Oi, amores! Desculpem pela demora, fiquei mais de seis meses sem postar nada, que vergonha.
Essa one surgiu na minha cabeça durante as férias, e a escrevi há dois dias. Espero que gostem, boa leitura!
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Felizes para sempre
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O burburinho de conversas e o farfalhar de vestidos era tão alto que quase não dava pra ouvir meus próprios pensamentos.
Não lembro se estava calor, mas sei que eu suava dentro daquele terno. Olhei para o lado e meu irmão sorriu pra mim. Por um momento eu me senti culpado; como eu podia estar de tão mau-humor se ele também estava parado na frente do altar, esperando como eu, e parecia tão entusiasmado?
Não que Inu Yasha precisasse de motivos muito fortes para ficar de bom-humor, assim como eu não preciso de muitos pra me irritar.
Houve uma certar agitação do lado de fora, e o organista posicionou as mãos sobre o teclado. As pessoas imediatamente pararam de falar, virando o pescoço como aves de rapina para a porta da igreja.
Ao som das primeiras notas, uma garotinha atravessou, solitária, a nave da igreja, jogando pétalas no chão e se exibindo em seu vestido de babados.
Então eu a vi, e o mundo inteiro parou de girar – e de existir. Conduzida pelo pai, em um vestido impecavelmente branco, Rin roubou meu fôlego. Trazia no rosto aquele mesmo sorriso apaixonado que me dedicara durante toda a adolescência. Olhei para o meu irmão, ao meu lado, e percebi que ele estava tão hipnotizado quanto eu. Todos, aliás, pareciam encantados por ela, a olhando como se fosse um anjo, uma aparição.
Me apaixonei por ela naquele instante, enquanto era conduzida na minha direção, e percebi que a havia amado desde sempre.
Rin me amava. Eu sempre soube, pela forma como ela olhava pra mim, como dizia meu nome, como sorria quando eu estava por perto, e me procurava com os cantos dos olhos. E sempre busquei deixar claro que não compartilhava seus sentimentos. A queria como minha amiga, como a uma irmãzinha.
Fiquei até mesmo aliviado quando ela e meu irmão engataram um namoro morno. Em algum momento, entre as minhas recusas, Inu Yasha surgiu oferecendo consolo, e eles se encontraram de uma forma que não compreendo.
E era estranho ver Rin sendo entregue pela mão a Inu Yasha. Era estranho que o sorriso apaixonado não fosse direcionado a mim. Estranho imaginar que ela se casava com meu próprio irmão apenas para me esquecer, e que eu era o padrinho do casamento.
Olhando absorto para Rin, não me dei conta do sermão, não me dei conta da troca de votos. Só pensava que era linda, que a amava e no quanto ela devia estar despedaçada por dentro, casando-se com o irmão errado. Tentei achar uma forma de impedir aquela maluquice sem acabar com os sonhos do meu irmão. Rin me amava, inferno!, só seria infeliz casando-se com Inu Yasha.
— Sesshoumaru — Meu irmão sussurrou, impaciente — As alianças! — ele deu um risinho nervoso — Diga que trouxe as alianças…
A caixinha no bolso do meu terno pareceu, de repente, pesar uns cinco quilos. Eu a entreguei a ele como se queimasse entre os meus dedos.
Olhei para Rin, tentando mostrar a ela que a apoiaria se ela corresse porta afora. Tentando ver se ela tinha alguma ideia do que fazer, tentando dar a ela um sinal de que eu estava ao seu lado, que correspondia, enfim, seus sentimentos. Mas os olhos de Rin não me encontraram. Ela olhava, inexpressiva, a mão de Inu Yasha segurando a dela.
Eu quis gritar de desespero. Precisava dizer a ela que a amava, que ela devia parar aquilo tudo, que não devia se casar com ele.
Os convidados aplaudiram em pé ao "senhor e senhora Inu Yasha Taisho", e doeu ver Rin ser levada pelo braço de outro homem. Ela devia estar tão infeliz...
Pouco antes de os dois cruzarem a porta da igreja, ela olhou por sobre o ombro. Pela primeira vez naquele dia, nossos olhares se encontraram, e Rin sorriu pra mim.
Então eu finalmente compreendi. Aquele já não era o sorriso de devoção que Rin sempre me dedicara, tampouco um sorriso triste de quem olha para seu amor impossível. Era um sorriso sincero e radiante, e me fez em pedaços. Ele me dizia: "Fique tranquilo, eu já não te amo".
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Fim
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Imagino que o título não tenha agradado muito – nem eu mesma gostei – mas foi o que melhor me pareceu colocar.
Quanto ao Sesshoumaru, vocês devem estar com peninha dele, né? Mas eu não acredito que ele realmente a amasse, como pensava. Foi só a percepção de que ela já não estaria disponível que o fez "perceber que a amava". Ver que ela encontrou outro cara, que estava feliz e não rastejava mais aos pés dele.
Sei que é cruel, mas tem MUITA gente que se comporta assim, tanto homens quanto mulheres. Gente que só está feliz se tiver toda a atenção disponível para si.
Estou numa fase de muita narração em primeira pessoa, então, se se tornar enjoativo ou repetitivo, por favor me xinguem.
Reviews me fazem feliz!
XOXO
