Amor sem preconceito, sigilo total...?
V Capítulo
Ikki acordou no meio da noite e não encontrou o escritor na cama. Ergueu-se e caminhou até a sala. Seu coração apertou ao vê-lo dormindo abraçado ao notebook. Agachou-se próximo a ele e o puxou pra si, vendo o rosto de alabastro marcado por lágrimas. Por que ele estaria chorando? Será que...? Não queria acreditar naquilo, seu peito apertava só em pensar na possibilidade de causar sofrimento aquele loiro implicante.
Abraçou-o com força contra o peito com carinho. Não podia negar que gostava dele e não sabia por quê. Não tinha motivos, ele fazia questão de não dar motivos nenhum; era extremamente seguro de si, arrogante, frio, indiferente, metido e tantas outras coisas que odiava e que amava nele!
Corou com os próprios pensamentos. Odiava e amava? Será que...? Não, ele amava a ex-noiva ainda, nunca esqueceria Esmeralda tão rapidamente. Então, o que sentia por aquele loiro arrogante? Não sabia, só sabia que as lágrimas em seu rosto enchia-o de medo e solidão... Solidão, talvez, fosse o sentimento que mais sentisse em sua vida.
Pegou o loiro no colo e mais uma vez, ele abriu os olhos e tentou se livrar daqueles braços. Contudo, Ikki o abraçou mais forte enquanto o levava para o quarto. Shaka parou de lutar e deitou o rosto contra o peito forte, fechando os olhos.
- Ikki... – ele sussurrou.
- Estou aqui, loiro... – respondeu deitando-o na cama.
- Eu quero que você me ame agora... – pediu e o moreno estremeceu – Não me importa que seja por dinheiro. Eu preciso... preciso que me ame...
- Shaka... – ele tomou-lhe os lábios com delicadeza.
- Ame-me, Fênix...
- Não, me chame de Ikki... – ele murmurou e voltou a saborear os lábios macios do loiro.
Deitou-o com carinho na cama e começou a livrá-lo da roupa.
- Você não tem noção do quanto é bonito, Shaka... – sussurrou enquanto se inclinava para beijar-lhe o rosto. O loiro fechou os olhos saboreando as carícias suaves e cuidadosas dele. O envolveu em seus braços, puxando-o para si, envolvendo as pernas em sua cintura; se entregando como nunca.
- Não, eu não sou bonito, eu sou sempre deixado de lado... – confessou.
- Quem fez isso é um idiota... – murmurou tomando-lhe os lábios, a língua, num beijo exigente e terno. Afastou os botões da camisa branca que ele vestia e traçou uma linha de beijos em seu peito e abdômen, sentindo o arrepio que percorria os pêlos loiros do corpo de alabastro, enquanto as mãos puxavam a calça para despi-lo. Livrou-o da calça e se sentou sobre seus quadris tirando a própria camisa por cima da cabeça.
Shaka ficou admirando aquele corpo perfeito que queria só pra si. Mas esses pensamentos lhe levaram mais lágrimas de angústia, não queria acreditar que estivesse tão perdido.
Ikki se inclinou enxugando-lhe as lágrimas com a língua, um gesto sensual que fez o indiano estremecer de tesão.
- Pare de chorar, meu anjo... – pediu – Você não precisa dessas lágrimas, estou aqui...
Shaka fechou os olhos ao sentir seu corpo ser puxado com facilidade contra o dele. Acabou encaixado sobre as pernas do moreno que estava de joelhos. Ikki afagava-lhe o rosto com carinho e o escritor abriu os olhos ficando preso ao seu olhar.
O moreno sorriu continuando o afago em seu rosto.
- Eu não disse que o faria feliz nesse mês que estamos juntos? – disse e deslizou os lábios pelos deles – Então, confie em mim...
Os lábios voltaram a se encontrar, se provar; as línguas brincando uma com a outra em agonizante delírio. Ikki deslizou os lábios pelo pescoço branco, exposto com o movimento que o loiro fez com a cabeça, pra trás; foi descendo a língua por ele, enquanto as mãos tateavam pelas nádegas firmes, procurando a entrada apertada, contraída. Levou os dedos a boca rubra do indiano sobre suas pernas...
Shaka os sugou sensualmente, mordiscando levemente e sorrindo quando dele foi deslizando o mesmo pelo seu queixo, descendo por todo o seu corpo devagar, até chegar onde queria. O indiano gemeu baixinho quando foi penetrado por aquele dedo úmido que brincava de estimular sua próstata ao nível de fazê-lo gritar; Ikki colocou mais um com os mesmo movimentos suaves, enquanto a outra mão deslizava pelo membro rígido do escritor que gemia cada vez mais alto.
- Ikki, isso... ahhh... está muito bom... – ele gemia enlouquecido rebolando contra aqueles dedos ousados que o invadia e estimulava intimamente num vai e vem constante e lascivo. Shaka já estava a ponto de gozar quando ele parou e se livrou do short que vestia, para isso tendo que erguer um pouco o corpo do indiano que estava suspenso sobre seus quadris. O loiro ficou maravilhado com a beleza do moreno; não que ele não o admirasse antes, mas naquele momento ele pareceu ainda mais belo. Afastou-se para olhá-lo melhor e depois se ajoelhou, saindo de cima dele e segurando seu membro entre as mãos. Ikki gemeu de antecipação ao sentir o hálito morno perto de si, gemendo ainda mais quando a língua cálida começou a lambê-lo todo, deslizar pelo pequeno orifício úmido onde o líquido agridoce já saia um pouco e depois voltando a lamber toda sua extensão para logo o soltar masturbando com as duas mãos, descendo a língua por seus testículos; ouvindo os gemidos cada vez mais desesperados e voltando a sugar com força o falo ereto. Ele já segurava os cabelos do escritor e movimentava os quadris entrando mais naquela umidade deliciosa que era a boca de Shaka. O indiano continuava a sugar e lamber com uma gula incrível, chegava ser hipnótico a forma que ele estava se entregando. Mas, o moreno sabia que se continuasse aquilo não duraria muito tempo e, por isso, o afastou puxando-o delicadamente pelos cabelos. Shaka lambeu os lábios e o encarou com aqueles olhos velados e ébrios de desejo
- Shaka, você já ouviu falar em Kama shastra?
- Não... – respondeu o indiano .
- É uma arte indiana, você deveria conhecer... – falou e segurou o loiro pela cintura.
- Eu não sou especialista na arte do sexo, isso cabe a você...
- Bem, vamos fazer agora uma posição chamada "Dupla provocação", é uma posição do Kama shastra, em que, você flexiona suas pernas assim... – flexionou as pernas do indiano até que seus joelhos chegassem ao seu peito. Sorriu – Hum... você é tão flexível, loiro – disse e se ajoelhou na frente do indiano colocando um joelho de cada lado das nádegas firmes dele. – Agora, eu elevo um pouco seu quadril com a mão – ele fez o movimento o que elevou os quadris do loiro a ponto de suas costas ficarem arqueadas sobre a cama – Então, eu penetro... assim. Shaka gritou quando foi invadido de uma vez só. A posição era ao mesmo tempo deliciosa e agonizante, porque não lhe dava chance de qualquer movimento; ficava totalmente a disposição dos movimentos rítmicos e lentos do moreno que parecia se deliciar com o agonizante prazer que via no rosto dele.
- Ikki... mais forte... – implorou Shaka.
- Hum... hum... – negou o moreno – Vou levá-lo ao limite, loiro, quando você estiver a ponto de explodir, eu mudo de posição, certo?
- Não... não faz isso, eu... eu já estou a ponto de explodir! – gemeu sentindo o corpo queimar; estava difícil se controlar, queria mais. Aquilo era realmente uma tortura e seu corpo já estava molhado de suor pelo controle forçado do prazer.
- Você agüenta... – murmurou estocando muito lentamente, fechando os olhos, rebolando um pouco nas entradas e saídas de dentro do escritor e ouvindo-o gemer cada vez mais.
Shaka já estava a ponto de enlouquecer. A penetração era profunda, estimulando a próstata e o deixado realmente a ponto de desmaiar de tesão.
- Ikki... por favor... eu preciso...
O moreno afastou-se então, pois, via que realmente ele enlouqueceria se o torturasse mais; sua respiração se acelerara ao extremo e seus cabelos molhados já se grudavam a testa; sua expressão era de desespero. Mesmo assim, ele nunca o achara tão lindo, parecia um anjo embriagado de desejo.
Deitou-o na cama de bruços, passando a mão por baixo dele para que empinasse o quadril o que o indiano fez sem pudor algum, implorando por aquilo. O moreno começou a penetrar entrando todo nele. Shaka gritou alto, rebolando com força contra o corpo de Ikki, apertando o sexo do moreno dentro de si, sentido-o sair e entrar com força, os dois corpos encaixados um no outro, suados; os gemidos se misturando. Ikki puxava-lhe os cabelos, virando o rosto dele para si, o beijando, saindo de dentro do escritor e o colocando no colo, voltando a entrar nele, deitando na cama e o fazendo cavalgar sobre si, segurando o amante pela cintura, comandando o ritmo cada vez mais intenso dos movimentos.
Shaka subia e descia, se apoiando no peito do garoto, olhando para ele, voltando a gritar, sentindo o orgasmo próximo, arfando, chamando pelo nome de Ikki e gozando sobre a barriga dele, abaixando todo o corpo e deixando-o completamente enterrado em si, exausto, e ainda trêmulo com a força do orgasmo que tivera. Ikki olhou para o homem sobre si, virando na cama o deixando por baixo, continuando a estocá-lo, sentindo o sêmen quente escorrer pela barriga, vendo Shaka gemer cada vez que se enfiava dentro do corpo dele. Puxando o rosto do escritor o beijando, gozando dentro dele, não parando de se mover, sentindo o líquido quente invadir Shaka e escorrer de dentro do seu corpo. Caiu por cima dele e ficou assim por alguns minutos, recobrando a respiração, voltando à realidade.
- Ah, Ikki, esse kama shastra é muito bom... – falou o escritor ofegante. Ikki virou para o lado, saindo dele e deitando-se ao seu lado, sendo puxado pelo loiro e pousando a cabeça em seu peito. Shaka beijou seus cabelos escuros e o envolveu forte nos braços. Ambos estavam totalmente molhados de suor e ofegantes.
- Eu sei que pra você isso nada... – ele começou a dizer, mas o moreno colocou os dedos contra seus lábios num mudo pedido de silêncio.
- Não fala nada, loiro... – Ikki murmurou se aconchegando mais ao corpo de alabastro – Deixe-me apenas sentir esse calor que sai de você...
Shaka se calou e ambos adormeceram. Quando o indiano abriu os olhos, já era dia e Ikki estava sentado na cama. Já estava vestido e o encarava seriamente.
O loiro se sentou também por instinto, puxando o lençol para proteger o corpo e encarando com certo receio as safiras azuis que eram os olhos dele.
- Loiro, quero que você venha comigo...
- Pra onde? – achou a pergunta meio idiota, mas se resignou.
- Eu invadi seu mundo, agora quero levá-lo ao meu.
- Tem certeza? É, quero dizer, isso não deveria ser profissional?
- Já deixou de ser a muito tempo, ou melhor... – ele encarou o loiro – Poderá deixar de ser definitivamente.
Shaka não sabia o que o rapaz queria dizer com aquilo, mas se levantou, tomou um banho e se arrumou para segui-lo.
Saíram e Ikki dirigiu por alguns minutos até chegar a uma casa pequena bem ao estilo oriental, harmoniosa; mas isso até a entrada, quando abriu à porta o lugar parecia ter sido vítima de um furacão.
- Sayaka! – Ikki chamou procurando pela casa. Shaka continuava parado na entrada. Aliás, ele se sentia incapaz de entrar num local bagunçado como aquele, então, enquanto Ikki procurava pela tal Sayaka, começou a tentar organizar a sala. Levantava vasos caídos, tirava roupas e jornais de cima do sofá, ajeitava portas retratos, etc.
- Loiro! – parou ao escutar o grito do moreno e o mirou meio estarrecido.
- Você é faxineiro?
- Não...
- Então quer parar!
- Ah, desculpe! – pediu e correu para o pequeno rol da casa. Simplesmente não conseguia ficar num local bagunçado. Ikki quase riu percebendo a neurose do escritor; e nesse momento uma mulher apareceu.
Shaka quase fez uma careta; uma aparência péssima, mistura de noites mal dormidas e álcool. Aliás, foi um forte cheiro de álcool o que ele sentiu assim que a mulher pisou na sala. Sua aparência era de decadência, os olhos avermelhados, os cabelos negros desgrenhados; dava mostra de ter sido uma mulher bonita em algum momento de sua vida, mas não naquele.
- Ikki, quanto tempo! Pensei que houvesse esquecido que tinha uma tia... – disse a voz embriagada da mulher.
- Eu trago dinheiro todo o mês, não é? – respondeu o moreno de mau humor – E... você está bêbada já a essa hora?
- Isso não lhe diz respeito, fedelho! – bradou a mulher – Se não fosse por sua culpa, eu não estaria nessa!
- Por minha culpa? Eu faço tudo o que posso por você!
- Se você se preocupasse comigo e com o seu irmão, você teria aceitado o dinheiro daquele velho!
Ikki respirou fundo e tirou a carteira do bolso.
- Só vim deixar o dinheiro! –disse e tirou as notas colocando sobre uma cômoda.
- Não me trate como uma prostituta, seu moleque! – grunhiu a mulher – Você poderia me dar mais que essa esmola mensal!
- Eu me esforço demais por essa esmola mensal, não fico enchendo a cara e transando com todo homem que aparece! – esbravejou e em resposta levou uma bofetada no meio da cara.
- Eu ainda sou sua tia, eu criei você e aquele inútil do seu irmão, e é assim que você me paga?!
O rapaz olhou para a mulher com raiva e então os olhos de Sayaka pousaram no loiro na entrada da porta. Ela ajeitou a camisola preta que vestia e sorriu com charme para Shaka.
- Olá, você é amigo do Ikki?
O indiano olhou para o moreno que continuava com a cabeça baixa e parecia muito envergonhado daquilo tudo. Logo depois, ele encarou a mulher com raiva e indignação.
- Vai dar em cima dele também? – esbravejou possesso se adiantando para a saída e segurando o braço do escritor – Vamos Shaka.
- Espere! – gritou a mulher – Como está o Shun?
- Bem, muito bem desde que se livrou de você! – respondeu andando em direção ao carro e arrastando o loiro. Entraram, e Ikki esmurrou o volante e depois encostou a cabeça contra ele.
- Droga! – murmurou – As coisas nunca mudam!
Shaka permanecia calado, não sabia o que dizer.
- Desculpa... – continuou Ikki – Você não deveria presenciar isso.
- Não tem problema. – disse sem jeito – Você quer... quer ir a algum lugar, quer conversar?
- Vamos a um lugar. – ele disse e deu partida no carro. Dirigiu até o Ueno Park e Shaka ficou maravilhado com a beleza bucólica do local incrustado na imensa metrópole japonesa.
- É aqui que venho para me acalmar.
- É muito bonito.
- Você ainda não viu nada, vem comigo! – eles seguiram por uma trilha que levava a um imenso jardim de cerejeiras, onde se sentaram na grama que crescia à beira de um riacho. Shaka apoiou as costas numa árvore e Ikki, sem nenhum embaraço, deitou a cabeça sobre suas pernas cruzando uma das pernas sobre o joelho.
- Ikki, o que aquela mulher quis dizer com... o dinheiro do velho?
- Ah, você prestou atenção nisso? – ele pareceu ruborizar um pouco e desviou o olhar.
- Sim, prestei. – Shaka virou seu rosto pelo queixo para que ele o encarasse.
- Ah, é uma história muito antiga que eu já decidi esquecer.
- Eu gostaria de saber.
- Shun e eu somos filhos de um ricaço, ele teve um caso com nossa mãe e bem... – suspirou – Ele nunca ligou pra gente, mas antes de morrer ficou com a consciência pesada e quis assumir todos os filhos que tinha e não eram poucos... – riu com escárnio amargo – Temos até amigos que também são filhos do velho, ele passou o rodo geral!
- Qual era o acordo?
- O velho morreu antes de reconhecer nossa paternidade, então os familiares contrataram vários advogados para tentar um acordo onde nos dava algum dinheiro e com isso teríamos de assinar um contrato onde não exigiríamos nada na justiça. Eu fui contra e convenci os outros também a não aceitar. Alguns dos garotos entraram com ações na justiça, eu preferi não fazer nada, e essa é a história. Na verdade, eu não quero nada daquele povo, não pretendo lutar por nada na justiça, quero que eles morram afogados em suas fortunas.
- Você está sendo egoísta.
- O quê? – o moreno mirou o rosto plácido do indiano.
- Você não está pensando no futuro do seu irmão. Eu acho que deveria pensar.
- É porque penso no futuro dele que faço o que faço. – falou se levantando e olhando o loiro, zangado – Eu não acho que um pai que só nos procurou no leito de morte tenha alguma coisa para nos oferecer! E não obriguei o Shun a concordar comigo!
- Ele só tem doze anos, normal que siga o irmão. Agora, você deveria pensar que um colégio interno não é local para uma criança crescer. Seu irmão precisa de um lar, Ikki, e... quem sabe, você não devesse voltar a conversar com a família do seu pai...
- Sinto muito, mesmo sendo um michê como você me chamou tantas vezes, tenho meus princípios. – falou zangado – Eles nunca se importaram com a gente, pra mim, eles não são ninguém.
Shaka suspirou.
- Só dei meu ponto de vista, você faz o que quiser de sua vida, só acho que deveria pensar mais com a cabeça do que com o coração.
Ambos se calaram e ficaram assim por um tempo.
- Eu não lhe trouxe aqui para que brigássemos... - disse Ikki – De qualquer forma, isso não tem mais nenhuma relevância, alguns dos garotos resolveram aceitar o acordo dos Kido.
- Alguns dos seus irmãos?
- Meu irmão é só o Shun.
- Você é mesmo teimoso...
- É meu maior charme. – sorriu maliciosamente o moreno e Shaka acabou sorrindo também. Então, Ikki se levantou e pegou o loiro pela mão – Shaka, vamos fazer, lá naquele bosque?
O indiano empalideceu.
- Quê? Enlouqueceu?
- Ah, você não gosta de aventuras?
- Não tenho nenhuma vontade de ser preso por atentado violento ao pudor!
- Você é um chato!
- Sou. Eu faço um convite melhor, que tal irmos a uma biblioteca? Preciso fazer umas pesquisas...
Ikki se jogou na grama, teatralmente.
- Como diria o sábio Popai: macacos me mordam, Shaka! Eu te chamo pra transar e você quer ler?!
O loiro deu de ombro sem jeito e se sentou ao lado dele.
- Eu sou um nerd, esqueceu?
Ikki ergueu a mão e tocou-lhe os cabelos sedosos.
- É verdade, um nerd muito gostoso, mas mesmo assim, nerd.
O loiro fez uma careta e se levantou.
- Estou com fome, vamos comer em algum lugar, certo?
Ikki fez o mesmo.
- É, se eu não posso comer você... – falou e pulou para se livrar de um muro, riu e enlaçou os ombros do indiano, beijando-lhe os cabelos.
- Solte-me, Fênix, as pessoas estão reparando... – falou, corando.
- Sério? E se eu fizer isso? – perguntou e cravou a mão na bunda do escritor que avermelhou ainda mais, batendo em sua mão e se afastando dele.
- Pervertido!
- Gostoso!
- Para com isso, moleque!
- Adoro ver seu rosto vermelhinho...
E assim se passou mais um dia para eles.
***
Shaka acordou com o barulho do telefone.
- Alô?
- Shaka, não desliga!
- O que você quer, Milo?
- Teremos um coquetel de lançamento do livro do Saga, amanhã. Estaremos chegando no vôo das oito.
- Ok, sou mesmo obrigado a ir?
- Sim, e por Zeus, não me decepcione. Eu preciso de você nesse evento.
- Não prometo.
- Shaka, não faça isso comigo, será uma oportunidade para aparecer à imprensa depois do que fez no lançamento do seu livro.
- Como se eu me importasse com isso...
- Eu estou pedindo. – Milo falou extremamente sério e o indiano suspirou.
- Tudo bem, Milo, estarei lá.
- Ok, no mesmo local as dez.
Shaka desligou o telefone e voltou para os braços de Ikki que permanecia imóvel envolto nos lençóis.
- Quem era, amor? – ele perguntou sonolento, sem abrir os olhos. Shaka corou e mirou o rosto adormecido do moreno. O que ele queria dizer com "amor"?
Não queria pensar, mas também, não havia como negar que aquelas palavras aqueceram demais seu coração. O envolveu nos braços e voltou a dormir. Ikki o abraçou mais forte, estava sonolento demais para cobrar resposta...
***
"Falta uma semana para o mês chegar ao fim." Shaka pensou com melancolia, observando o moreno dormir. Sentou-se ao seu lado e afagou-lhe o rosto. Sentiria saudades, mas tentava se convencer que não estava apaixonado. Não podia estar.
- Ikki, Ikki, acorde! – chamou delicadamente e o moreno abriu os olhos. Estranhou ver o escritor de terno.
- Oi, loiro, pra onde você vai?
- Nós vamos. Levanta e se apronta, preciso ir a um lançamento e você vem comigo.
- Lançamento?
- É do livro de um dos escritores da agência. Eu sou obrigado a ir.
- E quer me levar nisso, por quê?
Ele perguntou e viu o indiano corar e se afastar.
- Esquece, vou sozinho!
- Espera, loiro, deixa de ser sensível, não disse que não iria...
- Mas, você tem razão, não faz parte de suas funções.
- Loiro, para com isso, eu vou com você.
- Não precisa, fique tranqüilo! – falou Shaka apertando o nó da gravata e saindo do quarto.
Ikki suspirou; ele sempre estava na defensiva. Ergueu-se da cama e foi atrás do escritor que tomava seu chá, tranquilamente no jardim.
- Shaka, eu não disse que não iria. – falou zangado – Por que você é tão complicado?
- Eu... só não quero forçar uma situação. – respondeu o escritor.
- Que merda! Você não está forçando nada! Eu... – Ikki se interrompeu. O que estava acontecendo entre eles? A verdade era que estavam completamente envolvidos um com o outro e o fim estava chegando. Era um sonho com hora marcada para acabar e o indiano deveria temer se envolver ainda mais, embora não conseguisse resistir.
Suspirou nervoso:
- Escuta, loiro, eu vou porque quero ir, ok? Isso não tem nada a ver com meu trabalho. Eu gosto da sua companhia.
Shaka baixou os olhos para a xícara.
- Não deveria gostar, aliás, não deveríamos gostar tanto da companhia um do outro.
Ikki emudeceu e depois se sentou ao lado do escritor, tomando-lhe a xícara das mãos e o forçando a encará-lo.
- Shaka, me escute. Eu o levei para conhecer minha história. Há muito deixamos de ter uma relação somente profissional, será que não poderia,ao menos,ser meu amigo?
Os olhos azuis claros examinaram o rosto sério do rapaz mais jovem.
- Desculpe-me, mas... ah, Ikki, as coisas não são tão fáceis assim pra mim, eu...- gaguejou e não conseguiu dizer o que queria, na verdade não conseguia nem dizer o que pensava.
- Vamos deixar essa conversa pra depois, certo? Vou me arrumar! – o moreno se levantou e foi rápido para o chuveiro.
O indiano suspirou; percebia que não era somente ele que estava envolvido mais do que gostaria.
***
Shaka chegou ao local do lançamento do livro e encontrou Milo que sorriu sem jeito e depois mirou o rapaz mais jovem ao lado do loiro.
- Olá, você deve ser...
- Você sabe muito bem quem ele é. – cortou o loiro, sério – Onde estão aqueles dois?
- Nos Estados Unidos. – falou Milo sem jeito – E não precisa ficar com essa cara, o mês já está acabando e vejo que você o aproveitou muito bem, está até mais corado!
Shaka corou mais com o comentário e Milo riu.
- Fiquem a vontade, e Shaka, não se esqueça de sorrir para a imprensa! – piscou se afastando. O loiro grunhiu e puxou Ikki pelo braço para que entrasse no sofisticado ambiente. O rapaz olhava para todos os lados, meio deslocado com aquele mundo.
- Loiro...
- Vem, Ikki, vamos nos esconder. – cortou Shaka o puxando para uma sacada, quando chegaram lá, sorriu para o rapaz e respirou fundo – Olha, eu tenho somente que aparecer em algumas fotos e sorrir um pouco e logo volto pra cá, certo?
- Eu posso, ao menos, transitar pelo salão e beber alguma coisa ou terei que ficar aqui escondido? – perguntou o moreno, irritado.
O indiano riu e ajeitou o colarinho dele.
- Claro que pode, eu não estou escondendo você, só achei que não quisesse ficar lá.
- Eu não sou anti-social como você, loiro.
- Tudo bem, então vamos! – Shaka deu-se por vencido e ambos saíram pelo salão da editora. O indiano procurando Milo, e Ikki pegando uma bebida e transitando pelo local.
- Shaka... – ele ouviu a voz grave e sentiu a mão em seu ombro. Virou-se e imediatamente um nó se fez em sua garganta.
- Saga...
- Fiquei feliz quando o Milo disse que você viria, sinceramente não esperava.
- Ele não disse que implorou? – perguntou o indiano incomodado.
Saga riu.
- Você sempre consegue me surpreender.
Shaka corou com a afirmação, se lembrava muito bem da última vez que surpreendera Saga e a resposta que ele lhe dera.
- Ah, me esforço para isso. – ironizou nervoso e pegou o primeiro copo que passou numa bandeja o despejando na boca. Arregalando os olhos, sentindo a garganta queimar, mas tentando disfarçar e ficando vermelho igual um pimentão.
- Desde quando você começou a beber e ainda por cima, vodka pura? – espantou-se o grego.
- Há coisas que mudam... um homem... – respondeu tentando respirar, porque estava quase sufocando com o ardor em sua garganta.
- Shaka, sobre aquela noite...
- Não precisa dizer nada, Saga, eu... – estava quase impossível falar, tanto pelo embaraço de recordar da noite do fiasco quando levou um fora do grego, quanto pela vodka que queimava sua garganta e estômago; sobretudo, o estômago.
- Shaka... – o grego sorriu e ergueu a mão, ajeitando alguns fios loiros que escapavam do elástico que prendia-lhes os cabelos. Shaka recuou por instinto o que fez Saga sorrir – Eu sempre gostei desse seu jeito recatado...
- Não, você... você disse...
- Se eu disser que mudei de idéia?
- M-mudou...?
O grego respirou fundo.
- Eu gostaria de falar com você, mas não gostaria que fosse aqui, acho que temos muito que falar desde nosso último encontro.
- Hã? É, mas, é o lançamento do seu livro, acho que... – Shaka foi interrompido pelos flashes dos fotógrafos. Saga virou-se para eles o que o obrigou a fazer o mesmo, sorriram tentando não demonstrar o quanto aquilo era incômodo.
Quando os flashes pararam, o grego segurou o pulso do loiro de forma discreta e o levou para uma das sacadas.
- Shaka, eu queria vê-lo depois, eu queria dizer...
- Saga, em outro momento, por favor... – pediu Shaka libertando o braço, suavemente – Eu... eu tenho uma pessoa que está me esperando no salão, agora...
O grego pareceu espantado e abriria a boca para dizer alguma coisa, mas pareceu desistir, voltando a sorrir.
- Tudo bem. Estarei no Japão até o final da semana. Posso visitá-lo?
- Bem, é... claro... – Shaka falou nervoso – Preciso ir...
Saiu da sacada e procurou Ikki com os olhos. Já era o momento de ir embora, já tinha feito o que Milo queria e não devia mais nada ao agente. Procurou e não encontrou o moreno, então se aproximou do loiro grego.
- Milo, você viu o Ikki?
- Ah, o michê?
- Não fale assim! – pediu Shaka irritado e Milo o mirou sério e preocupado.
- Shaka, espero que você não esteja gostando desse rapaz... – mirou o rosto do indiano que baixou os olhos – Shaka, por Zeus, você não está gostando dele, não é?
- Isso não lhe diz respeito, me responda apenas se você o viu?
- Ele saiu no momento que você foi com o Saga para a sacada. – respondeu sério e viu o indiano andar rápido em direção a saída.
- Que merda! – exclamou e pegou o telefone, discando um número – Alô, Camus? Você não tem noção do problema que criamos!
***
Shaka chegou ao corredor a tempo de ver o moreno entrando no elevador.
- Ikki, espera! – gritou, mas a porta se fechou e ele foi obrigado a descer correndo as escadas, sorte estar no terceiro andar, mesmo assim, chegou ofegante a recepção, correndo por que pelo vidro, via o moreno marchando em direção ao carro.
- Ikki, espera! – puxou-lhe o braço, levando um forte safanão para que o soltasse.
O moreno o mirou, magoado.
- Por que me trouxe aqui?! – esbravejou – Você queria fazer ciúmes aquele cara, é isso?
- Ikki, não foi nada disso! Eu... eu nem pensei em...
- Para de mentir! – bradou o moreno – Eu vi como você olhava pra ele, eu vi, Shaka!
O loiro emudeceu; não sabia o que dizer. Era verdade, ficara completamente atordoado com a proximidade de Saga. Esquecera-se totalmente da presença de Ikki, lembrando-se dele, apenas, quando o grego lhe fez a proposta...
Sem palavras, baixou a cabeça. Então, o moreno terminou de abrir a porta do carro, contudo, mais uma vez o loiro segurou-lhe o braço, dessa vez com firmeza, o encarando.
- Não me deixe falando sozinho! – reclamou.
- Pelo que eu saiba você não estava falando nada!
- Ikki, deixe de ser infantil!
- Não me chame mais de Ikki, me chame de fênix! – gritou, tentando se desvencilhar dos braços que o prendia, mas Shaka apertou mais seu pulso o que o forçou a parar e encará-lo.
- Escuta! Eu... eu não tenho nada com o Saga!
- Mas, é dele que você gosta, dá pra ver de longe!
- Seu estúpido, eu gosto é de você! – gritou o indiano.
Os dois pararam ofegantes se encarando. Ficaram assim por um tempo, até o indiano soltar-lhe o braço e baixar a cabeça. Mesmo assim nada disseram.
Shaka então virou-se e se afastaria, quando sentiu a mão do moreno puxá-lo pra si; em segundos dedos ergueram seu queixo e seus olhos se encontraram para depois os lábios. Um beijo apaixonado foi trocados por eles e, naquele momento, esqueceram que estavam num estacionamento; só os dois existiam. E com isso, nem se deram conta dos flashes incessantes de alguns paparazzos.
Continua...
N/A: Ah, eu precisava fazer uma piada com o fato de no mangá o KIdo ser o pai dos 100 órfãos... Hehehehe, uma das coisas mais ridículas do Kurumada em minha opinião. E... mais lemon, esse achei que saiu meio tosco, mas... mas... Ah, quis fazer e fiz!Que se dane o mundo meu nome não é Raimundo! (Sion em surto!)
Ah, O Saga, hein? Sempre ele! Rsrsrsrs... Tão previsível a Sion!
Beijos a todos que leram em especial aos que deixaram reviews...
Julyana Apony, Kojican, K. Langley, Amaterasu Sonne, Nisa de Touro, lalay, sasulove, Juliabelas, Arcueid, Keronekoi, Danieru, Mefram_Maru, Shunzinhaah2.
Queridos, me perdoe se deixei de responder algum review é que o FF, às vezes, fica louco e não envia review alert, então fico perdida.
Abraços,
Sion Neblina
