Como meu supercalifragilisquepiralidoso sonho se realiza

Eu era uma simples garota americana de 14 anos até esse dia. Um dos melhores dias da minha vida.

Meu nome é Katy e eu moro em Manhatan com minha mãe, Juliet. Ela é a melhor mãe do mundo e uma ótima amiga. Ah, claro, amigas, eu tenho três melhores amigas, são minhas colegas de escola, a Caroline, Elisa e Laura. Laura e Elisa são gêmeas e ainda tem um irmão, Felipe, são na verdade trigêmeos. Uou.

Nesses últimos meses Carol andava meio esquisita, faltando um monte de aulas sempre com a mesma justificativa: "tava dodói". Carol é a pessoa mais estranha que eu já conheci, ela ouve musicas que odeia pra conseguir pensar, usa palavras estranhas pra descrever as coisas como diverlegal e maravilindo. Ultimamente ela anda me evitando como se eu tivesse algo contagioso. Isso é muito bizarro por que a Carol sempre ta na minha cola, tentando usar essas palavras pra me irritar. Ela também começo a usar um pingente de uma nota musical. Normalmente ela só usa brincos, ela nunca usa essas coisas.

Ok, eu conheço a Carol bem demais, mas fazer o que, eu sou super observadora.

Agora estávamos no recreio, eu e minhas amigas, no bar da escola, na mesma mesa de sempre, e a Carol sumiu de novo. O estranho é que ela veio na aula, mas desapareceu agora, no recreio. Aff.

- E ela some. – disse Elisa com um suspiro.

- Pow, só pode ser brincadeira, né? – eu falei, talvez um pouco alto demais. Ok, eu tenho um pequeno defeito, que seria ser escandalosa. Nem tão pequeno assim. Ta, me dêem um desconto, eu tava super irritada com ela. A gente vive brigando, mas é por coisas idiotas, mas agora era serio, o que eu fiz?

- Ta, deixa ela, ela não é presa na gente... – Laura, com seu jeito de "fala mais baixo Katy sua burra, todo mundo ta olhando".

- é tanto faz... – Disse eu, mas é OBVIO que não tava tanto faz pra mim.

Eu vi de longe Carol vindo pra nossa mesa, ela parecia desesperada. Oh-oh. Não, não, falando serio. A CAROL desesperada? A primeira vez que eu a vi assim. OMG, tem que ser algo sério.

Ela chegou na mesa arfando, mas não sentou.

-O que aconteceu? - perguntou Elisa, mas Carol não respondeu.

- Kat, preciso falar com você. Agora.

- Manda.

- Não aqui. Tem muita gente.

- Ui, ui, a gente sai, pronto- disse a Laura com carinha de magoada.

-Não, fiquem aqui. Vem Kat. – Então ela me puxou pelo braço e eu fui junto.

Quando eu me dei conta estávamos na esquina da escola, com a Carol ainda me puxando.

- Pera, pera, pera. – disse eu parando de andar rapidamente.- onde é que você ta me levando?

- não há tempo pra explicar. Vem! – e ela voltou a me puxar, mas eu parei subitamente. – Vamos logo, Kat!

- Não até você me explicar o que esta acontecendo.

- Ta, mas você tem que acreditar em mim.

- Ta, eu juro – estendi o dedinho pra ela, pra fazer aquela típica promessa do minguinho, mas ela ignorou.

- Ok, lembra daquele livro? Ah! Claro que você lembra, O ladrão de raios, sabe?

- Claro que eu sei dã, qual é o problema dele? – ela me olhou no fundo dos olhos, com uma cara de "eu sei que você sabe". Comei a ligar os fatos. Carol agindo estranho, o pingente novo, ai, eu não precisava ligar os fatos! Eu já sabia! Aaah! Eu não posso acreditar! Ta, eu posso, mas, mas...

- aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah! – eu dei um dequeles gritinhos estéricos que ninguém gosta.

- ta, ta, chega. Vamos logo, eu sei um atalho. – ela voltou a me puxar pelo braço, e eu bem louquinha fiquei olhando pro chão enquanto falava sozinha. Cara, eu sou um meio-sangue. Isso mesmo. MEIO-SANGUE! Agora tudo fazia sentido,a Carol, minha hiperatividade, o fato de eu não ter pai... espera um pouco...

- quem é meu pai?

- não sei ainda, mas desconfio de Hermes ou Apolo. Não sei.

- Acho que de Hermes, eu não sou loira.

- Mas você tem a cor de cabelos da sua mãe, dã – nos continuávamos correndo, e eu continuava comemorando comigo mesma. Mas de repente ela soltou meu braço e parou de correr. Ela agarrou seu pingente com o outro braço puxou um arco da mochila. Será que ela é um sátiro? Rá! Não, não... pensa um pouco Katy! Ela é mulher.

-O que é Carol? - então eu me dei conta, ela apontava a flecha pro outro lado da rua. Lá tinha um minotauro. Aaaaah! UM MINOTAURO! O Percy matou um Minotauro, quem sabe eu não mato um também... Pff, se liga Katy.

O Minotauro nos viu e soltou um rugido meio mugido. Não sei ao certo. Então ele investiu contra nos, mas Carol foi mais rápida com a flecha, e atingiu o olho do bicho. Eca! Mesmo com a flecha no olho, o treco contiunuou a investida e atingiu-a em cheio. Agora tinha um brutamontes na minha frente e minha amiga estirada no chão a alguns metros atrás de mim, sangrando.

O que fazer? Pelos deuses! Papai, seja quem for, uma ajudinha cairia bem nesse momento. O minotauro se preparava para investir em mim, foi então que eu tive um ideia, peguei as flechas da Carol, que agora estavam no chão, e como não sabia como usar o arco, resolvi usá-las como lança.

O minotauro investiu em mim. Não tive coragem de olhar então só apontei uma flecha pra ele de olhos fechados. Deu certo, quando abri os olhos só tinha um pó, tipo areia no chão.

Foi então que eu lembrei: Carol! Cara, eu tinha me esquecido dela! Que tipo de amiga eu sou?

Corri e me ajoelhei do lado dela pra ver como estava. Ela tinha sentado, mas estava encolhida, pressionado as mãos contra a barriga. Estava sangrando.