o que quer, nós sabemos muito bem que ele não vai ir embora.

- RIN! – mais uma vez ele gritou por ela. Rin revirou os olhos e saiu da cozinha.

- Então que ele crie raízes na calçada!

Ayame a seguiu até o quarto, onde Rin sentou na cama e agarrou uma almofada.

- Eu pensei que você gostasse do Sesshoumaru.

- É exatamente esse o problema... Eu gosto dele, Ayame.

- E que mal há nisso?!

- Não é o que eu quero pra minha vida! – Rin passou a caminhar pelo quarto, gesticulando abertamente – Eu não quero ficar presa a um cara, depender dele pra viver, e todas essas baboseiras românticas! Se ficar com ele, em dois anos eu vou estar casada, assando bolos e vendo novela.

Ayame não respondeu. Deu as costas a Rin, saiu do quarto e alcançou o interfone, ao lado da porta da sala.

- Pode subir, Sesshoumaru – Ela disse, apertando o botão que abria a porta do prédio.

- Obrigado – o aparelho respondeu.

Rin correu para a pequena sala de estar, descalça e enraivecida, e encarou a irmã.

- O quê pensa que está fazendo?!

- Você vai dizer ao Sesshoumaru as coisas que acabou de dizer pra mim. Então eu espero que ele perceba a grande idiota que você é, saia daqui e encontre uma garota que o mereça e valorize. Oh, claro! Aí eu vou ter uma longa e tranqüila noite de sono!

Rin iria retrucar, mas as batidas na porta não permitiram. Tentou fugir; Ayame, entretanto, a segurou firmemente pelo braço.

- Vai falar com ele – Disse, pausada e ameaçadoramente, antes de abrir a porta.

Sesshoumaru não estava com a sua melhor aparência; tinha as roupas amarrotadas e o rosto demonstrava cansaço. No entanto, ele pareceu iluminar-se imediatamente ao ver Rin.

- Vou deixar você conversarem – Ayame bateu a porta da frente e sumiu, em direção ao quarto.

- Rin, o que aconteceu? Eu... – ele suspirou – Eu não entendi absolutamente nada.

Rin riu dele.

- Pra um cara inteligente, você é bem lerdo, sabia? – Ela o contornou e abriu a porta, a segurando aberta – Eu vou explicar: hoje mais cedo eu fui te procurar pra terminar o nosso namoro, entendeu? Acabou, já era! Agora pode ir.

Ele ignorou a porta aberta, deu meia volta e se sentou no sofá, ainda encarando Rin.

- Pode me explicar os motivos disso? – ele perguntou, sério – ou é um tipo de "teste do relacionamento"? Sei lá, uma dessas bobagens que vocês lêem nas revistas...

- "Teste"?! – Ela sorriu e foi sentar-se de frente para ele – É tão difícil assim de aceitar que eu simplesmente não te quero mais? Nunca pensei que fosse tão pretensioso.

- Rin, porque está...?

- Olha só – ela o interrompeu – já que quer saber de "motivos", eu falo pra você – Rin suspirou, mostrando impaciência, e penteou os cabelos com os dedos – Eu cansei disso tudo! Cansei de você, dessa mesmice, da rotina...Todas as minhas amigas estão solteiras; elas saem à noite, se divertem, ficam com quem quiserem. E eu? Eu fico aqui, presa a você, a esse namoro chato. Cansei. Ponto final. – Então ela sorriu para ele – Você é um cara legal, Sesshoumaru. Sério, você é! Mas eu sou jovem demais pra assumir compromissos. Acho que sou jovem demais pra você.

Ele a fitava, ainda sério, inerte. Levou alguns segundos para reagir, como se custasse a acreditar nas coisas que ouvira. Então ele ficou em pé, sem alterar sua expressão.

- Tem razão. Você é muito nova pra mim. – Ele passou por ela e foi em direção à porta de saída, então parou, virando-se para olhá-la – É uma pena, sabia? Acho que eu estava começando a te amar.

Sesshoumaru virou as costas e saiu, fechando a porta atrás de si. Conhecendo-o, Rin sabia que ele não voltaria, não a procuraria e nem perguntaria mais por ela; nunca, nunca, nunca mais. Mil vezes "nunca mais".

Ela caminhou até a porta e espiou pelo olho-mágico. Muito tarde; o hall estava vazio. Sentou-se no chão, as costas escoradas na porta fechada, e se deixou sentir o vazio que vinha da ausência dele. Rin chorou.

- Oh, Graças a Deus! – Ayame praticamente gritou, entrando na sala – Ainda existe esperança de que você não seja assim tão fútil quanto parece. Mentiu pra ele, não foi?

Rin a olhou com raiva, e limpou o rosto vermelho nervosamente com as mãos.

- Você não tem nada...

- Ah, deixe de ser estúpida! – A mais velha a interrompeu – Não estaria chorando por ele se realmente pensasse aquelas coisas. Você gosta dele, mais do que consegue admitir – Sentou-se no chão, ao lado de Rin – E sim, se alguma coisa te incomoda ou te perturba, Rin, é claro que tem a ver comigo.

Rin escondeu o rosto e tentou conter os soluços. Ao cabo de dois minutos, mais calma, ela olhou para Ayame e, não conseguindo encará-la, passou a observar as próprias mãos, enquanto torcia os dedos umedecidos.

- Eu acordei hoje de manhã – ela disse, intercalando as palavras com fungadas chorosas – e descobri que estava apaixonada por ele, Amy. Totalmente apaixonada pelo Sesshoumaru.

- Oh, certo... Deve ser realmente horrível se apaixonar por um cara lindo, inteligente, atencioso e que, vejam só!, é seu namorado.

Rin apertou fortemente as pálpebras, e mais lágrimas escorreram pela trilha larga, úmida e indefinida formada em seu rosto. Ela tentou fazer com que as mãos parassem quietas sobre os joelhos, mas sem sucesso; todo o seu corpo tremia.

- Você não vê? Nunca daria certo! – Ela respirou fundo e criou coragem para encarar a irmã – Eu sou só uma garota, Amy. Comum, sem-graça, dispensável... Mais dia, menos dia, e ele ia acabar se cansando de mim. Eu prefiro perder o Sesshoumaru agora do que... Sei lá! Do que quando isso for insuportável, entende? Eu não agüentaria se ele me deixasse. – Ela começou a se levantar, apoiando-se um pouco no chão e um pouco na porta – Se eu continuasse, a ausência dele me despedaçaria, mais tarde. Consigo sobreviver a ela, agora.

Rin limpou o rosto com as mãos e, as mãos, no short. Sorriu para Ayame e deu o primeiro passo em direção ao quarto. Não conseguiu dar o segundo; a irmã lhe segurava o pulso com tanta força que cinco marcas arroxeadas seriam perfeitamente visíveis pela manhã.

Ayame se ergueu de um salto, e ficou quase cara-a-cara com Rin. "Quase" por a outra ser visivelmente mais alta que ela. Ayame ria, mas Rin não pôde identificar se era sarcasmo, deboche ou divertimento verdadeiro.

- Ao menos tem idéia de quantas mulheres no mundo dariam tudo o que têm por um homem como o Sesshoumaru*? – Rin ameaçou replicar, mas foi calada com um "Shh!", ríspido – Eu pensei que você era fútil, mas é só uma idiota. O quê pretende da vida, irmãzinha? Vai terminar um relacionamento toda a vez que ficar mais sério, ou simplesmente se envolver apenas com imbecis, por medo que um cara interessante acabe "se cansando de você"?!

- Droga, Ayame! Não foi isso que eu disse! – Rin estava aos prantos novamente.

- Sabe qual é o seu problema, Rin? Você é medrosa. – A mais nova não a encarava – Tem tanto medo de ser infeliz que acaba afastando qualquer chance de felicidade que surge na sua frente. Por medo de expor seus sentimentos e ser magoada, acabou de magoar um cara que te amava. Que realmente te amava.

- Já acabou?t – Rin puxava o braço, muito irritada.

- Só mais uma coisa: - Ayame apontou o indicador para o rosto de Rin – Quando você entender que não é mais uma adolescente e que, no momento em que o deixou sair por aquela porta, cometeu a maior estupidez da sua vida, talvez seja tarde demais para ter ele de volta. Será que vai conseguir sobreviver a isso?

...

Ayame se revirou na cama por algum tempo, inquieta, irritada, até ser vencida pelo sono.

Sesshoumaru caminhou sozinho pelas ruas, sem rumo certo. Ele tentava organizar os pensamentos, buscar algum sentido em tudo o que havia escutado. Entrou em um bar qualquer, e lá dentro conheceu uma garota chamada Kagome. Eles conversaram, riram e trocaram telefones.

Rin chorou a noite inteira. E se arrependeu por muito, muito tempo.

...

"Quando eu era menino, falava e agia como menino. Agora que sou homem, desisti das coisas de menino"

Paulo de Tarso, aos Coríntios

...

Fim

*Essa é a mais pura verdade! Eu sou uma dessas mulheres...

Dedicado a todas as pessoas que já levaram um pé-na-bunda completamente sem motivo. E, principalmente, àquelas que superaram isso, e deram a volta por cima.

Há algum tempo que eu queria fazer algo assim, com uma Rin meio "malvada", que desprezasse o Sesshoumaru, et al... No fim das contas, eu não consegui, exatamente. Mas, quem sabe na próxima, hun? Enfim, obrigada a todos que leram, e MUITO MAIS obrigada a todos os que vão me deixr aquele super review, desabafando, contando seus problemas, xingando, etc, etc... Me usem como analista!!!!!

Babies, vocês são minha motivação, sabem, neah? Espero os comentários - beeeem detalhados, por favor. Próxima one em processo de concepção. Essa sim, prometo, vai ser linda, fofa e FELIZ! Baseando-se no amor da minha vida [Watashi no Himitsu], e em coisas nossas.

ps: Sobre o título - Não sabia que nome dar, então fui reler a fic, e percebi que a porta era um elemento MUITO presente, em toda a narrativa, marcando "fases" e "decisões" dos personagens. Uma metáfora para "passagem", "transição", "saída", "retorno".

XOXO!