Sem compromisso emocional...?

III Capítulo

Ikki acordou e olhou o loiro que dormia serenamente ao seu lado. Segurou uma mecha dos cabelos macios entre os dedos e riu. Ele era tão bonito, bonito de verdade; não fosse as roupas antiquadas e o jeito de sábio oriental, passaria como um dos seus amigos de faculdade, facilmente. Ficou bastante tempo analisando o loiro, a pele alva... Parecia que o sol nunca havia tocado nele. Depois se pegou pensando que estava analisando demais, aquilo ali era trabalho e não prazer e ele precisava daquele trabalho.

Afastou-se e foi para o banheiro, tomou banho e se vestiu, pegando a sacola esportiva que deixara na sala na noite anterior. Viu o loiro se mover na cama e continuar dormindo. Deveria estar exausto depois de tudo, já que ele mesmo informara que não era tão experiente assim.

Deixou um bilhete para ele e saiu trancando a porta.

Assim que ele deixou o quarto, Shaka se ergueu com energia. Sentia-se revigorado, o que uma boa noite de sexo não era capaz de fazer por um homem! Riu com os próprios pensamentos e pegou o telefone, discando para a portaria do prédio.

- Alô? Olá senhor Nakamura, quem fala é o morador do apartamento cento e seis, eu preciso que o senhor me mande um chaveiro, urgente!

***

Ikki estava malhando braço, sentado no aparelho quando Seiya se aproximou.

- E aí, estou sabendo que você vai faturar uma grana alta esse mês! – falou o rapaz de olhos castanhos se sentando no aparelho ao lado e começando a se exercitar.

- Qual seu interesse? Está em épocas de vacas magras, é isso?

- Você sabe que não, na verdade, em breve saio dessa vida. Vou me casar, Ikki...

- Casar, você? – riu o leonino – Quem é a louca?

- Ah, conheci uma princesa na balada e estamos apaixonados de verdade... – o mais jovem falou, mas ruborizou um pouco ao dizer isso.

- Meus parabéns... – falou Ikki de má vontade se concentrando no exercício.

- Obrigado, e a faculdade, você vai desistir mesmo dela? – perguntou Seiya e Ikki já estava com vontade de mandá-lo calar a boca e ir para o raio que o partisse. Mas estava de bom humor e resolveu apenas ignorá-lo.

- Sim...

- E o Shun já sabe?

- Deixa o Shun fora dessa história! – pediu. se tinha uma coisa que o incomodava era que envolvessem seu irmão em seus problemas.

- Ah, tá bom, foi mal! Não tá mais aqui quem falou! – disse o rapaz e se calou, concentrando-se no exercício.

Ikki ainda ficou mais algumas horas na academia e depois foi para sua casa, ou melhor, para o seu micro apartamento pegar algumas coisas para levar para a casa do loiro gostoso...

"Epa, Ikki, o que você pensou? Loiro gostoso? Isso não é pra ser gostosos, não, não, não! Isso são negócios..."

Afastou os pensamentos e escolheu suas mais belas roupas e sapatos para levar, assim ganharia tempo e não precisaria ficar indo de um lugar a outro com sacolas.

Terminou de arrumar a pequena bagagem e entrou no seu Peugeot preto. Agora era a hora de buscar Esmeralda na faculdade e seguirem para o compromisso de sempre. Pensar na noiva o reconfortava, embora o afligisse também, a possibilidade de ela descobrir sua vida dupla o preocupava muitas vezes.

Afastou os pensamentos e seguiu para seu destino.

***

Shaka saboreava o seu suco de clorofila enquanto via o chaveiro trabalhar. Se os amigos pensaram que o obrigaria a fazer algo ou ficar com alguém contra sua vontade, eles desperdiçaram dinheiro.

Se bem que não poderia negar que a noite com o rapaz foi bem animada. Quanto tempo não tinha um orgasmo? Nem se lembrava!

Sim, o menino era bom, muito bom no que fazia.

Afastou os pensamentos e foi para frente do notebook, precisava de concentração. Teria que entregar um livro a editora e nem se quer o tinha iniciado ainda, andava meio sem inspiração. Inspiração? Bufou chateado. Da última vez que procurou inspiração, acabou com o coração aos pedaços, fora rejeitado e por quê?

"Desculpa Shaka, mas não posso fazê-lo sofrer, você é inocente demais e eu não quero enganá-lo, estou machucado desde minha última relação e não quero compromisso sério. E sei que você não é um homem para somente aventura..."

As palavras dele ainda ecoavam em sua cabeça. Não era um homem para somente aventura. Deveria se sentir lisonjeado! E por que se sentia rejeitado e humilhado?

Grunhiu afastando os pensamentos e voltando para o notebook. Era melhor trabalhar que ficar pensando no passado.

***

Seiya e Shiryu estava saindo da faculdade, conversando alegremente quando uma limusine parou.

- Ah, estou indo! – falou o jovem de cabelos curtos, vendo a janela se abrir e um belo rosto feminino aparecer sorrindo.

- Olá, Shiryu!

- Olá, Saori! – cumprimentou o jovem chinês.

Seiya entrou no carro e partiu e nesse momento, Shiryu viu Ikki e Esmeralda se aproximando abraçados. Agradeceu aos céus pela limusine ter partido antes que o amigo pudesse vê-la.

- Olá, Shiryu! – cumprimentaram o amigo.

- Ikki, o que aconteceu? Eu não o tenho visto nas aulas?!

- Tenho andando ocupado! – respondeu meio embaraçado. Shiryu o olhou de canto de olho. Sabia da profissão do amigo e apesar de não aprová-la e nem compreendê-la, não ficaria regulando seus passos.

- Poderíamos conversar mais tarde? Tenho algo importante para lhe falar.

- Ah, certo! Claro! – falou e puxou Esmeralda em direção ao seu carro. Despediu-se do amigo e deixou a noiva em casa.

- Ikki, amanhã a noite, podemos sair? – a moça perguntou se pendurando na janela do carro, abraçada aos livros da faculdade.

- Posso durante o dia, a noite não posso... – falou meio sem jeito.

- Ikki... – Esmeralda sorriu com doçura – Mas, é sábado, quem sai durante o dia num sábado?

- Amor, desculpa, mas você sabe como meu trabalho é inconstante...

- Eu acho que você deveria deixar essa vida de representante comercial! – falou a moça – Ikki, você sabe que não precisa disso, deveria deixar o orgulho de...

- Esmeralda, já conversamos sobre isso! – esbravejou.

- Ikki, pense no Shun e na Sayaka...

- O Shun também não quer! Que saco! – reclamou – Não quero mais falar nesse assunto!

- Tudo bem... – conformou-se a mocinha se inclinando na janela para dar um beijo no noivo - Te vejo amanhã então!

Ikki retribuiu o beijo e deu partida no carro.

***

Ele chegou ao edifício e olhou a sacada. Apesar de modesto era belo e confortável e possuía um bom designer. A varanda ampla que se destacava ondulante em direção ao mar e que abrigava uma piscina e um belo jardim; as cores pastéis em contraste com o azul dos ladrilhos da sacada. Tinha que admitir que o loiro, apesar de maluco, possuía bom gosto para escolher um lugar como aquele.

Suspirou, não deveria pensar nele como nada além de uma nota de cem dólares. Subiu as escadas, não gostava do elevador e achava-o mesmo desnecessário num prédio de três andares.

Colocou a chave na fechadura e não conseguiu abrir a porta. Tentou por várias vezes e nada, então bateu por três vezes antes de ouvir:

- Vá embora, Fênix, eu não vou abrir; nem que pra isso, tenha que passar um mês trancado nesse apartamento!

Ikki riu nervoso e irritado.

- Loiro, quer parar de maluquice e abrir essa porta?

- Faça o que quiser, eu não abrirei, sinto muito pelo tempo perdido!

Shaka estava sentado no sofá em posição de lótus e saboreava calmamente seu chá enquanto falava com o rapaz do outro lado da porta.

- Shaka, EU VOU ARROMBAR ESSA PORTA! – gritou Ikki brevíssimo.

- Ela é feita de uma madeira nobre e ainda pedi ao chaveiro para colocar mais seis fechaduras internas só por segurança. – sua voz continuava plácida – Então você só vai se cansar, caso tente.

O leonino já não sabia o que fazer. Estava desesperado, precisava daquele dinheiro e não o perderia por causa daquele loiro maluco. Além disso, seu ego estava ferido; como alguém poderia querer se ver livre dele, depois de uma noite como a que tiveram? Ele era o melhor! O melhor! Não acreditava naquilo.

Deixou a mala na porta do apartamento e desceu as escadas para a rua, passando para o porteiro que olhava tudo, curioso. Chegou embaixo da janela do loiro.

- SHAKA, Shaka PHALKE! SE NÃO ABRIR A PORTA, DAQUI A MINUTOS TODA A imprensa ESTARÁ AQUI!

Shaka gelou, o que aquele maluco achava que estava fazendo? Estava blefando. Continuou parado no mesmo lugar.

- Shaka, Shaka!! – o moreno continuava berrando no meio da rua e seus berros já ecoava por toda a vizinhança.

O indiano ouviu batidas na porta. Não poderia ser Fênix, ele continuava berrando embaixo de sua janela.

- Quem é?

- Sou eu, senhor Phalke, o Nakamura da portaria...

- E o que o senhor deseja?

- Por favor, se seu amigo não parar de gritar, os outros moradores ameaçaram chamar a polícia e acho que o senhor não gostaria disso, não é?

Shaka empalideceu, bufou, grunhiu, se lastimou e caminhou até a sacada. Rubro de cólera e com ganas de matar aquele homem.

- Suba... – falou entre dentes e viu o sorriso de satisfação do mais jovem que desapareceu para dentro do prédio.

O loiro caminhou e abriu a porta, vencido e possesso. Não demorou alguns minutos o moreno entrou com uma cara enfezadíssima.

- Não vai adiantar, tá seu maluco! Eu não vou embora! – disse.

Shaka o encarou tremendo de raiva.

- Muito bem, você quer guerra? Você vai... – não terminou a frase, foi puxado pelo pulso e beijado com força e ardor. Ikki o prendeu fortemente pela cintura com uma das mãos, enquanto a outra o puxava pela nuca, para um beijo voraz, tentador e sufocante.

Shaka lutou inicialmente, mas depois relaxou o corpo já vencido pelo desejo, ficando lânguido nos braços de Fênix.

Quando percebeu que ele relaxara, Ikki afastou os lábios, continuando com ele nos braços.

- Por que você é tão encrenqueiro? – sussurrou enquanto deslizava os lábios pela pele branca do escritor – Já disse, não vou embora, não importa o que faça...

- Você não entende... A questão é só dinheiro pra você, um trabalho...

- E o que você perde com isso? – continuou Ikki descendo as mãos por seus braços até acariciar o ossinho do quadril do indiano.

- Minha sanidade... – balbuciou o loiro não gostando de estar gostando tanto daquele carinho.

- Será que você poderia encarar isso como uma terapia? Sexo durante um mês para revigorar sua vida...

- Revigorar? – Shaka riu nervoso – Você deveria dizer,complicar...

- Nada é complicado aqui, loiro, é você que está complicando tudo... – continuou Ikki, afastando os fios dourados do pescoço dele e começando a beijá-lo levemente.

Shaka sentiu-se arrepiar e se afastou dele.

- Tudo bem, eu nada posso fazer a respeito, não é? – falou tranquilamente – Mas, teremos algumas condições, meu rapaz...

Ikki se sentou no sofá, cruzando os braços com um olhar zombeteiro.

- Aqui eu sou seu criado, farei tudo o que quiser...

O loiro tentou ignorar a zombaria na voz dele e os arrepios que a frase maliciosa lhe causou.

- Mas, é exatamente isso, você será meu criado. Acho que já percebeu que eu gosto de privacidade e, por isso, não quero empregados. Então, você vai lavar, passar e cozinhar pra mim.

O loiro sorriu com a cara chocada do rapaz.

- Só tem um problema, loiro, eu não sei fazer nada disso!

- Trate de aprender, porque sou uma pessoa perfeccionista, Fênix, e não admitirei nenhum erro!

- Você é um rapazinho obstinado... – Ikki falou calmo – Mas, eu também sou. Não vou desistir, nem que pra isso tenha que me tornar um escravo do lar.

- Outra coisa... – continuou Shaka, terrível – A faxina também é você quem fará, e eu sou bem exigente com a limpeza.

- Ok, mais alguma coisa?

- Sim, você só vai me tocar se eu pedi...

- Ah, só isso? – Ikki riu com escárnio – Você não é tão gostoso assim, se quer saber!

- Ótimo, então isso não fará diferença. – Shaka caminhou até a cozinha e Ikki levantou e o seguiu.

- Só uma pergunta, loiro... – falou se aproximando dele que abria a geladeira e pegava uma garrafa de água mineral.

Shaka parou e o encarou curioso.

- Como alguém pode estar com um humor tão ruim, depois de gozar como você gozou na noite passada?

O indiano corou e não conseguiu responder nada. Pegou a garrafa e virou tão abruptamente nos lábios que acabou se engasgando.

Ikki tentou ajudá-lo, mas ele o afastou.

- Não... foi... cof...cof...cof... – tentava falar vermelho como um pimentão – Ora, Fênix, não me venha com... cof...cof...cof... essas perguntas imbecis!

- Por quê? Não me diga que isso vai contra sua religião?

Shaka não respondeu. Esperou que a respiração voltasse ao normal e se sentou na mesa da cozinha, arfando, o peito subindo e descendo dentro da camisa de cambraia branca que vestia.

- Por Buda... – ainda tentava tomar ar – Minha religião não tem nada a ver com isso. É tão difícil acreditar que não quero sexo?

Ikki se aproximou dele lentamente, olhando dentro dos olhos azuis do indiano que mais uma vez ficou sem palavras.

- Levando em conta a noite de ontem... – ele segurou as pernas do escritor, cobertas pela calça de tecido fino – Acho difícil sim... você gritava tanto... pedia por mais... mais fundo, mais forte... – Ikki falava com a voz mais sensual possível e o loiro se sentia derreter.

- Mas... – Shaka se interrompeu, porque o atrevido garoto abriu suas pernas, abruptamente se inclinou sobre seu corpo, forçando-o a recuar instintivamente, até que estivesse deitado na mesa de mármore.

- Para com isso, loiro, eu lembro como você pedia, implorava... – sussurrou e lambeu o pescoço branco e exposto, fazendo o escritor gemer baixinho. Shaka fechou os olhos; para quê continuar com aquela resistência? Estava sendo hipócrita depois da noite passada. Ele queria sexo e queria muito.

Enlaçou o pescoço do moreno que sorriu com sua entrega.

- Vamos para o quarto... – balbuciou – Hoje deixo você me tocar... eu quero...

- Vamos ficar aqui mesmo... – murmurou Ikki, começando a desabotoar a camisa dele – Lhe darei algumas aulas gastronômicas...

Shaka observou o sorriso sacana dele, enquanto continuava a desabotoar sua camisa.

***

Quando acordou na manhã seguinte, Ikki olhou o relógio. Estava atrasado! Também, a noite foi cansativa. Correu para o banheiro e rapidamente tomou banho e se vestiu. Encontrou o escritor na sala. Ele estava sentado no chão em posição de lótus com o notebook no colo.

- Bom dia, loiro...

- Bom dia, e por favor, leve a roupa para a lavanderia. – falou sem olhá-lo, continuando a digitação.

- Eu preciso ir para a academia...

- Parece que você não entendeu. Eu preciso que leve a roupa para a lavanderia.

A voz do indiano continuava calma como uma ordem divina. Mas, pelo canto dos olhos ele verificava o corpo malhado do rapaz, coberto pelo short esportivo preto e a regata branca; descendo demoradamente pelas coxas grossas e musculosas até alcançar o tênis. Suspirou, sentindo o corpo já reagindo.

"Shaka Phalke, desde quando você é um tarado?" Perguntava-se corando.

- Tudo bem. – resignou-se Ikki, indo até a área de serviço e vendo que o indiano deixara a roupa já arrumada em uma sacola. Percebeu que realmente ele era neurótico por organização. Nunca encontrara uma área de serviço tão impecável.

Pegou a sacola e voltou para a sala. Ele continuava no mesmo lugar.

- Ok, posso ir pra academia, depois? – perguntou com ironia.

- Quanto mais tempo você ficar longe de mim, melhor. Só se lembre que amanhã é dia de faxina.

- Você é cruel, Shaka! – falou antes de sair. Quando ele bateu a porta o indiano sorriu e balançou a cabeça.

***

Ikki levou a roupa para a lavanderia e seguiu para a academia, como sempre encontrando Seiya que era meio obsessivo por malhação.

- E então, Ikki, como está sendo com o velho? – perguntou o mais jovem e o moreno soltou um suspiro enfadado.

- Não gosto de falar de trabalho quando não estou trabalhando.

- Tudo bem, hoje vou falar com o Tony, vou pedir demissão...

Ikki que corria na esteira olhou o amigo que fazia o mesmo.

- Já está com a conta cheia a esse ponto?

- Não, é que vou me casar...

- Casar? Então isso é sério? Seiya você tem dezessete anos! – espantou-se Ikki.

- E daí? Eu gosto dela... Inclusive queria conversar contigo a respeito...

- Fala...

- É a Saori...

Ikki desligou a esteira e se aproximou do rapaz que engoliu em seco.

- Eu não acredito em você!

- Ikki, a questão é que gosto dela, puxa! Isso não tem nada a ver...

- Fizemos um acordo, Seiya!

- Não! Você fez um acordo e nos convenceu de que ele seria melhor, mas tudo foi somente por seu orgulho!

- Você é um traidor, Seiya, um traidor infame! – esbravejou Ikki, furioso.

- Eu amo a Saori, sinto muito. – falou o rapaz.

- Então, você vai aceitar fazer aquele maldito acordo?

- Vou sim, e se fosse você...

- Eu não sou você, nem se compare comigo! – reclamou o leonino e saiu para o vestiário. Estava revoltado e decepcionado com o amigo.

Tomou um banho caprichado, vestindo-se em seguida nas roupas caras e descoladas de sempre; uma calça jeans escura Armani e uma camisa pólo branca bem justa no peito. Borrifou o seu Dior homme Sport pelo corpo e completou o visual com os óculos Ray-ban.

Teria que correr, teria algumas aulas antes do final do semestre quando ele interromperia o curso.

***

Shaka terminou a meditação e se espreguiçou, sentindo o corpo profundamente relaxado. Era hora de procurar alguma coisa para comer, já passava e muito das oito da noite e ele se perguntava onde estaria seu incômodo hóspede.

Estava na cozinha quando ouviu a porta abrir e o barulhento leonino exclamar:

- Cheguei, loiro!

Suspirou, mas acabou sorrindo. Em fim, não estava sendo tão ruim quanto imaginara. Continuou cortando os legumes quando sentiu os braços fortes o envolvendo pela cintura e os lábios se colando em seu pescoço lhe arrepiando. Não era possível, deveria estar amaldiçoado pela luxúria.

- Pode deixar isso aí, eu trouxe algo para a gente comer e pode ficar tranqüilo, não tem carne! – ele disse e depositou na mesa as embalagens com a comida.

- E o que é isso, Fênix?

- Bem, temos salada de konnyaku, tofu, cozido de nabo, bolinhos de arroz... você escolhe o que comer!

Shaka olhou pra comida sobre a mesa e depois olhou para ele, desconfiado.

- Você não pretende me envenenar, pretende?

- Puta vida! Nem se pode ser gentil com você, não é? E depois me acusam de ser o cara difícil! O que diriam meus amigos se conhecessem você? – falou Ikki e o loiro pegou a louça no armário para poder servir a comida.

Arrumou tudo com esmero sobre a mesa e depois saiu pelo corredor.

- Traga. Comeremos na varanda. – disse.

- Certo, patrão! – ironizou Ikki, pegando tudo e colocando numa bandeja, levando para a mesa que ficava na varanda que possuía um jardim ao estilo oriental, com uma bela fonte e muito verde. Mais a frente uma piscina completava a decoração.

Ikki arrumou o jantar sobre a mesa de vidro e ambos se sentaram nas almofadas com as pernas cruzadas.

Shaka foi quem primeiro experimentou a refeição, comendo com vontade.

- Hum... nada mal... – sorriu e o rapaz o encarou por um tempo antes de começar a comer também.

- É a primeira vez que vejo seu sorriso.

- Não, eu ri muito do seu vulgo idiota. – discordou continuando a comer.

- Isso, você zombou do meu nome, e agora não, agora você sorriu sem ironias ou irritação. – falou o moreno e o loiro concordou com um aceno de cabeça.

- Já estou conformado com isso... – falou o indiano – E a comida está realmente boa. Esse cozido de nabo está ótimo.

- Eu sabia que você ia gostar... – disse o moreno – Todo metido a natureba como você é!

Ele se levantou de onde estava e o loiro ficou curioso e surpreso quando viu que o mais jovem se sentava atrás dele, de modo que Shaka ficou sentado entre suas pernas abertas.

- O que você pensa que está fazendo, Fênix? – perguntou ao sentir o queixo dele se apoiar em seu ombro.

- Estou com preguiça de comer, quero que você me dê na boca... – falou com malícia enquanto mordiscava-lhe a orelha.

Shaka balançou a cabeça e pegou um bolinho de arroz com os hashis, virando-se um pouco para colocar-lhe na boca.

- Toma, come e fica quieto.

- hum, hum... – concordou Ikki o enlaçando pela cintura o puxando para que se sentasse em seu colo. Shaka se deixou levar, rindo; virou-se um pouco para enlaçá-lo pelo pescoço e beijá-lo.

Ikki se surpreendeu tanto com o ato que instintivamente se afastou o que levou uma risada divertida a garganta do loiro.

- O que foi? Não me diga que agora vai fugir de mim?

- É que eu nunca sei o que esperar de você. – confessou confuso.

- Ah, já que eu não posso tirá-lo de minha vida, ao menos tenho que aproveitar tudo que eu puder de você, estou correto?

Ikki não respondeu, ficou um tempo mirando os olhos azuis maliciosos dele, depois deixou que ele o beijasse. Gostava do beijo dele, da forma suave e sensual que ele movia a língua dentro de sua boca, procurando a sua lentamente, sem nenhuma pressa. Realmente, tudo que aquele indiano não possuía era pressa ou afobação; era sedutor e muito, mas Fênix percebia que ele fazia questão de esconder esse seu lado.

Abandonou-lhe os lábios e ofereceu-lhe um tofu com os hashis. Shaka abriu a boca aceitando, enquanto os olhos continuavam fixos nos dele. Ikki desceu as mãos por suas pernas, sobre a calça fina, vendo-o já totalmente entregue em seus braços, deitado em seu peito.

- Sabe, loiro, quando o vi pela primeira vez, achei que tudo aquilo que aquela revista falava era mentira.

- Que revista?

- Ah, uma revista que dizia que você era um Otaku, esse povo obsessivo, sabe?

- E por que você achou que eu não fosse?

- Por que você é muito bonito pra isso... – sorriu Ikki e Shaka percebeu que ele corou – Eu sempre pensei que essas pessoas fossem feias, aquele tipo de nerd que prefere criar uma obsessão por alguma coisa, porque não tem coragem de sair e encarar as garotas.

- Puxa, você pensou tudo isso? – riu o loiro – Realmente, cabeça de adolescente é fogo!

- Eu não sou um adolescente, acho que você já notou, muito bem...

A voz sensual e provocante causava arrepios no escritor e ele resolveu se levantar do colo dele.

- Bem, acho que é hora de terminarmos o jantar... – falou sem jeito, sentindo o coração acelerado e um repentino e injustificável mal estar.

- Come esse último pedaço de tofu, vi que você gostou... – falou Ikki pegando o queijo com os hashis e colocando na boca do indiano.

- Gostei realmente, tem um sabor diferente...

- É que é feito de ovos.

Shaka parou de mastigar o tofu e o olhou estarrecido.

- O...ovos?

- Sim, é tofu de ovos, você nunca comeu?

- C...carne... – balbuciou o loiro ficando vermelho.

- E desde quando ovo é carne?

- Sim, ovo é carne, peixe é carne e frango é carne por mais que as pessoas achem que carne só quem tem é o boi! – bradou o escritor cada vez mais vermelho.

- Ah, então desculpe, mas o tofu é de ovos, o cozido de nabo tem peixe e pra mim isso não é CARNE!

O indiano se apoiou numa parede e o moreno ficou olhando pra ele sem entender todo aquele drama.

- Shaka, qual o problema? Sua religião o proíbe de comer carne e você vai para o inferno, é isso?

- Não... – balbuciou – O problema é que um dos motivos de eu ser vegan, é que sou alérgico a várias coisas, inclusive... ovos...

Ele disse sentindo a garganta fechar e então, desmaiou.

Continua...

N/A: Desculpe aos que acharam que o Shaka ficaria com mais "não me toque", essa fic foi feita sem pretensões e sem enrolação, como disse, nada de pensamento profundo, ok? Perdoe-me, mas o meu lado de filósofa e psicóloga está meio de lado nessa fic, o que quero é sensualidade e um pouco de humor, "apenasmente".

Glossário:

Veganismo é uma filosofia de vida motivada por convicções éticas com base nos direitos animais, um tipo de vegetarianismo radical que não admite o consumo de nada em absoluto que tenha origem animal.

Otaku: É um termo japonês muito em voga para designar um fã obsessivo por qualquer assunto.

Beijos a todos que estão acompanhando em especial os que deixaram review.

Shunzinhaah2, Keronekoi, Arcueid, Juliabelas, Vagabond, Jake Baa-chan, Mefram_Maru, Danieru, shermie, Nisa de Touro, Gabby_nanashi e toda a galera do Nyah vocês são demais!

MCristal Black, Julyana Apony, sophie Clarkson, K. Langley, Kojican, Maxy D., Neka, Amamiya fã (Pois é, kkk o Ikki é rápido no gatilho, menina quando eu falei os três reviews no mesmo cap de "Um toque de anjo" não foi reclamação não, o que é isso! Reclamar de review, eu? Eu só queria saber se foi você mesma! Só se estivesse louca para reclamar de review hehehe, bjus e obrigada adoro seus reviews!), Amaterasu Sonne e toda a turma do FFnet!

Beijos, adoro vocês!

Sion Neblina 2010