Só financeiro?

IV Capítulo

Ikki ficou observando o loiro sentado na maca enquanto lhe era ministrado antialérgico no hospital. Seu rosto estava cheio de pintinhas vermelhas e lembrava os rostos daqueles meninos sardentos e pentelhos de filmes americano. Riu com os próprios pensamentos.

- O que é engraçado? – perguntou o loiro de mau humor.

- Nada, mas é que você ficou até bonitinho cheio de pintinhas.

Shaka fez uma careta olhando para os céus.

- Eu tenho que crer que você faz parte do meu carma, Fênix...

Ikki riu e se sentou ao lado dele e beijou-lhe o rosto o que fez o indiano corar e o encarar surpreso.

- Você fica muito bonitinho zangado... – falou o japonês.

O loiro balançou a cabeça e deitou-se na maca, começava a sentir muito sono. Ikki afagou-lhe o rosto.

- Verei quando você pode sair daqui...

- Faz parte do seu trabalho, ser atencioso também? – perguntou Shaka com certo incomodo porque não era acostumado a tantos mimos, aliás, sempre os evitara.

- Sim, claro que faz! Afinal são quatro mil dólares!

O loiro fechou os olhos. Resignando-se, teria ainda muito que suportá-lo.

Quando Ikki voltou à enfermaria o encontrou dormindo. Dormindo ele realmente parecia um garotinho. Um anjinho e não aquele homem de temperamento difícil. Desaparecia o ar de superioridade e ficava apenas a expressão de menino carente. Notou que o antialérgico já começava a apagar as pintinhas do rosto dele. Em fim, a intoxicação não foi tão grave; sorte que o escritor comia pouco.

Sem saber bem o motivo, Ikki tocou-lhe os lábios pequenos e levemente carnudos; sentindo-lhe a maciez e como eles se abriam um pouco instintivamente para o deleite de seus dedos.

- Fênix, me leva pra casa... – Ouviu a voz suave do indiano e sorriu, assentindo com a cabeça.

Já era madrugada quando eles chegaram ao apartamento de Shaka. O loiro continuava meio zonzo por causa do remédio e, por isso, Ikki o ajudou a subir as escadas.

- Eu não entendo como um prédio como esse, pode ficar com o elevador quebrado! – reclamou o leonino – Você deveria reclamar!

- Não me importo, preciso de exercícios. – respondeu o loiro se agarrando mais ao pescoço do moreno, pois sentia que a qualquer momento poderia desmaiar.

- Ah, mas poderiam pensar numa eventual emergência!

- Quer parar de reclamar? Eu não estaria assim se você não tentasse me envenenar.

- Puxa, como você é mal agradecido! Eu não poderia imaginar que você tinha alergia a ovos!

- Ovos e todo e qualquer tipo de laticínio, só para a próxima vez que você tentar me envenenar, certo?

- Você é enjoado demais! – chegaram ao apartamento em fim, Ikki abriu a porta e colocou o loiro na cama.

- Você quer alguma coisa? – perguntou afagando a franja que cobria a testa dele.

- Dormir somente e acho que você deve fazer o mesmo.

- Nem um copo de leite?

- Deixa de ser cretino, Fênix! – o indiano lhe atirou um travesseiro e ele saiu do quarto, rindo. Sentou-se no sofá, pensativo. Gostava dele, sim, o neurótico sabia ser agradável quando queria. Não deveria ter aceitado aquele trabalho, era muito tempo de convivência e acabaria sentindo carinho pelo cliente. Aquilo seria natural, mas também não seria certo. Porém, precisava do dinheiro.

Voltou ao quarto e resolveu dormir um pouco, antes de iniciar a maratona diária. Percebeu que o loiro já ressonava tranquilamente e o abraçou pela cintura, afundando o rosto em seus cabelos cheirosos. Logo adormeceu.

***

- Fênix, acorda! – pediu o indiano vendo o rapaz esparramado na cama. SUA CAMA; como pode permitir aquele tipo de intimidade?! Ah, as coisas já estavam passando do limite e que sono pesado ele tinha!

Ikki abriu os olhos e se espreguiçou.

- Oi, loiro, você está melhor? – perguntou sério. Odiava ser acordado.

- Estou e você perdeu a hora da academia.

- Não vou para a academia hoje, quero sair com você.

- Sair? Comigo? – espantou-se o escritor – Por quê?

- Eu quero te mostrar a cidade, você nunca sai a não ser para olhar o mar. Já reparei nisso.

Shaka se sentiu pouco confortável com aquela situação.

- Escuta, eu estou bem assim, não quero sair, sabe?

- Eu faço questão!

- Lembre-se que nossa relação é profissional, garoto, você não precisa ser gentil! – falou irritado.

Ikki se apoiou no cotovelo e olhou o rosto inseguro do indiano.

- Então é isso?

- Isso o quê, Fênix? Do que você está falando?! – perguntou nervoso.

- No baile do colegial, nenhuma moça aceitou sua companhia e você ficou traumatizado?

- Eu... O que isso tem a ver com nós dois? O que isso tem a ver com esse convite sem propósito? – o loiro indagou confuso.

- Melhor, ela aceitou para ser gentil, mas depois o deixou sozinho a noite toda, trocando você por um dos bonitões do colégio? – Ikki ignorou a pergunta – Por isso, você agora desconfia de todos a sua volta...

Shaka riu com vontade.

- Lá vem você com sua psicologia barata! Por Buda, pare de assistir filmes classe C americanos!

- Tudo bem, pode ser psicologia barata, mas não estou longe da verdade, não é?

- Claro que está. A milhas de distância se quer saber.

- Eu acho que não, esse seu jeito de nerd e essa postura de monge servem para esconder todas as suas frustrações e são muitas, não estou certo?

- Não, não está. – falou Shaka calmo – Mas, não tentarei convencê-lo do contrário, afinal, você pode sempre aparecer com um tofu de ovos e calar minha boca pra sempre!

Ikki acabou rindo com a observação e puxou o loiro pra si, que acabou caindo por cima dele.

- Você além de tudo, é um rapazinho mau, Shaka...

- Não me chame de rapazinho, o garoto aqui é você...

- Já disse que eu sou um homem... – falou e mordiscou-lhe a orelha – E que você sabe disso...

Shaka suspirou de aflição com o contato da língua e dos dentes dele em seu lóbulo e se afastou um pouco.

- E aonde você vai me levar? – perguntou se sentando na cama e tentado fugir da sensação que tanto o desnorteava.

- Um lugar legal.

- Mistério?

- Sim, e volta aqui... – murmurou o puxando pra si – Até quando ficará com essa pose de... "Ai, sou santo e não quero trepar", hein? Já vi que de santo você não tem nada...

Shaka corou, mas acabou rindo. Sim, ele gostava e muito de fazer sexo com aquele garoto, por mais que não gostasse de gostar! Ai, céus! Justo ele que prometera nunca mais se envolver daquela forma, nunca mais se apaixonar e nunca mais se entregar a luxúria de outro corpo...

Mas, a verdade era que precisava, sentia necessidade de ter um corpo quente e de preferência muito gostoso em seus braços. Durante seis meses lutara contra aquilo, porque seu coração ainda doía muito, talvez, nem fosse o coração e sim o orgulho. Mas precisava confessar que estava ficando insuportável para qualquer um que estivesse ao seu lado, agüentá-lo.

Ai, Buda! Por que não posso me elevar ao nível de não sentir mais essa necessidade? Por que tenho que possuir essa vontade indômita por sexo?!

Engoliu uma exclamação quando o moreno o puxou e o deixou entre suas pernas, enquanto as mãos desciam por seu peito.

- Sinto sua pele se arrepiando... – ele sussurrou-lhe ao ouvido – Seu corpo cede tão fácil ao que sua cabeça rejeita...

- E quem disse que minha cabeça rejeita alguma coisa? – perguntou entre um gemido, por que ele deslizou os dedos por seu mamilo o apertando entre eles.

- Minha psicologia de botequim, como você mesmo diz, faz com que eu perceba o quanto é difícil tudo isso pra você...

Ele desceu uma das mãos para a coxa pálida de Shaka, que estava vestido apenas com uma camisa que lhe cobria até pouco a cima do joelho e uma boxer branca. Aperto-a com força, deslizando as mãos até a virilha do escritor e voltando a massagear-lhe a coxa. Shaka gemeu baixinho e virou o rosto o que deixou seu pescoço a disposição dos lábios do moreno.

- Nada disso é difícil para mim, garoto... – ele respondeu – Eu sei que isso não passa de necessidade física...

- Mas você nega suas carências emocionais... – Ikki chupou-lhe sofregamente o pescoço enquanto as mãos subiam até a cintura do indiano e começava a livrá-lo da boxer branca que ele vestia.

Shaka levantou-se um pouco o ajudando a fazer o serviço. Não estava ali para joguinhos, e aproveitaria sim, o presente dado por seus amigos; presente de grego, mesmo assim...

- Você me acha um recalcado?*¹ – ironizou.

- Por aí... mas farei de tudo para ajudá-lo a se curar... – falou ao ouvido dele, sensualmente e Shaka sentiu-se estremecer.

- Garoto...

- Já disse que sou um homem; um homem que vai te fuder bem gostoso, agora... – ele disse e colocou os dedos na boca do loiro que os sugou de olhos fechados, já totalmente entregue as carícias daquele moleque insolente e habilidoso.

- Você não passa de um depravado recém saído do colegial... – gemeu Shaka quando ele tirou os dedos de seus lábios.

- Talvez, mas não me engano com as pessoas... – lambeu mais uma vez o pescoço dele – Na verdade... com essa pose de nerd... – ele disse e com uma das mãos abriu mais as pernas do loiro segurando fortemente sua coxa – Você tenta esconder que é um pervertido e que gostaria de trepar o dia todo, o tempo todo, se tivesse chance... – falou e penetrou de vez os dois dedos dentro do loiro que se contorceu e gemeu alto, jogando a cabeça pra trás e abrindo mais as pernas, enlouquecido de tesão, enquanto Ikki continuava a entrar e sair de dentro dele, aumentando a velocidade à medida que os gemidos de prazer se intensificavam e o loiro dobrava os joelhos instintivamente; tentando aprofundar mais aquela carícia ousada.

Shaka já estava a ponto de gozar só com aquele vai e vem lascivo dos dedos dele que lhe tocavam fundo e fazia-o perder qualquer receio. Então, Ikki parou a carícia, tirando os dedos e beijando com força a boca do indiano, sugando sua língua de forma que qualquer pensamento sumisse de sua mente embaçada.

Shaka se virou no colo dele sem parar o beijo e começou a percorrer o corpo moreno com as mãos. Até aquele momento não fizera aquilo, mesmo das vezes que dormiram juntos, fez questão de manter a maior distância possível, mas agora, se foi a razão, não conseguia pensar que o que havia entre os dois era um acordo profissional. Só queria receber prazer e também dar prazer aquele homem.

- Shaka... – Ikki gemeu ao sentir-lhe a entrega, ele percorria sua boca com a língua, arrancando pequenos gemidos de sua garganta. Segurou-o com força pela cintura, colando seu corpo ao dele, mas o loiro o afastou, lambendo seu pescoço, descendo os lábios por seus mamilos.

- Shaka, para... – pediu agonizando de prazer e sua mente dizendo que não deveria gostar tanto daquilo como estava gostando.

- Por quê? Não está gostando? – perguntou o loiro continuando a deslizar a língua e sugar aquele pedaço luxuriante do seu corpo e o deitando vagarosamente na cama.

- Não... é que... sou eu quem tem que fazer isso... ahh... - voltou a gemer quando seu outro mamilo foi lambido e chupado. As mãos do loiro deslizando por todo o tórax, pela barriga de tanquinho, pelos pequenos ossinhos logo abaixo da barriga, que marcavam os quadris e o caminho que levava ao baixo ventre do moreno.

- Quem disse? Aqui você só me obedece... – sussurrou Shaka com um olhar depravado, começando a descer os lábios até chegar ao pulsante e ereto pênis. Lambeu vagarosamente, ficando ainda mais excitado com o gemido alto que Fênix soltou. Ele perdeu o controle com aquela carícia quente; abriu mais as pernas e empinou os quadris fazendo Shaka engolir todo o volume, descendo até o fundo da sua garganta, começando a mover os quadris, entrando cada vez mais fundo na boquinha quente do loiro; gemendo mais alto, rebolando sobre a cama, alucinado com aquele lugar quente e molhado em volta do seu sexo.

Perdera o controle da situação, estava totalmente entregue ao prazer, esquecera tudo naquele momento, só o instinto da obtenção de mais e mais prazer o guiava. Não demorou a gozar, enchendo a boca do indiano que se afastou depois, engolindo o líquido agridoce e lambendo os lábios.

- Bem, acho que agora... acabou... – sorriu o loiro com a cara mais safada e Ikki ainda esperou um tempo até abrir os olhos e encarar os deles. Seu corpo ainda tremia com o forte orgasmo; mas ele não deixaria as coisas como estavam, agora era uma deliciosa e luxuriante batalha.

- E então, Fênix? – falou o escritor – Ainda acha que sou um nerd recalcado?

- Então... isso foi apenas para me provar?

O loiro corou.

- Eu não preciso provar nada a você! – ele se levantaria mais o moreno segurou-lhe o braço, sentando na cama e mirando-o novamente de forma sacana.

- Ainda vai ficar mantendo essa pose mesmo estando desse jeito? – perguntou descendo os olhos para a ereção do escritor que avermelhou ainda mais e nada disse – Vem... deixa comigo, eu sou o profissional aqui... E ainda estou querendo mais, não vê? – falou apontando com os olhos pra própria ereção que continuava mesmo após o orgasmo.

- Não, Fênix... eu... – não conseguiu protestar mais por que seus lábios foram cobertos enquanto suas pernas eram separadas.

- Para de falar, loiro, sei que você não vê a hora de ser comido... – murmurou se aconchegando no meio das pernas flexionadas do escritor, que estava deitado na cama com os olhos fechados.

- Michê... ah... – murmurou Shaka e gemeu alto ao ser penetrado de uma única vez, entre a dor e o prazer que a penetração profunda lhe causava. Ikki gemeu também, sentindo os anéis pulsarem ao redor do seu sexo, fazendo força e o penetrando por inteiro; gemendo mais e ouvindo-o gritar, abrir mais as pernas e agarrar-lo. Shaka entregou-se totalmente ao prazer, estava loucamente desvairado de desejo; começou a mover o corpo, gemendo e pedindo que o moreno não parasse; rebolando com força, se esfregando em Fênix, o sexo pingando entre a barriga dos dois, alucinado. Ikki arfava, olhando-o tão entregue e depois de ouvi-lo pedir daquela forma começou a se mover, saindo inteiro e voltando a entrar ainda com mais força. O loiro gritava e gemia, rebolando com a mesma força que ele estocava, se agarrando a ele e o chamando, pedindo mais, quase chorando com o prazer agonizante que sentia; a voz sacana de Ikki, os movimentos de vai e vem rápidos, a boca que agora vinha em busca da sua, a devorando com fome, fazendo-o apertar os músculos que prendiam o corpo dele dentro de si com mais ímpeto; tudo isso ensandecia o loiro e fazia-o gemer também sem controle. Shaka gritou ao sentir a mão quente do moreno em seu membro, descendo devagar, sensualmente numa deliciosa tortura, antes de intensificar os movimentos ao ritmo das estocadas; logo o indiano gozou, e Ikki também não demorou muito para atingir o orgasmo, entrou mais fundo, apertando o corpo delgado e gritando o nome de Shaka, enquanto sentia seu sêmen escorrer por dentro do escritor.

Ficaram um tempo perdidos, sentindo os espasmos dos seus corpos aos poucos diminuindo até se extinguirem por completo, dando lugar a lassidão que sucedia ao orgasmo.

Minutos, até dizer alguma coisa...

- E agora, loiro? Já podemos sair?

- Hã? O quê....

- Eu disse que esse seria o melhor mês de sua vida...

Shaka sorriu mesmo sem querer. Não tinha escapatória, o mês seria realmente quente...

***

- AAAAAAAAAHHHHHH! – Shaka gritava enquanto a montanha russa dava um rodopio e descia perigosamente pelos trilhos. Ikki ao seu lado gargalhava sem parar do pânico do indiano. Isso até a segunda volta, porque a partir da terceira o loiro também estava gargalhando. Saíram da montanha russa, Shaka ainda com o coração aos pulos.

- Isso é um atentado a razão! – disse ele – Por que pagamos para sentir medo?

- Instintos primitivos e humanos! – riu Ikki e enlaçou-lhe o ombro – Vamos para a roda gigante agora!

- Primitivos e humanos? – Shaka balançou a cabeça. A psicologia de quinta daquele rapaz o divertia.

Entraram na cabine da roda gigante e se sentaram um de frente ao outro enquanto a "giringonça" começava a rodar.

Ficaram em silêncio. O final da tarde se mostrava no horizonte alaranjado e levava uma leve penumbra à cabine do brinquedo.

- Fênix, obrigado... – pediu Shaka com um sorriso que foi prontamente correspondido.

- Eu disse que minha função durante esse mês seria fazê-lo sorrir. – respondeu com um sorriso tímido baixando o olhar.

O loiro assentiu, baixando os olhos também e um agradável silêncio se estabeleceu entre eles. Passara o restante da noite agradavelmente. Foram para o cinema assistiram uma comédia enquanto devoravam um imenso balde de pipoca e o loiro sem perceber se grudava ao braço do rapaz moreno enquanto olhava a tela. Ikki percebia a posição possessiva e apenas sorria e relaxava na cadeira, aproveitando o agradável momento.

Encerraram a noite com um jantar num restaurante a beira mar e depois caminharam um pouco pela areia, falando amenidades e quando chegaram a casa, Ikki percebeu que o loiro já cochilava. Sorriu e saiu do carro fechando a porta e o rodeando para abrir a porta do carona, pegando Shaka no colo. Ele despertou assim que se achou nos braços morenos de Fênix, sorriu constrangido.

- Hã... Já chegamos? – disse por não encontrar palavras melhores.

- Sim e você parece muito cansado.

- Sim, eu... eu não sou de sair à noite, desculpe. – pediu ruborizando.

- Você é uma graça, Shaka Phalke! – riu o mais jovem seguindo com ele. Mas o indiano o interrompeu.

- Fênix, me coloca no chão, que escândalo!

- Relaxa, loiro, ninguém está vendo, já são três horas da manhã.

- Mas, eu sou pesado!

- Não é não... – sorriu e o escritor sorriu também e baixou a cabeça, mas o enlaçou pelo pescoço.

Ikki sorriu com o canto da boca e o levou para casa.

***

No dia seguinte, Ikki seguiu sua rotina de academia, faculdade e encontro com Esmeralda. Aproveitou à tarde para levar a noiva a um restaurante agradável e sofisticado, como achava que ela merecia. Esmeralda dissera que queria conversar algo sério e ele achava que ela deveria estar chateada com o pouco tempo que tinham para ficar juntos.

Fizeram os pedidos e Ikki, observador como era, percebeu que a loira estava meio nervosa e remexia a manga do casaquinho de lã que vestia o tempo inteiro.

- Esmeralda, o que você quer me dizer? – perguntou sem rodeios, já ficando nervoso com a hesitação dela.

- Ikki, eu quero dizer que te amo. Nunca duvide disso. – ela falou e esperou alguma reação do noivo que continuou com o rosto sério, olhando para ela.

A moça não achou nenhuma opção além de continuar.

- Estou indo embora...

- Embora? Embora pra onde? – perguntou o leonino aflito.

- Ganhei uma bolsa de estudos em Paris e não posso perdê-la, é importante pra mim... – ela baixou a cabeça, sem conseguir evitar as lágrimas – Me desculpe, Ikki, mas... é importante pra mim...

- Mais importante que eu?! – esbravejou o leonino, sem esconder a mágoa.

- Talvez, se você pudesse vir...

- Não, Esmeralda, eu não posso ir e você sabe muito bem disso!

- Poderíamos tentar por um tempo. Eu esperaria até que pudesse estar comigo. Você sabe que te amo.

Ikki olhou para os lados tentando controlar a emoção e a tristeza, Esmeralda, além de noiva, era uma grande amiga e ficar sem ela que tanto o apoiava seria muito difícil. Estava arrasado.

- Sabemos que esse tempo vai demorar muito. – sorriu com ironia – Você sabe que eu não posso viajar enquanto o Shun não puder viajar comigo.

- Ikki, não é justo que me peça para ficar. – a menina baixou os olhos para esconder as lágrimas.

- Tudo bem, Esmeralda. Boa viagem! – disse se levantando e jogando uma nota na mesa.

- Ikki, não faz isso! Aonde você vai?

- Ver o Shun, você sabe muito bem disso! – bradou, dando-lhe as costas. Não queria que ela visse como estava magoado.

***

Shaka estava escrevendo quando ouviu a porta bater devagar. Estranhou, porque os poucos dias passados com o moreno foram o suficientes para perceber que ele não era nada sutil. Ergueu os olhos coberto pelas grossas lentes e mirou o rosto cansado e triste de Fênix. Achou melhor não comentar, voltou para o que fazia. Era melhor vê-lo assim que animado e tentando envenená-lo.

Ikki se deixou cair no sofá em silêncio, olhando o teto de madeira do apartamento. Sentindo-se oco.

- Você está melhor, loiro? – sussurrou sem olhá-lo e Shaka vencido, se levantou da almofada que estava sentando, largando o notebook sobre a mesa, e se sentando ao lado do garoto.

- O que aconteceu? – perguntou mirando-lhe o rosto triste. Ikki deixou escapar um meio sorriso melancólico e puxou os imensos óculos do rosto do indiano.

- Tira isso, deixe-me ver seus olhos... – falou e o escritor ficou em silêncio observando-o por um tempo.

- O que aconteceu, Fênix? – repetiu a pergunta.

Ele não respondeu, somente balançou a cabeça mantendo o sorriso melancólico e o puxou pra si.

- Shaka... vem, me deixa trabalhar... – pediu num sussurro e o rapaz loiro se deixou sentar no colo dele que acariciou-lhe as pernas cobertas pela calça branca.

- Fênix...

- Meu nome é Ikki, por favor, me chame de Ikki... –pediu e tomou-lhe a boca sofregamente, a língua buscando a do loiro com lascivo desespero. Enquanto uma das mãos começava a desfazer o laço que segurava a calça do indiano.

- Fênix...

- Ikki, por favor... – ele falou contra seus lábios – E se você não quiser meus serviços hoje, serei eu a pagar a você, porque preciso dos seus serviços...

- Ora, garoto...! – Shaka iria protestar, mas a mão do rapaz avançou por seu peito e seus dedos massagearam um dos mamilos o que fez sua voz sumir temporariamente.

- Fênix... Ikki, seja lá que nome for, eu preciso que você pare, não... não é... – mais uma vez seus lábios foram tomados.

- Ikki, espera! – Shaka se afastou – Você não deveria me dizer seu nome, não é verdade?

- Ah, para com esses clichês hollywoodianos, devem ter uns trezentos milhões de Ikki no mundo! – reclamou – Vem cá...

- Mas... esse é mesmo seu nome?

Ele assentiu com a cabeça.

- Volta aqui loiro...

- Não... acho melhor... – falou o escritor se afastando mais ainda dele. Na verdade estava perturbado. Perturbado porque começava a sentir algo por aquele garoto. Algo mais que desejo e ele não queria aquilo. Não estava suportando vê-lo tão melancólico, mas não deveria se importar, por que se importava?

- Shaka, por favor, hoje eu não tenho condições de entrar nessa batalha... – ele suspirou e baixou os olhos – Então, se puder... por favor, sem chiliques.

- Eu acho que você precisa de descanso e não de sexo... – falou e gritava mentalmente: Você não deveria se importar!

- Quem é você para saber do que preciso?! – explodiu Ikki e Shaka arregalou os olhos assustado, afinal, ele nunca agira assim – O que você conhece de mim, seu arrogante? Quanto você vê de mim? Dez por cento do que sou? Isso ainda deve ser muito!

- Desculpe-me, eu realmente não quis ofendê-lo. – falou o loiro na mesma calma e se afastou. Voltou a se sentar e pegar o notebook como se nada estivesse acontecido, mas, na verdade, estava magoado e com o orgulho ferido por se preocupar com alguém que o considerava apenas um cliente.

- Por que você tem que ser tão auto-suficiente, hein? – irritou-se Ikki e escondeu o rosto com as mãos e o loiro percebeu que ele estava realmente triste. Abandonou o que escrevia novamente e se sentou ao seu lado.

- Se você estar triste, seria melhor conversar do que resolver com...

- Para mim, a melhor linguagem é a corporal, loiro... – ele disse pousando a cabeça no ombro de Shaka – Mas, agradeceria se só ficasse assim, apoiado em seu ombro.

O escritor sorriu.

- Às vezes, me esqueço que você é só um moleque! – disse e puxou-o para que pousasse a cabeça em seu colo, e como Ikki achou aquele lugar aconchegante. Fechou os olhos, enquanto o indiano afagava-lhe os cabelos, ternamente, assim acabou adormecendo, esquecendo temporariamente suas dores.

Quando acordou, encontrou o loiro cochilando por cima do seu corpo. Sorriu; ele estava totalmente dobrado no estreito sofá, mesmo assim não quis acordá-lo.

- Loiro? – chamou carinhosamente, se virando um pouco e tocando-lhe o rosto. Shaka abriu os olhos sonolentos.

- Ah, Fênix, que bom que está sorrindo... ai... – ele gemeu movimentando o braço que fora imprensado sob o peso do moreno.

- Ah, eu estou machucando você... – falou o mais jovem se levantando.

- Não, eu só...eu só não quis acordá-lo...

- Vamos pra cama, certo?

O escritor assentiu com a cabeça e se levantou, assim como o moreno e foram para a cama.

***

No dia seguinte, Ikki esqueceu a academia, queria visitar o irmão e por isso, resolveu sair cedo da casa do escritor.

Eles tomavam o café da manhã e mesmo com a cabeça baixa o moreno percebia os olhos do loiro sobre si.

- Não vai me falar mesmo o que aconteceu?

- Não. São problemas meus e você não tem que se envolver. – falou de mau humor e Shaka corou.

- Desculpe, é que não estou acostumado a ter relações puramente profissionais... – falou embaraçado – Meu agente é um dos meus melhores amigos e...bem, eu não tenho outras relações...

Ikki bufou irritado consigo. Aquele pobre rapaz a sua frente não era culpado de suas frustrações; ele estava tentando ser gentil e aquilo era muito raro vindo de alguém como ele que desconfiava de tudo.

- Você não tem culpa, Shaka, por favor, não se preocupe, estou bem. – respondeu e terminou o café.

O loiro ficou calado terminando o seu chá enquanto ele se levantava.

- Não se esqueça que hoje é dia de faxina. – falou com indiferença.

- Não esquecerei. – respondeu Ikki saindo da cozinha.

O indiano ficou parado um tempo até escutar a porta bater, então se levantou, saindo em seguida e tomando um táxi.

- Siga aquele Peugeot e não o perca de vista! – disse e o taxista obedeceu.

***

Shaka viu quando o moreno estacionou em frente a um imenso prédio que parecia um colégio. Sim, era um colégio, os estudantes passeavam atrás das imensas e imponentes grades. Viu quando o moreno passou pelo portão e um dos estudantes foi em sua direção lhe dando um caloroso abraço. O loiro ficou dentro do carro, vendo enquanto os dois conversavam e depois o estudante puxava o moreno para dentro do prédio.

- O senhor sabe que lugar é esse? – perguntou ao taxista que o olhou enfadado.

- É um dos colégios mais caros de Tóquio, só estuda gente rica!

- O senhor tem certeza disso?

- Claro que sim, com certeza meu filho não poderia estudar aí!

Shaka ficou intrigado. Quem seria aquele menino que ele visitava? Muito novo para ser um cliente e se fosse, ele não o encontraria num colégio. Poderia ser seu irmão? E por Buddha por que eu estou espionando a vida desse rapaz?

Ficou observando do táxi até ver Ikki sair e entrar no carro dando partida e acenando para o menino que ficara olhando do portão. Shaka ainda esperou um pouco até se decidir a sair do táxi. Pediu que o motorista esperasse. Dirigiu-se a portaria do colégio.

- Bom dia! Eu gostaria de falar com um aluno, meu nome é Shaka Phalke.

O homem sentado na portaria o olhou meio desconfiado.

- Qual o nome do aluno?

- Eu não sei, mas... é aquele rapazinho ali! – ele apontou para o garoto de cabelos castanhos que conversava tranquilamente com outros colegas.

- Olha, o senhor precisa de autorização para isso, o que o senhor é dele?

- Eu... bem... eu sou amigo do rapaz que falou a pouco com ele. – respondeu Shaka meio sem jeito, ainda sem ter certeza de que fazia a coisa certa.

- Infelizmente, o senhor só poderá entrar com autorização, por favor, aguarde um pouco.

- Não, escuta... – Shaka puxou uma nota do bolso e entregou ao homem que olhou para ele ainda mais desconfiado, mas guardou o dinheiro – Deixe que fale com ele ao menos daqui do portão, por favor.

- Tudo bem. – ele respondeu e caminhou a passos preguiçosos até o garoto; falou alguma coisa ao seu ouvido e os olhos verdes do menino se cravaram em Shaka com certo divertimento. Logo depois, ele se aproximava do portão.

- Oi... – disse sorrindo.

- Oi, olha... eu...

- Moço, eu tenho doze anos, então, nem adianta que eu não vou sair com um oni-san e, além disso, eu não posso sair do colégio e...

- Espere rapaz, espere um pouco! – pediu Shaka muito ofendido por ser chamado de pedófilo – Eu sou amigo do... do Ikki...

O menino o olhou ainda com mais desconfiança.

- Você é amigo do niichan?

- Niichan? – Shaka repetiu – Ele... ele é seu irmão?

- Sim, mas se é amigo dele, deveria saber disso! – falou mais desconfiado.

- Nos conhecemos há pouco tempo... – Shaka tentou manter a calma – Ele não falou que tinha um irmãozinho!

- Ah, é porque eu fico aqui preso! – riu o menino.

- E qual o seu nome?

- Shun e o seu?

- Ah... é... Shaka...

- Muito prazer, Shaka, não é sempre que tenho a chance de conhecer um amigo do niichan, ele é muito fechado, sabe? E me trata como uma criança!

"E é o que você é, meu Deus! O que isso significa?" o indiano se perguntava meio confuso; muito mais com as próprias atitudes do que com as informações do menino.

- Olha, foi um prazer conhecê-lo, mas eu preciso ir embora. – disse e voltou correndo para o táxi sem dar chance do garoto dizer mais nada.

Quando chegou a casa, ao contrário do de sempre, Ikki estava tratando da faxina. Shaka quase riu quando o encontrou com o aparato de limpeza; luvas de borrachas, lenço no cabelo e avental. Ele carregava baldes e esfregões para a varanda.

- Oi, loiro! – cumprimentou com expressão fechada, o que acentuava a cicatriz que ele tinha entre as sobrancelhas.

- Oi, Fênix, algum problema? – perguntou divertido.

- Nada! A não ser que essa casa está parecendo um chiqueiro!

- Ah, não exagera! – tornou o loiro – Bem, eu vou tomar um banho enquanto você trabalha!

- Vai seu egoísta! – reclamou e continuou a limpeza, era uma forma de não pensar muito em sua vida que parecia desmoronar em sua cabeça. Passou a tarde inteira na tarefa de limpar o apartamento do escritor, enquanto ele trabalhava no notebook.

Shaka por sua vez, observava o rapaz que parecia bastante empenhado em destruir qualquer partícula de poeira. Ele só parou quando tudo estava brilhando. Mesmo assim, foi para a cozinha e retornou minutos depois com um copo de suco de frutas e entregou ao indiano.

- Fênix, você poderia parar um pouco, por favor. Já estou ficando tonto só de vê-lo passar para cima e para baixo. – pediu Shaka depois de saborear o suco.

- Você não disse que queria isso aqui limpo?! – perguntou irritado – Agora não reclama, tá legal?

O indiano riu e se levantou, fechando o notebook e se aproximando do moreno.

- Chega, já está tudo limpo. Que tal você tomar um banho agora para fazer sua outra função?

O moreno sorriu e ruborizou baixando o olhar; o loiro ficou surpreendido com aquilo; a desenvoltura do rapaz era exercida apenas pelo seu lado mais profissional. Tivessem se conhecido em outras circunstâncias e, talvez, ele não passasse de um adolescente tímido.

- Eu já volto, então... – ele disse e saiu correndo em direção ao banheiro, voltou minutos depois com os cabelos molhados, e vestido em um short azul bem leve. Jogou-se no chão sobre uma almofada que estava ao lado do indiano, observando o que ele escrevia no computador.

- Que história é essa? – perguntou curioso.

- Um romance... – Shaka respondeu corando – Sua filosofia de botequim não estava tão errada.

- E qual o seu pseudônimo?

- Agnes Parthenos... – respondeu rindo, já esperando alguma gracinha do rapaz, mas depois achou que ele não entenderia mesmo o significado, pensou...

- Casta virgem?! – Ikki começou a rir – Não tinha um nome melhor não? Esse é muito brega!

- Você fala grego?

- Não muito, mas como estudo psicologia, acabo estudando muita coisa desse povo...

O indiano virou-se para ele e tirou os óculos.

- Você estuda psicologia?

- Sim, daí vem minha filosofia de botequim... – falou sem jeito. Estava envergonhado e ao mesmo tempo com receio da relação que desenvolvia a contragosto como aquele homem. Shaka por sua vez, sentia-se mal pela invasão da privacidade do garoto.

- Ikki, eu tenho algo a lhe dizer. Bem, eu... – o seu embaraço só crescia à medida que os olhos índigos o examinava mais profundamente – Eu o segui hoje...

- Me seguiu? Mas... por quê? – o mais jovem não entendeu. Qual motivo levaria o indiano a ter uma atitude como aquela?

- Isso não importa, mas eu falei com... com o seu irmão...

O garoto ficou pálido e depois se levantou com olhar irado. Shaka se levantou também completamente embaraçado.

- Por que você fez isso? Eu... eu não admito! Isso é minha vida privada e você não tem o direito de se envolver nela! – esbravejou possesso.

- Eu... eu sei, me desculpe, eu não sei por que fiz isso... – respondeu envergonhado, baixando a cabeça.

- Você fez isso, sabe por quê? Porque é um maldito riquinho babaca que acha que tem que controlar tudo e todos! Você acha que sou seu brinquedo novo e quer saber aonde o seu brinquedo novo vai e o que faz!

- Não é nada disso, eu só...

- É isso, sim! Para você eu não passo de um brinquedo! Agora não permito que você envolva meu irmão nisso! Você não tem esse direito!

O rapaz estava possesso e Shaka achou melhor não discutir naquele momento. Deixaria que ele esbravejasse e despejasse nele toda sua insatisfação. Não reagiria.

- Desculpe-me, peço mais uma vez...

- Lembre-se que isso aqui é profissional, senhor Shaka Phalke, nunca se esqueça disso!

- Lembrar-me-ei da próxima vez... – ele falou e sua condescendência pacífica acabou desarmando o mais jovem que respirou fundo e se sentou no sofá.

- Por que você fez isso? – perguntou.

- Eu não sei... fiquei pensando no que poderia lhe causar tanta tristeza como ontem e... bem, eu não pensei direito. Mas, você tem razão, eu não deveria invadir sua privacidade...

Ikki estava confuso com as atitudes do tão auto-suficiente escritor. Por que ele perderia seu precioso tempo o seguindo? Não queria crer que ele pudesse estar gostado dele. Por outro lado, talvez, aquilo fosse verdade. Só que não deveria ser. Analisou: Um homem solitário, misantropo, arredio com estranho tem sua vida invadida a força e é obrigado a conviver com alguém totalmente diferente dele. Verdade, aquilo daria um roteiro de romance, mas aquilo não era um romance, era vida real e poderia ter conseqüências drásticas. Não sabia bem porque se preocupava, mas não queria que ao final, o loiro estivesse ainda com mais problemas. Talvez, a idéia dos amigos de ajudá-lo tenha sido a pior idéia que eles poderiam ter...

- Você não tem que se preocupar com meus sentimentos... – falou baixando o olhar – Eu... eu não acho adequado...

- Eu sei que não é, mas... – Shaka se calou.

- Então você conversou com meu irmão? O que ele lhe disse?

- Não muita coisa... – respondeu corando – Bem, vamos esquecer isso, certo? Eu já pedi desculpas, então acredito que não seja mais necessário me torturar.

- O Shun está num colégio interno, Shaka, porque não tenho ninguém que possa cuidar dele enquanto trabalho. Digo isso antes que você faça julgamentos precipitados...

- Eu não os fiz...

- Bem... acho que você já sabe demais sobre mim...

- Desculpe-me, eu... eu não sei o que dizer... – falou o loiro muito embaraçado.

- Shaka, é o seguinte, eu não sei o que se passa nessa sua cabeça, mas, isso aqui é... profissional, certo?

- Não pensei em nada diferente disso... – agora a voz do indiano soou fria e levemente irritada – Não me trate como um garoto. Sou um pouco mais crescidinho que você se não percebe!

- Percebo sim. – Ikki falou sério – E isso é ótimo, me poupa tempo.

- Se não se lembra, foi você que começou com isso ao me dizer seu nome! – reclamou o loiro – Agora não reclame. Sei que agi errado, mas até quando...

Não terminou a frase porque o moreno o puxou pra si com violência fazendo com que caísse sobre ele. Uma das mãos segurava seu braço enquanto a outra o puxava pelas nádegas contra seu corpo.

- Eu acho que você se justifica demais... – falou e tomou-lhe os lábios. Mas Shaka se afastou dos seus braços.

- Hoje eu não quero. – disse e voltou para o notebook – Vamos agir mais de acordo com nossa relação, certo?

Ikki respirou fundo. Era impressão sua ou o loiro estava magoado? Ah, aquilo não estava certo... o pior era que se sentia muito mal com aquela situação. Por que aquela sensação esquisita?

- Shaka, eu...

- Não precisa me dizer nada, Fênix. Você está certo. – falou o escritor tranquilamente – Eu fiz tudo errado...

- Mas, eu não quero que você fique triste por isso! Eu já disse que está tudo bem! – falou zangado.

- Não estou triste, só preciso de silêncio, certo? – falou o indiano olhando para ele e recolocando os óculos que o deixava com a adorável aparência de nerd.

ADORÁVEL! Ikki repetiu a palavra mentalmente. Estava perdendo as contas das vezes que dedicara esse predicado ao escritor. Adorável! Ele não deveria ser, por que ele era tão adorável em sua pose de grande alma? Plácido como as águas de um lago e irritadiço como uma tempestade de verão? Shaka Phalke ia de um extremo a outro. Será que...

- Shaka, você sofre de transtorno bipolar?

- Quê? – o loiro não entendeu.

- Você muda de atitude muito facilmente, parece com um desses psicóticos.

O indiano emudeceu e voltou a olhar para o notebook, mas não conseguia escrever. Estava aborrecido e magoado.

- Shaka, você quer saber quem sou?

- Não...

- Você quer sim!

- Não quero! Por quê? você quer dizer?

Ikki respirou fundo.

- Sabe, aquele colégio que o Shun estuda custa caro, muito caro e eu tenho que pagar.

- Não preciso saber disso...

- Se não precisasse não teria me seguido...

O escritor voltou a encará-lo.

- Certo, Fênix, então conta de uma vez!

O moreno sorriu:

- Então, eu só tenho Shun e ele só tem a mim, então, bem... eu trabalho para que ele tenha o melhor...

O loiro ficou olhando para o rapaz que parecia bastante constrangido por dizer aquelas coisas, embora ele não soubesse por quê.

- Muito altruísta, meus parabéns! – falou com indiferença voltando para o computador.

- Sabe do que mais? Eu vou dormir, você está muito chato, hoje! – ele saiu da sala e o loiro fechou o notebook e cobriu os lábios para suprimir um soluço. Não podia ser verdade, não queria acreditar que estava apaixonado por aquele garoto insolente. A verdade é que o seguira porque estava preocupado com ele e aquele idiota achava que ele o tratava como um brinquedo! Deitou-se abraçado ao notebook e ficou pensando nisso.Não podia acreditar, não queria.

Continua...

N/A: É, eu sei que acelerei as coisas demais até, mas como fiz essa fic para ser bem levinha, não quero que também seja uma fic gigante e por isso, quero que se desenvolva logo. Bem, o primeiro lemon, sei que prometi muuuuuuito lemon, hehehe, pra quê eu prometo, hein? Pelo menos um já tem, ok? Espero que tenham gostado.

1* Segundo a psicologia freudiana, recalque é tudo que ficou de frustração do passado

Ah, pessoal, perdoem-me qualquer erro, porque dessa vez, não tive muito tempo para revisar. Só me indicar o erro onde encontrar que conserto.

Abraços especiais a todos que dispensaram um tempinho para deixar um review de incentivo:

Amamiya fã, Kojican, K. Langley, Julyana Apony, Amaterasu Sonne, Vagabond, Danieru, sasulove, Myu, Mefram_Maru, Keronekoi, Shunzinhaah2, Arcueid,

Beijos e obrigada!

Sion Neblina