- Ta tudo bem? – que pergunta idiota! Eu sou cega, por acaso?
- Ta tudo supercalifragilisquepiralidoso...
- não é o que parece... – mais burra impossível! Nossa, parabéns pra mim, me superei.
- ta, tanto faz me ajuda aqui – ela estendeu as mãos pra eu ajudá-la a levantar. Mas eu não o fiz.
- não, não, você ta muito mau, me deixa ver - ela tirou as mãos da barriga e levantou um pouco a blusa. Tinha um pequeno corte horizontal, não muito fundo, mas ia deixar marca. - meu deus! Aliás, meus deuses!
- vou ficar bem, Kat, é só eu... Aahh... – ela gemeu e deitou de novo. Assim que deitou um frasco de vidro caiu do bolso dela e rolou. Eu o peguei e comecei a examinar, o liquido era amarelado e estava gravado Poção Curativa.Oh. Ok, aposto que você deve estar pensando que por eu ser uma meio-sangue teria que ter dislexia, mas eu não tenho, só hiperatividade e transtorno déficit de atenção.
- o que é isso? – Carol perguntou
- você não sabe? Estava no seu casaco.
- ahn... Eu to sem casaco – quando olhei pra ela, só estava usando uma blusa preta regata. Bizarro. Devo estar ficando louca.
- Mas... Mas... – eu ia dizer alguma coisa inútil, ou começar falar sozinha, como sempre, mas Carol me interrompeu.
- o que está escrito? Ai... – ela cubriu a barriga com as mãos de novo e se encolheu, já tinha parado de sangrar, mas ainda estava aberto, e provavelmente ardendo.
- Poção curativa. Você acha que eu passo em você?
- qualquer coisa que melhore esse treco.
- ok. – então abri o frasco e virei todo o liquido no ferimento dela, e aos poucos foi cicatrizando.
- minha barriga ta gosmenta, mas vamos, não quero dar de cara com mais um desses.
Meu celular começou a vibrar no meu bolso da calça.
-não atende. – alertou ela.
-por quê? – eu disse, enquanto tirava o celular do bolso. Era Elisa. Assim que fui botar meu celular na orelha, ele não estava mais ali! AAAAAH! Deuses! Como vou ficar sem ele? Quando vi, ele tava estatelado no chão. Quebrado, com as peças esparramadas em volta dele. Eu sei que não é grande coisa, minha mãe podia comprar um novo. Ai, mas eu gostava taaanto dele!
- POR QUE VOCÊ FEZ ISSO? – eu gritei, neeeem um pouco histérica.
- Você não pode atender, é como se você estivesse mandando uma mensagem de texto pros monstros! E essa é a coisa que mais queremos evitar. Monstros.
- ta, mas não precisava fazer isso!
- Ai! Ta vamos! Já basta essa gosma – ela apontou pra barriga – e agora você começa a reclamar? Por favor!
- ta, tanto faz... – então a Carol voltou a me puxar pelo braço, e eu voltei a tentar acompanhar ela correndo, cá entre nós, eu sou bem lerda, por isso a ela estava quase me arrastando.
