Pra qualquer tipo de transação
Sem compromisso emocional, só financeiro...

Capítulo II

***

- Bem, loiro... se você quiser, podemos fazer tudo agora, mas advirto que isso não me fará ir embora...

- Não? – Shaka o encarou sem entender.

- Não. – respondeu Ikki calmo – Seus amigos me pagaram por um mês. Um mês de prazer... e eu não quero ter que devolver o dinheiro...

- Mas... eles não me disseram nada disso! – falou o indiano estarrecido, ainda sentado no colo do moreno sem perceber.

- Esse foi o combinado, então se prepare que no que depender de mim, você terá sexo e bom sexo, todas as noites durante um mês...

***

Shaka ficou um tempo olhando o moreno sem nada dizer. Depois saindo do transe, ergueu-se das pernas dele, rindo.

- Isso é uma brincadeira, não é?

- Sou um profissional e meu tempo é dinheiro, loirinho, então com certeza eu não estou brincando...

- Eu vou matá-los! – explodiu Shaka e seguiu para o quarto de onde voltou com um talão de cheques e uma caneta – Me diz quanto eles pagaram a você? Eu dobro pra você ir embora!

Os olhos do garoto escureceram e Shaka podia jurar que ele estava irritado e muito. Um quê de indignação injustificado para alguém que mantinha aquela profissão.

- Você é um desses riquinhos que acham que tudo se resolve com dinheiro? – perguntou sério – Já disse, senhor Shaka, eu sou um profissional e cumpro com meus acordos!

- Meu jovem, eu estou dispensando você, será que isso é tão difícil de acreditar? – falou o loiro já em desespero – Eu vim ao Japão a trabalho e não para catar michê, será que não entende?

Ikki não gostava de ser chamado de michê. Mas o que poderia dizer? Era exatamente o que era.

- E em que você trabalha, Shaka? – perguntou tranquilamente ainda estirado sobre o sofá. Demonstrando claramente que não pretendia sair dali.

"Buda o que eu faço? Se tentar expulsá-lo a força isso será um escândalo e pode atrair a imprensa. Não, o melhor mesmo é tentar convencê-lo a sair..."

- Sou escritor de contos de terror e sou psicótico também, se fosse você iria embora! – falou, mas logo se sentiu ridículo com a risada que o rapaz soltou.

- Você é engraçado, Shaka! – disse Ikki.

O indiano bufou cansado e se sentou ao lado do rapaz.

- E qual o seu nome, michê?

- Pode me chamar de Fênix...

- Fênix? – Shaka começou a rir o que irritou Ikki.

- Qual o problema?!

- Nada, além de ser um vulgo ridículo! – continuou a rir.

- Pense o que quiser, mas é como você vai me chamar durante um mês, Shaka...

Ele fez questão de dizer o nome bem devagar, o que causou um incômodo arrepio no loiro. Ele então, se levantou do lado do rapaz.

- Certo, se quer ficar, dormir, morar aqui durante um mês, faça! Só não me atrapalhe, ok?

- Ok, só farei o que você quiser... – falou o moreno passando a língua nos lábios sensualmente. Mesmo sem querer o escritor não conseguiu deixar de acompanhar os movimentos daquela língua audaciosa e sentiu o corpo esquentar com isso. Tratou de se afastar indo para frente do seu notebook.

O moreno ficou parado por um tempo no mesmo lugar, observando o loiro colocar grandes óculos de grau sobre os olhos azuis. Não conseguiu evitar o riso e Shaka ergueu a cabeça olhando-o com uma ruga de interrogação no rosto.

- É que você ficou muito engraçado com esses óculos horrorosos!

- Sinto muito, mas não preciso de consultor de moda, obrigado! – falou friamente.

- Precisa sim, suas roupas são meio antiquadas para alguém tão jovem... – continuou Ikki sem se intimidar com o desprezo dele. Shaka por sua vez voltou a prestar atenção à tela do notebook.

Ikki ficou um tempo parado. Não queria irritar o rapaz, mas para alguém como ele, ficar parado era uma tortura. Os amigos do escritor não mentiram quando disseram que era uma pessoa difícil, mas ele já estava preparado para aquilo. Entretanto, sabia da beleza que tinha e sabia que ninguém conseguia ficar indiferente daquela forma, então? Será que ele não gostava de homens?

Levantou-se devagar e o loiro estava tão atento ao que fazia que não percebeu quando Ikki chegou por trás da cadeira em que estava sentado.

- O que você está escrevendo? – perguntou e Shaka quase teve um colapso de susto, virou-se abruptamente e acabou batendo a cabeça na dele.

- Você é louco? Ai! – gemeu passando a mão na testa – Quer me matar de susto?

- Desculpe, mas não precisava me dar uma cabeçada por causa disso! – resmungou Fênix passando a mão na testa.

- Por Buda! Se quiser mesmo ficar aqui, fique quieto! – pediu o loiro – Tenho que lhe informar uma coisa, senhor Fênix, sou uma pessoa que adora solidão, embora meus amigos não acreditem nisso! E também prezo demais minha privacidade. Por tais motivos, acho que deve acreditar que sua presença me é bastante incômoda...

- Puxa... tô comovido! – falou Ikki com ironia – Um mês senhor Shaka, um mês e não mais precisará suportar minha incômoda presença.

- Mereço! – suspirou Shaka e voltou a se sentar de frente ao notebook.

- Só me diz o que você escreve...

- Auto-ajuda...

- Engraçado! Você não consegue se ajudar e escreve livros de auto-ajuda? Isso é o cúmulo da hipocrisia!

Shaka dessa vez fechou o notebook e mirou o rapaz. Os olhos azuis faiscando.

- Quem você pensa que é? Não fale como se me conhecesse!

- Estou utilizando as informações passadas por seus amigos de que você é uma pessoa misantropa, solitária, otaku ou seja lá os nomes que eles queiram lhe dar! Da forma que falaram de você, pensei que teria o dobro da idade que aparenta!

- Eu tenho vinte e oito anos e se quer saber, estou muito bem sendo esquisito! – rosnou o loiro.

- Hum... vinte e oito! – exclamou Ikki e sussurrou no ouvido do loiro – Idade para se viver romances e não escrevê-los...

- Ah, por Buda! Eu não escrevo romances, seu idiota! Escrevo livros de auto-ajuda!

Ikki mirou os olhos azuis irritados dele.

- Eu acho que você escreve sim, mas deve publicá-los com um pseudônimo, porque tem vergonha de escrevê-los...

Shaka empalideceu, mas sorriu e tentou manter o controle da situação.

- Meus amigos lhe disseram isso?

- Seus amigos sabem disso? – devolveu o moreno.

- Claro que não, porque isso não é verdade e pode ir parando com essa psicologia de colegial que comigo não dará certo!

- O pseudônimo que você assina seus romances deve levar um nome americano tipo Robert Esthenwood ou George Campbell, ou talvez até um nome feminino o que é mais adequado a romances, tipo: Sarah Jones ou Jane Scott...

- Cala a boca! – esbravejou Shaka irritadíssimo – Não existem romances a sua psicologia de botequim está totalmente errada!

Ikki se afastou dele.

- Ok, desculpe... – disse calmo – Estou com fome, onde podemos comer?

O loiro ficou olhando-o atônito, aquele rapaz só podia ser louco ou então ele estava ficando louco.

- A cozinha é ali... – ouviu-se dizer.

Ikki caminhou para a cozinha e voltou minutos depois somente com uma garrafa de água mineral, vendo que o loiro continuava desolado, parado no mesmo lugar.

- Na sua geladeira não tem comida, só folha e água...

- Eles não lhe falaram que sou vegan*¹? – a sua voz foi um fio e Ikki ficou curioso; por que será que ele ficou tão triste? Será que passara dos limites com as provocações?

- Ei, loiro...

Ele levantou o rosto e o mais jovem pode ver muita mágoa em seus olhos. Engoliu em seco, esquecera que aquele povo era sensível; escritores; poetas, seja lá o que fosse! Para ele era um bando de frutinhas sensíveis. Ficou sem saber muito bem o que fazer, constrangido...

- Sai daqui! – gritou Shaka marchando para o quarto e batendo a porta, se jogando na cama. Tentando controlar a comoção interna. Quem aquele prostituto pensava que era para falar com ele daquela forma?

Ouviu batidas na porta e logo depois ela se abriu e o moreno apareceu.

- Shaka... – ele chamou seu nome e se sentou na cama ao seu lado – Acho que se passaremos um mês juntos, seria melhor que nos déssemos bem, você não acha?

Shaka continuava o encarando, incrédulo. Achava que a qualquer momento a porta se abriria e os amigos entrariam gritando: Surpresa! Você acaba de cair na nossa pegadinha! Tudo que ele contou até agora é mentira e ele na verdade não é um michê, é um ator que contratamos!

O rapaz moreno segurou-lhe uma mecha de cabelo, carinhosamente.

- Eu acho que pelo menos deveríamos tentar...

- Isso é impossível... – falou Shaka se apoiando nos cotovelos – Você tem certeza que isso não é uma brincadeira?

- Bem, se for, é uma brincadeira bem cara...

- Por que afinal eles acham que o que me falta é sexo?

- Porque é o problema número um da população mundial! – disse Fênix se jogando na cama com os braços cruzados atrás da cabeça – As pessoas fazem pouco e fazem mal, se fizessem melhor e mais vezes, teríamos menos guerra, menos estresse, sabe?

Shaka tentou segurar o riso, mas não conseguiu, explodiu numa gargalhada, ficou rindo por minutos, tanto que sua barriga chegou a doer. Ikki o olhava sem entender, mas ao menos ele relaxara.

- Ah, Fênix, você é hilário, já vi que me divertirei durante esse mês com as suas filosofias vãs!

- Então já aceitou?

- E eu tenho escolha? – perguntou Shaka tentando acalmar-se.

- Não, não tem... – ele disse e se inclinou beijando o loiro na boca. Shaka aceitou o beijo por um tempo, mas depois o afastou curioso.

- Não era pra você me beijar! Isso... bem eu ouvi dizer que vocês não beijam na boca...

- Você anda assistindo filmes demais... – falou Ikki voltando a tomar os lábios do loiro que o enlaçou pelo pescoço, aceitando o beijo, o corpo carente logo reagindo à língua cálida que brincava com a sua.

Ikki desceu as mãos por suas costas, correndo para puxar a calça de moletom que ele vestia.

- Espere... espere rapaz... – Shaka se afastou de seus lábios e afastou suas mãos – Não! Ainda não...

- Não? Não era você que estava disposto a terminar tudo de uma vez e me mandar embora?

- Sim, isso era se você fosse embora, mas agora você quer ficar aqui por um mês, eu não poderia encará-lo se... ah, você sabe!

Falou e pulou da cama. Ikki ficou parado no mesmo lugar, olhando para ele.

- Mas, nesse apartamento só tem um quarto, onde vou dormir?

- Não precisa dormir aqui, sai pra faturar! – falou Shaka, saindo do quarto, mas o rapaz foi atrás dele.

- O combinado foi que dormisse aqui e se acha que essas coisas me ofendem o senhor está muito enganado!

O indiano parou e voltou os olhos aos céus.

- Vejo que serão dias de tormentas enquanto você estiver aqui, não é, garoto?

- Ah, se depender de mim, não... – falou o moreno se aproximando dele – Na verdade, minha única função aqui é te dar prazer. É só querer, estou à disposição...

Shaka corou e balançou a cabeça.

- Eu não quero prazer, aliás, sua presença irritante me fez perder qualquer excitação que, porventura, sentisse antes da sua chegada...

- Puxa, assim você me magoa... – falou Fênix, muito sacana – Se quiser, posso excitá-lo novamente...

- Eu não quero nada, garoto, está tarde e quero dormir! – respondeu mal humorado.

- Certo, então, dorme e eu ficarei aqui assistindo TV!

- Essa TV nunca pode ser ligada... – declarou o indiano com calma.

- Nunca? E vou ficar fazendo o quê, já que você não quer transar? – irritou-se o mais jovem e Shaka sorriu. Agora sabia exatamente o que precisava fazer para se ver livre dele.

- Eu não sei se os meus amigos informaram, meu rapaz, mas não sou um simples escritor de auto-ajuda, sou um homem espiritualizado e que não gosta nada dessas modernidades sem sentido. Por essa razão, em minha casa você nunca poderá ligar a TV ou comer carne, dentre outras coisas...

- Então pra quê você tem uma TV desse tamanho no meio da sala?

- Aluguei o apartamento mobiliado se insiste em saber...

- Não tem problema, tem um bar a dez metros daqui que vende cachorro quente e que tem TV se quer saber! – volveu Ikki, aquilo agora era uma batalha pessoal.

- Ah, que bom! – exclamou o indiano – Será um bálsamo algumas horas sem você, então, por que não vai pra lá agora mesmo?

- Preciso de uma cópia da chave do apartamento...

- Quê? Enlouqueceu? Quem me garante que você não vai me roubar quando eu virar as costas?

- Ah, loirinho, você acha que seus amigos me pagariam um valor tão alto se eu não fosse confiável e muito bem recomendado?

Shaka ponderou, os amigos poderiam ser loucos, mas não colocariam um psicopata dentro de sua casa. Não mesmo! Abriu uma gaveta da pequena banca de madeira ao lado do sofá e entregou uma cópia da chave do apartamento ao rapaz. Precisava trabalhar e com ele por perto, sabia que não seria possível.

- Vai, some, desaparece! – disse vendo-o caminhar até a porta.

- Eu vou, mas eu volto! – falou o moreno e saiu.

O loiro imediatamente pegou o telefone e ligou para Mu, até a ligação cair na mensagem:

"Olá você ligou para Mu Rhenda o escritor, deixe o seu recado após o sinal... Ah, se for o Shaka, só falarei com você daqui a um mês e boa sorte!"

O loiro grunhiu e discou o número de Aiolia:

"Olá, você ligou para Aiolia, deixe o seu recado... Ah, se for o Shaka espero que seja para agradecer, mas isso você pode fazer daqui a um mês... Até loooooogo!..."

O loiro resolveu ligar para o agente, ele não teria como deixar de atendê-lo, precisava pedir para Milo localizar aqueles dois imbecis e exigir que eles tirassem aquele pesadelo japonês de sua vida!

- Alô, Shaka, algum problema? – o grego foi logo falando do outro lado da linha o que deu a certeza de sua cumplicidade a Aiolia e Mu. O indiano gelou.

- Passe o telefone para o Camus... – ordenou e Milo conhecia bem aquele tom de voz, tão bem que achou melhor não questionar nada daquela vez. Não daquela vez não.

- Oui, Shaka... – a voz grave, plácida e fria do francês falou do outro lado da linha.

- Camus, em você eu confio, vocês já deixaram mesmo o Japão? – perguntou temendo.

- Na verdade, estamos fazendo o check-in agora mesmo...

- Camus, por Buda, não deixem esses loucos saírem do Japão, temos assuntos sérios a resolver! – pediu o indiano desesperado.

- Shaka, já estou a par do pretenso problema... – continuou a voz elegante sem transparecer nenhuma opinião – E sinceramente, acho que deve resolver isso sozinho...

- Até tu, Camus... até tu...? – a voz de Shaka foi um sussurro. Se Camus estava de acordo com aquilo. Não havia mais nada a fazer, estava perdido.

- Não seja dramático, Shaka, será só um mês. Tente aproveitar... – disse o francês – Bem, estamos sendo chamados. Até mais.

Tuntuntuntutun.... – e um loiro as raias do desespero sem saber o que fazer para resolver seu problema. Respirou fundo umas dez vezes antes de se acalmar e rumar para o banheiro para tomar um banho. Molhou os cabelos longos, pensando que assim, talvez encontrasse uma resposta.

"Sim, o rapaz é bonito e eu até dormiria com ele em outras circunstâncias, sim, em outras circunstancias eu atenderia ao pedido do corpo, mas não agora, agora estou fechado para balanço." Pensava aflito enquanto esfregava a esponja no corpo.

Ouviu a porta de o boxe abrir e olhou pasmado quando o moreno entrou completamente nu.

- O... o que... o que você pensa que está fazendo? – gaguejou nervoso.

- Ah, acabei de chegar, estou suado, esse boxe é enorme, toma seu banho que eu tomo o meu! – falou Ikki despreocupadamente.

A vontade de Shaka era arremessá-lo pela janela, mas sabia que não poderia fazer isso, inclusive o garoto era bem mais forte que ele. Por isso, apenas se enrolou na toalha e saiu tão apressado do boxe que acabou escorregando e caindo no chão, a perna batendo num pequeno armário.

Contorceu-se urrando de dor, segurando o joelho esfolado no contato com a superfície rude de madeira.

Ikki saiu, se enrolando numa toalha, pela cintura e chegou até ele que estava no chão, gemendo.

- Ei, loiro, você está bem? – perguntou preocupado e depois afastou as mãos que seguravam a perna branca e bem torneada – Calma, vem cá...

Shaka corou até a raiz dos cabelos, quando aquele homem o pegou nos braços como se ele fosse uma pluma.

- Você quer me largar... – mal terminou a frase e Ikki o deixou cair de vez no chão novamente.

O rosto do indiano estava vermelho e colérico como de um demônio.

- POR QUE VOCÊ FEZ ISSO?!

- Você pediu. – declarou o moreno calmamente – Consegue andar ou quer ficar aí deitado?

O loiro tremeu de aflição, o orgulho ferido e a vergonha quase o fazendo chorar de ódio.

- Não...

- Não consegue andar ou não quer ficar aí no chão? – provocou o mais jovem.

- Os dois... – sua voz foi um sussurro quase imperceptível. Mas o moreno voltou a se abaixar e pegá-lo facilmente no colo, levando-o para o quarto e o colocando na cama.

Shaka continuava com a perna flexionada, sentindo muita dor e só se deu conta de que estava nu quando sentiu o olhar do moreno passeando por seu corpo. Corou até a raiz dos cabelos e olhou para os lados procurando alguma coisa para se cobrir.

Ikki percebeu o incomodo do outro homem e sorriu:

- Relaxa, em minha profissão vejo isso todo o tempo!

Shaka não respondeu, puxou o lençol se cobrindo até a cintura, vendo, com olhos arregalados, o rapaz engatinhar pela cama até ele e erguer o lençol até o meio de suas coxas.

- O que você está... ah! – soltou uma exclamação de sustos quando ele separou suas pernas e corou ao constatar que ele apenas queria examinar o joelho machucado.

Ikki o olhou da forma mais sacana possível, e isso causou descargas elétricas no corpo do indiano.

- Eu disse pra relaxar... – sussurrou e começou a massagear a perna dolorida dele – Isso vai evitar que fique mancando...

Shaka fechou os olhos e se deixou cair no travesseiro com um gemido, saboreando a gostosa sensação das mãos hábeis em sua perna.

- E onde você aprendeu isso?

- Eu faço parte de um time de futebol... – falou sem querer prolongar o assunto.

- Hum... isso está muito bom... – disse Shaka e logo corou arrependido – Q...quero dizer...

- Eu entendi, loiro, pode deixar que não digo pra ninguém que você não é frígido...

- Ah... o quê?

- Isso mesmo que você ouviu.

- Já disse pra não agir como se me conhecesse, você não me conhece e nem conhece minha vida sexual...!

- Inexistente...

- O... o quê...?

- Você gosta de me ouvir repetindo as coisas, hein? – provocou o moreno – Sua vida sexual é inexistente, seus amigos me contaram e comprovei...

Shaka escondeu o rosto com a mão, o que mais os amigos teriam contado aquele rapaz?

- Estou feliz dessa forma. Tenho outros motivos que fazem de minha vida algo agradável. – falou mais calmo. Era um sábio, não podia deixar que aquele rapaz o fizesse se esquecer disso.

- Então, por que se esconde tanto?

- Não entendi, Fênix...

- Primeiro, você esconde sua beleza atrás dessas roupas antiquadas e desse jeito de velho, depois você esconde sua libido e por último esconde que é romântico...

- Essa é apenas a minha forma de vida, e não há nada de errado com ela. – falou se arrependendo logo em seguida ao constatar que confirmava as suposições absurdas do rapaz.

- Não haveria, se você fosse feliz...

Shaka riu.

- E o que um pirralho igual a você entende de felicidade?

- Bem, acho que entendo muito. – volveu Ikki deixando a perna dele e se deitando ao seu lado, vendo Shaka virar-se de lado e se apoiar no cotovelo para encará-lo.

- Então me diga qual a sua fórmula da felicidade, garoto...

- A felicidade está conosco o tempo todo, nós é que não a enxergamos. – falou o moreno tranquilamente – Só enxergamos quando a perdemos, ela pode estar em forma do amor, da saúde, da alegria de uma partida de futebol, sei lá! Ela pode ter tantas formas...

Agora o indiano estava atônito. Não esperava que aquele rapaz que parecia tão fútil, vestido em suas roupas caras e com seu ar arrogante, visse a vida de forma tão leve e limpa.

- Aonde encontro material de primeiros socorros para limpar esse ferimento? – ele perguntou com um sorriso encantador e o loiro apontou para o banheiro e fechou os olhos. Quem sabe, se fugisse do seu rosto, não conseguisse ficar indiferente?

Ikki voltou minutos depois com algodão e álcool e começou a limpar o joelho esfolado do loiro que gemeu ao primeiro contato com o algodão embebido na substância. O moreno se inclinou e soprou delicadamente o ar sobre o ferimento o que obrigou o indiano a abrir os olhos que se encontraram com o olhar malicioso dele.

- Você não vai me vencer pelo cansaço... – declarou ainda o encarando.

- Eu quero vencê-lo pelo tesão... – sussurrou Ikki o que o fez corar – Cansaço... só depois...

- Ah, mereço! – voltou a fechar os olhos e afundar no travesseiro.

Ikki riu. Terminou de limpar o ferimento e guardou a caixa de primeiros socorros. Depois voltou para o quarto, encontrando o loiro vestindo um pijama de seda azul.

- Nossa! Que coisa pavorosa! – falou Fênix o olhando de cima abaixo.

- Obrigado pela gentileza! – falou Shaka entrando embaixo do lençol.

Ikki parou no meio do quarto e tirou a toalha, ficando totalmente nu diante do rosto corado e pasmado do indiano.

- Você vai mesmo dispensar um presente do meu tamanho, loiro? – perguntou incrédulo.

Shaka continuou parado com os olhos arregalados, sem saber o que dizer. O rapaz era lindo, um corpo de deus grego e sim... era muito grande... – O que é isso, Shaka? Virou tarado agora? – interrompeu os próprios pensamentos. Mas não sabia mais o que fazer para fugir daquela tentação parada no meio do seu quarto.

Ikki foi se aproximando felinamente da cama, incentivado pelo olhar vidrado e o silêncio do indiano. Quando já estava bem perto, se sentou ao seu lado, vendo-o erguer o lençol num convite mudo que ele aceitou, deitando-se e puxando o corpo magro de encontro ao seu.

- Fênix... é que... bem... é que eu não tenho tanta experiência, assim, sabe...? É...

- Shhhhiiii... Não se preocupe, eu lhe darei a melhor noite da sua vida....

Continua...

N/A: Seria pedir demais para o Shaka resistir ao Ikki pelado no meio do seu quarto e sem ninguém olhando, não é? Rsrsrs... Mas fiquem tranqüilos que a coisa não será tão fácil para o moreno não, eu acho que disse que o Ikki se vingaria do Shaka Por "Um toque de anjo", eu disse isso? Hiii... Não sei não...

Acho que por esse capítulo, vocês perceberam que a "neura" do loiro é falta daquilo mesmo! Acho que foi falta a vida toda, coitado! Mas, o Ikki vai resolver isso rapidinho! Hehehehe.

Juro que tentarei não fazer uma fic longa, por ela ser bem leve e descontraída, nada neuróticas. Tanto que sinceramente, não me preocupo muito com ela, então me perdoem pelas situações absurdas. Mas, cá pra nós, toda ficção tem um quê enorme de situações sem sentido e não esperem menos dessa fic.

Espero que gostem!

Agradecimentos especiais para meus leitores reviewzeiros!

Vagabond, Shunzinhaah2, kahzinha, Arcueid, liliuapolonio, Keronekoi, Jake Baa-chan, sasulove, Danieru e toda turma do Nyah!

Maxy D, Amamiya fã (KKK, é realmente confusão na certa menina!), Kojican, Julyana Apony, Neka, Amaterasu Sonne e toda a turma do FF

Querido sem vocês nenhuma dessas loucuras aconteceriam!

Beijos!